Revista Rolling Stone publica matéria sobre o Rock Gospel
Publicada por RenatoCavallera em 15 de Outubro de 2008 às 18:32:29 na categoria Música no Brasil
Com 20 anos, gospel nacional sucumbe diante do pop brega religioso.
Se não morreu, está aguardando lugar na UTI." É a resposta de Paulinho Makuko, vocalista do Katsbarnea, banda fundadora do denominado gospel no Brasil, questionado sobre uma eventual morte do movimento. Os motivos? Além de não cumprir o objetivo original de romper as barreiras do templo para levar o evangelho por uma via pop e acessível ao público não-cristão, o gênero afundou-se em um gueto religioso em maneirismos e expressões compreendidas apenas por adeptos fervorosos.
Único integrante da formação original da banda, formada em 1988 no porão de uma igreja evangélica árabe em São Paulo, Makuko entende que a etiqueta gospel pode ter represado as bandas evangélicas de rock dentro do ambiente religioso, impedindo a expansão para o cenário pop nacional. Voltado para si mesmo, acomodou-se satisfeito com shows em igrejas, festivais cristãos e a venda de discos para o público evangélico.
"Quando a gente começou, não existia o nome 'gospel'. Existia música evangélica, caretaça mesmo, um negócio que eu nem sabia que havia", ele lembra. A banda, que nos anos 90 tocou ao lado de Ira!, Zero, Supla e Violeta de Outono na extinta casa de shows Dama Xoc, em São Paulo, hoje se vê restrita a eventos promovidos por evangélicos.
Passados 20 anos, o movimento gospel está descontextualizado. Hoje, uma nova safra de cantores e artistas "voltados para dentro" arrasta multidões de crentes a shows-cultos e vende CDs e DVDs a essa mesma multidão, enquanto bandas de rock continuam longe do circuito nacional, e gravadoras e lojas especializadas fecham as portas. Em vez do pop nascido no fim dos 80, quem dá as cartas hoje é um estilo conhecido nas internas como "louvor e adoração". Embora comercialmente viável, essa música é assumidamente feita para cultos com uma roupagem popular. Com discos de ouro, platina e diamante já recebidos - segundo a MK Publicitá, gravadora forte no estilo -, cantores e bandas somam letras religiosas a referências do pop comercial dos anos 80, como Rosana, Jane Duboc e Gilliard.
"Isso é careta. O gospel nasceu, começou a crescer e parou porque voltou a ser música da igreja. O gospel mesmo, no Brasil, não existe. Não existe alguém como a [rainha do gospel norte-americano] Mahalia Jackson", lamenta Makuko. Kako, baterista dos Militantes, concorda. "Não existe sustentabilidade de banda gospel fora da igreja porque não existe novidade", diz o integrante da banda, que atualmente conclui as gravações de álbum produzido por Clemente (ex-Inocentes, atual Plebe Rude).
Duas ações isoladas ameaçaram expandir os tentáculos do gospel. Em 2001, o Oficina G3 subiu a um dos palcos do Rock in Rio 3 para o show de abertura. O que poderia ser uma virada na carreira - a banda nasceu em 1987 dentro de uma igreja paulistana - revelou-se controverso. Além de metralhados pela ala conservadora dos fiéis dias antes, a banda tocou as primeiras músicas para ninguém - um problema com a TV Globo fez a organização atrasar a abertura dos portões e, simultaneamente, obrigar o grupo a começar o show. "Saímos arrasados do palco", lembra o baixista Duca Tambasco. Mas depois disso, segundo a banda, diversas FMs do país se interessaram pelo hard rock do Oficina G3.
Kim, vocalista do Catedral, criado em meio à cena crente do final dos 80, foi o responsável pelo segundo movimento em direção ao pop. A banda assinou com a Warner em 1999 e nela lançou três discos. Hoje, está na Record Music, da Line Records (pertencente à Igreja Universal). Para ele, a ausência de criatividade responde pelo isolamento do gospel. "O mercado está se fechando para as bandas de rock. Sabe quando tinha a onda da lambada? O meio evangélico está vivendo uma onda", ele aponta. A análise vem de quem é comparado desde os tempos de cena cristã com Renato Russo - a voz de Kim é próxima demais à do legionário, morto em 1996.
Para a gravadora MK Publicitá, no entanto, tudo vai bem. A companhia acredita que, da produção enviada ao mercado, cerca de 20% é consumido por não-evangélicos. "Se o gospel é o terceiro estilo mais consumido no país, segundo a ABPD [Associação Brasileira dos Produtores de Discos], como podemos afirmar que ele está fechado? Não está, só não tem cobertura da grande mídia", entende Alomara Andrade, assessora de comunicação da gravadora. "Claro que poderíamos ter tido um nível maior de penetração, sobretudo na mídia não-segmentada. Mas não é porque não foi assim que vamos deixar de lutar por isso. No momento certo, acontecerá." Quando? Só Deus sabe.
Fonte: Rolling Stone
Mais informações de Oficina G3, Paulinho Makuko, Militantes, Katsbarnea, Kim, Catedral
Só torço para que esse "gospel" que nós temos hoje nunca estoure na grande mídia mesmo. Seria o triunfo do medíocre.
E pra piorar, o negócio q vende e/ou é divulgado tá na "classe" dos mantras (ou da "adoração extravagante" ou seja lá q nome eles queiram dar). Aí o negócio empena duma vez, pq só quem tá dentro do gueto(i.e. igreja)é q entende certas expressões.
musica evangelica em decadencia a muito tempo....
as igrejas (empresas) tem dominado a ideia de que musica de crente ehs oh akelas tocadas dentro da igreja com choradera e repetição (tipo mantra)
e eh isso, quem quiser se libertar tem q correr sozinho, contra o vento e contra o pastor hehe
OBs: vc é o Breake do Apenas Música? Se for...cara ...teu blog é massa !!!!!! Tenho me divertido a valer com aquelas preciosidades que vc posta por lá.....
Hoje eu não vejo mais alternativa do que procurar meios seculares, gravadoras seculares e tal... pq as "cristãs" estão muito acomodadas
Mas graças a Deus q surgem bandas que querem fazer a diferença nesse mundo. É isso que eu quero com a Tecla SAP, é isso oq eu acredito que a Tanlan quer (como esses dias q os caras tocaram lá na UNISINOS, mto legal), Audiovoltz e tantas outras q estão surgindo!
O bom é que várias surgem do Dot.. e não acho q seja coincidência, mas aqui dá pra ver como existem pessoas que se importam ainda em ser luz!
Por outro lado, com exceção do Duca, que é uma pessoa que merece respeito, Kim e Makuko são hoje dois frustrados. Fizeram muito no início do "movimento gospel", mas hoje sucumbem ao sucesso do passado. Porque dizer que falta criatividade, é no mínimo inveja e falta de competência.
Se não existe criatividade, o que dizer das bandas que estão no CD virtual do Dot?
O problema é – que fica nas entrelinhas da matéria – a música no Brasil está completamente vendida. Seja no meio cristão (onde você "tem" que ser um ministério), ou seja no meio secular.
O que manda é o dinheiro das gravadoras comprando malditos jabás.
Já a criatividade...
...é financeiramente pobre.
Lembram de uma entrevista 'arrogante' do Makuko a uns anos atrás? "Ganhei muita grana, etc etc..."?
Por aí... não acusando, mas já a tempos ele fala isso e o cenário não mudou e nem sei se ele mudou qto a isso tbm.
A única coisa que me come por dentro é que ainda tem almas que precisam ser ganhar e a música é um instrumento poderoso pra isso. Se o incentivo humano é baixo, torço pra que Deus seja então o incentivo, o que já deveria ser... e totalmente suficiente!
e as viidas que precisam ser salvas?
sabe? cadê o amor pelas almas...
eh só grana no bolso?
o brother simion eh um cara q ficará imortalizado nos coracoes dos jovens cristaos (que curtiam rock, hehe) dos anos 90...
através dos eventos evangelísticos que aconteciam nessa epoca, mtas pessoas vieram a JESUS por causa das bandas de rock cristao...
o makuko eh um cara que acho q merece destaque, tbem... cara
espero q isso mude, logo...
falando sério, a grande mídia "gospel" ou "secular" do brasil tem a forte tendência de degradar, através do "comercialismo selvagem", a arte de qualquer banda independente de qualidade. isso é lamentável.
a propósito, depois do contrato com a Bompastor o Aeroilis decaiu legal ou é impressão minha?
o álbum novo do Aeroilis já vai sair por uma gravadora muito melhor! rs
E a nível de curiosidade, o Aeroilis foi entrevistado para esse matéria, mas não saiu o nome deles sei lá porque. rs
das bandas novas, do cenario independente e do barulho(ainda pequeno) que se tem feito nesse meio por essas bandas rock formadas por cristãos.
Como se nem existisse.
heheh
músicos independentes estão fritos para os padrões da mídia brasileira.
A realidade é que ser independente nunca significou ser tão underground. É o porão do porão!!
Velho, se não fosse a internet hoje em dia, as bandas independentes só seriam conhecidas pelos fanzines.
Cara, ainda bem que a web é democrática.
A 10 anos, ser independente significava não ser nada, mas hoje com a internet isso mudou muito.
Não existe mais banda independente totalmente desconhecida.
E é disso que falo. PQ no cenário secular isso já se entende. O independente é respeitado no "mundo" se faz muita matéria sobre isso. MAs no meio cristão...não se fala nada.
E é desse ponto de vista que faço o comentário anterior.
Muito triste, e isso só me dá mais e mais idéias...
... eu solicito uma reunião com a cúpula Dotiana. Vamos dominar o mundo!
=D
Eu tb gostei!
Hehehehehe!
Se eu num tivesse ganho um pelo Dot, eu tinha comprado... =D
Pois é,se não fosse a internet o que seria de mim??rssrs...
Infelizmente faz tempo que acontece a mesma coisa,o povo só se preocupa em fazer música pra "crente" ouvir,o importante é que venda CD e dê dinheiro...Vamos curtir o que está na moda...Affe...Sinto pena da MK,tinha uma banda do porte do Fruto Sagrado nas mãos e...e...ah deixa pra lá...Eita comerciozinho lascado esse viu...rsrsrs
Ser diferente é bom mas às vezes tbm é ruim.É dificil por exemplo achar onde moro gente que curte as musicas que ouço.Quando acho,o povo só conhece superficialmente.Mas mesmo assim não mudo meu gosto nem meu jeito,é melhor ser diferente do que ser igual.
vejo que só querem 'status'...e se esqueceram das bençãos que Deus proporcionou à eles...