A Paz a todos,
Esse texto é longo mesmo, mas eu decidi criar esse tópico. Não tive a intenção de escrever um texto, pois escrevi isso em resposta a um e-mail com um amigo. Mas eu cheguei à conclusão que o que falta na Igreja é SILÊNCIO. Quem ler com paciência, poderá entender...
A Palavra de Deus é o fundamento ideal e infalível, acima das Artes e
de todas as humanidades, acima de toda a Ciência. Eu cheguei a uma
conclusão, após ouvir algumas palavras do Bispo Edir Macedo, muito
inspiradas, que o relacionamento íntimo com Deus é a única forma de
garantir o futuro. A ferramenta que o Diabo mais usa é a dúvida. O
Diabo só trabalha com a dúvida. Ele quer que você duvide, só isso. Se
o Diabo conseguir fazer você duvidar, de si mesmo e do seu potencial, isso basta pra ele te derrubar.
Ele sempre vai usar você contra você: você e suas dúvidas. O Diabo
trabalha com a dúvida!
Eu cometi um erro ao querer forçar os alunos a fazerem adoração, até
consegui, mas devo admitir: foi forçado. O lado bom é que descobri que
as portas de um Colégio estão abertas, e quando se está com Deus Ele
realmente abre porta onde não há porta. Mas Deus precisa e exige mais
de nós, Ele não quer apenas um Projeto, Ele quer um lugar exclusivo
para Ele, e este lugar não é uma sala com alunos, este lugar, é o
íntimo do meu coração. Agora eu entendi isso.
Jesus tem todo o Poder de atrair e aproximar aqueles que o Pai quer
que sejam salvos, eu percebo nitidamente isso na vida do Bispo Macedo,
ele nunca se preocupa em atrair as pessoas, pelo contrário, vive "se
escondendo", e no entanto Deus leva as pessoas certas até ele.
Me afastei dos alunos e do Colégio, parei com o Projeto no Colégio,
por enquanto, até segunda Ordem!. Eu precisava me concentrar somente
em Deus e não nas pessoas. Aquela gritaria, aquela euforia, aquela
proximidade com adolescentes estava me prejudicando muito
espiritualmente, eu estava me desgastando com pessoas que se um dia
chegarão a um verdadeiro conhecimento de Deus, tenho certeza, não será
por meio de um simples Projeto. Eu achava que estava prestando um
serviço para Deus, mas como posso trabalhar pra Deus ou ser útil para
Deus se sou inútil a mim mesmo? Por isso decidi me afastar de tudo e
de todos, e orar, orar, orar e orar.
Se algum aluno(a) me procurar, eu vou procurar ajudar, mas não penso
em fazer eventos. Eu vi que estava andando na frente de Deus, porque
não é este o objetivo da minha vida. Um professor de Artes pode e tem
até o dever de fazer eventos artísticos. É claro que exige muito do
professor, e eu sei porquê eles não gostam de se envolver, porque não
é nada fácil fazer um evento acontecer, mesmo num Colégio.
Será preciso primeiro Deus realizar um Evento no meu coração, na minha
vida. Procuro ouvir e atender àqueles que me procuram, mas sinto que o
meu chamado é pra fazer algo que Deus determinou, e não pra cumprir
uma função dentro do Colégio. É claro que ter acesso à sala me ajuda,
é um lugar onde posso orar, posso ouvir Deus no silêncio, e por
enquanto sinto que esta é a única coisa que devo continuar fazendo.
Ainda não sei como, nem sei se é a hora, mas se alguma pessoa se
aproximar de mim, eu terei que abrir o jogo e falar a verdade, de
forma simples, mas falar, sem temor algum. Enquanto não houver
unidade, e esta espiritual, entre mim e as pessoas à minha volta, não
adianta fazermos nada juntos, podemos até lotar o Centro Comunitário,
mas Deus não vai estar no negócio. Eu me sinto muito distante das
pessoas, e sinto Deus muito distante de mim, no sentido de que andei
ouvindo a voz da necessidade humana, a voz da euforia, e não a voz da
revelação especial de Deus. Quem se aproximar de mim, vai começar a
ouvir a Verdade. Eu achava que bastava ter um Projeto, bastava colocar
os alunos pra trabalhar, mas Deus quer mais, muito mais. Há um grande
número de evangélicos neste Colégio, neste município, mas falta o
mover de Deus em cada vida, busca-se a religião, mas é preciso
encontrar a Face de Deus. E é isso que vou buscar, sem euforia, sem
afobação, sem "eventos", sem metas, sem alunos, porque é isso que Deus
quer: uma vida exclusiva para Ele, um vaso completamente vazio.
Tem algo acontecendo comigo, e sinto que é bom. Aprendi com o
Reverendo Caio Fábio a manter a mente livre pela Graça de Deus, sem
temor, sem trauma. E como é bom saber que há um outro lado, que existe
a Liberdade de Deus que não me julga pelas músicas que ouço ou toco,
ou pelos livros que leio ou pelos pensamentos "doidos" que tenho.
Aprendi que tudo isto faz parte do processo de santificação e perdão
de Deus. Não estou preocupado com nada, nem com trabalho, nem com
dinheiro, nem com mulher, nem com Igreja, nem com o futuro. Aqui uma
coisa que não posso reclamar é de tempo, eu tenho muito tempo. Mas
para quem tem tempo, falta vontade.
Passei dois dias fechado em casa, mergulhei num conflito, deixei
aflorar tudo o que me incomodava, encarei o "monstro" e as ameaças de
frente, e foi aí que me ocorreu a idéia de que há como voltar a
estudar. Isso não é uma certeza, mas é uma possibilidade real. Eu
posso estudar, mas não posso deixar que os estudos tomem o lugar e o
tempo da oração. Tudo o que vivi, me levou a saber de uma coisa: Sem
oração Deus não age. Sem ficar no silêncio absoluto e ouvir à voz de
Deus, Ele não fala, Ele não se manifesta. E se Deus não falar, se não
partir dEle a decisão, tudo vai dar errado, mesmo a execução da tarefa
mais simples, vai dar errado. Veja só: eu estou pensando que é
importante ter um emprego, ser um professor, ter uma atividade social
e oficial, ser útil pra comunidade escolar, ser um funcionário,
cumprir com minhas obrigações e cidadania. E isso já é resposta de
oração, pois eu me rebelava tremendamente contra isso. Eu achava que
Deus tinha que abrir uma exceção para mim, tinha que me "poupar", ou
algo assim. Além da necessidade do trabalho e dos estudos, de levar a
vida mais a sério e ser responsável e independente, eu vejo que tenho
o direito de manter o que conquistei: a sala do Colégio. Eu fico
pensando quanto custaria alugar uma sala daquele tamanho em Guarapuava
ou outra cidade. Aqui não custa nada. A luz é de graça. E o lugar é
privilegiado, ninguém me incomoda, e eu não incomodo a ninguém. Esta é
a conquista para mim: esse lugar. Ali eu faço as minhas orações do meu
jeito, com vontade. Percebo que isto é só começo, que muito do que fiz
foram erros fruto da empolgação. Foi muito mais a lebre empolgada com
a plantação de cenouras que falou em mim, mas agora, ressurge um
jabuti, pesado, com um imenso casco, e é o jabuti no homem que toma as
decisões certas, ainda que demore muito mais. Este é um lugar vazio de
espírito. A imaturidade religiosa é algo assustador. Mas não é com a
força do braço ou com o barulho e desgaste de um evento que Deus vai
se manifestar. Eu sempre fui contra o barulho, e de repente me vi o
principal deles, dos barulhentos!. Isso não está certo. A minha oração
é para que Deus me devolva para o meu silêncio original, e ali eu
deixe que Ele se mova através de mim e do silêncio. Pra andar comigo
agora, por mais adolescente ou criança que seja, terá de aprender a
Lição do Silêncio. Em todos os lugares as pessoas, inclusive os mais
crentes, acabam caindo na mesma cilada e disputando pra ver quem é que
faz mais barulho. E eu vejo pela graça e misericórdia de Deus, que nos
momentos raros e especiais que Ele me usou pra falar com as pessoas,
foi por meio de uma coisa: do silêncio. A Igreja precisa de mais
silêncio. A começar em mim. Isaías fala que o Servo do Senhor não
fazia sua voz ser ouvida pelos outros.
"NÃO clama porventura a sabedoria, e a inteligência não faz ouvir a sua voz?
No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se posta.
Do lado das portas da cidade, à entrada da cidade, e à entrada das
portas está gritando:
A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.
Entendei, ó simples, a prudência; e vós, insensatos, entendei de coração.
Ouvi, porque falarei coisas excelentes; os meus lábios se abrirão para
a eqüidade.
Porque a minha boca proferirá a verdade, e os meus lábios abominam a impiedade."
(Pv 8v1-7)
EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz
a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos
gentios.
Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça.
A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com
verdade trará justiça.
Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e
as ilhas aguardarão a sua lei. (Is 42v1-4)
"Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do seu servo?
Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do
Senhor, e firme-se sobre o seu Deus." (Is 50v10)
Há muitos homens disputando a palavra a tapa e achando que a
inteligência está em falar mais alto, em se fazer ouvir. Mas a
inteligência não se mede assim. Deus está no Silêncio, não há outra
forma do homem se Encontrar com Deus. Se há uma coisa que me afasta do
ajuntamento e até da Igreja, é o barulho. A Igreja precisa de oração,
e esta exige silêncio. É costume do mundo pagão e que despreza a Deus
colocar as próprias palavras sempre no "podium". Aqui as pessoas falam
muito... muito... demais... e isso me afasta, porque quero ficar perto
de Deus. E Deus está no silêncio. Eu percebo em grandes adoradores,
tenho descoberto novos nomes como Joy Williams, Terry Macalmon, Ray
Boltz, que são músicos adoradores muito diferentes entre si, mas que
nada deixam a desejar e são muito usados por Deus, que eles levam o
povo a adorar ao Senhor, mas suas vidas são um profundo silêncio. Suas
palavras são colocadas da maneira certa, em momento oportuno. E esta
temperança, este equilíbrio, eles foram buscar no mais profundo do
silêncio.
Terry Macalmon é um que me impressionou, eu não o conhecia. Ele é
compositor e toca piano. Eu adquiri um Cd deste adorador, e eu me
senti dentro de uma Igreja no EUA, tamanha a profundidade das canções
e das palavras que Ele diz enquanto ministra. Ele adora a Deus o tempo
todo, todas as suas palavras são pra Deus, e a Igreja responde no
mesmo espírito. Nitidamente eu percebo: não é o homem, não é o
adorador que fala, Ele apenas se entrega para o silêncio, mas é o
Espírito que fala através dele para a Igreja. No Brasil a Igreja de
uma forma geral precisa aprender que as nações só serão conquistadas
depois da obediência, e esta só se manifesta no Silêncio. Eu estou me
repetindo porque estou convencido disso: Deus só fala no silêncio. Eu
não vou ir na Igreja pensando em falar, eu vou ir lá pensando em ficar
quieto pra ouvir o que Deus tem a dizer. Eu não venho aqui no Colégio
pensando em fazer-me ouvir, aqui já tem muita gente que fala muito
alto. Se eu for estudar, quero que este mesmo silêncio me acompanhe a
cada passo. Eu errei todas as vezes que achei que devia entrar no jogo
e disputar a palavra e o barulho. Isso me traz grande e profundo
arrependimento. Todas as vezes em que não me calei, todas as vezes em
que me indgnei e quis "mudar o mundo" e "mudar à Igreja", eu só me
frustrei. Agora, passo pelo fogo e pela água, passo pela multidão e
pelo barulho, dentro e fora da Igreja, na rua e em casa, e como diria
Caio Fábio: "FIQUEI QUIETO!!!" Graças a Deus eu tenho conseguido orar
em silêncio, e isto e somente isto, a oração no silêncio tem sido o
combustível que me dá força sobrenatural pra vencer a tudo isso que aí
está. Me arrependo por ter feito tanto barulho e perdido tanto tempo!
Aonde quer que eu vá, parado ou em movimento, sozinho ou com pessoas,
que o silêncio de Deus permaneça e toque em mim e em quem estiver á
minha volta. O barulho seduz. E como seduz! Mas isso é um erro. O
grito, o brado, significa ataque, significa vitória. As pessoas querem
bradar como leões o tempo todo, e aí caem no clichê de querer vencer
sempre no grito. Parecia insignificante Josué ficar rodeando a cidade
por seis dias em total e absoluto silêncio, parecia sem sentido forçar
o povo a aquietar-se e marchar em volta da cidade, mais absurdo ainda
foram as sete voltas dadas em torno dos muros de Jericó ao sétimo dia.
Somente os sacerdotes tocavam as buzinas, mas o povo e os homens
armados seguiam em silêncio, pela Ordem de Deus dada através de Josué:
"Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem
fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até
ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis." (Js 6v10)
O dinheiro é a grande arma. Sempre foi. Há homens armados com
dinheiro. Há muitos homens na Igreja que só têm voz ativa por causa do
poder que o seu dinheiro representa diante dos sacerdotes ou pastores.
Mas Deus rejeita totalmente esse comportamento. A meu ver o que falta
para a Igreja crescer e conquistar a cidade, é justamente calar esses
"homens armados", e fazê-los entender que devem seguir calados
juntamente com todo o povo. É preciso educar o povo a ser mais calado,
a reconhecer e permanecer no seu devido lugar. Deus só está esperando
isso: que os sacerdotes toquem as businas, e que homens armados e o
povo se calem, mas está complicado para o povo entender e se calar.
Todo mundo fala, fala, fala... aí Deus não opera.
Está Escrito:
"E assim foi que, como Josué dissera ao povo, os sete sacerdotes,
levando as sete buzinas de carneiros diante do Senhor, passaram e
tocaram as buzinas; e a arca da aliança do Senhor os seguia.
E os homens armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as
buzinas; e a retaguarda seguia após a arca; andando e tocando as
buzinas iam os sacerdotes.
Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem
fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até
ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis.
E fez a arca do Senhor rodear a cidade, contornando-a uma vez; e
entraram no arraial, e ali passaram a noite.
Depois Josué se levantou de madrugada, e os sacerdotes levaram a arca
do Senhor.
E os sete sacerdotes, que levavam as sete buzinas de chifres de
carneiros, adiante da arca do Senhor, iam andando, e tocavam as
buzinas, e os homens armados iam adiante deles e a retaguarda seguia
atrás da arca do Senhor; os sacerdotes iam andando e tocando as
buzinas.
Assim rodearam outra vez a cidade no segundo dia e voltaram para o
arraial; e assim fizeram seis dias.
E sucedeu que, ao sétimo dia, madrugaram ao subir da alva, e da mesma
maneira rodearam a cidade sete vezes; naquele dia somente rodearam a
cidade sete vezes.
E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as buzinas, disse
Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade.
Porém a cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela;
somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela
estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos."
(Js 6v8-17)
O que falta não é um Ministério de Louvor e Adoração, nem ministros;
já há mais do que o necessário. Dinheiro também não falta, os cofres
estão transbordando. Mas há uma coisa faltando na Igreja: SILÊNCIO. Há
sacerdotes calados, intimidados pelo poder dos homens armados e dos
mais ousados dentre o povo, que se querem forçosamente assumir o
chamado de sacerdotes, quando não foram chamados. Os sacerdotes
precisam tocar as businas, e aos outros, entenderem a importância
crucial de fazer silêncio. O mundo é um lugar onde todo mundo fala o
tempo todo por qualquer pretexto. Mas a Igreja precisa ser diferente e
fazer diferença. Uma Igreja onde não há o espírito de obediência e
silêncio, não vai conquistar a cidade.
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"Em tribo que não tem morubixaba todo mundo é piaga." (ELITEJP)