RESENHA: Grace, novo álbum do Tehilim
Publicada por RenatoCavallera em 18 de Maio de 2009 às 17:03:31 na categoria Reviews de CDs
Por: Renato Cavallera
Hoje em dia meio que já virou moda quebrar paradigmas dentro da música gospel, ainda bem, já que paradigmas são feitos para serem mesmo quebrados e dentro da música gospel significa deixar a criatividade fluir cada vez mais longe, superando o consumível pelas massas que respondem com clichês as mais variáveis frases prontas vomitadas nos palcos por artistas gospel, estes que são como pratos frios, aqueles congelados que se encontram em vários balcões no supermercado mais perto de sua casa. Qualquer um compra, põe no microondas e desfruta, é um sucesso não pela qualidade mas sim pela praticidade que atribui erroneamente a vida do comprador.
Hoje muitas pessoas pararam de olhar a música gospel a olho nu e colocaram óculos... em seus ouvidos. Quem procura música Cristã de verdade sabe onde encontrar e ali achará os mais variáveis estilos, pensamentos, expressões, certezas e incertezas e é nesta descrição que se encontra o Tehilim, que não bastando ser uma banda de música instrumental brasileira (ou seja, ignorada pelas massas) é uma banda cristã que toca rock pesado com influências de música celta. Quer mais incerteza que isso? Bom, a banda quis, e então gravou um álbum ao vivo... em estúdio.
Tehilim é a banda cristã mais diferenciada que já vi na vida, a idéia de exprimir o amor a Deus de uma forma instrumental quase nunca é bem feita no Brasil, onde a música instrumental se resume a playback de artistas da MK Music. Ricky (guitarra e violão) e Jackie (flautas) sabem muito bem como se expressar musicalmente, sabendo ir muito além de uma música sem vocal, o som do Tehilim é algo envolvente, realmente criativo e artístico, quando Ricky começa a cantar, você após se assustar, questiona: “precisa?”.
O fato de Grace ter sido gravado ao vivo reforça a vontade de fazer uma adoração realmente pura a Deus e não de fazer um arranjo que agrade a Deus e ao público, o que dificulta ainda mais o trabalho, pois Deus não é humano e sim Deus, ou seja, perfeito. Como fazer para agradar alguém que com certeza faria algo melhor que você? O Tehilim soube bem como contornar essa “adversidade” inserindo em suas músicas uma generosa porção de sinceridade e recheando abundantemente com amor, coisa que os industrializados alimentos enlatados não possuem, esses na verdade não creio que realmente alimentam quem irá “consumi-los”.
A graça deste novo álbum do Tehilim é que ele não me agrada por completo, pois a variedade de estilos inseridos neste trabalho vão muito além do primeiro álbum que se resumiu apenas ao rock, folk e celta, temos em Grace muito hard rock, temos country, temos indie, temos criatividade, um Tehilim mais direto ao ponto, mais verdadeiro, mais sincero! Talvez seja por isso que não se tenha uma percussão neste trabalho, caso não fosse bem executada poderia se tornar uma macumbada sem sentido. As guitarras não solam e sim se expressam verdadeiramente, sem os limites decretados por um produtor ou pelo público, Ricky apenas dá o seu melhor e ponto, criando um destaque bem maior para as cordas, um prato cheio para qualquer músico. As flautas, diferente do primeiro álbum, deixaram de ser o elemento surpresa, o que poderia tirar um pouco da diferenciação da banda, mas Jackie conseguiu superar isso ao tornar os elementos celtas um “algo a mais” e não apenas parte da banda, criando a beleza e fúria nos lugares certos e até nos inusitados também, e com a guitarra claramente influenciada pela música oitentista, criou uma atmosfera no mínimo diferente inserindo o ouvinte desde uma viagem só para uma floresta linda, a uma visita a uma garagem americana com cinco adolescentes no ano de 1987. Diferente, não? Eu chamaria de criativo.
O álbum em si tem um som diferente, a idéia de ser simples se apresenta antes da primeira nota da guitarra, ela está na capa que representa muito bem a Graça que este disco fala: uma cruz num campo verde. A simplicidade também é vista na falta de efeitos diferentes nas guitarras, no áudio da bateria que aparece bem separado dos demais instrumentos, no teclado executado da forma mais simplista possível e até mesmo na produção que escolheu encerrar algumas músicas de uma forma inusitada. É por isso que Grace não se compara com o primeiro álbum do Tehilim, são duas propostas bem diferentes, tanto no lado espiritual, quanto no lado técnico. Um exemplo disso é que no primeiro álbum era possível encontrar pelo menos 3 guitarras por música, neste por ser ao vivo só é possível encontrar uma e nem por isso as músicas perderam a qualidade, pois apenas frisou ainda mais a simplicidade que o álbum busca e a sinceridade que o álbum fala.
A simplicidade também está a vista quando você chega ao final do álbum e fecha os olhos, imaginando-se naquele campo verde, olhando a cruz e pensando no que ela representa: a coisa mais simples já feita, afinal foi criada com amor e sinceridade. A Graça de Deus é simples, é perfeita.
Por: Renato Cavallera
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No MySpace do Tehilim é possível conferir a nova música de trabalho: http://myspace.com/tehilimcelticrock
O site oficial é: www.Tehilim.com.br
Em breve o novo álbum já estará a disposição na CD Gospel Store, fique de olho.
Mais informações de Tehilim
Gostaria de conferir os comentários, criticas - construtivas - e sugestões.
Lembro que o primeiro CD deles foi muito elogiado na revista Guitar Player em uma resenha.
Sobre o que o Cavallera escreveu, só achei esquisito a parte de "Hoje em dia meio que já virou moda quebrar paradigmas dentro da música gospel" mas sei que foi uma ironia, para falar positivamente de bandas como Lucas Souza, Crombie, Palavrantiga, etc...
E é isso, cutucadas no mercado gospel a là Cavallera também, mas uma boa resenha, fiquei curioso pra escutar as outras músicas da banda.
Só digo que o Tehilim DEEEEETTTTTTOOOOONNNNNNAAAAA!!!!!!!!
Quem é bom grava ao vivo. Isso é um tapa na cara desses pseudo-inovadores da música gospel.
beijos mil
Tetê
Renato, quem dera fosse verdade o que voce disse sobre "ser moda quebrar os paradgmas na música gospel".
Acho que não foi ironia, foi equívoco mesmo da sua parte.
O primeiro paradgma que tem que ser quebrado é chamar música cristã brasileira, ou simplesmente música cristã de música gospel - FATO!
Eu sou insistente nessa questão da nomeclatura por que ela encerra algo bem mais profundo do que um nome: GOspel traduz exatamente a situação da música evangélica no Brasil: sem identidade, uma cópia mal feita do que os gringos vêm fazendo.
De qualquer forma, bela proposta do TEHLIM... que tenhamos cada dia mais artistas como eles!
Parabéns moçada!
Renato, quem dera fosse verdade o que voce disse sobre "ser moda quebrar os paradgmas na música gospel".
Acho que não foi ironia, foi equívoco mesmo da sua parte.
O primeiro paradgma que tem que ser quebrado é chamar música cristã brasileira, ou simplesmente música cristã de música gospel - FATO!
Eu sou insistente nessa questão da nomeclatura por que ela encerra algo bem mais profundo do que um nome: GOspel traduz exatamente a situação da música evangélica no Brasil: sem identidade, uma cópia mal feita do que os gringos vêm fazendo.
De qualquer forma, bela proposta do TEHLIM... que tenhamos cada dia mais artistas como eles!
Parabéns moçada!
Ser sincero fala de colocar o coração e a vontade no trabalho que se está a fazer, é expor e se expor através da música com a única finalidade de agradar o alvo dela, e nunca um possível público.
Competência já atua na área da capacidade, da habilidade mais que experiente de produzir algo do qual emane talento, experiência e musicalidade.
E é exatamente isto que vejo em cada trabalho do Tehilim - a sinceridade de quem está nos braços do Pai e deseja satisfazê-lO com seus louvores e a competência de cada músico trabalhando em prol de algo mais que bem feito. Em Tehilim encontramos a fantástica combinação de improviso e talento!!
Estão de parabéns e os ouvintes agradecem pelo bom gosto!!!
Mas a banda é bem legal e dferente.
Aguardando para conferir mais uma banda que muda o cenário cristão nacional.!