Inversão de valores
* Antigamente, a música cristã tinha apenas dois objetivos: a) edificar a Igreja; b) pregar o Evangelho. É claro que havia distorções, mas eram poucas. De uma maneira geral, tudo era feito para honra e glória do Senhor e tinha natureza
teocêntrica (Deus no centro) ou
cristocêntrica (Jesus Cristo no centro). Não havia espaço para a promoção do ser humano; se alguém se destacava demais, era obrigado a escolher entre permanecer fiel a Deus, dedicando seu talento musical apenas para a promoção do Reino, ou cair no mundão. Infelizmente, muitos escolheram a segunda opção e deram origem a boa parte da música secular que conhecemos hoje.
* Com o tempo, a música cristã passou a ter grande aceitação e isso teve gravíssimas conseqüências: os temas dos cânticos passaram a ser
antropocêntricos (o ser humano no centro), estilos seculares até então associados com o diabo passaram a ser utilizados, os músicos se profissionalizaram e passaram a viver como verdadeiras celebridades, o acesso do povão a tais músicos se tornou cada vez mais difícil... Os assuntos predominantes das letras dos cânticos começaram a deixar de lado as mensagens edificantes, que incentivavam - entre outras coisas latentes nas Escrituras - uma comunhão maior com Deus e o afastamento do pecado, e passaram a focar prosperidade, conquista, vitória, unção, poder... Tudo passou a ter ora uma aura mística, como se o adorador (?) anelasse mais as experiências sobrenaturais do que uma consagração efetiva ao Senhor, ora uma preocupação meramente humanista, como se Deus fosse obrigado a atender todos nossos desejos, por mais materialistas que fossem.
* Em resumo,
se antes a ênfase era sobre a consagração do cristão ao Senhor, a ponto do mesmo renunciar o próprio eu para seguir os passos de Jesus, hoje a ênfase é sobre o entretenimento e a satisfação do mesmo ego que o cristão deveria renegar. Hoje a maioria sente mais prazer em
shows gospel, sejam eles realizados em estádios, ginásios, parques e outras áreas abertas ou até dentro do próprio templo evangélico

, do que em cultos solenes onde se espera ouvir a voz do Senhor por meio de hinos ou cânticos moderados, leituras bíblicas, orações e pregações.
* Basta ver o repertório musical de mais de 90% de nossas igrejas, tanto pentecostais/neopentecostais quanto tradicionais. Quase todas estão deixando os hinos de lado e priorizando os cânticos, a esmagadora maioria deles priorizando mais os picos emocionais, sejam eles de êxtase introspectivo ou de interatividade barulhenta. Nem preciso dar nomes aos bois, apenas citar um único verso para que vocês tenham uma idéia do que o pessoal tem buscado ultimamente:
"Eu vou dançar na chuvaaaaaaaaaaaaaaaaa..."
* Que chuva? Quem dera tal chuva fosse de corações quebrantados, de almas entregues nas mãos do Senhor para que o Espírito Santo os tirasse da carnalidade e da busca ávida por prazeres vãos. Que essa imensa massa manobrada pelos mercenários
gospel olhasse para si próprios apenas no sentido de verem se existe algo em seus corações que os afastam duma comunhão íntima com Deus e buscasse as coisas do alto, relacionando-se mais e melhor com o Criador, além de olhar seu próximo com amor genuinamente cristão.
* Irmãos, ouçamos mais a voz de Deus.
"Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (Tiago 4:2-3).
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"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6:14).