Estudando a Bíblia - Eclesiastes

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Sarah
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MensagemEnviada: 12-06-2008 1:46 am Responder com Citação

é, lívia, tb pensei nisso ao ler os primeiros versículos. o costume, na maioria das vezes, em oferecer um sacrifício ou fazer uma promessa. promessas vazias que desagradam a Deus, claro. mas tb significa o que o atlas falou sobre o respeito, reverência... acho legal o versículo 2, que nas versões que li significam estão quase do mesmo jeito, mas a NVI é um pouco mais forte, por isso gostei:

Eclesiastes 5:2 - " Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus e você está na terra, por isso, fale pouco."

rs... é mais ou menos assim: coloque-se no seu lugar, haha. tanto esse versículos como os seguintes que falam sobre os tolos desagradarem a Deus, o tomar cuidado com o que se diz, me lembram muito o livro de provérbios (não por acaso, rs).

livia, não entendi o que você quis dizer dos sonhos... pq quando li me pareceu oposições. ou seja, é melhor você se ocupar que ficar falando. mas colocando sonhos aí como presságios, ou preocupações, dá a entender que ambas as coisas são ruins. se bem que o versículo 7 dá a entender isso mesmo...

gostei muito da explicação do atlas sobre o lance de justiça e direito, foi uma parte que eu tinha ficado em dúvida, mas já se foi... rs. de qualquer modo, vcs não acham que esse início pelo menos (a partir do versículo 8 ) mostra uma conformidade por parte de salomão? é como se ele dissesse: ah, nem se assuste em ver a falta de justiça e direito, as coisas são assim mesmo... bem, em todo o livro de eclesiastes existe um certo tipo de conformidade (eu ainda to em dúvida se é a palavra certa, hehe).

o versículo 10 (o resto do capítulo tb, mas esse versículo especialmente)me fez lembrar de novo de provérbios.

Eclesiastes 5:10 - "Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade."

Provérbios 30:15 - "A sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e com a quarta, nunca dizem: Basta!"

e não tem como ele ter sido mais claro, né. quanto mais se tem, mais se quer. o dinheiro nunca vai satisfazer uma pessoa. e pelo fato de a vida ser tão passageira, de nada adiantará essa acumulação. além de trazer preocupações e tristezas. por isso ele conclui novamente que melhor é aproveitar dos frutos do seu trabalho...

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MensagemEnviada: 12-06-2008 9:42 am Responder com Citação

li novamente o capitulo, e acho q da p fazer um paralelo entre os vers 3,4 e 7:

Eclesiastes 5:3 Porque, da multidão de trabalhos vêm os sonhos, e da multidão de palavras, a voz do tolo.
Eclesiastes 5:4 Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. O que votares, paga-o.
Eclesiastes 5:7 Porque na multidão dos sonhos há vaidades e muitas palavras; mas tu teme a Deus.


se juntarmos os três fica mais facil de visualizar: da multidão de trabalhos vêm os sonhos, na multidão dos sonhos há vaidades e muitas palavras, da multidão de palavras, a voz do tolo. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. O que votares, paga-o.

Ao meu ver, qdo ele fala sonhos, aí, creio q podemos interpretar tb no sentido comum q conhecemos. Sonho como algo q ansiamos mto. Acho isso por causa do contexto dos outros caps tb. Ele já havia concluido q trabalho só leva a mais trabalho, e q tudo é vaidade..do trabalho surgem os sonhos.. Querer mais, ir além. Nunca estamos satisfeitos (v.10).
Entao.. Desse anseio de querer conquistar mais e mais, surgem as muitas palavras, mtas vezes ditas por impulso. O q acontece é q promete-se mais do q se pode cumprir.. E o problema é maior qdo envolvemos Deus e seus servos.

É mto comum acontecer uma situação assim (pelo menos eu já ouvi mtooo isso): por ex. alguem desempregado há 10 anos chega pro pr. e fala: pr, ore por mim, pq se Deus me abençoar, meu primeiro salario será p a obra social.
O pr. ora, Deus abençoa, e o q o individuo faz?? nada...

Conheço tantas pessoas q hje estão ricas, e fizeram tantas promessas…

Achei interessante tb q jó disse o mesmo q ele disse no vers. 15

jó 1:21 Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá

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MensagemEnviada: 13-06-2008 1:16 am Responder com Citação

tb entendi sonho aó nesse sentido, kessia... e penso que, olhando pra esses versículos que você colocou é o que dá a entender. as pessoas se ocupam com o trabalho, por isso esperam mais (pq o resultado de seu trabalho será maior) não apenas no sentido de dinheiro, ou algo assim, mas tb na sua tranquilidade...

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MensagemEnviada: 13-06-2008 8:12 pm Responder com Citação

Isso que a Kessia falou realmente faz sentido. E foi por isso que eu fiquei pensando sobre o assunto. Se pegarmos sozinho o versículo, parece que todos os sonhos são causados pelas preocupações que temos decorrente de quem exagera no trabalho e tal. Mesmo vendo os outros versículos, acho que não muda a idéia.

Na NVI tá assim: Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo 5:3 - Quando vi o ; pensei em associação "assim como".

Então eu fui ler o que poderiam ser sonhos na época, e achei isso que eu disse antes. Haviam dois tipos de classificações dos sonhos, o de revelação de divindades, quando informavam que estavam insatisfeitos pelo comportamento do povo ou da pessoa que sonha e os sonhos que previam situações, geralmente cheios de simbolismos e que eles não atribuíam às divindades. Como se fosse um alerta que os sonhos davam e que podia ser motivo de grande preocupação. O livro sugere que o versículo fosse entendido desta forma:
"Assim como um sonho pode trazer muitas preocupações, a fala de um tolo é acompanhada de muitas palavras"

E o versículo 7 na NVI: "Em meio a tantos sonhos absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus". Se lermos na versão Revista e Atualizada que foi posta antes, mesmo assim dá pra entender que esses sonhos (as preocupações) são absurdos pq se tudo um dia vai acabar, para que se preocupar com os problemas que ainda virão? Isto é, vaidades com si mesmo, ou inutilidades.

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MensagemEnviada: 16-06-2008 9:03 pm Responder com Citação

Já podemos ir pro capítulo 6?

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MensagemEnviada: 17-06-2008 12:24 am Responder com Citação

Lilindinha escreveu:
Isso que a Kessia falou realmente faz sentido. E foi por isso que eu fiquei pensando sobre o assunto. Se pegarmos sozinho o versículo, parece que todos os sonhos são causados pelas preocupações que temos decorrente de quem exagera no trabalho e tal. Mesmo vendo os outros versículos, acho que não muda a idéia.

Na NVI tá assim: Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo 5:3 - Quando vi o ; pensei em associação "assim como".

Então eu fui ler o que poderiam ser sonhos na época, e achei isso que eu disse antes. Haviam dois tipos de classificações dos sonhos, o de revelação de divindades, quando informavam que estavam insatisfeitos pelo comportamento do povo ou da pessoa que sonha e os sonhos que previam situações, geralmente cheios de simbolismos e que eles não atribuíam às divindades. Como se fosse um alerta que os sonhos davam e que podia ser motivo de grande preocupação. O livro sugere que o versículo fosse entendido desta forma:
"Assim como um sonho pode trazer muitas preocupações, a fala de um tolo é acompanhada de muitas palavras"

E o versículo 7 na NVI: "Em meio a tantos sonhos absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus". Se lermos na versão Revista e Atualizada que foi posta antes, mesmo assim dá pra entender que esses sonhos (as preocupações) são absurdos pq se tudo um dia vai acabar, para que se preocupar com os problemas que ainda virão? Isto é, vaidades com si mesmo, ou inutilidades.


exatamente, livita... na verdade, em outras versões a idéia é desse "assim como" mesmo. acho que é na revista e corrigida que li mais ou menos dessa forma.

concordei com tudo aí, rs.

por mim podemos ir pro 6 sim.

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MensagemEnviada: 18-06-2008 10:08 am Responder com Citação

ok.. vamos pro 6 Very Happy

(esperando o atlas se manifestar primeiro rsrs)

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MensagemEnviada: 18-06-2008 11:07 pm Responder com Citação

deliriousgirl escreveu:
ok.. vamos pro 6 Very Happy

(esperando o atlas se manifestar primeiro rsrs)


já que "inseste" Laughing


Eclesiastes 6 é o segundo menor capítulo do livro, com apenas 12 versículos (o 11 tem 10), e funciona como um complemento do que o Pregador vinha anunciando no capítulo anterior. O foco inicial está nas bênçãos patriarcais, que marcaram a origem do mundo: uma vida longa cheia de filhos, como os patriarcas bíblicos tiveram. No fundo, até hoje, de alguma forma, a maioria das pessoas tem esse desejo de viver bastante e poder ver a casa recheada de filhos, netos e bisnetos. Aqui há um contraste interessante com o Salmo 92:

12 Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro no Líbano.
13 Estão plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes,
15 para proclamarem que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.


Aparentemente, o Pregador nega as bênçãos da longevidade e da fertilidade, mas o salmista valoriza uma vida "plantada", construída, na presença de Deus. O discurso do capítulo 6, entretanto, menospreza aqueles que buscam essas bênçãos apenas por buscá-las, como se houvesse na longevidade e na fertilidade algum bem intrínseco que pudesse ser vivido à parte do Senhor. De fato, muitos de nós queremos prolongar a nossa vida mediante todo tipo de atividades e cuidados com a saúde, quando não sabemos exatamente que fim teremos. O pregador considera um mal (v. 1) a pessoa que tem de tudo na vida, mas não pode comer, por exemplo (v. 2), talvez em função de alguma doença grave. De nada adianta, também, alguém gerar 100 filhos, se a sua alma permanece insaciável e incompleta, e nem sepultura ele tem (v. 3). Aqui, o Pregador faz uma comparação extremamente negativa: "um aborto é mais feliz que ele". Este versículo (6:3) tem gerado muita polêmica no Brasil ultimamente porque foi com base nele que Edir Macedo justificou o seu apoio ao aborto, numa entrevista à Folha de S. Paulo (acesso aqui para quem tem UOL), dizendo o seguinte:

O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo, ainda informe, seja uma vida.

Esta é uma posição que não condiz com o texto e o contexto de Eclesiastes 6. Primeiramente, a palavra traduzida por "aborto" na Almeida (tanto a Atualizada como a Corrigida) é נפל - nêphel – literalmente, "algo que cai, caído", como se fosse um bebê natimorto, morto antes de nascer. Ainda que, mesmo em hebraico, seja uma palavra relativamente vaga, nas duas outras vezes em que ela aparece no Velho Testamento (Jó 3:16 e Salmo 58:8 ) fica mais claro que não se está falando de um aborto induzido, sobretudo se nos lembrarmos da beleza do Salmo 139:

15 os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
16 Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.


O grande problema da tradução para o português é que a palavra "aborto" tanto serve para o natimorto (aborto natural) como para o aborto provocado, mas dentro do contexto de Eclesiastes 6 a retórica do Pregador utiliza a imagem de um aborto natural apenas como ferramenta argumentativa. A Bíblia de Jerusalém e a do Peregrino seguem a mesma linha da Almeida. A Bíblia na Linguagem de Hoje e a NVI são mais felizes nesta tradução: "que adianta um homem viver muitos anos e ter cem filhos se não aproveitar as coisas boas da vida e não tiver um enterro decente? Eu digo que uma criança que nasce morta tem mais sorte que ele" (BLH). A NVI inverte um pouco a tradução, aplicando o enterro à criança (o que é uma interpretação possível, mas solitária): "se não desfrutar as coisas boas da vida, digo que uma criança que nasce morta e nem ao menos recebe um enterro digno tem melhor sorte que ele". A Tradução Ecumênica (TEB) escolhe um caminho que me parece mais dúbio: "porém, por muitos que sejam os dias de seus anos, não se sacia de felicidade e nem sequer ganha sepultura. Digo: o abortado vale mais do que ele".

Os versículos seguintes continuam falando do feto abortado, "pois veio em vão e para as trevas se vai e pelas trevas seu nome será coberto. Nem viu, nem conheceu o sol, mas descansa melhor do que o outro" (vv. 4-5 - TEB). Resulta, portanto, muito complicado construir uma "teologia do aborto legalizado" com base nesses versículos, já que o Pregador, dentro de sua argumentação até certo ponto sarcástica, está fazendo um contraponto grosseiro e extremamente negativo ao desejo humano de longevidade, que, diga-se de passagem, continua profundamente relacionado à eternidade que Deus colocou no coração do homem (3:11), que desde 2:16, Qohélet já vinha preparando o terreno, ao dizer que "nem o sábio, nem o tolo serão lembrados para sempre". No v. 6, ele ainda se vale de mais uma ironia ao lembrar disso, ao dizer que de nada adiantaria viver 2.000 anos, se não se desfrutar a vida, o que também remete ao tempo dos patriarcas, que viviam 800, 900 anos, (Matusalém bateu o recorde, com 969). Este desejo de longevidade, portanto, é a ponte que o homem tenta construir para alcançar a eternidade, quando esta é, na verdade, a ponte que Deus constrói para alcançar o homem. É o Senhor que a concede, assim como confere riquezas, bens, honra e, principalmente, o poder de desfrutar a vida (v. 2).

Os desejos e as fantasias do homem, a que o Pregador já havia se referido brevemente no v. 2, finalizam o capítulo 6. É preciso trabalhar para comer, mas o apetite nunca é satisfeito completamente (v. 7). O que comemos no almoço não nos sustenta no jantar, e muito menos no dia seguinte. O estômago é um eterno insatisfeito. A cobiça é ociosa (v. 9), pois também nunca se satisfaz, quanto mais tem mais quer. Logo, o sábio não tem vantagem sobre o tolo (v. 8 ), pois tanto um como outro precisam comer; a fome os iguala. A vida é curta, passa como uma sombra (v. 12), e a rotina do mundo é a mesma para todos; por que o homem vai se indispor com alguém mais forte (v. 10)? Este "alguém mais forte" pode ser entendido como o próprio Deus, o provedor, o doador de todos os bens. Podemos ter a imagem também de Jacó lutando com Deus em Peniel ("a face de Deus" - Gênesis 32:30). Depois do encontro face a face com Deus, Jacó continuou a viver na Terra, enfrentando a rotina do mundo: "Nasceu-lhe o sol, quando ele atravessava Peniel; e manquejava de uma coxa" (Gn 32:31). "Quem pode declarar ao homem o que será depois dele debaixo do sol?" (Ecl 6:12). O sol nasce para todos, é verdade, "mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça" (Malaquias 4:2).

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MensagemEnviada: 22-06-2008 5:55 pm Responder com Citação

Apesar de ser pequeno, este capítulo 6 toca nos temas já comentados antes, mas agora de forma mais sarcástica, como o Atlas bem falou. Nos primeiros versículos o Pregador fala de que não são coisas que vão trazer a satisfação às pessoas, não são somente momentos vividos, já que um bebê que nasce morto pode ter tido melhor sorte de quem viveu mil anos. Lá no versículo 3 fala de que mesmo sem ter um enterro digno o bebê estava em melhores condições, lembrando que na época enterrar um corpo tinha grande importância. Mesmo morrendo, a criança foi mais feliz do que os que tiveram de tudo, mas de nada desfrutaram.

Uma vez falei por aqui (ou em outro tópico, não lembro) de uma referência que falava que todos iriam para o mesmo lugar quando morressem, e acabei lembrando que estava falando do versículo 6. Penso que entender a idéia de que os hebreus não tinham noção da ressurreição até o exílio babilônico, faz com que a análise dos acontecimentos seja diferente, tanto no significado das bênçãos dadas por Deus, a fé e o próprio entendimento do VT em algumas passagens.

Uma coisa interessante que vi no versículo 9, lá na NVI, é quando o Pregador diz:
NVI – “Melhor é contentar-se com o que os olhos vêem do que sonhar com o que se deseja. Isso também não faz sentido; é correr atrás do vento.”

Almeida Atualizada – “Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça; também isso é vaidade, e desejo vão.”
Parece até que o pessoal da NVI não gostava muito de sonhos, rs. Antes de ler na NVI eu li na Almeida, e não entendi muito bem esse versículo. Então, depois compreendi que no lugar de fazermos mil planos, sonhar com o que queremos que aconteça e se frustrar quando não acontece (ou até se frustrar quando acontece, por perceber que não era tudo aquilo que se imaginava) é melhor vermos o que temos hoje, saber apreciá-lo, desfrutar os acontecimentos, e não vaguear na cobiça. Se deixarmos, essas frustrações vão se tornando pesos aos quais levaremos muitos deles até a morte.

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MensagemEnviada: 24-06-2008 1:18 am Responder com Citação

pessoas, me desculpem, semana passada eu fiquei um pouco apertada nos horários e passei no dot sempre correndo, rs. ia vir aqui no tópico no fim de semana, mas, a livita sabe, fiquei malzão (já to melhor).

creio não ter nada mais a acrescentar no capítulo 6. realmente ele é pequeno, mas o atlas e a lívia mostraram o quanto ele tem a dizer, rs. o interessante é que a partir daí o autor parte pra outros assuntos, talvez buscando mesmo já a finalização. aquela coisa de "a vida não tem um sentido" já vai se desfazendo...

o lance do aborto chamou minha atenção tb, eu li na nvi e tava desse jeito que foi postado, "uma criança que nasce morta", daí fui ler na atualizada e tava aborto. e fiquei pensando nisso mesmo, que muita gente deve usar essa passagem pra justificar o aborto. mas não sabia dessa entrevista do edir macedo. de fato, não é nesse sentido que salomão fala em eclesiastes.

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MensagemEnviada: 26-06-2008 12:58 am Responder com Citação

vamos pro 7? ou alguém mais quer comentar algo sobre o 6?

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MensagemEnviada: 26-06-2008 9:36 am Responder com Citação

Nossa.. Eu nem tinha me ligado na questão do aborto na primeira vez q eu li..na verdade a impressao q eu tive é q ele apenas resumiu tudo o q já tinha dito. As vezes parece q ele está andando em círculos…

Eu tb n tenho tido tempo p postar, mas vou tentar comentar o 7 Wink

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MensagemEnviada: 28-06-2008 9:10 pm Responder com Citação

bueno, gente, eu vou aproveitar que to aqui agora, e uma bíblia dando sopa do meu lado, rs, pra começar a falar do 7. não vou falar tudo, é um capítulo grande, mas tentarei voltar mais tarde pra comentar do resto, ou amanhã.

pois é, kessia, realmente às vezes dá a impressão de que ele tá andando em círculos. na verdade, o que percebi é que ele trata de vários assuntos, chegando à mesma conclusão, por isso essa sensação de estar sendo repetitivo. mas, como falei no meu último post, pelo menos pela minha percepção, a partir do capítulo 6 ele parece começar a tratar de outros assuntos... no capítulo 7, como o título sugere, ele vai falar sobre sabedoria. embora ele tenha falado sobre ela antes, nos capítulos iniciais.

os primeiros versículos começam já um tanto chocantes, né? rs.

Eclesiastes 7:2-4 - "É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério! (3) A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração. (4) O coração sábio está na casa onde há luto, mas o do tolo na casa da alegria."

de fato, quando estamos em momentos felizes, "em festa", não paramos para meditar sobre a vida. o que estamos fazendo dela, qual as razões de agirmos de determinado modo... e onde nossas atitudes nos levarão. não nos preocupamos com isso pq o clima é outro, mas ñ só pelo clima, mas pq evitamos pensar. entretanto, num momento de dor, numa casa onde há luto, é inevitável refletir sobre essas questões. e nos lembrarmos do nosso futuro físico que é a morte. mas que ele pode ser eterno, dependendo da forma como agimos... seria bom, na verdade, que refletíssemos sobre isso com mais freqüência, porém não fazemos. e por isso o momento de luto se torna tão importante, até mais que um momento de festa.

o versículo três me fez lembrar de um versículo de salmos (se ñ me engano) que diz o contrário, ou pensando melhor, complementa esse. que diz que "um coração alegre aformoseia o rosto". aí em eclesiastes diz que um rosto triste melhora o coração. justamente por causa da reflexão que faremos sobre os problemas que nos incomodam, procurando até mesmo uma solução pra eles. pensei então numa seqüência (talvez meio sem sentido, mas tudo bem, rs):
um rosto triste -> melhora o coração -> o coração fica feliz -> e deixa o rosto formoso

ou seja, as etapas da vida, todas elas, sejam de dor ou alegria, são importantes. e temos que saber (ou pelo menos tentar aprender) a lidar com cada uma delas, não agindo como tolos, mas como sábios.

um outro versículo que me chamou a atenção, foi o 8.

Eclesiastes 7:8 - "O fim das coisas é melhor que o seu início, e o paciente é melhor que o orgulhoso."

fiquei pensando um bom tempo sobre esse versículo até entendê-lo (se é que eu entendi, rs). mas acho que a palavra-chave talvez seja "paciente", ou "paciência". quando ele diz que o fim das coisas é melhor, significa que o resultado das nossas atitudes serão melhores, nos farão melhor, talvez, no sentido de que passaremos por todas as etapas até alcançar o tal resultado, que nos precipitarmos (ou o p é mudo? rs), por estarmos impacientes e fazermos tudo de qualquer jeito, não alcançando o fim que seria, caso não fôssemos orgulhosos. na versão atualizada o orgulhosos está como "arrogantes". que também nos faz pensar, além da falta de paciência, que muitas vezes temos a prepotência em achar que nosso modo será melhor. não nos preocupamos com o final, o resultado, mas em como NÓS podemos fazer as coisas, do nosso jeito.

e isso também é falta de sabedoria. aliás, nesse capítulo podemos ver as qualidades de um tolo: riso (no sentido da falta de meditação sobre a vida), falta de ouvir, orgulho, pressa, ira... e a conclusão do autor ñ poderia ser diferente: nada disso faz sentido.


volto depois pra continuar comentando o capítulo, já ficou grande esse post, rs.

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MensagemEnviada: 30-06-2008 10:40 pm Responder com Citação

O capítulo 7 é o mais longo de Eclesiastes, e talvez seja o mais belo e o mais injustiçado, já que muita atenção se dá a Eclesiastes 3 e se esquece a profundidade dos ensinamentos do Pregador em Eclesiastes 7. Para mim, este é o momento de sua pregação em que aquilo que parecia etéreo, excêntrico, filosófico demais, começa a ter uma aplicação mais prática, mais "pé no chão". Assim, ele lista uma série de situações em que a nossa vaidade é despertada, em que nos sentimos importantes e especiais, como no caso de um ungüento precioso (7:1), o banquete na casa (7:2), a canção do insensato (7:5), e a cada uma dessas circunstâncias específicas em que a vaidade é realçada, o Pregador contrapõe outra situação em que a sabedoria verdadeira está sendo negligenciada. Temos, portanto, uma sabedoria prática, aplicada às cenas cotidianas de todos nós, e este é o momento em que o Pregador começa a dizer a que veio, e qual é sua real intenção.

Assim, a preocupação do primeiro versículo é com a reputação, com a "boa fama", a qual o Pregador considera melhor do que um perfume caro, o "ungüento precioso", o que não deixa de ser uma comparação bastante atual, já que muitas pessoas preferem camuflar a sua reputação atrás de perfumes e roupas caríssimas, como se elas tivessem o condão de modificar o que lhes vai por dentro. A estes Jesus chamaria de "sepulcros caiados" (Mateus 23:27), e alguns de nós poderiam usar o provérbio "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". Na sabedoria prática de Qohélet, é melhor o dia da morte do que o do nascimento, porque a morte, sobretudo para o cristão, não deixa de ser um momento de redenção, uma tarefa cumprida, uma volta para casa, um encontro com a eternidade, enquanto o nascimento é apenas o começo de uma vida sujeita a todas as vaidades debaixo do sol. Neste diapasão, é melhor ir a um velório do que a um banquete (v. 2), pois diante da morte do outro (seja ele querido ou não) é que compartilhamos da humanidade que nos une, do destino comum a todos nós, e aí podemos refletir como estamos, de fato, levando a nossa própria vida. Afinal, só temos uma vaga consciência da morte pela experiência dela pelo outro. Ninguém sabe exatamente o que seja a morte, e é nos velórios que somos lembrados de que ela existe e nos espera. Não que os banquetes não sejam bons, mas a comida e a bebida tende a entorpecer os nossos verdadeiros objetivos nesta vida. Ainda nesta lógica, digamos, esquisita, é melhor magoar-se do que rir (v. 3), porque a mágoa, em geral, é conseqüência do conhecimento de algo ou de alguém que até então se apresentava como verdadeiro e agora vemos que é falso, enquanto rir pode ser algo meramente inconseqüente. O sofrimento e a dor, se devidamente encarados e vividos, sem vitimização, purificam e nos fazem crescer. É por isso que "o coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria" (v. 4). Embora a maioria das pessoas não goste, é melhor ser repreendido pelo sábio do que juntar-se à cantoria dos insensatos (v. 5), cujas gargalhadas se comparam a espinhos crepitando debaixo de uma panela (v. 6). Ora, o que mantém o fogo acesso são as achas de lenha e não os espinhos, que apenas crepitam, fazendo o efeito sonoro, mas inútil para o cozinhar.

A seguir, o Pregador volta a um tema que lhe preocupa bastante durante todo o livro de Eclesiastes, a opressão, que chega a enlouquecer o sábio, e a corrupção dos subornos (v. 7). O mundo é corrupto, ele não cansa de dizer, e "melhor é o fim das coisas do que o seu princípio" (v. 8 ), o que contraria, até certo ponto, o senso comum, de que o fim das coisas é sempre triste, mas Qohélet tem outros olhos para isso, vê as coisas de outra perspectiva, que é a eternidade, como já havia deixado claro em Eclesiastes 3:11. No seu prisma, as coisas que realmente importam não têm princípio nem fim, pertencem a outra dimensão, mas neste mundo tudo é temporal e se desgasta naturalmente. Ele ainda encontra lugar para admoestar-nos que devemos ser tardios em irar-nos (v. 9), uma característica geralmente atribuída a Deus no Velho Testamento (Números 14:18; Salmos 103:8, 145:8; Joel 2:13, por exemplo) e que Tiago (1:19) nos aconselha a cultivar. Salomão já havia dito isso em Provérbios 19:11 – "a sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas" – NVI. Então, no v. 10, o Pregador dá um conselho que contraria ainda mais aquilo que estamos acostumados a pensar:

"Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim."

No nosso mundo, a juventude é admirada, louvada, apreciada, benquista. O envelhecimento é tido como algo feio, sujo, ruim, malvado, que devemos evitar a todo custo, embora seja o curso natural (e inevitável) das nossas vidas. Por isso mesmo, nos cercamos de saudosismo e nostalgia. Ficamos a lembrar-nos, morbidamente, de como éramos felizes e não sabíamos, de como o que passou tem mais valor do que o que estamos vivendo, de como o passado é melhor do que o presente. O Pregador se indigna com este tipo de pensamento, e eu acho que ele está certo. O envelhecimento, visto como amadurecimento, é uma bênção de Deus. Não podemos nos trancar no baú de recordações do passado, recusando-nos a envelhecer e, assim, nos esquecermos de que temos que viver hoje, e hoje a nossa vida é mais feliz do que foi alguns ou muitos anos atrás. Não podemos nos esquecer, também, de que a memória é traiçoeira, e ela tende a apagar os maus momentos e reforçar, adoçar, açucarar mesmo as boas lembranças. Qohélet se insurge contra esta atitude na vida, pois o que verdadeiramente importa é o hoje, o presente. Como eu já havia dito no primeiro capítulo, o Pregador é existencialista no melhor sentido da palavra, e o que lhe importa é o aqui e o agora, não o que passou. O elixir da juventude é a eternidade no nosso coração.

Nos vv. 11 e 12, o Pregador faz uma comparação interessante entre sabedoria e dinheiro. Pela primeira vez, ele diz que herança e dinheiro podem ser coisas boas, para aqueles que vêem o sol, mas somente a sabedoria preserva a vida. Muitas vezes, tanto a herança como o dinheiro causam a morte de quem os recebe. A sabedoria é muito melhor. O v. 13 mostra a impotência do homem diante dos decretos de Deus, já que ninguém pode endireitar o que ele torceu. É no v. 14 que o Pregador retoma um dos pilares de seu discurso, a providência divina, pois Deus tanto faz o dia da prosperidade como o da adversidade. Os bons morrem, e muitos maus vivem bastante (v. 15), logo não há razão para imaginar que a providência de Deus seja uma lógica matemática. Somente Ele sabe os seus desígnios e, principalmente, o que passa dentro de cada coração humano. Portanto, o equilíbrio deve ser buscado em tudo na vida. Todos os extremismos devem ser evitados. Não devemos ser demasiadamente justos nem exageradamente sábios (v. 16), mas também não podemos ser demasiadamente perversos ou loucos (v. 17). Estes dois versículos deviam ser mais lidos na igreja para evitar tanto o farisaísmo como a licenciosidade. É o equilíbrio que, por assim dizer, é o amálgama dos 4 pilares onde se sustenta Eclesiastes: a sabedoria, a providência divina, a eternidade e o temor de Deus, pois "quem teme a Deus de tudo isso sai ileso" (v. 18 ). No v. 20, está uma declaração que embasa também o pensamento de Paulo em Romanos 3:10, pois "não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque". Para que, então, viver à espreita de quem possa estar cometendo um erro ou falando mal de nós (v. 21), se somos todos sujeitos aos mesmos pecados (v. 22)?

Como o Pregador já havia dito logo no começo (1:8 ), muito conhecimento é enfado. Logo, perseguir a sabedoria apenas por perseguir também é vaidade, pois ela sempre se afasta de nós (v. 23). Quanto mais sábios ficamos, menos sabemos, o que lembra a frase atribuída a Sócrates: "só sei que nada sei!". Ser sábio é ter consciência das próprias limitações e a elas se acomodar. Querer saber demais nos põe em contato com a perversidade, a insensatez e a loucura (v. 25). Talvez por isso Deus tenha dito a Moisés que "as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus" (Deuteronômio 29:29) e Jesus tenha dito aos discípulos: "ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora" (João 16:12). Por fim, Qohélet faz um ataque aparentemente genérico às mulheres no v. 26, mas que deve ser entendido como uma autocrítica de Salomão a respeito de suas mulheres, o momento de introspecção de alguém que tinha 700 mulheres e 300 concubinas, "que lhe perverteram o coração" (1 Reis 11:3). As mulheres não devem se sentir desprestigiadas por esse trecho final do capítulo 7, mas há que entender a amargura de um homem poderoso que, no fim da vida, se viu "metido em muitas astúcias" (v. 29) que ele próprio causou.

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Sarah
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MensagemEnviada: 05-07-2008 11:43 pm Responder com Citação

aeeew, consegui voltar aqui... tive uma semana tenebrosa, ñ consegui voltar. mas agora to de férias! (acho, rs) =)

bueno, gostei da visão diferente da minha que o atlas mostrou com o versículo que diz que "o fim das coisas é melhor que o começo". eu ñ havia pensado nisso da eternidade (embora ela se faça presente durante todo o livro, rs). mas faz muito sentido mesmo. chego a pensar até que o fim, nesse caso, poderia ser a morte mesmo. que como o atlas tb disse, para os cristãos, principalmente, é na verdade o começo de tudo e ñ deve ser encarado como algo ruim.

sobre os versículos 16 e 17 estava mesmo querendo ler seus comentários, atlas, rs... fiquei pensando sobre isso. mas mesmo lendo o que você escreveu, ainda ñ compreendo isso de que ñ devemos ser "demasiadamente justos". entendo que devemos buscar o equilíbrio... mas tb devemos ser justos. ou o que seria justiça, nesse caso?

e o lance das mulheres, eu fiquei imaginando isso mesmo (ñ cheguei a comentar o resto do capítulo, né? hahaha), que salomão olhava mais pra sua experiência, que falava de forma geral. mas uma primeira leitura causa uma pontinha de indignação, rs...

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MensagemEnviada: 07-07-2008 10:09 pm Responder com Citação

Sarah escreveu:
sobre os versículos 16 e 17 estava mesmo querendo ler seus comentários, atlas, rs... fiquei pensando sobre isso. mas mesmo lendo o que você escreveu, ainda ñ compreendo isso de que ñ devemos ser "demasiadamente justos". entendo que devemos buscar o equilíbrio... mas tb devemos ser justos. ou o que seria justiça, nesse caso?


Sarah, com relação a Eclesiastes 7:16-17, sobre não ser demasiadamente justo, a palavra hebraica traduzida por justo aí é צדּיק - tsaddîyq - que quer dizer basicamente justo, legal, correto, no sentido de algo que está de acordo com a lei. Eu acho que "justo" não é uma boa tradução, já que ninguém pode definir exatamente o que seja justiça. Aquilo que é justo para um pode ser injusto para outro. Além disso, há muitas leis injustas. Então, eu concordo com alguns comentaristas que dizem que deve se entender essa palavra por legal, legalista, que cumpre a lei ao pé da letra. Desta maneira, não devemos ser legalistas como os fariseus, por exemplo. Com relação ao "exageradamente sábio", o significado me parece que seja também de não querer ser o sabe-tudo, o dono da verdade, alguém que não só dita mas detém o monopólio da interpretação das regras como se fosse o próprio Deus. Além disso, bem no espírito de Eclesiastes, o Pregador quer que se viva a vida sem grandes obrigações de ser a mais certinha das pessoas. O lema dele é "viva por prazer e não por obrigação". Por "demasiadamente perverso ou louco", eu acho que o contexto indica que não devemos ser alucinadamente materialistas, ou seja, que vivamos única e exclusivamente em função de aumentar o nosso prazer material, esquecendo-nos do espiritual e dos pequenos prazeres da vida. E entenda-se por "prazer material" aí tanto os excessos carnais como tudo aquilo que desrespeita, rouba, fere e mata os outros, apenas para que consigamos atingir os nossos objetivos mundanos pisando neles. É na mistura de todas essas qualidades que eu acho que temos que encontrar o equilíbrio na vida.

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MensagemEnviada: 08-07-2008 4:59 pm Responder com Citação

aaaaahn... agora sim, rs... pois é, tb acho que justo então foi uma escolha infeliz pra tradução. mas agora entendi e faz muito mais sentido isso de ser legalista.

a idéia de "aproveitar a vida" colocada no livro e nesse trecho traz justamente a idéia de evitar os extremos, ou seja, aproveitar um pouco de cada coisa...

valeu pela explicação, atlas!


ah, eu ñ vou comentar o resto que ñ comentei antes... vamos para o 8?

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MensagemEnviada: 09-07-2008 1:21 pm Responder com Citação

É, podemos passar para o 8. Eu não comentei esse pq passei quase 3 semanas sem acesso à Internet e qndo voltei tudo que eu iria falar vcs já falaram, até mais, rs. Mim gostar bastante do capítulo 7 Razz

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Lívia

Eita canseira...
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MensagemEnviada: 11-07-2008 10:40 pm Responder com Citação

Eclesiastes 8 segue o discurso prático do capítulo anterior, começando com uma pergunta ("Quem é como o sábio?") que se liga à frase imediatamente posterior, "que sabe a interpretação das coisas", colocando como uma espécie de enigma a ser decifrado o provérbio "a sabedoria do homem faz reluzir o seu rosto, e muda-se a dureza da sua face" (v. 1). Ora, de imediato, no capítulo 8, o Pregador diz que há, sim, um benefício na sabedoria, que é o brilho do rosto e a leveza da face. Há outro componente que deve ser analisado: um rosto brilhante significa, em linguagem bíblica, uma proximidade de Deus. A face de Moisés resplandecia de tal maneira quando falava com Deus no monte, que teve que usar um véu (Êxodo 34:35). Quando Daniel tem a visão de um anjo (que boa parte da tradição diz ser o arcanjo Gabriel), este tem o rosto como um relâmpago (Daniel 10:6), o que se parece muito com a glória de Deus (Ezequiel 1:26-28; Apocalipse 1:12-16). Davi também tinha essa idéia de que era Deus a fonte da sabedoria que ilumina o rosto dos seus filhos: "Quem nos dará a conhecer o bem? Senhor, levanta sobre nós a luz do teu rosto" (Salmo 4:6). O próprio Salomão fizera conhecido um dos seus provérbios em que associa a dureza do rosto à impiedade: "o homem perverso mostra dureza no rosto, mas o reto considera o seu caminho" (Provérbios 21:29). É esta "consideração do caminho", de todos nós, este "conhecimento do bem", que podemos chamar de sabedoria, conforme o provérbio seguinte ensina: "não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho CONTRA o Senhor" (Prov. 21:30). O sábio "conhece o tempo e o modo, porque para todo propósito há tempo e modo" (Ecl 8:4-5). O início do capítulo 8 fala de como devemos nos comportar diante do rei, e é possível interpretar esses versículos como sendo o rei o próprio Deus. De fato, um rei (aqui com um significado bem abrangente, de líder, presidente, governador, etc.) deve se cercar de homens sábios como conselheiros, mas o Pregador coloca um juramento divino como garantidor da fidelidade a Deus, juramento este que mostra o rei (no caso, Salomão) como alguém ungido por Deus para esta função e este domínio sobre o povo. A Bíblia de Jerusalém entende este juramento como uma possível interpolação do texto por alguém da época em que os Ptolomeus dominavam o Egito e a Palestina (séc. II a. C.), mas isso é mera suposição, sem nenhuma evidência mais concreta. O fato é que, a meu ver, este juramento se encaixa dentro do propósito do Pregador, que no começo do capítulo 5 já havia advertido quanto às palavras e aos votos feitos ao Senhor. Assim como não devemos nos apressar a pronunciar palavra alguma diante de Deus (5:2), não devemos nos apressar em deixar a presença do rei (8:3), pois ele faz o que bem entende. Já o homem tem que carregar uma espécie de "peso do mal" sobre ele (v. 6), "porque este não sabe o que há de suceder; e, como há de ser, ninguém há que lho declare" (v. 7). Este deve ser um versículo que todos os clarividentes e prognosticadores certamente não gostariam de ler, pois aí está bem claro que não existe adivinhação do futuro mediante uma bola de cristal (pelo menos que seja aprovada e atestada por Deus).

O v. 8 merece um pouco mais de atenção, pois há um problema de tradução com relação à palavra רוּח (rûach ) na expressão "não há nenhum homem que tenha domínio sobre o rûach para o reter". A Almeida Revista e Atualizada traduz a palavra por "vento", enquanto a Revista e Corrigida e a NVI traduzem-na por "espírito". As Bíblias católicas têm uma visão um pouco diferente, mas ainda na linha de alma, espírito. A Bíblia de Jerusalém diz; "Homem algum é senhor do sopro, para reter esse sopro" e a Bíblia do Peregrino é mais poética: "O homem não é dono de sua vida, nem pode encarcerar seu alento". A Tradução Ecumênica segue o mesmo caminho: "Ninguém tem poder sobre o sopro vital para reter esse sopro". Esta diversidade de traduções para a mesma palavra já foi discutida no capítulo 3 e a sua importância teológica é para o debate entre aqueles que crêem na existência e na imortalidade da alma, e aqueles outros que a negam peremptoriamente. A mim me parece que o contexto imediato favorece a primeira posição, pois o raciocínio do mesmo versículo é completado com a expressão "nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte". Logo, me parece que a melhor tradução realmente seja "espírito", já que no dia da morte, ninguém pode reter a alma, o espírito. Ainda nesse contexto, o v. 8 é completado com a frase "nem tampouco a perversidade livrará aquele que a ela se entrega". Por "entregar-se" aqui deve ser entendido "tornar-se escravo", conforme indica a palavra hebraica בּעל - ba‛al . Logo, quem se torna escravo do mal, da perversidade, nesta vida, não se livrará dela, mas ¿só nesta vida? Ainda que não exista aqui nenhuma referência explícita a uma sobrevivência da alma após a morte, nem seja possível desenvolver uma teologia do inferno a partir dessa expressão, a meu ver ela se encaixa dentro do espírito do v. 8, de que realmente há uma alma, um espírito que sobrevive à decadência do corpo e que, mesmo após a morte, ainda é escravizada, de alguma forma, ao mal e à perversidade.

A seguir, o v. 9 fala do poder do rei, e aqui numa visão já bastante terrena, no sentido de que todo aquele que lidera, que governa, e que, de alguma forma, abusa deste poder, além de arruinar os outros, termina prejudicando a si mesmo. Isto viria a ser verdade do reinado do filho de Salomão, Roboão, quando o reino se dividiu em Norte e Sul (1 Reis 12). O v. 10 fala das injustiças da vida, muito comuns até hoje, em que pessoas más são sepultadas com todas as honras (indevidas), enquanto pessoas boas são deixadas no mais completo abandono e esquecimento. O v. 12 fala da inclinação do coração do homem para o mal, ocasião em que o Pregador faz uma pequena pausa para falar de coisas concretas, que realmente preocupam o crente ao ver a injustiça do mundo, realçando um dos pilares de Eclesiastes, que é o temor a Deus. De fato, diz Qohélet, "bem sucede aos que temem a Deus", enquanto o perverso, que não teme a Deus, terminará sendo punido de alguma forma (v. 13). Isso não elimina a confusão que muitas vezes percebemos, entre justos a quem ocorrem coisas más, e perversos a quem ocorre coisas boas, mas preocupar-se com isso - diz o Pregador – também é vaidade (v. 14). Voltando ao seu padrão existencialista – na melhor acepção da palavra –, no v. 15 o Pregador repete pela terceira vez um conselho que já havia dito antes (2:24 e 5:18 ): vivam com alegria! Comam, bebam e alegrem-se! Isso faz parte do dom da vida que Deus nos deu. Agora é a providência divina que está em foco. Por fim, já tendo falado dos pilares da sabedoria, do temor de Deus e da providência, resta o último pilar do discurso de Qohélet: a eternidade. E, para destacá-la, ele termina o capítulo 8 repetindo, de certa forma, Eclesiastes 3:11, dizendo que o homem não consegue compreender toda a obra de Deus, nem o sábio a pode achar, pois ela não tem princípio nem fim, como que se estivesse escondida debaixo do véu da eternidade, esta mesma eternidade que foi colocada por Deus no coração do homem.

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Sarah
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MensagemEnviada: 14-07-2008 12:32 am Responder com Citação

rs.. eu fico até com vergonha de comentar depois do atlas, haha... os comentários dele são mto bons! ótimas explicações...

é, quando li o capítulo 8 deduzi que salomão ao falar do "rei" se referia a Deus, até pq a partir do versículo 7 isso fica mais óbvio, quando ele fala do futuro e, depois, da morte e de todas as injustiças que ele, na verdade, vem falando desde o começo: ímpios recebendo honra, justos pagando pelo que não merecem... mas tb fica claro no versículo 4, quando ele diz que a palavra do rei é soberana e ninguém pode perguntar "o que estás fazendo"?
claro, pq justamente pq não conhecemos nosso futuro e, mesmo que sejamos sábios, não seremos sábios o suficiente para entender os "mistérios da vida", não temos o direito (e não faz sentido, como o próprio pregador diz) de questionarmos a quem fez todas as coisas e sabe de tudo o que vai acontecer. ora, do que adiantaria sabermos e não entendermos?

nos últimos versículos salomão já começa a inserir o pensamento de que apesar das coisas ñ possuirem um sentido e de ñ restar a nós nada além de comer, beber, aproveitar a vida... tudo isso é dado por Deus. e justamente por isso ñ vemos sentido... e talvez justamente por isso a sabedoria, apesar de útil, válida, não nos fará entender tudo o que desejamos.

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