Paternidade dividida: Quando o Diabo não é o pai do Rock

Publicada por RenatoCavallera em 11 de Abril de 2008 às 19:46:10 na categoria Ao Redor Do Mundo

O rock, mesmo cinquentão - sua aparição data da década de 50 - ainda é vítima de preconceito no mundo inteiro. Os motivos para rejeição foram "evoluindo" com o tempo, mas famílias e segmentos da sociedade ainda não recomendam o estilo para quem descobre a música.

Quando Elvis, conhecido também como Mr. Pelvis utilizou o rock não só como manifestação artística, mas para alguns, como instrumento de sedução, o rock and roll ganhou seu primeiro algoz: a igreja. Afinal de contas, o rebolado chamativo do jovem rapaz do Tennessee, explicitamente ia contra os bons costumes e modos da época.

Em meados da década de 70, o grupo KISS, conhecido também sobre a alcunha de Knight´s In Satan Service - lenda que rondou os meios musicais durante vários anos - foi envolvido em várias polêmicas em cidades americanas. Lá, as igrejas protestantes faziam passeatas em protesto à apresentação da banda nos teatros e ginásios da cidade, alegando que além da banda possuir um suposto pacto com o diabo, fazia sacrifícios de animais no palco.

Estas e outras histórias envolveram personagens do mundo do rock como Jim Morrisson, Jimi Hendrix (tido por vários músicos, como o maior guitarrista de todos os tempos), Janis Joplin, Ozzy Osbourne e sua banda Black Sabbath, Iron Maiden e seu disco "The Number Of The Beast", AC/DC e tantos outros, todos eles acusados de satanistas, sexistas e usuários de drogas, ingredientes absolutamente negativos, sob a perspectiva cristã.

Quase 30 anos após seu surgimento, o rock deu uma pequena rasteira na sociedade eclesiástica: surgem os primeiros representantes de heavy metal cristão nos EUA. A pegada, o punch e a postura de palco são similares, o texto não. Com mensagens positivas, alguns testemunhos e histórias que dão conta de uma mudança de vida, as bandas de rock cristão, também conhecidas como bandas de White Metal (em contraste com o Black Metal, estilo de bandas que são assumidamente contra Deus ou mesmo contra qualquer religião), logo se integraram ao mercado e ganharam o respeito de outras bandas seculares, respeito este não compartilhado pelas igrejas americanas. Logo também surgiram igrejas de caráter protestante, quem também abrigava justamente aqueles que sofriam preconceito por gostarem de rock and roll.

Entre as bandas que se destacaram, podemos citar o Petra que iniciou seus trabalhos em 1972 e abriu portas importantes nos Estados Unidos para a recepção do "novo rock". A banda durou até 2005, ou seja, 33 anos, numa história marcada por uma carreira com indicações ao Grammy - o prêmio máximo da música americana - e principalmente, regularidade na carreira, tendo lançado 23 discos, todos bem sucedidos em seus lançamentos.

Outra banda que até hoje reúne fãs fanáticos no mundo inteiro chama-se Stryper, em atividade nos dias de hoje e que surgiu em 1983, quase 10 anos após o Petra. O Stryper possuía uma postura mais estereotipada pelo mundo do rock, principalmente heavy metal. Grandes canhões no palco, seus integrantes usavam cabelos longos e esvoaçantes e a postura em shows era próxima a bandas como Twister Sister e Wasp. Mais uma vez o grande diferencial eram as letras, todas de bastante consciência espiritual e, em outras vezes, até social, tratando de assuntos como família, guerra e o governo americano. A banda ficou conhecida no Brasil quando inseriu na trilha sonora da novela "Salvador da Pátria" (1988), a canção "I Believe In You" do disco "In God We Trust", de bastante sucesso na América.

Esses são dois exemplos entre vários de bandas de rock que ganharam espaço no mercado secular. Whitecross, Bride, Mortification, P.O.D, Tourniquet, são alguns nomes de destaque no nicho.

Hoje, o rock cristão é dividido em várias categorias, tal qual acontece com o rock secular. Existem desde bandas com um rock mais pop como o Sixpence None The Richer (conhecida no Brasil pelo sucesso "Kiss Me") ou mesmo outras com uma estética mais agressiva (e o som também) como o Mortification, que lembra bastante a banda de rock brasileira Sepultura.

Aqui no Brasil o movimento já foi mais forte. A igreja evangélica brasileira, que passou a adotar a bateria nos púlpitos em meados da década de 80, ainda tem dificuldades de conciliar a sonzeira das guitarras com as letras de santidade e consagração, maior tema do cancioneiro cristão. Muita coisa já mudou, é verdade, mas o movimento ainda é renegado aos guetos evangélicos. Pipocam festivais por todos os cantos do país, disseminando o estilo, ignorado pelos campos midiáticos. Segundo eles, o objetivo vem sendo cumprindo: a pregação do evangelho.

Há um capítulo especial na história do rock cristão em terras brasileiras. A banda Catedral, sucesso no meio gospel desde o início dos anos 90, recebeu um convite de uma major (Warner) para integrar o seu cast, sendo assim, a primeira banda brasileira a participar de dois mercados, o secular e o cristão. Segundo a própria banda, a experiência foi bem sucedida, embora, não haja uma explicação explícita para o pouco tempo em que permaneceram na gravadora, num total de três anos. A banda passou a ter sua imagem exposta em jornais não só pelo ineditismo na carreira musical de uma banda, como pela polêmica na qual se envolveu após uma suposta e lendária entrevista concedida a um antigo site de música chamada Usina do Som, na qual o vocalista da banda, Kim, teria dito "poucas e boas" sobre o segmento do qual estava se desvinculando naquele momento, o mercado gospel.

Até a igreja católica possui representantes no rock cristão, caso do Eterna. A banda já possui carreira internacional e é conhecida por sua postura politicamente correta, trabalhando em várias campanhas de conscientização, como no caso do Rock no Sangue, que ocorreu em julho do ano passado. O concerto consistia numa parceria com o Instituto Pró Sangue, numa campanha de doação de sangue na qual os principais solidários seriam os metaleiros. Tais posturas ainda parecem ser ignoradas pela própria Igreja e pela maioria dos segmentos da sociedade.

Talvez ainda acreditem na frase de Raul Seixas de que "o Diabo é o pai do Rock".

Matéria publicada no site Whiplash

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Comentários Comente

  • achei o texto mto massa...
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  • excelente matéria...muito bom saber q uma matéria dessa foi postada no site de heavy metal mais importante do país...mas faltou citar larry norman e REZ band q surgiram um pouco antes do petra e outras bandas q surgiram praticamente junto com stryper e fizeram muito sucesso no mundo todo como barren cross, bloodgood e holy soldier, além do deliverance q surgiu junto com tourniquet e mortification e faz muito sucesso até hj no meio underground...
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  • Acho que no lugar do Mortification podia ter citado o Living Sacrfice, pois é som é mais parecido.... mas o Morti não podia ficar de fora de uma reportagem dessa....

    ah... e podia citar também as letras do novo cd do Iron... =)
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    • affff...não viaja...living sacrifice nem é death metal...e, com todo respeito q a banda merece, mas ela não tem um grande significado pra cena do rock cristão...
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  • Caracaasss!!! Dizer que " LIVING SACRIFICE não tem um grande significado pra cena do rock cristão " rerere Quem é que esta viajando por aqui, heim??? rsrs
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  • RenatoCavallera 13/04/2008 às 10:04:16
    Living Sacrifice influênciou muitas e muitas e muitas bandas por ai, cristãs e seculares, porém, não é mais importante que mortification.

    Na minha opinião tinha que ter citado as duas.
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  • Matéria boa...faltou falar do Rebanhão e depois do Katsbarnea, sem dúvida divisoras de águas no Brasil, cada uma em sua época...Tudo o que temos hoje vem depois deles. Depois do Rebanhão vieram Banda Azul, Sinal de Alerta..Depois do Kats (quase contemporâneos), vieram O Resgate, Oficina...Sem esquecer jamais do S8 a banda cristão mais psicodélica, com influência clara dos Mutantes e do Rock Progressivo dos anos 70 (Vide Yes). Glória a Deus nas alturas! Jesus is THE ROCK !
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  • fabinhocarvalho78 13/04/2008 às 17:58:10
    será que antes do Elvis ninguem tocava rock ?
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  • Sinceramente, acho que essa matéria está um pouco ultrapassada... Uns 10 anos ou mais.
    O Rock começou a ganhar força no final dos anos 70, se desenvolveu e ganhou notoriedade nos anos 80, chegou ao seu auge no inicio dos anos 90. Depois disso banda após banda, foi saindo de cena, hoje poucas estão na ativa e a maioria dessas poucas que sobreviveram, estão esquecidas e fora do mercado, com raríssimas exceções.
    E isso não é fato novo, desde a inserção do pop e pop rock, implementado pela indústria fonográfica americana e adotado logo em seguida pelos demais países, isso na metade dos anos 90, o rock começou e não parou sua decadência.
    E infelizmente mostra que vai mudar.

    Que Deus tenha misericordia de nossos ouvidos.

    Só uma observação. O Petra lançou 24 albuns e não 23.
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