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Não, eu ja sabia de tudo isso aí.
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Sou crente, não tenho que saber o que é arte.
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Autor Mensagem
Kenny
Vício ao Extremo!
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MensagemEnviada: 22-07-2008 12:29 pm Responder com Citação

Um texto bacana sobre arte pra gente matutar um pouquinho. Não esqueçam de comentar.
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Por Nelson Bomilcar

Gostei muito mesmo desta peça...; não gostei nada daquela música...; que coisa linda aquela escultura, BAH...; pintura esdrúxula e com péssimo gosto; ...eu falei que era poema pobre e sem sentido.....; ...puxa, mas tinha 5 estrelas de recomendação para assistirmos a este filme.....sinto-me lesada em ter vindo a este concerto......Pois é, vivemos com esta dualidade e incoerência dos que se “tornam” críticos de arte. Nós mesmos acabamos assumindo este papel o tempo todo, não é verdade?!

De maneira geral, o conceito de arte é extremamente subjetivo e, portanto, muito amplo. Mas, genericamente, a arte varia em pelo menos quatro aspectos:

a. A cultura a ser analisada
b. O período histórico
c. O indivíduo em questão
b. Sua herança e vivência pessoal


Na visão cristã, de maneira genérica, vemos a ARTE como expressão da criatividade de Deus no Universo, criado por ELE mesmo, no tempo e na história. Arte também é a expressão da criatividade do homem recebida do Seu Criador. Portanto, estão e estarão sempre absolutamente integradas.

O homem criado à imagem e semelhança de Deus “faz arte para viver” ou vive para fazer arte em todas as suas direções relacionais. O homem, ocupando seu espaço no mundo e em sua interação com todas as áreas da vida, criou objetos para satisfazer suas necessidades espirituais e emocionais. Criou também para suas necessidades práticas, como as ferramentas para plantar, cavar a terra e os utensílios de cozinha.

Outros objetos são criados por serem interessantes ou possuírem um caráter educacional e instrutivo. O homem cria a arte como experimentar da vida, como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para usufruir, estimular e distrair a si mesmo e aos outros tendo prazer nas coisas criadas, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas no tempo, espaço e história. O mundo necessita de arte!

Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte, que pode ser feita para o RELACIONAMENTO HUMANO, decorar o mundo, para espelhar ou retratar o nosso mundo (naturalista), para ajudar no dia-a-dia (visão utilitária), para explicar e descrever a história, para nossa alegria e prazer, para ser usada de maneira terapêutica e para ajudar a explorar e conhecer o mundo.

Como entendemos a arte de maneira cristã?

A arte é um caminho de diálogo, de aproximação, de apreciação, de expressão existencial, expressão das percepções diversas do ser humano; e, portanto, o aspecto estético do BELO passa ou está ligado à visão do ser humano do divino, da criação e da vida.

Francis Schaeffer escreveu que a visão e a compreensão de Deus é o início de tudo. Sua fala encontra eco na visão de Agostinho, que afirma ser a arte a expressão da alma humana diante da Criação e do Criador.

É por isso que não podemos, num primeiro momento, pensar em outra Pessoa quando aplaudimos alguém que expressa em diversos caminhos sua capacidade criativa. Numa mostra de pintura ou escultura, num show musical, nos versos de um repentista, numa expressão corporal bem feita no grupo de coreografia, ou num belo hino ouvido por um coro. Deus é o Criador e nossa teologia deve reafirmar isto sempre. Se o diabo distorce o seu conteúdo, ou a pessoa dedica a sua arte depois para outra coisa, isto é uma outra história e objeto de mais uma análise ou artigo.

O que vemos, então, quando admiramos uma arte depende da nossa experiência e de nossos conhecimentos, da nossa disposição no momento, da nossa imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar. Mas, e os críticos? Porque atribuem ou não valor a esta ou aquela expressão?

O chamado criticismo artístico ou histórico está presente na história da arte. Eles são “os filtros”, as peneiras pelos quais a ARTE é considerada e valorizada. A crítica (nós e os outros), portanto, tem o poder não só de atribuir o estatuto de arte e valor a um objeto, mas de classificá-lo numa ordem de excelências, segundo critérios próprios ou de cada século. Em cada cultura, encontramos NOÇÕES que vão construindo um terreno com critérios para avaliação.

É por isso que vemos as opiniões de tantas pessoas diferentes, pois cada um aprecia o belo segundo suas heranças e informações absorvidas. Claro que o fator cultural é importante neste processo e vemos o quanto o desconhecimento de sua própria cultura afeta uma atribuição de valor.

E o estilo? Por que rotulamos os estilos de arte? Estilo é como o trabalho de cada um se mostra, depois do artista ter tomado suas decisões à luz de sua herança e capacidade. Cada artista possui um estilo único. Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver totalmente e objetivamente quem fez o quê, quando e como. De fato, aproximamo-nos bastante, mas não conseguimos avaliar com sucesso todas as intenções do autor ou do artista. Podemos verificar com algumas ferramentas que tipo de arte foi feito, quando, onde o como; desta maneira, estamos dialogando com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo teve. Toda arte deve ser vista à luz da época em que foi produzida, para que ela ganhe significado correto e não seja desvalorizada pelas mudanças sociais de cada século. Para que seja apreciada da melhor forma.

Avaliemos nossa maneira de pensar ou de julgar uma expressão de arte. Precisamos de honestidade, sensibilidade e raciocínio correto ao avaliarmos qualquer expressão de arte e respeitarmos a essência da arte e sua filosofia. Inspiração de alguém para alguém, comunicação nem sempre objetiva e muitas vezes subjetiva.

Artistas desejam espalhar suas idéias e convicções ou suas contradições. Os artistas cristãos deveriam estar fazendo o mesmo: espalhando a arte e a realidade do Artista Maior, e seus propósitos para o homem e Sua criação. O Evangelho precisa cada vez mais destes artistas em todas as áreas de expressão. A Igreja precisa pregar e ensinar isto. É terreno absolutamente santo, separado também para a manifestação da Sua glória e beleza.

Artistas cristãos também são chamados para serem espelhos da criatividade do Criador, que vão constatando, cantando, declamando, pintando, dançando e contando a história! Vai interagindo no tempo e na história com Deus, com Sua Criação e a raça humana, sabendo que esta história se fecha um dia no KAIRÓS e no CRONOS. Já vivemos a realidade do ETERNO.

Portanto, continuemos espelhando na vida e na ARTE, o poder criativo de Deus, de Jesus, Daquele que redimiu a cultura, a criação, a arte, o coração, a alma, e a própria história de cada um de nós em todos os tempos e em todas as etnias!

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Fonte: Portal Cristianismo Criativo
Link original: http://www.cristianismocriativo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=178&Itemid=31

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MensagemEnviada: 23-07-2008 3:32 pm Responder com Citação

Kenny, obrigado por compartilhar com a gente este excelente artigo do Bomilcar.

Pelo que li, é um belo texto sobre arte e religião. Sem grandes pretensões, é verdade, pois poderia se aprofundar bastante no tema, já que o Bomílcar tem autoridade e capacidade reconhecidas para tanto. Creio que ele quis apenas apresentar o tema, como uma introdução mesmo, e provocar o debate, no que, a meu ver, teve êxito. Arte, por si só, já é um assunto vastíssimo, para não dizer infinito. Que o homem sempre quis encontrar uma válvula de escape pictórica para se expressar, as cavernas pré-históricas estão aí para comprovar. Chamar isso de "veia artística" é que varia de cultura para cultura, de pessoa para pessoa, de geração para geração. Afinal, os movimentos artísticos se sucedem e, muitas vezes, se negam e se contradizem conforme cada era da humanidade, num ir-e-vir sem fim.

Na Bíblia, as expressões artísticas sempre tiveram o seu lugar. Primeiro, se trata de literatura, de crônicas e romances que foram passados de geração a geração, além dos livros poéticos, como Salmos e Cantares. O canto e a música parecem configurar a arte por excelência, biblicamente falando. Afinal, há um livro com 150 salmos que originalmente eram cantados, e alguns deles fazem alusão a instrumentos, cânticos e danças. O Salmo 150 parece ser o mais representativo quanto a este aspecto. Paulo também enfatiza a importância dos primeiros cristãos falarem entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais (Efésios 5:19 e Colossenses 3:16). Quando esteve em Atenas, demonstrou conhecimento dos poetas gregos, aplicando-os à sua pregação (Atos 17:28-29). Quanto a outras formas de arte na Bíblia, a construção do tabernáculo no deserto envolveu centenas, talvez milhares de artífices de toda espécie para montá-lo e decorá-lo, tudo sob o comando de Moisés (Êxodo 26 em diante). O mesmo aconteceu com o primeiro templo, sob Salomão (1 Reis 6 e 7), o mesmo que compara os meneios dos quadris de Sulamita com jóias feitas por um artista (Cantares 7:1). Curiosamente, o Apocalipse revela um fim para as artes na destruição da "mítica" Babilônia (Apocalipse 18:21), embora a descrição do céu (nos capítulos 21 e 22) revele muita beleza em arquitetura grandiosa (e preciosa), fechando o ciclo que remete à Criação do homem, esculpido por Deus com as próprias mãos (Gênesis 2).

Os judeus eram muito mais cuidadosos, entretanto, em relação à escultura e à pintura, para não desobedecerem ao mandamento divino que proibia representar Deus em forma de alguma imagem humana ou da natureza, mesma objeção que acompanhou o começo do cristianismo que, alguns séculos depois, admitiu ambas as artes no lado ocidental (latino), ficando o oriental (grego) apenas com a iconografia pictórica. Não por acaso, boa parte do acervo dos melhores e maiores museus do mundo é composta por pinturas e esculturas com inspiração religiosa, embora não se deva esquecer, também, que a Igreja institucionalizada tenha funcionado como um bloqueio a outras tantas expressões artísticas que contrariavam os seus interesses. Censuras e boicotes não são novidades na história do mundo, e nem sempre é tão simples separar o sagrado do profano, ainda que o belo os defina. Afinal, toda uma era da humanidade (no Ocidente) foi vivida debaixo do domínio pleno da Igreja Católica Romana, sendo que o período mais intenso dessas realizações (com Michelangelo e a Capela Sistina, por exemplo) coincide com a Reforma Protestante, que, por um lado, é iconoclasta, renegando a representação religiosa mediante, principalmente, a escultura, mas por outro lado, favorece o desenvolvimento de outras formas de expressão artística (como a formação das línguas nacionais européias), que assim vão paulatinamente se apartando da sombra da Igreja. É claro, também, que existem inúmeras expressões artísticas em todos os povos do mundo, seja no Oriente, na África, ou na América pré-colombiana. Quem tem a oportunidade de conhecer o Museo del Oro em Bogotá, por exemplo, é apresentado a um mundo fascinante, em que a riqueza (literal e figurada) da arte dos povos andinos é uma explosão de sensibilidade e expressividade que deve ter assustado os colonizadores espanhóis, ao se depararem com uma civilização que, em muitos aspectos, era bem mais desenvolvida que eles. Talvez tenham dizimado esses povos não só cobiça, mas por medo e espanto ante o que aquela arte representava.

No Brasil, as expressões artísticas também foram acomodadas debaixo do guarda-chuvas da Igreja Católica. Uma mistura de raças e povos tão rica como a nossa foi, pouco a pouco, se amalgamando e se "civilizando", por assim dizer, através de uma incorporação adaptativa aos rituais religiosos. Dizer que o barroco é exagerado é redundante, mas este período no Brasil conseguiu romper todos os limites da extravagância (só pra ser redundante de novo), e os anjos de Aleijadinho com as suas feições negras, servem também como o retrato de uma época em que se procurou abrasileirar a arte fortemente influenciada pelos europeus. A igreja evangélica no Brasil é fenômeno relativamente recente, e trouxe uma série de influências de norte-americanos e europeus. Estes eram mais clássicos, aqueles mais despojados, mas cada um com os seus preconceitos. A diversidade de origem das igrejas evangélicas, que frutificaram do trabalho missionário estrangeiro, implicou numa diversidade, também, de estilos e comportamentos. Até pouco tempo atrás, tanto o rock norte-americano como os ritmos afro-brasileiros eram considerados do capeta, por exemplo. Hoje, boa parte das orquestras sinfônicas brasileiras é composta por evangélicos, e a Assembléia de Deus tem sido reconhecida como boa formadora e fornecedora de instrumentistas. A Veja inclusive já publicou uma matéria sobre esse fenômeno, em junho de 2007 (para lê-la, clique aqui). No campo brasileiro das artes em geral, entretanto, não se percebe uma penetração cristã, talvez porque, até as décadas de 1970 e 1980, os evangélicos brasileiros ainda estavam mais preocupados em se firmar, em enfrentar o preconceito e, muitas vezes, a perseguição que sofriam. Neste aspecto, gente - como o próprio Nelson Bomílcar e tantos outros -, foi muito importante. A partir da música, abriram um leque de possibilidades de expressão artística que ainda não foi devidamente explorado pelos cristãos brasileiros. É claro que a Igreja é um microcosmos da nossa sociedade, em que apenas uma ínfima minoria tem acesso às mais variadas formas de arte, não só na apreciação e consumo, como também na produção, mas cabe a cada um de nós divulgar, sempre que possível, um determinado espetáculo, um filme, um programa na TV, um livro, uma mostra, enfim, algo que ajude não só a Igreja, mas toda a comunidade, a animar-se a fazer, beber, comer, dormir, enfim, viver a arte na sua plenitude

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MensagemEnviada: 30-07-2008 10:35 am Responder com Citação

Uau! Q tópico! Adorei o texto e o comentário do atlas!
Eu estava lendo Salmos esse fds, e me deparei com um vers q grudou na minha mente:

"O meu coração ferve com palavras boas, falo do que tenho feito no tocante ao Rei. A minha língua é a pena de um destro escritor".

O salmo 45 inteiro é maravilhoso.. Mas a parte "b" do vers me chamou mta a atenção… fiquei imaginando Deus escrevendo através da língua do salmista.. E é exatamente assim q O enxergo através da arte..

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