Aonde vou?
Tanlan
Harmonia.
Intro: bateria e guitarras.
entram todos: E - B - F#m - A 2x
Estrofe: E - F#m - F# - A 4x
Refrão: E - B - F#m - A 4x
Preparação para o solo: A#º - A
Solo: mesma harmonia do refrão.
Ponte: D - A/C# 4x - F - D - B4add - - E - F#m - G#m - F#m 2x
Comentários.
A faixa começa com a bateria seguida pelas guitarras. Aqui, ao contrario do que acontece na canção "Mudou minha vida" da Plus Salvation, temos as duas guitarras entrando nas mesmas notas sendo uma a dobra da outra. Só quando todos entram é que temos uma harmonia entre as guitarras melódicas. A primeira faz mi - si - fá# - la (isso com a primeira corda solta), a segunda que só aparece no tutti, se apresenta com mi - re# - fa# - do#. O baixo mantêm-se nas fundamentais.
Ao começar a estrofe surge um elemento novo. Um looping que só é utilizado na primeira parte da primeira estrofe não sendo utilizado em nenhum outro momento da música.
Neste momento o baixo se torna mais cantante agindo como instrumento condutor.
As guitarras aparecem com mais destaque na segunda parte da estrofe. Aqui faço uma observação. Me pareceu que a escolha dos timbres destas guitarras foram equivocadas. Está claro que eles quiseram dar um ar pesado ao som. Percebe-se que há dobras das mesmas, mas o timbre muito sujo acaba dando um peso que a música não precisaria ter. Acho que um timbre mais John Meyer seria uma melhor escolha.
Diria que foi um erro de avaliação estética.
Uma característica dessa faixa que se destaca em relação as outras, é a ambiência usada. Aqui temos uma utilização corajosa de muitos delays e reverbs em todos os instrumentos. Não destaco como algo ruim, mas sim como algo que esteticamente me chamou a atenção em relação ao resto do álbum.
Na segunda estrofe temos uma variação rítmica do ataque das guitarras. Achei muito criativo, provavelmente por isso não trouxeram o loop de volta. Normalmente a segunda estrofe é uma repetição literal da primeira sem muita variação de arranjo, o que torna algumas músicas extremamente óbvias após o refrão. Existe uma faixa do The Police que faz a mesma "quebra" rítmica. Infelizmente não lembro o nome, mas se alguém souber qual é, por favor, pode falar nos comentários.
Outro detalhe que merece ser comentado é o fato de que está é a única música que usa mais de duas vozes no refrão. Temos um coro em três vozes nos "Ah" que chama a atenção.
Muitos teriam ficado apenas com a segunda voz, mas a banda decidiu usar uma terceira que ao meu ver acrescentou muito à peça. O refrão é de uma melodia muito simples e de letra mais simples ainda, porém de forte apelo pop.
A preparação para o solo foi uma agradável surpresa. Lá sustenido diminuto (A#º = la# - do# - mi - sol) faz parte da classe de acordes que são perfeitamente simétricos (todas as 4 notas possuem o mesmo intervalo entre si. Um tom e meio). Os acordes diminutos são dos mais dissonantes na nossa harmonia tonal. Sua estrutura permite muitas opções de modulações e movimentos harmônicos.
Dito isso vemos que o uso de tal acorde cria uma tensão dissonante na música que leva diretamente para o solo, que com uma melodia agradável e criativa traz novos elementos melódicos para a música, não sendo apenas mais uma variação do refrão. Eu gostei disso.
Chegamos na ponte. Aqui temos alguns problemas.
Primeiro a bateria. Ficou claro que eles tentaram dar uma sonoridade "podre" para ela, mas não acredito que a sonoridade usada tenha sido a melhor escolha. Em alguns momentos surge um delay distorcido no ataque da bateria que soa grosseiro. Creio que uma inserção eletrônica teria sido uma melhor escolha.
Na voz temos outro problema. Está evidente que nesta ponte eles tentaram criar um ambiente sonoro que contrastasse com o resto da música, mas acho que pesaram de mais a mão. Principalmente no uso de reverbs e distorções. Em alguns momentos a voz fica confusa dificultando o entendimento do que se canta.
Antes do ultimo refrão temos uma variação do mesmo. Mais leve, e que vem crescendo até explodir no coro.
Também gostei muito das repetições finais dos "Ah". A bateria dobra a batida, a guitarra traz o tema da introdução e as vozes ganham um destaque maior.
Pra finalizar.
Está faixa, junto com Aeroilis, Seculos e Dusty, é a que mais me chamou a atenção neste álbum. Muito bem gravado, muito bem mixado , com uma letra rica em poesia (letristicamente a mais diferente do underdot), e com as vozes muito bem afinadas.
Minhas considerações dizem respeito a detalhes de pós-produção(mix) e aqui não há como ser totalmente objetivo pois muita coisa se refere ao meu gosto.
Desde já deixo meus parabéns as 4 bandas. Aeroilis, Dusty, Seculus e Tanlan. Sem dúvida são as 4 melhores faixas do Underdot vol.1.
Se o nível de criação e produção musical no brasil continuar no ritmo destes 4, teremos muita coisa boa em pouco tempo.
Bom pessoal, é isso!
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Prefiro pensar e errar, do que não pensar!