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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 20-07-2008 11:13 pm |
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motta Novato

Registrado: Jul 22, 2008 Mensagens: 1 Localização: teresina
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Enviada: 22-07-2008 11:05 pm |
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puxa vida,que pena ter descobrido tao tarde este topico(mais exatamente semana passada)e sem querer,achei pelo google quando procurava outra coisa e cair exatamente no forum sobre romanos,mais Deus é quem comanda o tempo,sei que esta bem adiantado o estudo sobre eclesiastes mais vou ver ak com o que Deus pode me usar pra contribuir com o topico,
ah e meus parabesn a você sarah pela iniciativa. |
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deliriousgirl Justificado


Registrado: Mar 01, 2005 Idade: 22 Mensagens: 3711 Localização: são bernardo da borda do campo!
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Enviada: 23-07-2008 9:21 am |
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| atlas escreveu: | | Logo, me parece que a melhor tradução realmente seja "espírito", já que no dia da morte, ninguém pode reter a alma, o espírito. |
atlas, como você vê a diferença entre alma e espírito?
sei q essa discussao n caberia melhor em outro tópico talvez, mas acho q ajudaria a entender melhor o vers..
no hebraico há alguma distinção?
gente.. eu n tenho comentado pq ando com bastante trabalho... mas de pouquinho em pouquinho, acabei de ler as ultimas pags.. e acho q vai dar p comentar o 9 =) |
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atlas Assíduo


Registrado: Dec 31, 2007 Idade: 45 Mensagens: 153 Localização: São Paulo (SP)
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Enviada: 23-07-2008 3:27 pm |
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| deliriousgirl escreveu: |
atlas, como você vê a diferença entre alma e espírito?
sei q essa discussao n caberia melhor em outro tópico talvez, mas acho q ajudaria a entender melhor o vers..
no hebraico há alguma distinção?
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Oi, deliriousgirl!
Num resumão, aí existem basicamente 3 correntes:
1) dicotomistas - crêem que alma e espírito são a mesma coisa, separadas do corpo;
2) tricotomistas - crêem que corpo, alma e espírito são distintos;
3) holistas - crêem que corpo, alma e espírito estão envolvidos e confundidos numa espécie de pessoa total.
Sinceramente, eu não tenho opinião formada sobre isso porque eu acho que é um tema que a Bíblia não faz questão de dogmatizar. O texto mais famoso dessa discussão toda é 1 Tessalonicenses 5:23 - "O mesmo Deus da paz voz santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nossos Senhor Jesus Cristo". Aparentemente, há uma tricotomia, mas fica difícil construir toda uma teologia em cima de um só versículo.
Um ótimo artigo, bem aprofundado, sobre todas essas questões, está neste site:
http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm |
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Livita Em Terapia

Registrado: Mar 01, 2004 Mensagens: 2577
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Enviada: 25-07-2008 12:28 am |
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Ai, gente, foi mal eu sumir daqui, rs. É que não tenho férias, né? Enquanto tá a maioria de férias da faculdade, escola e tal, eu to em período de primeiras provas  . Mas separei hoje para pelo menos postar o cap. 9.
Quando fui ler o capítulo, vi o título que a versão da Bíblia que eu leio colocou: Todos terão de morrer. Fiquei um tempo olhando para o título pensando de como muitas vezes vivemos como se fôssemos eternos. Lembro do dia em que a ficha de que um dia morrerei caiu para mim. Eu estava no início da adolescência e entrei numa crise horrível. Até hoje, confesso, isso me dá um certo frio na barriga, não mais pelo medo da morte em si, mas sim pela eternidade que não consigo assimilar. Enfim, isso é outro assunto, rs.
Voltando... O Pregador começa a falar do destino de todos, independente do que se fez debaixo do sol. A morte, sepultura, a ida ao Sheol, onde não há recompensas, isto é, as bênçãos que Deus proporciona aos humanos em vida. Mas, como ele mesmo fala no início do capítulo, tudo está nas mãos de Deus. Vale lembrar que na época se acreditava que a justiça divina acontecia em vida mesmo. Penso que o autor quer dizer que o castigo maior será dado a todos, o da morte, pelo que fala "Para eles [mortos] o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram: para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles" 9:6, o fim da esperança!
E mais uma vez o Pregador fala para que curtamos a vida, nos alegrando, bebendo, comendo, nos divertindo com nossos familiares e amigos, pois disso Deus se agrada. A vida é sem sentido, Deus nos deu ela sem sentido, que façamos então o nosso melhor para sermos felizes, pois essa é a nossa recompensa. Isso também inclui os outros, por isso o que as nossas mãos tiverem o que fazer, que façamos da melhor forma, assim muitos se agradarão.
Entretanto, nem tudo tem as consequência esperadas. Nem sempre que fazemos uma coisa boa vamos ter resultado bom, ou ruim com resultado ruim. Isto, penso, é o que faz a vida se tornar mais sem sentido. É um alerta que o Pregador mostra: "Olha, apesar de você procurar fazer o melhor, nem sempre vai rolar". Isto é meio desanimador... Eu queria entender melhor quando ele fala que "o tempo e o acaso afetam a todos", seria isto a interferência de fatores externos que causam desastres nas nossas ações? Não é o sentido de acaso que entendemos hoje, né?
Ai, já falei muito por hoje, rs. |
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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 27-07-2008 11:31 pm |
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| motta escreveu: | puxa vida,que pena ter descobrido tao tarde este topico(mais exatamente semana passada)e sem querer,achei pelo google quando procurava outra coisa e cair exatamente no forum sobre romanos,mais Deus é quem comanda o tempo,sei que esta bem adiantado o estudo sobre eclesiastes mais vou ver ak com o que Deus pode me usar pra contribuir com o topico,
ah e meus parabesn a você sarah pela iniciativa. |
oi, motta! seja bem-vindo...
pow, nada impede você de participar do resto do nosso estudo... só faltam 3 capítulos, mas como estamos indo leeeentamente... rs. e provavelmente faremos outros por aqui.
eu já reli o 9, mas a semana que passou não me sobrou tempo nem pra aparecer no dot direito. amanhã volto aqui pra postar sobre ele. e já pego o gancho no comentário da lívia.
=) |
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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 30-07-2008 6:14 pm |
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encarar esse fato de que vamos morrer nunca é tranqüilo mesmo... e penso que por isso tb Salomão fala tanto sobre esse assunto, pq as pessoas tentam apagar isso da mente, não pensar no como vai ser (se é que possível imaginar isso)... então ele tá sempre lá, cutucando: olha, presta atenção, não adianta você correr, ñ adianta ser rico, sábio, tolo, pobre, você vai morrer, como todos vão!... dá medo...
(o título aqui tá "o destino de todos")
bem, e é exatamente sobre isso o que ele fala nesse capítulo. mas como em todo o livro, ele dá aquela importância à vida... o versículo 4 diz que
"Quem está entre os vivos têm esperança; até um cachorro vivo é melhor do que um leão morto!". e isso, pelo menos pelo que entendi, nos leva ao pensamento de que a morte é o fim de todas as coisas. um pensamento presente na época... e os versículos seguintes confirmam isso (embora tb dê para interpretar que valha somente para a vida na Terra, mas considero o pensamento daquele tempo):
5 e 6: "Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles. Para eles o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram; nunca mais terão parte em nada do que acontece debaixo do sol."
então ele volta no seu velho conselho: aproveite a vida o máximo que puder, pq depois já era... e pq não adianta nos esforçarmos TANTO assim, pq os resultados nem sempre serão como esperamos, como a lívia bem disse e como ele trata no versículo 11.
é nele que tá o lance do acaso, né? vou botar aqui:
11: "Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos."
lívia, eu penso que quando salomão fala "acaso" aqui, ñ se refere ao "acaso" que temos em mente (se é que a definição é a mesma, rs). mais a frente, no versículo 12, ele usa a palavra "inesperadamente". e talvez seja exatamente isso o que ele tente dizer, que as coisas acontecem sem que a gente espere. no caso, a morte.
eu queria saber se a historinha que ele conta depois é verdadeira... ou é apenas um exemplo. até pq ele finaliza o capítulo falando sobre a força prevalecer sobre a sabedoria, apesar de ela ser mais importante e tem a ver com o que ele contou. faz sentido, mas fará mais entendendo essa parte, rs.
ui, por enquanto é isso. |
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atlas Assíduo


Registrado: Dec 31, 2007 Idade: 45 Mensagens: 153 Localização: São Paulo (SP)
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Enviada: 03-08-2008 12:07 am |
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O capítulo 9 de Eclesiastes começa ainda com o eco do último versículo do capítulo 8, ou seja, "o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol". O discurso do Pregador está perto do fim, e ele começa a preparar a conclusão, não sem antes repetir alguns temas que já havia dito, e enfatizar a questão da morte, do tempo e do acaso, como a Lilindinha e a Sarah já destacaram. No primeiro versículo, há um jogo interessante entre as palavras "amor" e "ódio", que provoca uma certa controvérsia, sobre se ambos se referem a Deus ou ao homem. Ambas as traduções são possíveis, como se percebe das diferentes versões em português:
"os seus feitos estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera, não o sabe o homem" (Revista e Atualizada)
"O homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo isto lhe está pela frente" (Tradução Ecumênica)
"O que os espera, seja amor ou ódio, ninguém sabe" (NVI)
"o homem não sabe se Deus o ama ou odeia" (Bíblia do Peregrino)
"O homem não conhece o amor nem o ódio de tudo o que espera" (Bíblia de Jerusalém)
O versículo, a meu ver, deve ser entendido dentro do seu contexto, que inclui o último versículo do capítulo 8, ou seja, realmente o homem não sabe o que lhe está reservado nesta vida, já que ele não é dono de si mesmo, nem do seu destino, e mesmo as situações sobre as quais ele imagina ter controle geralmente são as que mais lhe escapam das mãos. As palavras "amor" e "ódio" podem também significar, respectivamente, "aceitação" ou "rejeição" da parte de Deus, o que, de alguma maneira, se relaciona com o v. 7, em que o Pregador diz que o homem deve viver gostosamente, "pois Deus já de antemão se agrada das suas obras". Mais do que propriamente a predestinação, Salomão fala aqui da providência divina, de uma forma que a graça de Deus está em destaque. É interessante perceber que o próprio Calvino usa esses versículos para refutar o dogma escolástico de que a fé é uma conjectura moral, ou seja, a pessoa teria certeza de que tem fé em Deus se se sente em paz com Deus pelas obras que realiza:
38. IMPROCEDÊNCIA DO DOGMA ESCOLÁSTICO DE QUE A CERTEZA DE FÉ É UMA CONJETURA MORAL.
Daqui se pode ajuizar quão pernicioso seja esse dogma escolástico de que não podemos estabelecer de outro modo quanto à graça de Deus para conosco do que por uma conjetura moral, segundo cada um não se reputa indigno dela. Certamente, se houvéssemos de julgar por nossas obras que afeto Deus nos tem, confesso que não o podemos compreender nem pela menor conjetura do mundo. Como, porém, deve a fé responder à simples e graciosa promessa, não se deixa nenhuma possibilidade de dúvidas. Ora, pergunto, de que confiança seremos armados, se raciocinarmos que Deus nos é propício com esta condição: desde que a pureza de nossa vida assim o mereça? Entretanto, uma vez que, para tratar destas coisas destinamos seu devido lugar, por ora não iremos mais longe, sobretudo vendo que nada pode haver mais contrário à fé do que a conjetura ou qualquer outro sentimento que tenha algo parecido com a dúvida ou incerteza.
E para isso torcem mui abusivamente o testemunho de Eclesiastes, que por vezes, têm nos lábios: "Ninguém sabe se, porventura, seja digno de ódio ou de amor" [Ec 9:1]. Ora, deixando de parte que esta passagem foi incorretamente traduzida na versão corrente, contudo, não pode ser desconhecido até mesmo ás próprias crianças o que Salomão tem em mente com palavras desta natureza, isto é, se alguém queira julgar do presente estado das coisas, as quais delas Deus persegue com ódio, as quais delas abraça em amor, em vão labora ele e se atormenta com nenhum proveito, uma vez que "tudo sobrevém igualmente ao justo e ao ímpio, ao que oferece sacrifícios e ao que não os oferece" [Ec 9.2]. Do quê se segue que Deus não atesta perpetuamente seu amor para com aqueles a quem tudo faz suceder prosperamente, nem manifesta sempre seu ódio para com aqueles a quem aflige.
E Salomão faz isso para comprovar a fatuidade do engenho humano, quando em coisas sumamente necessárias de se conhecer ele se vê dominado de tão grande obtusidade. Como havia escrito pouco antes [Ec 3.19], não se pode discernir em que a alma do homem difira da alma do animal, visto que parece morrer da mesma forma. Se alguém daí queira inferir que a convicção que temos acerca da imortalidade das almas se apóia em mera conjetura, porventura com razão não será tido por insano? Portanto, porventura são dotados de são juízo esses que, porque não se pode alcançar nenhuma conclusão da percepção sensória das coisas presentes, concluem que nenhuma certeza existe da graça de Deus?
(CALVINO, João. As Institutas. Edição Clássica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2. ed. vol. 3, cap. II, p. 63)
Assim, os primeiros versículos do capítulo 9 de Eclesiastes ressalta que "tudo sucede igualmente a todos" (v. 2), a crentes e incrédulos, a justos e injustos, o destino é o mesmo, o que dá a idéia de que somos todos descartáveis no final. Nem "reciclados" somos, já que tudo jaz no esquecimento (v. 5). De nada adiantou amar, odiar, invejar, pois a vida se foi e tudo foi em vão (v. 6). Palavras duras, sem dúvida, se o Pregador tivesse parado por aí. Entretanto, ele realmente crê que vale a pena viver (v. 7), que a vida é melhor do que o nada (v. 9). Ele não está pregando uma alienação total, um desânimo generalizado, um distanciamento da vida, um nihilismo desenfreado. Tudo o que vier às nossas mãos, façamos conforme as nossas forças (v. 10), até porque, no nosso destino final, nada disso existirá. Pode-se perceber ecos desta lição nas palavras de Jesus:
João 12:35 Disse-lhes então Jesus: Ainda por um pouco de tempo a luz está entre vós. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai.
E nas de Paulo:
Gálatas 6:10 Então, enquanto temos oportunidade, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.
Já Derek Kidner, no seu livro "A Mensagem de Eclesiastes" (Ed. ABU, 2ª ed., 1998, pp. 69-70), vê ecos de culturas passadas, como o Gilgamesh, neste trecho de Eclesiastes:
Há notáveis semelhanças entre esta passagem (9:7-10) e algumas linhas da Epopéia de Gilgamesh [placa X], um poema acadiano que data do tempo de Abraão ou antes e que era muito conhecido no mundo antigo. Neste ponto da história o herói, impelido pela morte de seu grande amigo a ir em busca da imortalidade, chega ao jardim dos deuses. Ali a jovem Siduri, a fabricante de vinhos, lhe fala:
"Gilgamesh, por onde você está vagueando?
A vida que está procurando, você nunca encontrará,
Pois os deuses, quando criaram o homem, deram-lhe
A morte como quinhão, e a vida
Ficou retida nas mãos deles.
Gilgamesh, encha o estômago!
Alegre-se dia e noite,
Encha os seus dias de alegria,
Dance e faça música de dia e de noite.
Use roupas limpas,
Tome banho e lave a cabeça.
Olhe para o filho que lhe segura a mão,
E que sua esposa se deleite com o seu abraço.
Apenas essas coisas dizem respeito ao homem."
Este não é o único lugar onde se encontram sentimentos deste tipo. A canção de um banquete fúnebre egípcio, talvez mais ou menos contemporâneo de Gilgamesh, contém o seguinte conselho, após advertir os vivos acerca do que terão de enfrentar:
"Realiza os teus desejos enquanto estiveres vivo. Unge a tua cabeça com mirra, veste-te de linho fino, e unge-te...., e não aborreças o teu coração, até que chegue o dia da lamentação."
Após destacar a questão da morte, o Pregador segue dizendo que "tudo depende do tempo e do acaso" (v. 11), o que não deixa de ser uma recordação do que já havia dito em Eclesiastes 3, no célebre texto do "tempo para tudo". Afinal, não sabemos a nossa hora (v. 12). A maneira como decidimos sair do portão de casa pode definir a nossa vida (ou a nossa morte) de maneira totalmente inesperada. A nossa vida pode depender do simples fato de decidirmos sair pela direita ou pela esquerda, pelo portão de casa, numa linda manhã. A morte nos ronda todos os dias, conforme percebemos por uma simples passada de olhos nas manchetes dos jornais, com tantas vítimas do acaso, das balas perdidas, dos diques que se rompem, das pontes que caem. Já repararam como, às vezes, tudo dá errado? Muitas vezes, eu tive que sair mais tarde de casa, ou pegar a estrada atrasado, porque simplesmente algo (ou uma sucessão de "acasos") deu errado. Com o tempo, eu percebi que aquilo muito bem podia ser Deus simplesmente me protegendo de um acaso pior, e eu passei a relaxar depois desta percepção das coisas. Mais do que a Lei de Murphy, existe uma providência divina agindo nas nossas vidas, de todos nós, e esta providência às vezes se parece mais com um agente secreto que espreita os acontecimentos mais banais e corriqueiros do nosso dia-a-dia, mas está sempre ali presente, batendo o ponto, influindo nos mínimos detalhes para o nosso bem, mesmo que o aparente mal nos aconteça.
No final do capítulo 9, o Pregador conta uma pequena parábola, para exaltar a sabedoria (v. 13). Ele conta a história de uma pequena cidade, cercada por um grande rei (v. 14), em que um homem pobre, mas sábio, a livrou (v. 15), mas logo caiu no esquecimento do povo que havia salvo (v. 16). Esta é uma parábola com vários significados, mas o que mais salta aos olhos, a meu ver, é a questão da gratidão e da ingratidão. No v. 7, já vimos que havia uma espécie de gratidão de Deus para com os seus servos, sem nenhuma razão específica, apenas pela graça dEle mesmo. Aqui vemos que o povo daquela cidade deveria ser eternamente grato ao homem pobre, mas eles logo se esqueceram do benefício que este lhes havia feito. De fato, não devemos esperar gratidão dos homens, porque a regra é a ingratidão. Da mesma maneira, a regra é a mesma no relacionamento dos homens para com Deus, como o próprio Jesus teve ocasião de vivenciar e delatar quando curou 10 leprosos (Lucas 17:11-19), e apenas um (ainda samaritano) retornou para lhe agradecer. Isto depois do Mestre ter dito que o senhor não precisava agradecer ao servo por este ter feito o que lhe havia sido ordenado (Lucas 17:9), num claro contraste com Eclesiastes 9:7, que é muito mais existencialista, no sentido de nos mostrar a importância de viver uma vida bem vivida, com todos os seus bens e males, e nos lembrarmos sempre de agradecer a Deus pelo dom da vida que Ele graciosamente nos deu. |
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Livita Em Terapia

Registrado: Mar 01, 2004 Mensagens: 2577
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Enviada: 04-08-2008 11:50 am |
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Sarah e Atlas, obrigada pelas explicações. Agora eu entendi o sentido da palavra. Há uma sutil diferença entre o que entendemos de acaso hoje com o que Salomão quis dizer. |
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Boka0 Avançado


Registrado: Feb 21, 2008 Idade: 19 Mensagens: 75 Localização: Muriaé
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Enviada: 08-08-2008 7:53 pm |
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opa!
comecei agora, aonde vcS estão exatamente??? |
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Livita Em Terapia

Registrado: Mar 01, 2004 Mensagens: 2577
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Enviada: 08-08-2008 9:23 pm |
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Boka, estamos indo para o capítulo 10. Mas se você quiser comentar o 9, beleza. Acho que para os outros também não tem problemas. |
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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 18-08-2008 5:45 pm |
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galera, eu to sem net em casa, então se vcs quiserem dar continuidade, podem fazer isso, viu? e sem problemas ainda comentar o 9...
volto bem breve. |
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atlas Assíduo


Registrado: Dec 31, 2007 Idade: 45 Mensagens: 153 Localização: São Paulo (SP)
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Enviada: 26-08-2008 11:04 pm |
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Eclesiastes está chegando ao final, e o discurso do Pregador se encaminha para uma conclusão. Existe algum sentido na vida, afinal? Se existe, qual é? Até o capítulo 9, o Pregador veio desconstruindo uma série de certezas que pensamos ter sobre a vida. Ironicamente, a única certeza que temos é a morte. O senso comum nos mostra que as mesmas coisas acontecem para justos e injustos, e que crentes e descrentes se equiparam nas circunstâncias cotidianas da vida, sejam elas tristes ou felizes. O sol nasce para todos, indistintamente. O capítulo 10 marca uma transição, em que o Pregador compara a sabedoria e a estultícia. "Estultícia" é um sinônimo mais formal de "tolice". No capítulo 2, ele já tentara se embriagar para que a estultícia se apoderasse dele (v. 3) e deixara claro que o que acontece ao sábio, também acontece ao estulto, ao tolo (vv. 15-16), mas agora é hora de marcar posição, e, para tanto, ele faz uma comparação muito simples, dizendo que a estultícia na vida de quem busca a sabedoria é como a mosca morta que estraga o perfume. A exemplo do que nos aconselham Jesus (Lucas 21:36), Paulo (1 Coríntios 16:13), e Pedro (1 Pedro 4:7 e 5:8 ), devemos estar sempre vigilantes não só quanto ao mal em si, mas também quanto às tolices, as bobagens, que somos tentados a fazer, aceitar ou vivenciar todo dia. Aquelas coisas pequenas, que aparentemente não têm nenhuma importância, podem estragar não só o nosso dia, mas às vezes uma vida toda. As versões católicas são mais felizes na tradução deste v. 1 (que é uma continuação de 9:18 ) para o português:
"Uma mosca morta estraga um perfume, uma migalha de insensatez conta mais que muita sabedoria." (Bíblia do Peregrino)
"Moscas mortas infectam e fazem fermentar o ungüento do perfumista; uma pequena tolice pesa mais que a sabedoria, que a glória." (Tradução Ecumênica)
Dietrich Bonhoeffer, pastor (e grande teólogo) alemão, que foi preso por conspirar contra Hitler, e depois enforcado a mando deste, alguns dias antes da guerra acabar, chamou a atenção para a estultícia, a tolice, que aos poucos foi se impregnando num povo tido como sábio, que é o povo alemão, a ponto de resultar na gigantesca tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial, onde o mal parece ter chegado ao apogeu na humanidade. No início do seu cativeiro, em 1943, ele escreveu um texto intitulado "Sobre a tolice" (para acessar o texto completo, clique aqui), em que diz o seguinte:
A tolice é um inimigo mais perigoso do bem do que a maldade. Contra o mal se pode protestar, é possível desmascará-lo, pode-se, em caso de necessidade, impedi-lo com o uso da violência. O mal sempre já traz em si o germe da auto-desagregação, pelo fato de deixar ao menos um mal-estar na pessoa. Contra a tolice não temos defesa. Nada se consegue com protestos nem com violência; argumentos não adiantam; a fatos que contradizem o próprio preconceito não se precisa dar crédito – em tais casos o tolo até mesmo se torna crítico – e se esses fatos são incontornáveis, simplesmente se pode pô-los de lado como casos isolados sem significado. Diferentemente do malvado, o tolo está completamente satisfeito consigo mesmo; ele até mesmo se torna perigoso, pois facilmente se sente provocado e passa à agressão. Por isso, recomenda-se mais cautela em relação ao tolo do que ao mau. Nunca mais tentaremos persuadir o tolo com argumentos; é inútil e perigoso.
(BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e Submissão. Ed. Sinodal, 2003, p. 33)
Hoje, olhando pelo retrovisor da História, ficamos com a impressão de que Bonhoeffer lutou contra um mal muito visível, um monstro com enormes garras, chamado nazismo, e nos esquecemos facilmente de que uma série de pequenas permissões à estultícia de um "salvador da pátria" personificado em Hitler, fez com que uma imensa tragédia se abatesse sobre toda a humanidade, e não só a Alemanha. E tudo começou de maneira bem simples, contaminando e corrompendo a civilização alemã a ponto de levá-la à barbárie da guerra e do holocausto. Talvez seja o caso de procurarmos identificar, atualmente, quais são as pequenas idiotices que toleramos na Igreja, imaginando-as inofensivas, quando têm não o poder de destruí-la, mas a possibilidade concreta de solapar muitas das bases em que nos firmamos ao longo dos séculos.
Desta maneira, o capítulo 10 de Eclesiastes é um libelo contra a estultícia, a tolice, a idiotice, que, por pequenas que sejam, ameaçam o caminho da sabedoria de qualquer um. Os três primeiros versículos anunciam a tônica de todo o capítulo. A questão do lado direito (para onde se inclina o sábio) e do lado esquerdo (para onde vai o tolo), longe de ser um preconceito contra os canhotos, refere-se a uma simbologia bíblica que associa a bondade divina ao lado direito e a punição ao lado esquerdo, como no dia do juízo final previsto por Jesus em Mateus 25:32-46. Para o Pregador, o tolo pode até tentar parecer sábio (como geralmente acontece), mas chega um determinado momento em que toda a sua estultícia é exposta publicamente, conforme diz o v. 3. Controlá-la, dominá-la, escondê-la, exige um esforço gigantesco que geralmente não resiste às pressões da vida. Salomão ainda dá um conselho prático para aqueles que se deparam com alguém em posição superior (v. 4), dizendo que a serenidade aplaca a ira do governador. Isto não o impede de ver que, como também costuma acontecer, muitas vezes o tolo está em posição de honra, enquanto o rico (que pode ser entendido tanto em sentido literal como figurado) está colocado em posições mais baixas (vv. 5-7). O v. 8, que diz que "quem abre uma cova nela cairá, e quem rompe um muro, mordê-lo-á uma cobra", pode ser interpretado no mesmo sentido, por exemplo, de Provérbios 26:27 ("O que faz uma cova cairá nela; e a pedra voltará sobre aquele que a revolve"), ou seja, quem faz o mal, o mal receberá, que podemos comparar ao que Paulo escreveu em Gálatas 6:8 - "Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna". Os versos seguintes seguem a mesma linha. Quem arranca pedras, provavelmente para uma briga (v. 9), pode ser atingido por elas, e é possível ligar esta idéia aos "tempos" de Eclesiastes 3:5, "tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar". O v. 10 chama a atenção para as pessoas que se fiam no seu conhecimento acumulado, que nem sempre é sabedoria. Assim como o ferro embotado, que não tem o corte afiado, é a sabedoria daquele que acumulou conhecimento mas não se preocupou em colocá-lo em prática, nem em revisitá-lo constantemente e desenvolvê-lo. O v. 11 revela que, como toda cidade importante daquela época, em Jerusalém também havia "encantadores" de serpente, que não eram propriamente bruxos ou feiticeiros, mas artistas populares que ganhavam a vida divertindo o povo nas ruas com suas técnicas de domar as serpentes. De nada adiantaria exibir esta habilidade e ser mordido por elas. Por analogia, de nada adianta a sabedoria se ela não serve para instruir, prevenir, planejar, construir, e, principalmente, se defender dos perigos da vida. É interessante constatar que, alguns séculos depois, diante da destruição iminente de Jerusalém (e do reino de Judá) pela Babilônia, Jeremias profetizava da parte de Deus: "Porque eis que envio para entre vós serpentes, áspides contra as quais não há encantamento, e vos morderão, diz o SENHOR" (Jeremias 8:17).
A partir do v. 12, o Pregador volta a criticar a estultícia com mais veemência. "Nas palavras do sábio, há favor", ou seja, há graça, pois o sábio, numa visão neotestamentária, pode ser comparado ao homem que segue o conselho de Paulo: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem" (Efésios 4:29). Salomão valoriza as palavras do sábio e reprova as do tolo, chamando-as de "loucura perversa" (v. 13). Conforme a experiência da vida nos ensina, geralmente o tolo "multiplica as palavras", ou seja, age como os gentios quando oravam, criticados por Jesus, que disse que eles pensavam que "pelo seu muito falar, serão ouvidos" (Mateus 6:7). Não só na oração, mas na vida, em geral, as pessoas tolas, que querem parecer sábias, se metem a falar de tudo freneticamente, na esperança de que suas bobagens não sejam percebidas no meio da sua verborragia, e possam passar uma imagem de sabedoria que não têm. Ao dizer que o tolo "nem sabe ir à cidade" (v. 15), além de mostrar o excesso de trabalho que a falta de sabedoria acarreta ao homem do campo, mostra que o tolo não procura se instruir. Naquela época, não havia escolas, e as cidades eram os locais onde se encontravam os sábios, geralmente discutindo em praça pública ou no templo. O tolo sequer se interessava em dirigir-se às cidades, pois a sabedoria estava longe dele em todos os sentidos da palavra "longe". O Pregador critica ainda a terra cujo rei é uma criança (v. 16) e cujos príncipes festejam já de manhã (ou ainda pela manhã), o que revelava a ociosidade do seu povo inconseqüente. Já feliz era a terra em que seu rei era filho de nobres, ou seja, tinha tido boa educação, e os seus príncipes faziam tudo no seu devido tempo, sem se dedicar a bebedeiras (v. 17). A preguiça é criticada (v. 18 ), num contraste com o que o Pregador vinha dizendo até então, ou seja, que tudo era vaidade, e que de nada adiantava trabalhar. Obviamente, isto deve ser entendido dentro do equilíbrio que ele passa a propor, ou seja, o trabalho é bom, a preguiça deve ser evitada, mas tudo deve ser feito com equilíbrio e temperança, reservando tempo, inclusive, para não pensar em trabalho. O dinheiro pode atender a tudo na vida (v. 19), mas este versículo deve ser lido em conjunto com Eclesiastes 7:12, ou seja, "a sabedoria protege como protege o dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor". Por fim, o Pregador pede cuidado com as palavras. Naquela época, as casas das cidades e das vilas eram pegadas umas às outras, e geralmente havia pátios internos ou praças externas interligando-as, então, tudo o que alguém falasse dentro do seu quarto podia muito bem ser ouvido pela vizinhança. Logo, era aconselhável que cada um guardasse os seus pensamentos para si, principalmente aqueles contrários aos ricos e poderosos (v. 20). A meu ver, a conclusão do capítulo 10, em relação ao sábio, pode muito bem ser relacionada a Filipenses 4:8 – "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai". |
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Livita Em Terapia

Registrado: Mar 01, 2004 Mensagens: 2577
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Enviada: 12-09-2008 11:17 am |
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Eita, bom post, Atlas. Fazer esses paralelos foi bem interessante. Nem tenho muito mais o que falar. Só que quando eu li o capítulo achei interessante que o Pregador usava de atividades que eram comuns na época, como o encantador de serpentes. Se hoje usamos de coisas do cotidiano em nossos exemplos, muitas pessoas olham torto. Isso me parece tolice, rs. |
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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 28-10-2008 1:39 am |
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meus amiguinhos de estudo... rs... tão a fim de terminar o livro?
vi que o atlas comentou o 10, depois vou ler os comentários. mas já estamos quase no fim. tantas coisas aconteceram e o estudo parou. vamos finalizar? o que acham? |
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atlas Assíduo


Registrado: Dec 31, 2007 Idade: 45 Mensagens: 153 Localização: São Paulo (SP)
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Enviada: 29-10-2008 11:22 am |
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O seu pedido é uma ordem, Sarah... vamos para o capítulo 11, então.
Eclesiastes 11 é o menor capítulo do livro. Nele, o Pregador inicia a conclusão de seu pensamento, e o faz de uma maneira muito bela, chamando a atenção para o fato de que vale a pena viver. Se não concluísse de uma maneira positiva, restaria a impressão de que nada vale a pena na vida, quando ele pensa exatamente o contrário. Talvez Fernando Pessoa tenha captado, inadvertidamente, o "espírito" da conclusão do Pregador: "tudo vale a pena se a alma não é pequena". É este o sentido dos 3 primeiros versos do capítulo 11, chamando a atenção de que trabalhar ajuda a ter rendimentos para ajudar o próximo. "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás" (v. 1) é um belo versículo que algumas vezes é usado fora de contexto, geralmente para dízimos e ofertas, como se fosse algum negócio que pudesse ser realizado com Deus. É, sim, um versículo sobre liberalidade, sobre desprendimento, sobre repartir com os outros aquilo que se tem (v. 2), sem esperar nada em troca (v. 6), já que ninguém sabe o dia de amanhã. Os tempos são instáveis, imprevisíveis (v. 3), e não devemos ficar parados, apenas observando (v. 4). Os desígnios de Deus também são imprevisíveis, mas boa e oportuna sempre é a Sua providência (v. 5). Assim, podemos entender melhor o que significa lançar o nosso pão sobre as águas. Pão é sempre visto na Bíblia como um símbolo do sustento, do cuidado do Pai, do pão nosso de cada dia, fruto do nosso trabalho, e remete à primeira conseqüência do pecado original, quando Deus falou a Adão: "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás" (Gênesis 3:19). O suor do nosso trabalho não é em vão. Vaidade é reter o pão na vã confiança de que a nossa vida depende dele. O maná que caía no deserto durava apenas um dia, exceto o do 6º dia, que podia ser aproveitado no sábado. De novo, a providência divina está em evidência aqui. Lançar o pão sobre as águas significa, no contexto de Eclesiastes 11, não retê-lo, mas usá-lo para ajudar ao próximo, para repartir aquilo que não só o nosso trabalho, mas também a providência de Deus, nos permitiu ter e comer. E o próprio Deus não reteve Seu Filho, mas o enviou a nós como o "pão da vida" que desceu dos céus para nossa salvação (João 6:33-51).
A idéia básica de Eclesiastes 11:1 é exatamente este lançamento de uma nau aos mares do mundo, ao desconhecido, na esperança de que, de alguma forma, depois de muito tempo, a encontraremos de novo. A Bíblia do Peregrino traduz este versículo assim: "Ainda que envies o teu trigo pela superfície do mar, no fim do tempo o recuperarás", e comenta sobre os seis primeiros versículos:
| Citação: | Se Coélet aceita e aconselha algo, é usufruir do fruto do próprio trabalho. Logo, é preciso trabalhar para obter este fruto. Pois bem, a correspondência entre trabalho e resultado não é mecânica, a proporção não é matemática, o êxito não é seguro. Então, não vale a pena trabalhar?
A insegurança é faca de dois gumes: um empreendimento arriscado – o comércio marítimo – tem êxito, um empreendimento normal se expõe a múltiplos riscos; as nuvens fazem a árvore crescer, o vento a derruba, nuvens e vento seguem suas leis, entre firmes e caprichosas. O marido não sabe exatamente quando a mulher vai conceber ou como a vida entra no feto: como vai saber o plano misterioso de Deus que dá e sustenta toda a vida? A conclusão de Coélet é positiva: deve-se trabalhar enfrentando o risco e com esperança. |
Desta maneira, o Pregador recupera e dá uma visão mais abrangente daquilo que já havia escrito em Eclesiastes 8:15. "exaltei eu a alegria, porquanto para o homem nenhuma coisa há melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol". O fruto do seu trabalho não deve ficar só para si, mas deve ser doado, "lançado" aos outros com alegria, pois, segundo Paulo lembra, "Deus ama ao que dá com alegria" (2 Coríntios 9:7). E assim, é formado um círculo com Eclesiastes 2:26, onde se diz que "Deus dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus". Se o pecador, o ímpio, ajunta para dar involuntariamente ao justo, este deve ajuntar o que recolheu com o fruto de seu trabalho e redistribuí-lo voluntariamente aos outros, não apenas o rendimento, o salário, o dinheiro, mas o seu tempo, o seu cuidado, a sua disposição, sabendo que, em tudo, Deus está no comando, e fará prosperar aquilo que lhe apraz, e recompensará a cada um segundo a Sua vontade e providência. Aproveitemos o hoje, pois "doce é a luz, e agradável aos olhos ver o sol" (v. 7). No fundo, isso é tudo o que temos, o momento presente, o agora, como lembra o escritor de Hebreus (3:13) que nos aconselha a nos exortarmos "uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de nós se endureça pelo engano do pecado", e "pecado", na visão do Pregador, significa dar ao trabalho, às necessidades imediatas, enfim, à existência material um valor tal que desvie nossos olhos do Criador, e não nos prepare nem nos console nos dias de trevas, que são muitos (v. 8 ), pois, finaliza, "tudo quanto sucede é vaidade".
É neste, digamos, "espírito", que o Pregador se dirige aos jovens agora, aconselhando-os a se alegrarem na juventude, recreando o coração nos dias da mocidade, sempre tendo em mente que Deus pedirá contas de todas essas coisas, naquele que é um dos versículos mais conhecidos de Eclesiastes (11:9). É interessante perceber que o Pregador não aconselha uma vida de reclusão, de ascetismo, ou de completo isolamento, tanto que no versículo seguinte (10), chama a atenção para que se evite o desgosto, a depressão, a dor, mas se busque a alegria da vida com responsabilidade, sabendo que até a primavera da vida, que é a juventude, também é vaidade, preparando o seu leitor/ouvinte, principalmente jovem, para o conselho maior que dará no primeiro versículo do capítulo 12: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer". |
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Livita Em Terapia

Registrado: Mar 01, 2004 Mensagens: 2577
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Enviada: 29-10-2008 1:59 pm |
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Olha, cês voltaram, rs. Bom, eu lembro que li, mas não lembro o que li, ahaha. Amanhã ou sexta apareço por essas bandas. |
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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 30-10-2008 12:20 am |
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aaah, que feliz! (e como o atlas é eficiente! rs) tava sentindo uma falta considerável desse tópico!
bem, tenho que trabalhar agora, mas amanhã volto pra comentar sobre o 11, inclusive sobre o que o atlas já postou.
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Sarah Sem-noção


Registrado: Sep 21, 2003 Mensagens: 6914 Localização: Sampa
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Enviada: 31-10-2008 2:40 am |
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entonces...
o capítulo 11 realmente traz uma espécie de conclusão do livro, mostrando o qando o sentido que há para a vida (que durante o livro ele fala o tempo todo que não há). na verdade a conclusão vem mesmo no próximo capítulo, mas no 11 já percebemos isso.
eu gostei muito do que o atlas falou sobre esses versículos ensinarem o repartir, o compartilhar. crendo que fazendo isso não perderemos, ou não ficaremos mais pobres, ou faltará o nosso sustento, pq é Deus quem nos dá o sustento. eu confesso que não tinha lido esses versículos dessa maneira, então foi super legal ver esse outro lado.
o que eu vi foi, hã, algo como um alerta para pensarmos também no que está por vir e não simplesmente viver como se as coisas acontecessem só por hoje. por exemplo, o versículo 2 diz:
Ec. 11:2 "Reparta o que você tem com sete, até mesmo com oito, pois você não sabe que desgraça poderá cair sobre a terra."
ou o 6:
Ec. 11:6 "Plante de manhã a sua semente, e mesmo ao entardecer não deixe as suas mãos ficarem à toa, pois você não sabe o que acontecerá, se esta ou aquela produzirá, ou se as duas serão igualmente boas."
claro que uma das formas de "garantirmos" que os imprevistos não nos derrubarão é andarmos unidos, criarmos relações com as outras pessoas. ñ apenas por interesse, mas pq isso é importante na nossa vida, ninguém vive sozinho. e aí podemos voltar a tudo o que o atlas falou acima. mas esse desconhecimento do futuro nos deve levar a agir de forma que se algo ruim acontecer, estejamos previnidos.
a última parte do capítulo é muito linda, mas acho que o atlas já falou o que eu teria pra dizer, rs. é lindo a fala dele de não restringir os atos das pessoas, dos jovens, no caso... "Siga por onde seu coração mandar, até onde sua vista alcançar... " é, na verdade, a liberdade que o próprio cristianismo nos dá. mas com a consciência que devemos ter de que todos os nossos atos têm conseqüências, logo não devemos fazer coisas das quais nos arrependeremos, coisas imprudentes. |
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