>> pergunto qual a diferença que o prezado percebe entre a 'filosofia' e a 'religião', uma vez que elas aparecem com duas coisas que devem ser unidas.
- Filosofia é um esforço HUMANO para a construção de um certo esquema de compreensão da realidade. Esse esforço pode ser inclusive totalmente laico, sem D'us (por exemplo a filosofia existencialista, a filosofia de Nietzsche, etc.) Quando a religião, nesse aspecto, nem preciso dizer, certo?
- A filosofia deve sempre ser estruturada, portanto, dentro dos parâmetros da razão e/ou da lógica. Ainda que ela possa trabalhar com conceitos intuitivos metafísicos (por exemplo no platonismo) seu esquema deve estar num plano que obedeça determinados critérios de objetividade. Já a religião também adentra nesse contexto, mas parte FUNDAMENTAL dela transcende o meramente racional, o objetivo, o eXotérico (com x mesmo, nesse caso - já que engloba um aspecto eSotérico).
- A filosofia pode ser contestada em nível de linguagem humana vulgar, tal como se concebe estruturalmente essa capacidade humana. Em outras palavras, ela tem aquilo que Karl Popper chama refutabilidade mas numa outra dimensão - a das idéias. Já a religião trabalha com certos valores cuja compreensão depende de um entendimento METALINGUÍSTICO.
- A filosofia se distingue de PRAGMATISMO pela "busca desinteressada pela verdade". O filósofo busca uma verdade sobre certo aspecto da existência sem no entanto ser teleológico. Já a religião - ao menos as principais mais conhecidas - possuem uma finalidade bem definida. Há um interesse de saber ligado diretamente a um interesse que outro que não apenas o "saber". Eu poderia dizer como isso se realiza na prática, mas creio que uma reflexão rápida sobre isso já torna evidente. Do contrário, explico.
Abraço.
Olá Peterleal
aproveitando que o fervor do tópico, parece ter passado, vamos nos concentrar em camadas mais profundas do nosso papo.
aqui está minha segunda dúvida que ficou sobre sua resposta acima.
contrapondo as idéias de religião e filosofia o prezado propõe, entre outras coisa, o seguinte:
"A filosofia deve sempre ser estruturada, portanto, dentro dos parâmetros da razão e/ou da lógica. Ainda que ela possa trabalhar com conceitos intuitivos metafísicos (por exemplo no platonismo) seu esquema deve estar num plano que obedeça determinados critérios de objetividade. Já a religião também adentra nesse contexto, mas parte FUNDAMENTAL dela transcende o meramente racional"
gostaria que o prezado explicasse ou desse um exemplo do que seria alguma coisa na religião que "transcende o meramente racional".
Registrado: Dec 03, 2010 Mensagens: 129 Localização: Brasília-DF
Enviada: 08-12-2010 4:25 pm
Torru.
>> gostaria que o prezado explicasse ou desse um exemplo do que seria alguma coisa na religião que "transcende o meramente racional".
Se você é um cristão praticante, sabe. É provável que no cristianismo exista o êxtase espiritual, como no judaísmo. A sensação e informação que transcende o racional, porque inexprimível por quaisquer palavras.
Além da experiência espiritual existe também o aspecto esotérico da religião, em oposição ao exotérico. Que fique claro que por esotérico NADA tem a ver com o esoterismo tal como vulgarmente entendido. Estou me atendo ao sentido etimológico da palavra.
A palavra esotérico refere-se a um sentido que não é dado na objetividade da experiência, leitura ou oratória. O conhecimento esotérico de algo é aquele que somente é comunicado por uma via da experimentação direta, quando se rompem as barreiras e "filtros" da consciência objetiva.
Já o conhecimento exotérico é aquele exteriorizado, manifestado objetivamente. Exemplo direto de um conhecimento exotérico é a "simples leitura" da Bíblia, ainda que considerando o sentido conotativo. Agora, quando se consegue estabelecer um contato com a dimensão interna da experiência que seus autores vivenciaram diretamente ao expressar aquilo, estamos diante da compreensão esotérica da qual o texto é mera "sombra".
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_________________ שמע ישראל יהוה אלהינו יהוה אחד
(Ouve Israel, O Senhor é nosso D'us, O Senhor é único). Devarim 6, 4.
>> gostaria que o prezado explicasse ou desse um exemplo do que seria alguma coisa na religião que "transcende o meramente racional".
Se você é um cristão praticante, sabe. É provável que no cristianismo exista o êxtase espiritual, como no judaísmo. A sensação e informação que transcende o racional, porque inexprimível por quaisquer palavras.
Além da experiência espiritual existe também o aspecto esotérico da religião, em oposição ao exotérico. Que fique claro que por esotérico NADA tem a ver com o esoterismo tal como vulgarmente entendido. Estou me atendo ao sentido etimológico da palavra.
A palavra esotérico refere-se a um sentido que não é dado na objetividade da experiência, leitura ou oratória. O conhecimento esotérico de algo é aquele que somente é comunicado por uma via da experimentação direta, quando se rompem as barreiras e "filtros" da consciência objetiva.
Já o conhecimento exotérico é aquele exteriorizado, manifestado objetivamente. Exemplo direto de um conhecimento exotérico é a "simples leitura" da Bíblia, ainda que considerando o sentido conotativo. Agora, quando se consegue estabelecer um contato com a dimensão interna da experiência que seus autores vivenciaram diretamente ao expressar aquilo, estamos diante da compreensão esotérica da qual o texto é mera "sombra".
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muito bem, alinhamos mais elementos para uma análise posterior.
>> pergunto qual a diferença que o prezado percebe entre a 'filosofia' e a 'religião', uma vez que elas aparecem com duas coisas que devem ser unidas.
- Filosofia é um esforço HUMANO para a construção de um certo esquema de compreensão da realidade. Esse esforço pode ser inclusive totalmente laico, sem D'us (por exemplo a filosofia existencialista, a filosofia de Nietzsche, etc.) Quando a religião, nesse aspecto, nem preciso dizer, certo?
- A filosofia deve sempre ser estruturada, portanto, dentro dos parâmetros da razão e/ou da lógica. Ainda que ela possa trabalhar com conceitos intuitivos metafísicos (por exemplo no platonismo) seu esquema deve estar num plano que obedeça determinados critérios de objetividade. Já a religião também adentra nesse contexto, mas parte FUNDAMENTAL dela transcende o meramente racional, o objetivo, o eXotérico (com x mesmo, nesse caso - já que engloba um aspecto eSotérico).
- A filosofia pode ser contestada em nível de linguagem humana vulgar, tal como se concebe estruturalmente essa capacidade humana. Em outras palavras, ela tem aquilo que Karl Popper chama refutabilidade mas numa outra dimensão - a das idéias. Já a religião trabalha com certos valores cuja compreensão depende de um entendimento METALINGUÍSTICO.
- A filosofia se distingue de PRAGMATISMO pela "busca desinteressada pela verdade". O filósofo busca uma verdade sobre certo aspecto da existência sem no entanto ser teleológico. Já a religião - ao menos as principais mais conhecidas - possuem uma finalidade bem definida. Há um interesse de saber ligado diretamente a um interesse que outro que não apenas o "saber". Eu poderia dizer como isso se realiza na prática, mas creio que uma reflexão rápida sobre isso já torna evidente. Do contrário, explico.
Abraço.
olá peterleal,
aqui está minha terceira dúvida que ficou sobre sua resposta acima.
contrapondo as idéias de religião e filosofia o prezado propõe, entre outras coisa, o seguinte:
"Já a religião trabalha com certos valores cuja compreensão depende de um entendimento METALINGUÍSTICO."
gostaria que o prezado explicasse ou desse um exemplo do que seria "um entendimento METALINGUÍSTICO".
para refletirmos melhor e continuarmos nosso papo.
agradeço a resposta e a paciência, não tenho pressa, poste quando puder.
Registrado: Dec 03, 2010 Mensagens: 129 Localização: Brasília-DF
Enviada: 10-12-2010 5:51 pm
Torru.
O prefixo meta significa "além de".
A comunicação metalinguística é aquela que já referi sobre a fé, embora nesse caso ela possa abranger outros aspectos também. É a linguagem que não se utiliza das vias comuns da linguagem.
Ela transmite uma informação mediante sentimentos e mediante uma compreensão subjetiva advinda da participação, da ritualística e da transcendência.
Por exemplo um casal depois de muitos anos de convivência consegue estabelecer entre si uma comunicação para além de gestos e palavras, para além dos signos comuns da linguagem. É uma comunicação metalinguística. Às vezes uma simples alteração num certo costume quer dizer algo. Isso não seria exatamente uma "linguagem", mas ainda assim informa algo que não 'trafega' na mesma esfera comum da linguagem. Isso é metalinguística.
A religião possui uma enorme variedade de recursos metalinguísticos que dão ao "iniciado" (o verdadeiro adepto) um aprofundamento não apenas de sentimentos mas também de convicções e informações reais.
Inclusive eu já escrevi um texto certa vez que um dos grandes problemas ao se conversar com um ateu sobre coisas espirituais é que o ateu não tem qualquer abertura para essa via de informação.
As Sagradas Escrituras são por vezes escritas por indivíduos que não conseguiriam de forma nenhuma colocar ali na "letra" aquilo que sabiam e sentiam. Por isso se diz que a letra mata "o espírito", porque muita coisa deste é transcendente e se perde completamente com a letra. Então somente um movimento para ir "além da letra" é capaz de reconectar o destinatário com seu destino.
O ateu procura "matar a própria letra" ignorando até o sentido conotativo (metáfora) de parábolas e simbolismos afim de ridicularizar a situação, imagine se ele seria capaz de um esforço real para tentar entender o que está além, aquilo que a linguagem jamais seria capaz de expressar, aquilo que está numa esfera metalinguística.
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_________________ שמע ישראל יהוה אלהינו יהוה אחד
(Ouve Israel, O Senhor é nosso D'us, O Senhor é único). Devarim 6, 4.
"É provável que no cristianismo exista o êxtase espiritual, como no judaísmo. A sensação e informação que transcende o racional, porque inexprimível por quaisquer palavras."
o prezado está usando os dois termos 'sensação' e 'informação' como sinônimos ?
Registrado: May 10, 2011 Idade: 30 Mensagens: 357 Localização: Segredo/PR
Enviada: 18-08-2011 2:01 pm
"Ponha isso no seu caximbo e fume!"
Olha só a surra que o teólogo Dr. William Lane Craig dá nesse pobre ateu darwinista chamado Peter Atkins... o mediador do debate não resiste ao ver o ateu sem argumentos e solta um comentário provocador.
Para ser verdade o Ateísmo não pode estar dividido. Aquilo que nega a Deus tem que, obrigatoriamente, ser unânime. Se um ateu diz que a Ciência explica tudo, mas outro ateu admite que ela não explica, logo o ateísmo é uma farsa, pois ele falha em sua missão. A negação a Deus tem que ser mais perfeita do que os crentes supõem que Deus seja. A crença em Deus permite as dúvidas e diferenças, mas a negação de Deus tem que ser uma verdade constante e imutável. ‘Taí uma coisa que os ateus nunca vão conseguir.
Por esse vídeo ficou provado que a própria Ciência não pode provar a si mesma, pois os grandes avanços científicos se baseiam em suposições, que por sua vez também não podem ser provadas. Se a Ciência não pode provar nem a própria existência óbvia que possui, como então poderá provar que Deus não existe?
_________________ Sou como Pedra: se me agradar, não sinto nada, nem retribuo. E se me bater, posso até quebrar, mas vai doer muito mais em você!
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