A rebeldia ao longo da história
* A humanidade já passou por muitas fases nas quais o ser humano, por achar mais cômodo, passou a adotar uma postura libertina por crer que seguir fielmente os preceitos divinos é muito complicado, penoso ou incômodo. Tentarei resumi-los.
a) Eva foi enganada pela serpente por perceber que
"aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento" (Gênesis 3:6). E Adão, pelo visto, não foi persuadido por Eva a comer o fruto proibido, mas comeu-o de livre e espontânea vontade. Consumado o pecado, ao ser inquirido por Deus, Adão pôs a culpa em Eva e também no próprio Senhor; Eva, por sua vez, culpou a serpente. Ou seja, quando o pecado surgiu neste mundo, surgiu para valer, já que o ser humano passou a sentir-se melhor vivendo em pecado do que na presença de Deus, ainda que ele sentisse falta dEle mas não desse o braço a torcer, procurando substituí-Lo por outros deuses ou prazeres mundanos.
b) Os contemporâneos de Noé não deram a mínima quando a arca foi construída. Muitos deles ajudaram-no nessa tarefa, mas preferiram continuar com seus pecados a buscarem a salvação dentro da arca. Porém,
"a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gênesis 6:5). Resultado: de uma humanidade inteira, sobraram apenas oito pessoas.
c) O povo de Israel sempre foi muito cabeça-dura (ou, como diz a Bíblia, de dura cerviz). Viram as maravilhas de Deus no Egito e no deserto, mas sentiram saudade da escravidão e rebelaram-se contra Deus e Moisés diversas vezes, o que os levou a vagarem 40 anos pelo deserto até que toda a geração rebelde morresse. Mas bastou chegarem a Canaã e conquistarem a terra por meio de Josué que voltaram as costas ao Senhor assim que seu líder morreu. O vaivém ocorreu diversas vezes durante o período dos juízes: o povo se corrompia, Deus enviava opressores, o povo pedia socorro ao Senhor, Deus enviava um juiz que livrava o povo do opressor... Mas o povo permanecia fiel ao Senhor apenas durante o período em que o juiz estava vivo.
d) O período profético começou junto com a era dos reis em Israel, que mais tarde seria dividido nos reinos de Israel e Judá. Após a divisão do reino, os do norte mergulharam na idolatria, na prostituição, na exploração dos menos favorecidos, na perversão da justiça e em outras formas de corrupção; já os do sul ora seguiam os passos do norte, ora não. E a função dos profetas era justamente a de alertar os israelitas, os judeus e os povos ao redor sobre o que lhes aconteceria se permanecessem infiéis ao Senhor. A maioria deles foi ridicularizada, desprezada ou perseguida, sendo que vários acabaram sendo mortos apenas por falarem em nome de Deus. E mesmo com o fiel cumprimento de cada profecia, o povo permanecia infiel.
e) Depois da primeira destruição de Jerusalém, o povo fez uma nova aliança com o Senhor, mas nos próprios livros de Esdras e Neemias já se vê um retorno à rebeldia. Rebeldia essa que atravessaria o período persa, alexandrino, ptolomeu, selêucida, macabeu e romano, chegando até Jesus. Nessa altura, os fariseus, saduceus e outros doutores da lei estavam tão impregnados de paganismo que mais atrapalhavam que ajudavam o povo em sua tentativa de servirem a Deus. Cristo iniciou seu ministério pregando o
ARREPENDIMENTO, ou seja, continuando o ministério do primo João Batista (que, aliás, foi preso e decapitado por cutucar a onça com vara curta), e abordou todas as áreas da existência humana em seus sermões e parábolas, o que causou a revolta dos que teimavam em viver nas trevas. Resultado: conforme as profecias, Jesus foi morto justamente por aqueles aos quais fora enviado pelo Pai para resgatá-los da morte eterna.
f) Com os apóstolos, a rebeldia continuou. Quando as lideranças judaicas percebiam que o cristianismo se espalhava por todas as partes, eles - o livro de Atos deixa isso bem claro em vários trechos - se enchiam de inveja e se valiam do suborno e do falso testemunho para prejudicarem a pregação da Mensagem da Cruz. Contudo, quando mais a Igreja era perseguida, mais ela prosperava e mais fiel ela era ao Senhor.
g) A fidelidade da Igreja a Cristo perdurou até Constantino, que instituiu o cristianismo como a religião oficial do Império Romano, escancarando a porteira para que as religiões pagãs fossem mescladas com a doutrina genuinamente cristã (os novos "cristãos" eram batizados à força), dando origem ao catolicismo romano. Este se tornou tão poderoso que passou a perseguir toda e qualquer doutrina ou indivíduo que surgisse para levar o povo de Deus de volta aos preceitos divinos. Foram mais de mil anos de trevas: torturas das mais cruéis, mortes na fogueira e por decapitação, confisco de bens, perseguições implacáveis, criação da Inquisição... Com a Reforma, apesar da simpatia de muitos governantes europeus, a perseguição foi ainda mais cruel, como no Massacre de São Bartolomeu (iniciado em 24/08/1572, quando foram mortos entre 70.000 e 100.000 huguenotes) e na dificuldade de levar o Evangelho verdadeiro aos povos da América por causa da ação dos jesuítas.
h) Finalmente, vivemos uma nova época de rebeldia, da qual fazem parte os movimentos heréticos ligados ou não ao Movimento Nova Era e as ideologias contemporâneas como o marxismo e aquelas vinculadas ao
rock and roll, dentre muitas outras que têm surgido nos últimos 200 anos. Somadas a tais doutrinas e ideologias estão aqueles que, dentro das igrejas, pregam uma espécie de
cristianismo light, dentro do qual é permitido fazer uma série de abominações pelo simples fato de não estarmos mais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Sem perceberem que estão sendo usados por Satanás, tais lideranças estimulam a comunidade cristã, em especial os jovens, a viverem intensamente a vida terrena, ainda que seja necessário beber uma cervejinha, falar um palavrãozinho ou falar uma mentirinha de vez em quando. Usam textos bíblicos isolados para justificarem suas atitudes,
chamando de fariseus, hipócritas, juízes e legalistas todos aqueles que se opõem a tal libertinagem.
* Desculpem-me pelo texto longo, mas não agüento mais tantas idéias equivocadas a respeito da vida cristã.
"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o CONHECIMENTO" (Oséias 4:6a).

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"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6:14).