Dúvidas e questões sobre JUDAÍSMO

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peterleal
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MensagemEnviada: 07-12-2010 9:20 pm Responder com Citação

Dúvidas e questões sobre JUDAÍSMO

Criei esse tópico por sugestão de alguns foristas dessa comunidade.

Em primeiro lugar, quero deixar aqui o ponto mais importante desse tópico, que é o seguinte: judaísmo NÃO é religião proselitista. Embora a conversão seja uma instituição existente, NÃO existe no judaísmo a busca para “fazer convertidos”. Dentro desse contexto, a ÚLTIMA COISA que quero nesse tópico é atrair simpatizantes para a “conversão judaica”, ou que alguém nesse tópico pense que eu tenho essa intenção. Sei que a maioria absoluta aqui é cristão e pra mim particularmente é a MELHOR religião que poderiam ter escolhido (ou sido escolhidos, para aqueles que assim preferirem).

Da mesma forma, peço em nome da manutenção da gentileza, da educação e do RESPEITO que nenhum integrante que participe desse tópico tenha intenção de querer me convencer de alguma coisa sobre cristianismo NO SENTIDO de induzir a conversão ou sequer aproximação de natureza religiosa.




COMEÇANDO . . .
Podem me chamar de Peter.
Sou judeu ortodoxo; sefaradita; de linha chassídica; nível de Qabbalah (Cabalá) pelo núcleo dos Sábios de Sião de Tsfat-Israel. Devido a minha produção no meio judaico, recebi convite para fazer Yeshivá em Israel (ser rabino).


Quando eu disser aqui Torá quer dizer todo o conhecimento sagrado que o povo judeu dispõe, incluindo a Tanach, o Talmud, os Livros de Sabedoria abertos e os Livros Selados do judaísmo (livros que por orientação de D’us devem manter-se ainda secretos e só podem ser acessados em ocasiões especiais); tudo isso tendo como NÚCLEO CENTRAL a Torá Escrita e a Torá Oral.



Fiquem à vontade para dialogar e perguntar sobre qualquer assunto, desde os da religião judaica, os da cultura judaica até o pensamento judaico sobre assuntos em geral (ciência, política, epistemologia, atualidades, etc). Pode ser que isso não dê certo em algum sentido, mas em outros sentidos (quais?) teremos pelo menos algum grau de sucesso na intenção de intercâmbio de informações. Depende só de nós.


Shalom!
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moreiraum
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MensagemEnviada: 08-12-2010 7:13 am Responder com Citação

Se puder começar explicando a sua apresentação:

Sou judeu ortodoxo; sefaradita; de linha chassídica; nível de Qabbalah (Cabalá) pelo núcleo dos Sábios de Sião de Tsfat-Israel. Devido a minha produção no meio judaico, recebi convite para fazer Yeshivá em Israel (ser rabino).

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peterleal
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MensagemEnviada: 08-12-2010 10:38 am Responder com Citação

Moreira.

'
>> Se puder começar explicando a sua apresentação:


Ortodoxo: remete à forma mais tradicional da prática judaica. Os costumes ortodoxos remontam aos primeiros judeus. Envolve o judaísmo completo, incluindo sua Tradição Oral. Existem também as formas liberal, reformista e reformadora, mas para efeitos de Alyiah, conversão e decisões do tribunal rabínico aceitas pelo Estado de Israel apenas o ortodoxo é aceito.


Sefaradita: judeus que se fixaram na península ibérica (Portugal e Espanha). São judeus com sangue predominantemente hebreu. Do outro lado estão os asquenazitas, que se fixaram no leste europeu (Rússia, Alemanha e países próximos). A maioria absoluta dos asquenazitas vieram por conversão, em épocas remotas, e por isso não tem sangue hebreu. Devido a isso são fisicamente brancos e de olhos claros. São os que tem costume de usar cachos nos cabelos, chapéu e roupa preta.


Linha chassídica: linha de rabi Baal Shem Tov (abençoado seja!), que remonta à linha de rabi Hilel - abençoado seja - (a mesma que Yeshua ou "Jesus" fazia parte). Conforme nossos registros, Yeshua foi discípulo de rabi Hilel. O judaísmo de rabi Hilel é também chamado "judaísmo piedoso", e procura mais a ESSÊNCIA da Torá do que a "letra". Na verdade o judaísmo de rabi Hilel (que hoje é chamado chassídico) é o judaísmo que acreditamos ser o mais PURO existente. Se quiser mais detalhes, fique à vontade.


Nível de Qabbalah (Cabalá): significa o estágio mais profundo dos estudos judaicos. É quando se tem acesso à Torá Oral e aos Livros Selados. A Qabbalah verdadeira NÃO tem relação alguma com a Cabala inventada pelo ocultismo ocidental. Num resumo, pode-se dizer que indivíduos como Papus, Filipe de Lion, Eliphas Levi, Martinés de Pasqualles, Stanilas de Guaita, etc. tiveram acesso a "0,1%" do que é a Qabbalah. Ficaram maravilhados, impressionados e transtornados, e então fizeram mais ou menos como alguém que acha que pegando 1 grama de ouro e misturando (fundindo!) com 1000Kg de chumbo e vários outros metais, e "pintando de amarelo" vão ter algo com as mesmas propriedades do ouro. A analogia é perfeita nesse caso. Qualquer pessoa sabe que nada mais haverá de ouro ali, estará COMPLETAMENTE perdido. Isso é a cabala dos ocultistas ocidentais e infelizmente equivale a 99,999% de TUDO que é dito, escrito, falado e "ensinado" sobre o assunto na mídia, nas revistas e livros especializados, em várias organizações esotéricas e assim por diante.

Se quiser mais detalhes, fique à vontade.

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torru
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MensagemEnviada: 08-12-2010 11:11 am Responder com Citação

olá Peter,


dê-nos uma descrição, se possível, sobre as diferenças entre judaismo e sionismo, se existem, quais são etc.

abraço e parabéns pela iniciativa e pelo tópico.

torru.

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peterleal
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MensagemEnviada: 08-12-2010 12:01 pm Responder com Citação

Torru.

Sionismo era o movimento para a re-criação do Estado de Israel, criado por Theodor Herlz. "Há um tempo e uma ocasião para tudo debaixo do céu..." e tivemos que esperar, pacientemente, até que isso fosse possível.

HOJE sionismo é tão somente o movimento para a manutenção da EXISTÊNCIA do Estado de Israel. É o movimento que luta por sua continuidade, simplesmente. Aparentemente pode parecer estranho existir um movimento pela simples manutenção de um Estado, mas como Israel é odiada pelos países vizinhos, alguns dos quais os representantes LUTAM ativa e assumidamente para "varrer Israel do mapa" esse movimento faz todo o sentido. No dia que não existir mais perigo para a existência de Israel, o sionismo deixará de existir pois não fará mais sentido.

Há dois tipos de sionismo totalmente diferentes: o laico e o religioso.
O sionismo laico tem sido combatido inclusive dentro de Israel pelos próprios judeus praticantes. Acontece que esse tipo de sionismo tem uma visão unicamente política da situação de Israel. Por isso eles desejam fazer tudo para que Israel "pareça bonita para as outras nações", com a finalidade de atrair simpatia do mundo para Israel.

Para isso esses sionistas acabam laicizando Israel e acabando com certas tradições que são não apenas a marca cultural do povo judeu mas algumas das quais inclusive são PRECEITOS DE D'us conforme a Torá.


Isso leva a um confronto direto com os sionistas religiosos (meu caso). Nós SABEMOS que se Israel não for um Estado genuninamente judaico, se não for um Estado INTEGRALMENTE dedicado a servir a D'us conforme a Torá, então esta Israel NÃO NOS SERVE. E mais - SABEMOS que uma Israel desviada de sua função espiritual é uma Israel que não perdura por muito tempo. Israel só permanece caso D'us ponha sobre ela Sua proteção. Independente disso ela sempre será alvo de inimigos do povo judeu, mas com a proteção de D'us ela é INVULNERÁVEL a qualquer tipo de ataque feito pelo homem.

Só que para isso ela precisa ser um Estado em conformidade com sua destinação espiritual. Israel não pode ser JAMAIS um lugar onde se permita idolatria, politeísmo, prostituição e tantas outras questões claras para qualquer um que tenha lido mesmo que uma tradução da Torá.



Então - de acordo com nosso conhecimento - aquilo que os sionistas laicos fazem embora tenha intenção de preservar Israel na verdade é a essência de sua própria destruição.


O sionismo teve amplo apoio da Maçonaria. A Ordem Maçônica movimentou suas forças em todo o mundo para que fosse decretado o Estado de Israel assim que nós judeus pedimos seu apoio. No entanto, embora nós reconheçamos a validade do "projeto de sociedade maçônica para o mundo" para não-judeus, esse projeto não é suficiente para a função espiritual de Israel.

A Israel que o ideal de sociedade que a Maçonaria busca não é compatível com a Israel espiritual que nós judeus praticantes sabemos como deve ser. Assim embora a comaçonaria afirma que o past-master jure responder ao pedido de auxílio de um judeu ou de Israel, nós sabemos que existe um limite muito claro para essa relação.

Pensam alguns que no dia que esse limite for invocado a Maçonaria deixará de estar ao nosso lado para se colocar do outro, embora eu particularmente (devido a análise que tenho sobre o tema) acredite que apenas que as crises serão meramente internas.

No fim uma coisa é MUITO clara para qualquer judeu: nossa função e a função de Israel é agradar a D'us e não ao homem. Devido a essa certeza preferimos ser perseguidos, torturados e mortos do que "comprar valores" não compatíveis com a Torá. Entre a Torá e QUALQUER COISA que venha do homem não existe uma vírgula de dúvida sobre o que um judeu vai optar.

Infelizmente o sionismo laico não tem essa certeza.

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Bunyan
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MensagemEnviada: 08-12-2010 3:13 pm Responder com Citação

Peter,

Existe algum projeto de reconstrução do Templo?
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andynho
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MensagemEnviada: 08-12-2010 3:29 pm Responder com Citação

Bunyan escreveu:
Peter,

Existe algum projeto de reconstrução do Templo?
o Edir Macedo já ta fazendo isso rsrsrss

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peterleal
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MensagemEnviada: 09-12-2010 12:00 pm Responder com Citação

Bunyan

>> Existe algum projeto de reconstrução do Templo?

Sim, sim. É um dos assuntos mais complicados de se explicar, então vou omitir muita coisa e só mencionar alguns fatos.

Conforme a Torá Oral (embora na Torá escrita também hajam essas referências, embora não tão detalhadas) há certos sinais que deveriam ser observados afim de sabermos que o Templo seria reconstruído. Esses sinais foram identificados. Nasceu uma vaca vermelha na cidade que deveria ser exatamente como estava escrito, sinais astrológicos, etc.

A reconstrução do Templo JÁ SE INICIOU na verdade. Os materiais do Templo já foram feitos, entre eles menorás de quase 2m de altura de puro ouro, nas dimensões exatas conforme as orientações de D'us.

Os sinais que surgiram até o momento eram para "deixar tudo pronto" para que o Templo pudesse ser reerguido rapidamente, com as pedras na sua maioria já devidamente talhadas porque originalmente ele foi selado com encaixes perfeitos.



O único impedimento é que A MESQUITA DE AL-AQSA (o "Domo da Rocha") foi construído pelos muçulmanos exatamente em cima de onde era o Templo de Jerusalém. Claro que o Templo é muito maior. Pra se ter idéia o Kotel (conhecido como "Muro das Lamentações") é o que restou do Segundo Templo. Eram os muros exteriores do Templo. É só procurar no Google por Al Aqsa e se verá que ao lado da mesquita existe um espaço enorme, onde ficava o Templo.

Portanto, o único evento humano conhecido capaz de realizar as condições necessárias para a reconstrução do Templo será também um evento que irá detonar provavelmente uma terceira guerra mundial, já que teremos que explodir a Mesquisa de Al-Aqsa que está lá e é considerada o "terceiro lugar mais sagrado" do mundo islâmico.

Fora isso apenas um terremoto para fazer o trabalho.
Pelo que estou informado até temos (Israel) tecnologia para fazer um terremoto nessa área, mas por razões igualmente religiosas estamos impedidos.
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moreiraum
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MensagemEnviada: 10-12-2010 8:17 am Responder com Citação

Nós critãos acompanhamos a cultura dos judeus e mulçumanos pelas histórias da Bíblia.
Eu, por exemplo, não consigo entender essa "obsessão" por aquele local e esssa Guerra Santa que vez ou outra faz vítimas. Não seria mais fácil construir o templo em outro local? Afinal a Terra é tão grande e ainda cheia de locais ainda não explorados pelo homem.

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peterleal
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MensagemEnviada: 10-12-2010 11:21 am Responder com Citação

Caro Moreira.

>> Nós critãos acompanhamos a cultura dos judeus e mulçumanos pelas histórias da Bíblia.

Que estranho.
A Torá e a Tanach terminaram de ser escritas há mais de 2.000 anos.
O "Novo Testamento" também.

Já o islã - criado por Maomé (que - lembrando - NÃO são os pagãos da Babilônia) só veio a existir a partir do século VI na baixa Idade Média. Como sua bíblia pode fazer menção a eles?



>> não consigo entender essa "obsessão" por aquele local (...) Não seria mais fácil construir o templo em outro local?

Fácil? Seria sim, com certeza. Aí o Templo de Jerusalém poderia ser construído por exemplo, nas montanhas mais desabitadas da Mongólia, onde provavelmente ninguém iria reclamar. Encontrou algo estranho aí?

Além disso, na sua religião escolhe-se as coisas por serem "fáceis" do ponto de vista humano (aquilo que agrada mais ao homem) ou por ser aquilo que vocês entendem agradar a D'us? Nós sabemos a resposta e a história já testemunhou o resultado de muitas decisões de cristãos que preferiram enfrentar as consequências - por exemplo na época das condenações da Igreja Católica contra os movimentos cristãos que consideravam heréticos, na Europa.

Ouço de muitos cristãos também que HOJE se houvesse uma lei determinando várias "facilidades na vida" através da implantação de um chip com o número 666 "bem grandão" eles prefeririam todas as dificuldades que viriam pela frente do que aceitar isso.

A vida religiosa "tende a conduzir" - mas nem sempre leva a uma vida de facilidades do ponto de vista humano imediatista.
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moreiraum
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MensagemEnviada: 10-12-2010 12:40 pm Responder com Citação

peterleal escreveu:
Caro Moreira.

>> Nós critãos acompanhamos a cultura dos judeus e mulçumanos pelas histórias da Bíblia.

Que estranho.
A Torá e a Tanach terminaram de ser escritas há mais de 2.000 anos.
O "Novo Testamento" também.

Já o islã - criado por Maomé (que - lembrando - NÃO são os pagãos da Babilônia) só veio a existir a partir do século VI na baixa Idade Média. Como sua bíblia pode fazer menção a eles?




Eu não entendia que os mulçumanos surgiram depois.

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torru
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MensagemEnviada: 10-12-2010 12:52 pm Responder com Citação

peterleal escreveu:
Torru.

Sionismo era o movimento para a re-criação do Estado de Israel, criado por Theodor Herlz. "Há um tempo e uma ocasião para tudo debaixo do céu..." e tivemos que esperar, pacientemente, até que isso fosse possível.

HOJE sionismo é tão somente o movimento para a manutenção da EXISTÊNCIA do Estado de Israel. É o movimento que luta por sua continuidade, simplesmente. Aparentemente pode parecer estranho existir um movimento pela simples manutenção de um Estado, mas como Israel é odiada pelos países vizinhos, alguns dos quais os representantes LUTAM ativa e assumidamente para "varrer Israel do mapa" esse movimento faz todo o sentido. No dia que não existir mais perigo para a existência de Israel, o sionismo deixará de existir pois não fará mais sentido.

Há dois tipos de sionismo totalmente diferentes: o laico e o religioso.
O sionismo laico tem sido combatido inclusive dentro de Israel pelos próprios judeus praticantes. Acontece que esse tipo de sionismo tem uma visão unicamente política da situação de Israel. Por isso eles desejam fazer tudo para que Israel "pareça bonita para as outras nações", com a finalidade de atrair simpatia do mundo para Israel.

Para isso esses sionistas acabam laicizando Israel e acabando com certas tradições que são não apenas a marca cultural do povo judeu mas algumas das quais inclusive são PRECEITOS DE D'us conforme a Torá.


Isso leva a um confronto direto com os sionistas religiosos (meu caso). Nós SABEMOS que se Israel não for um Estado genuninamente judaico, se não for um Estado INTEGRALMENTE dedicado a servir a D'us conforme a Torá, então esta Israel NÃO NOS SERVE. E mais - SABEMOS que uma Israel desviada de sua função espiritual é uma Israel que não perdura por muito tempo. Israel só permanece caso D'us ponha sobre ela Sua proteção. Independente disso ela sempre será alvo de inimigos do povo judeu, mas com a proteção de D'us ela é INVULNERÁVEL a qualquer tipo de ataque feito pelo homem.

Só que para isso ela precisa ser um Estado em conformidade com sua destinação espiritual. Israel não pode ser JAMAIS um lugar onde se permita idolatria, politeísmo, prostituição e tantas outras questões claras para qualquer um que tenha lido mesmo que uma tradução da Torá.



Então - de acordo com nosso conhecimento - aquilo que os sionistas laicos fazem embora tenha intenção de preservar Israel na verdade é a essência de sua própria destruição.


O sionismo teve amplo apoio da Maçonaria. A Ordem Maçônica movimentou suas forças em todo o mundo para que fosse decretado o Estado de Israel assim que nós judeus pedimos seu apoio. No entanto, embora nós reconheçamos a validade do "projeto de sociedade maçônica para o mundo" para não-judeus, esse projeto não é suficiente para a função espiritual de Israel.

A Israel que o ideal de sociedade que a Maçonaria busca não é compatível com a Israel espiritual que nós judeus praticantes sabemos como deve ser. Assim embora a comaçonaria afirma que o past-master jure responder ao pedido de auxílio de um judeu ou de Israel, nós sabemos que existe um limite muito claro para essa relação.

Pensam alguns que no dia que esse limite for invocado a Maçonaria deixará de estar ao nosso lado para se colocar do outro, embora eu particularmente (devido a análise que tenho sobre o tema) acredite que apenas que as crises serão meramente internas.

No fim uma coisa é MUITO clara para qualquer judeu: nossa função e a função de Israel é agradar a D'us e não ao homem. Devido a essa certeza preferimos ser perseguidos, torturados e mortos do que "comprar valores" não compatíveis com a Torá. Entre a Torá e QUALQUER COISA que venha do homem não existe uma vírgula de dúvida sobre o que um judeu vai optar.

Infelizmente o sionismo laico não tem essa certeza.



grato pela exposição, muito útil a meu ver.

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MensagemEnviada: 10-12-2010 2:21 pm Responder com Citação

peterleal escreveu:
Bunyan

>> Existe algum projeto de reconstrução do Templo?

Sim, sim. É um dos assuntos mais complicados de se explicar, então vou omitir muita coisa e só mencionar alguns fatos.

Conforme a Torá Oral (embora na Torá escrita também hajam essas referências, embora não tão detalhadas) há certos sinais que deveriam ser observados afim de sabermos que o Templo seria reconstruído. Esses sinais foram identificados. Nasceu uma vaca vermelha na cidade que deveria ser exatamente como estava escrito, sinais astrológicos, etc.

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teria algum link q possamos ler esses sinais?

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MensagemEnviada: 10-12-2010 3:58 pm Responder com Citação

Peter,

Ultimamente tenho estudado sobre Abraão, e me deparei com a figura de Melquisedeque.

A Bíblia tem poucas informações sobre ele; se não estou enganado, aparece em três passagens: em Gênesis com Abraão, no Salmos e na carta aos Hebreus do Novo Testamento.

Quem é Melquisedeque para os judeus?


Outra pergunta,

Como um judeu ortodoxo enxerga a carta aos Hebreus do Novo Testamento?
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MensagemEnviada: 10-12-2010 7:49 pm Responder com Citação

Bunyan

>> Ultimamente tenho estudado sobre Abraão, e me deparei com a figura de Melquisedeque.

Melquisedeque foi o responsável pela transmissão da Tradição Oral de antes para depois de Noé. Foi ele quem guardou o sacerdócio eterno do culto ao D'us único nas eras que vieram antes de Abraão.

Abraão criou "uma nação de sacerdotes" porque tornou-se o aquele que formalmente teve a responsabilidade de proclamar a crença monoteísta, conforme D'us lhe incumbiu. Então ele buscou Melquisedeque afim de entender que a crença que ele tinha era a mesma crença da qual Melquisedeque se fazia portador. E então teve a certeza de que estava na mesma "linhagem" de Melquisedeque, que o abençoou.

Com isso Abraão torna-se um elo legítimo na longa cadeia de sucessão initerrupta que passa pelos monoteístas anteriores a ele, ligando-se à mesma "escola", por assim dizer.

Existe um livro no judaísmo chamado Sepher haBeriah que conta detalhes dessa "escola", essa linha que constitui-se por ela mesma "O" sacerdócio dO D'us Altíssimo. Por isso a linhagem de Melquisedeque não tem fim. Sua orígem vêm dAquele que existe "antes do começo": D'us, e se estederá para todo o sempre.

E quem foi o HOMEM Melquisedeque?
Foi um descendente DIRETO de Noé: Shem (ou Sem, em algumas traduçõeS).

Ele não foi de fato rei de Yeru-Shalaim (Jerusalém) no sentido político, mas era considerado de tão grande sabedoria e possuidor de um segredo terrível que sabia-se que os reis e reinados do mundo passariam mas o qual ele fazia parte existiria para sempre.

E Jerusalém onde viria a se estabelecer em definitivo o Templo da Paz (Templo de Jerusalém - Shalaim = derivação de SHALOM = paz). No Sepher haBeriah diz-se que Melquisedeque passou por diversos locais do Oriente, onde teria sido reconhecido como aquele que faz parte do sacerdócio eterno da Verdade. Por isso nesses lugares teria sido chamado de "Rei do Mundo".

De qualquer forma, a linha do sacerdócio de Melquisedeque foi passada para Abraão, e a partir daí para seus descendentes, culminando com Moisés, que nesse sentido também está na linhagem de Melquisedeque.





>> Como um judeu ortodoxo enxerga a carta aos Hebreus do Novo Testamento?

Não existe qualquer posição doutrinária sobre esses escritos por várias razões, mas uma delas é clara: ela não foi destinada aos judeus, conforme os critérios que D'us disse que seriam utilizados para toda e qualquer revelação a nosso povo.

Esse é UM DOS motivos pelos quais o chamado "Novo Testamento" inteiro não tem qualquer sentido como escrito sagrado para nós judeus: o judaísmo é baseado na chamada REVELAÇÃO NACIONAL.

Não existe no judaísmo qualquer revelação que possamos entender como dirigada ao nosso povo não sendo esta uma revelação nacional. De acordo com os primeiroa tratados do Talmud Bavli (que possui nossa Tradição Oral) - embora também na Torá Escrita isso fique claro - D'us DESAUTORIZA qualquer um que se diga o Mashiach, que se diga um profeta ou mesmo um simples "emissário" (salvo anjos em situações especiais) de se dirigir aos judeus não havendo a MAIORIA ABSOLUTA da população judaica em Eretz (Eretz Israel = a Israel geográfica ou "Terra de Israel").

Portanto não não podemos sequer ser destinatários de qualquer mensagem que seja alegadamente "espiritual" com força de Profecia ou em relação à Aliança do Sinai ou mesmo a certas "mensagens" (ou epístolas) quando em Eretz Israel não estiverem morando a maioria absoluta dos judeus.

Essa é a razão porque embora existam MUITOS escritos judaicos após os últimos profetas, não são considerados válidos como mensagem divina. Isso é porque esses escritos já vieram em tempos em que os judeus já não estavam em sua maioria em Eretz. Portanto, a mensagem não era ao POVO judeu. Isso é importante porque o povo judeu é considerado como uma unidade em relação a D'us.

Já no século III a.e.C. (antes de Yeshua nascer) a maioria do povo judeu não estava mais em Eretz Israel, devido à dispersão pós-cativeiro, portanto tudo que veio desde então AtÉ HOJE não pode ser considerado Escritura Sagrada (não estou falando da sua religião - estou falando dos critérios da MINHA religião, ok?).

Mesmo alguém tão amado pelo povo judeu quanto um Baal Shem Tov (abençoado seja), na Idade Média - nem ele que foi um exemplo de prática da Torá, de tsedacá (caridade), pensamentos elevados e de profunda compreensão do Espírito da Torá (para muito além da letra), nem seus escritos podem ser considerados como Escrituras Sagradas.

HOJE aproxima-se a condição para o retorno do espírito de profecia entre o povo judeu, porque Israel já está novamente com quase metade de toda a população judaica dispersa no mundo. Em questão de poucas décadas ou anos, se romperá o selo de tempos proféticos e de cumprimento das profecias, pois novamente o povo judeu estará reunido em Eretz Israel, como nação.
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Bunyan
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MensagemEnviada: 11-12-2010 10:27 am Responder com Citação

Peter,

Quanto a Melquisedeque, já ouvi falar que se tratava de Sem. Mas a minha dúvida foi gerada a partir do pressuposto de que Moisés poderia ter revelado a identidade de Melquisedeque, pois já havia mencionado Sem no Gênesis.

Este livro Sepher haBeriah existe em língua portuguesa? E se existe, qualquer pessoa tem acesso a ele?

Peter,

O destinatário da carta aos Hebreus é a igreja cristã estabelecida em Jerusalém composta por judeus. Ou seja, a carta foi enviada a judeus cristãos do SÉCULO I.

A pergunta que fiz, fiz de uma maneira não tão clara. Espero ser claro desta vez. A pergunta é:

Como um judeu ortodoxo analisa (não em caráter revelatório) o conteúdo da carta?

Por exemplo, o escritor anônimo, segundo os cristãos protestantes, usa textos das Escrituras (Velho Testamento) como base ao argumento proposto, a messianidade de Jesus.

Não sei se será possível, mas gostaria de ler uma refutação à esta carta, ou a passagens dela.
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MensagemEnviada: 11-12-2010 4:37 pm Responder com Citação

'
Bunyan

>> Este livro Sepher haBeriah existe em língua portuguesa? E se existe, qualquer pessoa tem acesso a ele?

Não, não existe tradução do Sepher haBeriah.
Ele foi escrito em hebraico, há alguns milênios.
Faz parte dos chamados "livros selados" do judaísmo, e portanto o acesso a ele só pode ser feito por judeu (e nem qualquer judeu - apenas a partir de certo nível) ou de não-judeus que tenham autorização especial (por exemplo, para testes de datação para fins arqueológicos).

Um dos mais secretos livros judaicos é o Maasseh Merkavah, que foi submetido a testes "profanos" e foi datado tão ou mais antigo que o próprio apócrifo de Enoque. Eu mesmo até o momento só pude ler 30 páginas deste. Quando um rabino ensina o Masseh Merkavah ele só pode ensinar a um único aluno por vez. Por exemplo, se eu demorar 4 anos para termina-lo, durante esse tempo todo ele não pode ensinar mais ninguém.



>> o escritor anônimo, segundo os cristãos protestantes, usa textos das Escrituras (Velho Testamento) como base ao argumento proposto, a messianidade de Jesus. (...) gostaria de ler uma refutação à esta carta, ou a passagens dela.

Pelo fato de não poder ser considerada uma escritura sagrada (de acordo com o critério que mencionei na última mensagem) ocorre que embora alguém "diga que ela foi enderaçada aos judeus", nós judeus não podemos toma-la dessa forma porque ela não foi devidamente endereçada ao povo judeu.

Assim, dentro da nossa perspectiva funciona como uma missiva que alguém escreveu para "algum grupo restrito e desconhecido" de judeus.

Existem trinta e uma refutações sobre a messianidade de Yeshua.
Conforme a doutrina judaica, apenas UMA delas é suficiente para se descartar a messianidade de quem quer que seja.

Dada essa informação, pode-se por exemplo dizer que a primeira (e já bastante porque uma única é suficiente) refutação é que o Mashiach JUDAICO (não falo do "Messias Cristão") é revelado AO POVO judeu. E o povo judeu para efeitos de profecia e cumprimentos espirituais dessa natureza só é considerado a partir do momento que a maioria absoluta dos judeus de todo o mundo estão em Eretz Israel.

Três séculos antes de Yeshua nascer já haviam pouquíssimos judeus em Eretz (somente AGORA é que vamos atingir maioria), portanto fica patente que quem escreveu essa "carta aos judeus" inclusive desconhecia esse que é um dos mais importantes preceitos do judaísmo.


Eu digo carta aos judeus porque uma "carta aos hebreus" de fato seria algo estranho e confuso. Muita gente nem sabe o que significa de fato um hebreu e de onde veio esse nome. Por exemplo, Abraão foi um hebreu, mas existiram sim outros hebreus que nunca tiveram nada a ver com os filhos de Yaakov (Jacó-Israel). Esses foram gentios.



Esses "pequenos detalhes" dão ao judeu que conhece sua cultura uma impressão muito forte de que o "escritor anônimo" de Carta aos Hebreus nunca foi um judeu e na verdade só conhecia conceitos extremamente superficiais de judaísmo.


Aliás, tão estranhos ao judaísmo são os conceitos ali colocados quanto a língua em que foi escrita: GREGO. Quem conhece um MÍNIMO de mentalidade judaica sabe que que uma "carta dirigida ao povo judeu" (com intenção semelhante à "carta aos hebreus") escrita em qualquer outra língua que não o aramaico ou hebraico é mais ou menos como colocar uma caixa na principal rua de Nova York dirigida aos EUA escrita com caracteres de língua árabe. Com certeza isso servirá apenas para repelir os transeuntes.
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Bunyan
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MensagemEnviada: 12-12-2010 8:05 am Responder com Citação

Citação:
Pelo fato de não poder ser considerada uma escritura sagrada (de acordo com o critério que mencionei na última mensagem) ocorre que embora alguém "diga que ela foi enderaçada aos judeus", nós judeus não podemos toma-la dessa forma porque ela não foi devidamente endereçada ao povo judeu.

Assim, dentro da nossa perspectiva funciona como uma missiva que alguém escreveu para "algum grupo restrito e desconhecido" de judeus.


Peter,

Pelo que li na carta, entendendo o seu contexto, ela foi escrita para um grupo restrito de judeus mesmo. Judeus cristãos. Mas não sei se eram tão desconhecidos assim. A "Seita dos Nazarenos", como ficou conhecido o primeiro grupo de cristãos da época, era bem conhecida pelas autoridades judaicas. Inclusive Saulo de Tarso, membro do Sinédrio e fariseu, foi comissionado a conter o avanço desta seita judaica.

Citação:


Existem trinta e uma refutações sobre a messianidade de Yeshua.
Conforme a doutrina judaica, apenas UMA delas é suficiente para se descartar a messianidade de quem quer que seja.

Dada essa informação, pode-se por exemplo dizer que a primeira (e já bastante porque uma única é suficiente) refutação é que o Mashiach JUDAICO (não falo do "Messias Cristão") é revelado AO POVO judeu. E o povo judeu para efeitos de profecia e cumprimentos espirituais dessa natureza só é considerado a partir do momento que a maioria absoluta dos judeus de todo o mundo estão em Eretz Israel.

Três séculos antes de Yeshua nascer já haviam pouquíssimos judeus em Eretz (somente AGORA é que vamos atingir maioria), portanto fica patente que quem escreveu essa "carta aos judeus" inclusive desconhecia esse que é um dos mais importantes preceitos do judaísmo.


Eu sou um cristão protestante que sigo as linhas pentecostal e dispensacionalista.

No nosso estudo sobre escatologia, um dos sinais da Volta de Jesus é a reunião de todo povo Judeu em Israel. Inclusive um marco que levou a corrente dispensacionalista a ganhar força foi a criação do Estado de Israel.

Quando leio os profetas, vejo que algumas profecias foram cumpridas na Vinda de Jesus, no Século I, e que outras profecias serão cumpridas na Volta de Jesus.

Citação:
Eu digo carta aos judeus porque uma "carta aos hebreus" de fato seria algo estranho e confuso. Muita gente nem sabe o que significa de fato um hebreu e de onde veio esse nome. Por exemplo, Abraão foi um hebreu, mas existiram sim outros hebreus que nunca tiveram nada a ver com os filhos de Yaakov (Jacó-Israel). Esses foram gentios.


Bom, é óbvio que a carta foi escrita a judeus, pois os destinatários cumpriam ainda seus deveres com o Templo de Jerusalém. Eram judeus cristãos indecisos entre o Judaísmo e o Cristianismo.

O fato de ser "carta aos hebreus", acredito ser o nome dado pelos tradutores, para darem referência a Abraão. Temos o caso do livro do "Apocalipse", um título em latim. Mas o livro foi escrito em grego.

Citação:
Esses "pequenos detalhes" dão ao judeu que conhece sua cultura uma impressão muito forte de que o "escritor anônimo" de Carta aos Hebreus nunca foi um judeu e na verdade só conhecia conceitos extremamente superficiais de judaísmo.


Embora seja anônimo o escritor para os protestantes, a Igreja Romana atribui a autoria a Saulo de Tarso. Na busca em conhecer a identidade do escritor foram estabelecidos alguns critérios, um deles é justamente um judeu com profundo conhecimento da religião judaica.

A lista de prováveis autores conta com Saulo de Tarso, fariseu, ensinado pelo rabino Gamaliel, e Apolo, um judeu "poderoso nas Escrituras" e que convencia outros judeus que Jesus era o Messias esperado.

Ao ler a carta, uma coisa que me admira é justamente o conhecimento do autor acerca da religião judaica. Ele fala sobre o ofício sacerdotal, do Templo e etc.

Citação:
Aliás, tão estranhos ao judaísmo são os conceitos ali colocados quanto a língua em que foi escrita: GREGO. Quem conhece um MÍNIMO de mentalidade judaica sabe que que uma "carta dirigida ao povo judeu" (com intenção semelhante à "carta aos hebreus") escrita em qualquer outra língua que não o aramaico ou hebraico é mais ou menos como colocar uma caixa na principal rua de Nova York dirigida aos EUA escrita com caracteres de língua árabe. Com certeza isso servirá apenas para repelir os transeuntes.


Bom não sei se chega a tanto. Acho que escrever uma carta na língua grega naquela época não é tão estranho assim. Bom, você é judeu e nós estamos conversando em português.

Mas entendo a sua posição.

Quando Paulo estava em Jerusalém, quase sendo linchado por uma massa de judeus, ganhou tempo e descanso quando começou a falar em hebraico.

Eu entendo que se você quer que um judeu preste atenção na sua conversa o melhor é falar em hebraico mesmo. Porém a carta foi destinada a judeus que já eram cristãos, e foi utilizada a língua corrente da época, o grego. Assim como no mundo hoje usamos o inglês, naquela época se usava o grego.

Agora imagina uma carta com conteúdo daqueles parar nas mãos de autoridades judaicas da época? Por isso o escritor, acredito eu, não se identificou; e por isso a carta tenha sido escrita em grego.
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MensagemEnviada: 12-12-2010 10:47 am Responder com Citação

Bunyan

>> A "Seita dos Nazarenos", como ficou conhecido o primeiro grupo de cristãos da época, era bem conhecida pelas autoridades judaicas.

Baseado em que você diz isso?



>> Quando leio os profetas, vejo que algumas profecias foram cumpridas na Vinda de Jesus, no Século I, e que outras profecias serão cumpridas na Volta de Jesus.

Entendo. Então o Messias cristão cumpre as coisas parceladas, em duas vezes. Algumas coisas num tempo e outras coisas alguns milhares de anos depois, certo? Já tinha ouvido falar sobre isso. Agora, o Mashiach dentro do judaísmo não virá "duas vezes". Mas claro, são religiões e doutrinas totalmente diferentes.



>> é óbvio que a carta foi escrita a judeus, pois os destinatários cumpriam ainda seus deveres com o Templo de Jerusalém.

O que estou dizendo é que sendo um carta tão restrita é mais ou menos como alguns brasileiros escreverem em inglês uma carta a um pequeno grupo de judeus. Ou seja - isso é uma "troca de mensagens PESSOAL", particular. Como "refutar uma carta particular"? Isso não existe.

Por exemplo, temos hoje um cara chamado INRI Cristo, que no meu entender não é um verdadeiro cristão. Mas digamos que alguns de seus discípulos escrevam uma carta a alguns cristãos, de alguma igreja. Qual o significado disso para a COMUNIDADE CRISTÃ mundial? Provavelmente alguns sequer vão ler: a carta vai parar no lixo. Esse é o ponto em questão.




>> Eram judeus cristãos indecisos entre o Judaísmo e o Cristianismo.

Conforme os registros judaicos, se Yeshua é "um dos três Yeshua" que conhecemos bem (tomando a melhor das referências) então isso não é verdade. Os primeiros discípulos de Yeshua jamais o tomaram por Mashiach mas sim como mais um discípulo de rabi Hilel. Até porque nossos registros falam que este Yeshua não morreu na cruz embora tenha sido crucificado e o tiraram lá assim que ele ameaçou desmaiar. Um dos Yeshua (Yeshua ben Stada) morreu apedrejado, portanto este não serve, certo? O outro (Yeshua ben Pandira) foi para a Grécia com seus discípulos e passou a tomar o nome de um deles afim de ocultar sua identidade.

Claro que no Concílio de Nicéia, no século III as coisas tomaram uma nova figura...



>> Na busca em conhecer a identidade do escritor foram estabelecidos alguns critérios, um deles é justamente um judeu com profundo conhecimento da religião judaica. (...) Ao ler a carta, uma coisa que me admira é justamente o conhecimento do autor acerca da religião judaica. Ele fala sobre o ofício sacerdotal, do Templo e etc.

Para nós judeus o conhecimento da "estrutura administrativa" do Templo não significa nada. Até porque essas informações mais exteriores já estão na Torá Escrita. São as concepções doutrinárias mais profundas do judaísmo que dizem o quanto uma pessoa conhece ou não de judaísmo, e é nesse sentido que o autor de Cartas aos Hebreus deu a impressão de um leigo querendo "jogar verde", como se diz. Porque o que ele "jogou" nada tem de judaísmo, de fato.




>> Bom, você é judeu e nós estamos conversando em português.

Certo, porque o teor dessa conversa não qualquer implicação no judaísmo ou para a autoridade judaica constituída.



>> Eu entendo que se você quer que um judeu preste atenção na sua conversa o melhor é falar em hebraico mesmo. Porém a carta foi destinada a judeus que já eram cristãos, e foi utilizada a língua corrente da época, o grego. Assim como no mundo hoje usamos o inglês, naquela época se usava o grego.

Entendo perfeitamente. No entanto, isso significa que aquilo já não tinha mais nada a ver com judaísmo.

Outra coisa - não existe "judeu cristão".
Como disse os registros que temos indicam que os primeiros discípulos de Yeshua jamais o tiveram como o Mashiach, nem acreditavam na ressurreição, nem muito menos o associavam a D'us, e sim como mais um discípulo de rabi Hilel.

Agora - se a gente criar uma instancia imaginativa onde de repente um judeu acredite que D'us "encarna", que existe "Deus filho" e "Deus pai" - se um judeu resolver acreditar dualidade ou trindade (ainda que "três em um" ou "um em três" ou qualquer coisa do tipo) ou qualquer coisa que não seja UNIDADE ABSOLUTA ele renunciou deliberadamente o primeiro e maior mandamento do judeu que é o Shemá Israel.

Nesse instante ele se converteu a algo que não é judaísmo e nesse instante ele deixa de ser judeu, conforme a Halachá (Lei Judaica). Qualquer judeu entende muito bem o significado e as implicações disso.

Assim não existe um "judeu cristão". Existe um cristão.

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MensagemEnviada: 12-12-2010 1:37 pm Responder com Citação

peterleal escreveu:
Bunyan

>> A "Seita dos Nazarenos", como ficou conhecido o primeiro grupo de cristãos da época, era bem conhecida pelas autoridades judaicas.

Baseado em que você diz isso?


Nos relatos bíblicos.

Se para os não-cristãos falha como revelação, ao menos tem valor histórico.


Citação:

>> Quando leio os profetas, vejo que algumas profecias foram cumpridas na Vinda de Jesus, no Século I, e que outras profecias serão cumpridas na Volta de Jesus.

Entendo. Então o Messias cristão cumpre as coisas parceladas, em duas vezes. Algumas coisas num tempo e outras coisas alguns milhares de anos depois, certo? Já tinha ouvido falar sobre isso. Agora, o Mashiach dentro do judaísmo não virá "duas vezes". Mas claro, são religiões e doutrinas totalmente diferentes.


A profecia é iminente e remota.

Por exemplo, Jesus Cristo na sinagoga de sua cidade natal leu o livro de Isaías, uma profecia, e parou de ler no meio da profecia, dizendo que ali se cumpria aquela parte da profecia.

Então não constrange qualquer cristão o fato do Messias cristão cumprir parcialmente suas profecias.

O Messias virá uma vez. Então como se cumprirá, onde se enquadra a figura do Messias Sofredor do profeta Isaías?

Se a religião judaica é fechada, como você interpreta profecias de Isaías e Amós que dizem respeito à reunião dos gentios no reino do Messias?


Citação:

>> é óbvio que a carta foi escrita a judeus, pois os destinatários cumpriam ainda seus deveres com o Templo de Jerusalém.

O que estou dizendo é que sendo um carta tão restrita é mais ou menos como alguns brasileiros escreverem em inglês uma carta a um pequeno grupo de judeus. Ou seja - isso é uma "troca de mensagens PESSOAL", particular. Como "refutar uma carta particular"? Isso não existe.

Por exemplo, temos hoje um cara chamado INRI Cristo, que no meu entender não é um verdadeiro cristão. Mas digamos que alguns de seus discípulos escrevam uma carta a alguns cristãos, de alguma igreja. Qual o significado disso para a COMUNIDADE CRISTÃ mundial? Provavelmente alguns sequer vão ler: a carta vai parar no lixo. Esse é o ponto em questão.


OK. A pergunta foi apenas de caráter de conhecimento. Embora eu ache ridículo o livro o Código DaVinci, li o livro, assiti ao filme e existem obras cristãs de refutação a argumentos levantados pelo autor.

Citação:
>> Eram judeus cristãos indecisos entre o Judaísmo e o Cristianismo.

Conforme os registros judaicos, se Yeshua é "um dos três Yeshua" que conhecemos bem (tomando a melhor das referências) então isso não é verdade. Os primeiros discípulos de Yeshua jamais o tomaram por Mashiach mas sim como mais um discípulo de rabi Hilel. Até porque nossos registros falam que este Yeshua não morreu na cruz embora tenha sido crucificado e o tiraram lá assim que ele ameaçou desmaiar. Um dos Yeshua (Yeshua ben Stada) morreu apedrejado, portanto este não serve, certo? O outro (Yeshua ben Pandira) foi para a Grécia com seus discípulos e passou a tomar o nome de um deles afim de ocultar sua identidade.

Claro que no Concílio de Nicéia, no século III as coisas tomaram uma nova figura...


Bom, Cefas, conhecido por Pedro, um dos primeiros discípulos de Jesus, o reconhecia como o Cristo.

A divindade de Jesus foi deveras debatida e defendida por apologistas da fé cristã no final do primeiro século e no começo do segundo.


Flávio Josefo embora fale pouco, descreve Jesus como um profeta e até tido por Messias pelos seus seguidores.


Temos relatos de cristãos do século I e do Século II e ainda do historiador judeu Josefo, mais a conversão de Saulo de Tarso, que corroboram os relatos bíblicos neotestamentários.


Citação:
>> Na busca em conhecer a identidade do escritor foram estabelecidos alguns critérios, um deles é justamente um judeu com profundo conhecimento da religião judaica. (...) Ao ler a carta, uma coisa que me admira é justamente o conhecimento do autor acerca da religião judaica. Ele fala sobre o ofício sacerdotal, do Templo e etc.

Para nós judeus o conhecimento da "estrutura administrativa" do Templo não significa nada. Até porque essas informações mais exteriores já estão na Torá Escrita. São as concepções doutrinárias mais profundas do judaísmo que dizem o quanto uma pessoa conhece ou não de judaísmo, e é nesse sentido que o autor de Cartas aos Hebreus deu a impressão de um leigo querendo "jogar verde", como se diz. Porque o que ele "jogou" nada tem de judaísmo, de fato.


Se eu tenho acesso à Torá, tenho acesso às "doutrinas mais profundas do Judaísmo"?




Citação:
Bom, você é judeu e nós estamos conversando em português.

Certo, porque o teor dessa conversa não qualquer implicação no judaísmo ou para a autoridade judaica constituída.



>> Eu entendo que se você quer que um judeu preste atenção na sua conversa o melhor é falar em hebraico mesmo. Porém a carta foi destinada a judeus que já eram cristãos, e foi utilizada a língua corrente da época, o grego. Assim como no mundo hoje usamos o inglês, naquela época se usava o grego.

Entendo perfeitamente. No entanto, isso significa que aquilo já não tinha mais nada a ver com judaísmo.

Outra coisa - não existe "judeu cristão".
Como disse os registros que temos indicam que os primeiros discípulos de Yeshua jamais o tiveram como o Mashiach, nem acreditavam na ressurreição, nem muito menos o associavam a D'us, e sim como mais um discípulo de rabi Hilel.

Agora - se a gente criar uma instancia imaginativa onde de repente um judeu acredite que D'us "encarna", que existe "Deus filho" e "Deus pai" - se um judeu resolver acreditar dualidade ou trindade (ainda que "três em um" ou "um em três" ou qualquer coisa do tipo) ou qualquer coisa que não seja UNIDADE ABSOLUTA ele renunciou deliberadamente o primeiro e maior mandamento do judeu que é o Shemá Israel.

Nesse instante ele se converteu a algo que não é judaísmo e nesse instante ele deixa de ser judeu, conforme a Halachá (Lei Judaica). Qualquer judeu entende muito bem o significado e as implicações disso.

Assim não existe um "judeu cristão". Existe um cristão.


Quando me referi a judeu cristão, referi a judeus étnicos que são cristãos. Apesar que o Cristianismo ainda estava muito ligado ao Judaísmo no Primeiro Século e cristãos judeus (étnicos) defendiam a circuncisão para os gentios que se convertiam.
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