Brandon, vocal do Dead Poetic, fala sobre a crise da banda
Publicada por RenatoCavallera em 22 de Novembro de 2007 às 18:20:58 na categoria Música nos EUA
Brandon, vocal do Dead Poetic, não resistiu ao silêncio e desabafou num blog a respeito da crise em que a banda Dead Poetic passa. Com um desabafo emocionante, Brandon assume a culpa pelo ocorrido. Confira na íntegra todo o desabafo de Brandon traduzido:
"Eu me mantive escondido no meu pequeno mundinho por tanto tempo, que não tenho nem idéia de quais são os boatos sobre o Dead Poetic no momento. Eu dei uma olhada na internet, e a impressão que eu tive, é que existem várias teorias sobre o que aconteceu com o Dead Poetic, e o que resta dele. Eu sinto que o que eu devo fazer é quebrar esse silêncio, sair de baixo dessa rocha, e explicar, tentar contar os fatos que eu sei.
Quero deixar bem claro que estou contando isso do meu ponto de vista. Muitos boatos tem tratado a minha pessoa de uma maneira boa. Mas a verdade é que EU SOU o motivo pelo qual o Dead Poetic está dessa maneira hoje. Todo meu relacionamento com o Dead Poetic tem sido uma montanha russa, e o estresse tem sido exaustivo.
Como muitos sabem, o Dead Poetic se autodestruiu no final de 2004. O renascimento veio em 2005 quando Dusty, John e o Jesse se juntaram ao Zach e eu. A química entre todos nós era perfeita, e estávamos na mesma página musicalmente falando. Fizemos uma grande turnê em 2005, e gastamos o resto do ano escrevendo Vices. Gravamos o disco entre Fevereiro e Março de 2006. Eu também casei, e me mudei para Colubus, Ohio em março de 2006. Todos nós amamos o resultado final do Vices, e pra mim, é o meu disco favorito do Dead Poetic. Realizamos uma grande turnê no verão de 2006, e mantínhamos grandes planos com o lançamento do Vices. No meio de 2006, estávamos re-organizando o nosso fã clube. Mudamos de gerência, nova agenda, e encontramos apoio da nossa gravadora. Tudo estava alinhado para o Vices ser um sucesso.Agora, voltando para mim, eu sou um adulto de 24 anos. Eu estou casado, tenho uma casa, e tenho uma pequena firma de design que eu opero diretamente da minha casa. Eu compro minhas roupas no Target e TJMaxx. Minhas calças estão apertadas. E eu corto meu cabelo apenas dos lados. Eu tenho um cartão de desconto da quitanda no meu chaveiro. Eu como uvas, nozes e granola de café da manhã. Ando de bicicleta com a minha mulher, assisto Survivor e estou fazendo uma reforma na minha casa.
Nesse final de semana eu espero terminar de trocar o piso do banheiro. Finalmente minha mulher e eu conseguimos comprar cortinas para a sala. Eu tenho que limpar o quintal amanhã, e sou assinante do jornal de domingo.
A quatro anos atrás eu morava em uma van. Minha “casa” era a dos meus pais. Eu dormia no chão. Cheirava gases o dia todo. Tocava em lugares bem ruins e amava isso. Pulava na galera em todos os shows. Eu tinha 20 dólares para mim mesmo. Cheirava a cigarro, cerveja e Axe.
O que eu quero falar, é que a quatro anos atrás seria o tempo perfeito para o Dead Poetic ter uma mudança de nível. Agora eu sou simplesmente um “cara passado”, que não está mais nem ai para conseguir se tornar grande dentro do ramo musical. Acabou o “gás” pra mim. A vida que eu tenho hoje, com a minha mulher, sendo um designer, é a vida que eu quero ter. Que eu sempre quis ter. Eu finalmente cheguei aonde queria estar. Fazer parte de uma banda é estranho às vezes. Você nunca aprecia aonde você está, por que sempre está querendo chegar no próximo passo. Se você está vendendo discos, sempre tem outra banda vendendo mais. Você sempre quer a atenção da gravadora, mas nunca fica satisfeito. Pelo menos, esse era o nosso caso. Eu não consigo lembrar, de nenhuma época que estávamos felizes, por que a nossa meta estava sempre tão longe.
O ponto alto da nossa banda foi em 2004 com o lançamento do New Medicines. E pra mim esse foi o pior ano da minha vida. A banda estava se desmontando, e isso custou a grande amizade que eu tinha com dois integrantes, o Chad e o Josh. Se analisarmos os fatos a amizade vale muito mais que qualquer progresso da banda, e a coisa certa a ser feita na época seria por um fim no Dead Poetic, mesmo antes do New Medicines sair. Acho que se isso tivesse ocorrido, tiraria um certo enduro que passamos.
Depois da bagunça de 2004, eu estava sem fôlego. Estava exausto. Não tinha nada em mim, a não ser o amor pela música. Criar música – não tendo que sair de casa por meses, nada de negociação de contratos, nada de morar em uma van, nenhuma complicação na vida. Apenas criar música. O sentimento que é de criar uma música e ficar feliz com ela, enquanto ela expressa o que você está sentindo naquele momento – é isso que eu amo. E esse amor, é um que vai durar para o resto da minha vida. No começo de 2005, a formação do Dead Poetic era o Zach e Eu. O Jesse me ligou, e ofereceu seu serviços para a banda. Em seguida o Dusty ligou e também se voluntariou para a banda, o amigo dele John depois entrou para a banda para tocar baixo. Eu tinha três grandes músicos que cairam direto no meu colo, como poderia dizer não a eles? Essa formação era muito boa, e parecia colar muito bem. E todos estariam na “mesma página” musical. Estava ansioso para fazer música com eles. Estava feliz para ver como iríamos nos relacionar.
Eu tentei encontrar meios para a banda ser a maior prioridade. Mas não fizemos muitos shows. E o meu primeiro amor, Design, estava tomando boa parte do meu tempo. E eu comecei a gostar muito de ficar em casa trabalhando. Eu sempre fui primeiro um artista, e sempre serei. A música é algo que simplesmente veio no pacote. Fizemos uma turnê em 2005 e outra no verão de 2006.
Vices acabou tendo o som da exata maneira que queríamos. As gravações foram ótimas, mas eu estava sempre indo e voltando de Seattle e Ohio. Terminamos as gravações no dia 21 de Março de 2006, e eu estava casando no dia 26 de Março. Eu sou o tipo do cara que planejou todas as coisas do casamento – então estava sendo difícil definir a minha prioridade, entre o dia mais importante da minha vida, e o provável disco mais importante da minha vida. A música parece ser uma coisa que eu amo muito, mas nunca tive tempo sobrando para trabalhar.
Eu queria trabalhar nas coisas, nos meus termos, e quando existem outras 4 pessoas também trabalhando na mesma coisa, tudo tende a complicar. Eu não conseguia evitar, mas sentia que estava arrastando os outros caras, em uma coisa que não estava dedicando todo meu coração. Acho que a consciência culpada foi o que fez eu continuar. Eu estava pronto para sair a um tempo atrás, mas senti que precisava ficar com eles.
E sim, isso pode soar admirável e tudo mais, mas você consegue enrolar só por um certo tempo, até você ficar extremamente desgastado. Eu e a minha esposa mudamos para Columbus, e a vida estava boa. Muito boa. Meu negócio caseiro estava indo bem, eu tinha bastante trabalho. Estavamos curtindo todos os minutos do nosso conto de fadas. Então chegou o verão. Eu nunca vou esquecer da primeira noite que durmi longe da minha mulher. Eu me virei no colchão e fiquei de cara com meu amigo bem tatuado que dormia ao meu lado. Eu tinha mudado de uma situação aonde estava sobre controle, para uma situação de uma banda, buscando sucesso, e aquilo fez eu surtar, eu pirei. Minha mulher estava em casa dormindo na cama sozinha – e isso não saia da minha cabeça! Eu me senti como um adulto tentando se comportar como um adolescente, e não conseguia fazer sentido de tudo isso. Era como se a lâmpada estivesse apagada.
Eu não era mais um “cara de banda”. Eu era um homem que estava com o coração na sua casa e sua mulher. E por mais que eu tentei, não consegui negar esse fato.
Era como seu eu tivesse virado outra pessoa durante a turnê toda. Eu tinha me separado de todos. Minhas conversas com minha mulher eram curtas, sem qualquer emoção. Eu achava mais fácil viver sem emoções, do que encarar o fato de que estava desesperado para estar com ela.
Quando fomos para casa, tocamos em alguns festivais locais, e filmamos o vídeo para Narcotic. As coisas estavam melhorando para a banda mas eu estava na pior.
Nossa agência conseguiu marcar uma turnê ao lado do Red Jumpsuit Apparatus. RJA estava crescendo rapidamente e a turnê seria perfeita para o DP. Na época algumas conversas sobre uma possível turnê com o Incubus também estava rolando. Eu finalmente caí na real, quando recebi essas noticias e a única coisa que pensei, era que isso iria interferir com o dia de Ações de Graças ou com o Natal. As coisas estavam para decolar, mas eu sabia que não iria conseguir mais acompanhar as turnês. Eu ainda consegui fazer a turnê com RJA, mas esse foi o fim.
Eu decidi ser egoísta, e decidi buscar o que eu queria. Eu poderia convencer a mim mesmo e continuar com a banda pra sempre. Mas isso significaria que eu teria que manter os outros integrantes felizes, mas eu sabia que estava mal e estava segurando uma coisa dentro de mim. Então liguei para o Zach, e contei pra ele que a turnê com RJA seria a minha última. Ele já tinha uma noção disso. Passamos a próxima semana, buscando outro frontman para seguir meus passos, para continuar a turnê que Vices merecia ter. Mesmo que buscamos outros vocalistas, todos nós sabíamos que o DP era uma daquelas bandas que você sabe que não tem como continuar com outro vocalista. Eu sempre fui a força nos vocais da banda, as letras, e o aspecto visual, o Zach também ajudou com algumas coisas. Passar isso para outro seria como colocar um filho meu para ser adotado.
O Jesse me ligou, falando que estava passando por problemas familiares e iria sair da turnê, quando ele ficou sabendo da noticia, ele também começou a sentir que chegava a hora de parar de alimentar as esperanças para a banda.
Tive que ligar para o Dusty e John, e jogar as duas bombas neles. Que essa seria a minha última turnê, e que o Jesse não faria parte dela. Queria ver o que eles achavam que deveríamos fazer, ambos não encontraram motivos para fazer a turnê.
Não fizemos mais nenhuma turnê. E não tocamos mais nenhum show. Estou começando a “re-construir” as amizades.
A maior parte dos nossos fãs não entenderam o que Vices foi. Curioso como, fizemos exatamente o que queríamos, sem influências externas. Continuamos ao lado do disco, e estamos orgulhosos dele. A verdade é, eu arrastei esses caras até uma coisa que tinha o potêncial para ser ótimo, mas eu não tinha forças suficiêntes para fazer a minha parte. Eu fiquei “cego” ao fato de que estava criando música com outros caras que tinham uma boa química, não fui honesto comigo mesmo e nem com eles. E enquanto o Vices é um disco bom, e eu estou contente como ele ficou, eu peço desculpas por gastar o tempo de todos.
O Jesse e eu estávamos praticamente na mesma situação. Mas o Zach, John e o Dusty ficaram realmente de cara. Zach e eu somos amigos já a bastante tempo, e continuamos assim. Dusty e o John ficaram bravos comigo, e eles tinham motivos para isso. Recentemente eu entrei em contato com o John e estou tentando restaurar o nosso relacionamento. Esses caras foram pra mim os melhores para se ter ao lado em uma banda. Queria apenas que tudo tivesse acontecido antes. Alguns dias eu sinto que tudo que eu queria era juntar com eles pra conversar – Sim, nós éramos tão amigos assim!
Estamos quietos em 2007. E sim, nós ainda temos um disco pendente com a Tooth and Nail, eu e o Zach, temos todas as intenções de honrar esse contrato e gravar esse disco. Jesse também disse que toparia mais um disco. O Dusty está tocando com o The Almost e finalmente está sentindo o que ele buscava já a um bom tempo com as outras bandas. John abriu um Tattoo Shop, e pelo que escutei está indo muito bem.
O Dusty foi o primeiro a quebrar o silêncio a quase um mês atrás. Ele fez uma declaração via Absolute Punk, que o Dead Poetic havia acabado. Até aonde ele sabia, essa declaração estava certa. Ele queria ser honesto com os fãs que ficaram no escuro durante esse ano.
Jesse recentemente fez uma declaração de que a banda não acabou, e que planejamos gravar um disco novo. Essa longa dissertação que você está lendo é a minha declaração. E eu vou tentar deixar essa parte o mais simples possível...
Estamos ainda com planos para gravar um disco novo. Amamos criar música. Mas não temos planos para turnês.
Qual é a idéia então de lançar um disco? Se você já gastou metade da sua vida se esforçando para ter uma banda, e fazer música você entenderia. Trabalhar com música é algo que eu gosto muito, estou viciado. Não importa o quanto eu tento me afastar disso, eu sempre acabo voltando atrás. Nunca vou parar de fazer música. Não, não tem nenhum ideal para o que queremos fazer. E eu acho que é por isso que queremos tanto fazer.
A música é uma coisa muito pessoal para todos nós. Estamos ansiosos para escrever um novo disco. Estamos ansiosos por trabalhar em uma coisa que não saberemos se vai vender. Vamos aproveitar a oportunidade de criar música. A criação sem expectativas é uma coisa maravilhosa. Vamos fazer apenas por fazer música sem nenhum compromisso. Posso honestamente falar que não estou nem ai para o que vão pensar sobre o disco e acho que a opinião é a mesma dos outros. Na terça feira o disco “The Finest” sai, é uma coletania que a Tooth & Nail fez, para lançar antes do final do ano. Não foi idéia nossa, nós nem gostamos tanto dela. Zach e eu queriamos dar um presente a todos vocês então gravamos In Coma de forma acústica. E ele também queria colocar demos das gravações do Vices.
Não fique esperando muito por nós. Mas manteremos vocês informados nessa longa estrada para o nosso quarto disco.
Desculpe por tudo. Obrigado pelo interesse.
Brandon"
Fonte: Absolute Punk
Mais informações de Dead Poetic











engraçado que ele nem fala de Deus em nenhum momento.
E ele deve amar a esposa dele =]
Tbm acho
O legal que o cara gosta de Design
iraduu :D
Não queria mas comentei.
E numa coisa posso assinar junto com ele somando a minha própria experiência: aliança entre pessoas vale muito mais que uma banda. Música pode ser uma poderosa ferramenta, mas são PESSOAS DE INTEGRIDADE que fazem real diferença pra mudar o mundo.
Vamos aprender com isso, pessoal...
também achei fenomenal e muito sincero o que o cara disse...
muito bom para refletir na questão que o Kenny falou dessa renuncia e da amizade..
esquecemos de que tipo, se temos uma banda, deve ser para honra do nosso Deus; se trabalhamos, é para o nosso Deus....em síntese, tudo é para Ele.
estamos sempre pensando em nós mesmos e esquecemos da função para que fomos criados.
acho isso preocupante.....fica a frase: "cristãos reformados, sempre reformando".abraço a todos!