Entrevista com Stephen Christian, líder do Anberlin
Publicada por RenatoCavallera em 08 de Setembro de 2010 às 03:58:59 na categoria Entrevistas
O vocalista do Anberlin, Stephen Christian, foi entrevistado recentemente pelo site Review Rinse Repeat. Christian falou sobre o novo álbum da banda, ‘Dark is the Way, Light is a Place’, a trajetória do Anberlin, seu projeto paralelo Anchor & Braille, entre outras coisas…
Confira toda a entrevista logo abaixo:
Vamos primeiro tirar as formalidades do meio do caminho. Você pode me falar o seu nome e sua função no Anberlin?
Stephen Christian, amigo, capitão do time, vocalista.
Seu novo álbum, `Dark is the Way, Light is a Place`, é o quinto full-length da banda. Conte para nós como foi o processo de criação e gravação desse disco.
A gente começa com a música em si. O Christian [McAlhaney] e o Joey [Joseph Milligan] gravam algumas idéias usando o Garage Band ou Pro Tools e passam isso pra mim. De lá eu tento criar as melodias e letras, depois disso eles pegam de volta e ajustam a música para os vocais. Depois é só escolher um produtor, encontrar um estúdio e começar a pré-produção. As gravações em si se tornam praticamente uma apresentação já que as músicas estão todas completas e prontas.
A banda já existe há um bom tempo, você acredita que hoje o processo de gravação se tornou algo mais natural para vocês?
Não, cada disco que a gente fez trouxe os seus desafios e dilemas. Acho que esse último foi o que menos trouxe problemas, acredito que isso se deve ao fato de que todos estavam muito empenhados durante o processo de criação das músicas. A pratica acaba deixando as coisas menos difíceis, isso sim é verdade.
Até hoje vocês venderam mais de 700,000 álbuns. Esse número acaba pressionando vocês quando pensam em lançar um novo álbum?
Eu nunca nem imaginei vender 70,000 discos durante toda a carreira da banda, então honestamente a gente já ultrapassou a minha meta, não tem nenhuma pressão. Falando sério mesmo, se a banda acabasse hoje, eu estaria mais do que satisfeito com o que já fizemos. Foi um tempo incrível viajando o mundo, conhecendo pessoas legais, aprendendo sobre outras culturas, e apresentando a arte que nós acreditamos ser o nosso chamado.
Como você descreve a trajetória da banda, desde a sua criação até os dias de hoje? Aquela idéia inicial continuou intacta ou vocês já mudaram algumas vezes?
Tudo muda, não vivemos em um mundo onde uma pessoa consegue repetir tudo diariamente! Na minha opinião, acabo sempre tentando ver os pontos positivos e negativos durante esses últimos sete anos, na verdade eles acabaram virando uma oportunidade para o meu crescimento. Integrantes entraram e saíram da banda por vários problemas, tivemos desde abuso de drogas até diferenças espirituais, então entendemos e aceitamos o conceito de “vida de banda no mundo”. A alma da banda mudou, mas o propósito de criar música, a melhor música possível, não.
Seu último trabalho, ‘New Surrender’ foi recebido entre críticas divergentes entre os fãs e críticos. Muitos apontaram a mudança como fruto da mudança para uma gravadora maior. Você acredita que o ‘Dark is the Way’ vai calar essas pessoas?
Sim, ele vai martelar o prego no caixão deles.
Qual o conceito da arte do ‘Dark is the Way, Light is a Place’? Na capa a gente vê um cavalo de lado, mas acho que existe algo mais do que isso…
A arte deve ser analisada pela pessoa que está olhando para ela. Muitos podem ver um cavalo de lado, onde outros podem ver um cavalo que está morrendo e caindo. M. Zavros consegue fazer com que as pessoas sintam algo ao ver uma de suas obras. Eu perco o fôlego quando olho os desenhos de ‘August Falling’, pensando no que ira acontecer durante os próximos segundos. Nesse disco a gente queria repassar o que sentimos ao ver o quadro. Queremos que cada pessoa interprete da sua forma as letras, humor, e as músicas de forma própria. Para alguns ele pode ser um simples cavalo de lado, mas para outros pode ser algo de tirar o fôlego que cria uma antecipação e expectativa.
Você deu a seguinte declaração sobre o disco recentemente, “Esse é o melhor disco que a banda poderia gravar” e aqui mesmo disse que “Todos os integrantes estavam empenhados” durante o processo de gravação. O que aconteceu de tão especial dessa vez?
Tudo. Desde o produtor, até Nashville, o estúdio, os instrumentos, as pessoas que participaram do processo. Tudo. Tudo estava com aquele sentimento especial. Não sentimos que estávamos nos esfolando para fazer esse disco, tudo foi tão suave, e para mim isso foi um sinal de gloria.
Durante toda a trajetória da banda, uma das coisas que mais chamaram a atenção nas suas músicas são as letras. Escutando o novo álbum , eu percebi que essa constante não deve mudar em breve. O que motivou você ao escrever as letras do novo CD? Tem alguma música em especial que você tem orgulho da letra que escreveu?
Eu queria escrever o meu primeiro romance moderno destinado a música. Cada música é sobre o nosso crescimento como seres humanos e como os nossos relacionamentos afetam as nossas vidas. “We Owe This To Ourselves” é sobre os últimos anos de Martin Luther King Jr. Uma GRANDE influência na minha vida. Outra que eu gosto bastante da letra é ‘Down’. Fazia alguns anos que uma música não me deixava tão vulnerável.
No começo do ano a banda lançou um vídeo para a música ‘We Owe This To Ourselves’, que acabou servindo de prévia do que estava por vir. Qual foi a primeira reação dos fãs ao escutarem a música logo quando ela saiu na net?
Até agora tem sido bem positiva. Eu gosto bastante do riff naquela música… O Christian se superou nele. O vídeo foi feito em um dia apenas e acho que os fãs gostaram da chance de ver como são os bastidores de um típico show nosso.
O primeiro single do álbum ‘Impossible’, já está na paradas de Rock Alternativo da Billboard, atingindo a 15# na sua primeira semana. Um vídeo para a música também foi lançado, qual foi a idéia geral do vídeo?
Arte. Achamos que conseguimos fazer tudo que queríamos no vídeo. Isso e o fato de que os canais de videoclipe não passam mais vídeos, sentimos que precisávamos focar-se na arte. A cinematografia do vídeo é surreal, e foi muito legal montar tudo como uma banda.
No começo do mês vocês avisaram via twitter que tinham reservado um tempo num estúdio na Suécia. Você poderiam falar um pouco sobre o que fizeram?
Sim. A gente gravou algumas das músicas do novo CD no formato acústico. Foi muito lega, porque a gente gravou na Suécia, onde o Peter, Bjorn e John gravaram (obrigado Universal!). Alguns amigos nossos da banda sueca Blindside apareceram por lá e a gente passou um tempo juntos. Acho que as pessoas vão gostar bastante dessas músicas e como elas ficaram nesse novo formato.
Falaram que nesse CD existem bastante músicas que não entraram passaram pelo corte final. Elas serão algum dia lançadas? Você seria contrario ao lançamento de um álbum como o ‘Lost Songs’?
Eu duvido muito que a gente lance outra coletânea como o Lost Songs, aquilo foi infelizmente o fruto de uma falta de comunicação e pendência com a nossa antiga gravadora. Sim, todas as b-sides serão eventualmente lançadas, entre elas os quadrinhos da Newberry. Talvez se nós lançarmos mais alguns álbuns, teremos material suficiente para lançar um álbum só de b-sides, mas não estamos pensando nisso agora.
Que músicas do Dark is the Way são as suas favoritas?
As minhas preferidas são ‘Art of War’, ‘Take Me’ & ‘Down’.
Houve algum momento na sua carreira que você teve que dar um passo pra trás para ver tudo? Quando você se sentiu mais orgulhoso de tudo que fez com o Anberlin?
Eu ainda não dei esse passo. Acho que ainda falta alguns anos até lá. Espero que isso seja algo bem momentâneo, porque eu compreendo quão sortudo eu sou hoje por estar nessa situação. Sou completamente grato! Um dos momentos que mais me deram orgulho (recentemente) foi ontem a noite, quando cumprimos uma das primeiras metas estabelecidas pela banda; tocar um show em Berlim; foi um sentimento surreal.
Apesar de você estar focado com o Anberlin pelo resto do ano e começo de 2011, muitos estão perguntando sobre o futuro do Anchor & Braille [projeto paralelo de Christian]. Quando os fãs terão novidades da banda? Você acredita em um sucessor do ‘Felt’ [debutante do Anchor & Braille] sendo lançado em 2011?
Não sei, não posso dizer que isso seria impossível. Estava falando com o meu melhor amigo sobre voltar a escrever algumas músicas assim que chegar em casa. Tenho algumas idéias, e já tenho um grande produtor em mente. O ‘Felt’ deve ser lançado em vinil durante o Outono… eu espero.
Voltando a falar sobre Anberlin. Vocês vão cair na estrada em Setembro com Crash Kings e Civil Twilight até o começo de Novembro. Depois em Fevereiro irão para a Australia para tocar no festival Soundwave. Nesse intervalo, entre a primeira turnê e o Soundwave, vocês vão fazer mais shows ou irão tirar férias?
Nada de férias! Durante esse tempo a gente vai fazer alguns shows em rádios nos EUA e a aguardada turnê européia pelo Reino Unido e Leste Europeu. Essa é a vida que eu sempre quis.
Sobre as turnês, o que você mais gosta sobre estar na estrada?
As novas pessoas e culturas que entramos em contato, os lugares que eu pude ver, e os amigos que estão ao meu lado durante todo esse tempo.
Se você pudesse retirar uma idéia do seu novo álbum ou de qualquer outra coisa do Anberlin, qual seria?
Que até mesmo nos momentos mais escuros, nos seus maiores temores, nas maiores tragédias da vida… ainda haverá esperança.
Além do lançamento do álbum e das turnês, o que os fãs devem esperar da banda durante os últimos meses de 2010?
Muitas apresentações acústicas em lojas e várias sessões em rádios.
Obrigado por participar dessa entrevista. Deixe sua mensagem final aos fãs.
Eu gostei da forma como as perguntas foram feitas. Muito obrigado.
Fonte: MPSIRock
Mais informações de Anberlin, Anchor and Braille
Eles pegaram as piores músicas do já fraco New Surrender e fizeram um álbum inteiro de músicas identicas aquelas.
O single Impossible é a única música animada do álbum, a mais parecida com as dos trabalhos anteriores, o resto são um monte de gritos em falsetes e efeitinhos usados nos anos 80.
Assim como as duas músicas anteriormente apresentadas, o álbum inteiro é sem criatividade melódica, é tudo a mesma coisa. Mesmos efeitos da guitarra, mesmos gritos nos mesmos lugares... A guitarra principal parece querer tocar U2, o baixista simplesmente não para de paletar a última corda, o batera parece querer tocar rock porém está sozinho nessa e o vocal acha que cantar como as bandas de 20 anos atrás é algo cult.
Uma decepção muito maior do que eu esperava.
Acho muito legal o fato do Anberlin ter ganho muitos fãs novos após essa ida para a Universal, mas praticamente todos os velhos fãs dos 3 primeiros álbuns hoje detestam a banda.
Lixo. Da capa, às músicas, às roupas e o argumento.
Anberlin precisa se encontrar novamente com a música, ou está fadado ao esquecimento, pelo menos de quem aprecia e degusta sonoridade e harmonia.