Super Size CÓSPEU – Dia 7 (final!)

Por Laila_Flower em 10 agosto 2009 na categoria Música,Opinião

O dotBlog vai publicar sete textos do autor Renato Fontes referentes aos sete dias em que ele fez uma experiência muito semelhante ao filme “Super Size Me” – ouvir só música gospel. Curta!

======> Sétimo dia.

Nem acredito, consegui resistir bravamente. Resta-me agora um
longo período de recuperação pela frente…
Obrigado a todos que me prestigiaram com sua audiência virtual. Com alguém disse, o Super
Size Cóspeu alcançou a marca história de 45 pontos no Ibope!!
Vamos lá. Ultimo dia da saga. Como eu comecei segunda dia 27 de manhã, fui até o domingo dia
3 de noite, daí minha demora em dar o sétimo e último relatório.
Vamos então às observações:
* Ouvi uma pregação de uns 20 minutos falando sobre o espiritismo, que não acrescentou nada.
* Desta vez foi só a rádio da Quadrangular. A rádio do R R Soares ficou de lado desta vez.
* Tive que ouvir mais duas vezes a tal da “chuva de avivamento”. Agora essa porcaria não me
sai mais da cabeça nem com cirurgia no cérebro…
* Fizeram a propaganda mas não tocaram inteira (ainda bem) mais uma canção falando de
chuva, de uma tal de Pâmela, da Emeká.
* Tocaram uma do Kleber Lucas pela primeira vez (o ritmo dela, meio quebrado, é até legal). O
locutor anunciou, “antes você ouviu Voices, ‘Pisa no inimigo’”. Puxa, nem acredito que eu perdi
essa pérola…
* Tocaram de novo uma do Diante do Trono, das mais recentes, mas que eu não consigo lembrar
o nome. Ela tem um solo de percussão bacana no final. É um restinho de esperança que eles
fiquem um pouco mais com a cara do Brasil…
* Tocaram uma canção de letra clichê (levante suas mãos e exalte ao Senhor), que não falaram
quem canta, que tem os acordes flamencos, solo de violão flamenco, mas uma batida de techno
que destruiu a música. Por falar em mistura exótica…
* Tive que aturar mais uma vez “Senhor te quero”, do viniarde, mas desta vez cantada em inglês
(“In the secret”) pelo Sonic Flood. Para quem já não gostava dela no arranjo “normal”, foi um
tratamento de canal.
* Eu já estava aliviado, pensando que pelo menos “Eu quero é Deus” eu não tinha sido obrigado
a ouvir. Pois eis que senão quando, adivinhem o que eles tocam domingo de noite?? Ninguém
merece!! Vou poupar vocês de ouvir meus comentários sobre essa “música” e sobre essa “letra”.
Vou comentar pelo menos um lado bom, a exemplo do que falei no primeiro dia, o baixista
mandou ver. Pelo menos isso se aproveita.
* Pontos positivos (acreditem, houve!): Tocaram o clássico “Oh happy day” (mas não disseram
quem cantava), num arranjo bem maneiro. Tocaram uma música inspirada no filho pródigo, que
o locutor disse que a cantora era “Aline Santana”, se não me engano. A letra começa assim: “Eu
tão longe andei meu caminho escuro se tornou/Perdido e sem forças me senti/Eu não pude ver
que ao meu lado sempre estava alguém/Tentando meu ajudar a prosseguir”. Uma letra bem
legal, que hoje infelizmente é mais exceção do que regra. Tocaram também duas músicas legais,
uma da Jeane Mascarenhas (não conheço a cantora) e outra da Jamile (essa última no estilo
“disco” anos 70). Aliás, uma vez vi a Jamile na TV imitando a Whitney Houston, igualzinha… Essa
que tocaram dela é menos “comercial” que as outras que ela canta.
* Pela primeira vez tocaram o Legião Urbana. Quer dizer, o Catedral. Se não fosse rádio
evangélica, eu pensaria que era o Legião.
* Foi o dia que mais tocaram músicas estrangeiras. Lembrei-me também da “You’re my God”, da
Jaci Velasquez.
* Para fechar com chave de ouro, mais duas versões da “Draw me close to You”. Desta vez
consegui resistir até o fim e escutar tudo. Outra que não sai mais da cabeça. Tá revezando com a
chuva do avivamento…
Observações gerais agora, sobre os sete dias:
* Realmente a proporção de cantoras é maior que a de cantores, mas não tão alta quanto
constatei no primeiro dia.
* Chuva, chuva, chuva…
* Só se faz rádio evangélica para pentecostal e neopentecostal. Nada pessoal contra esses
irmãos, mas acaba existindo uma discriminação contra quem não se encaixa nesses rótulos, que
tem que se virar e comprar CD mesmo, ou então que ouça as notícias da CBN ou outra rádio.
* O estilo “brega” é campeão disparado. Falta um pouco de noção de quem faz a programação.
Tocam um rock e um breganejo colados um no outro. Constatei isso várias vezes.
* Chuva, tem chovido, manda mais chuva…
* O Diante do Trono tem muito menos representatividade no rádio do que seria de se imaginar, a
julgar pela quantidade de discos que eles vendem. Quem não gosta deles, fique sabendo que
existe coisa muuuuuuuuito pior.
* Não ouvi nenhuma do Cirillo e só uma que talvez seja do Deividikila, mas não tenho certeza.
São outros que, pela quantidade de discos que vendem, seria de se esperar que tivessem mais
representatividade no rádio.
* As gravadoras que têm ca$calho, cujos nomes não vou citar (Emecá, Graça Míusique, Line
Records, etc) tocam o tempo todo, inclusive com propagandas de seus artistas.
* Chove chuva, chove sem parar…
* O uso excessivo de metáforas como águas, quebrar os grilhões, jardim do noivo e outras coisas
pra lá de etéreas.
* Doutrinas centrais do Cristianismo, como a cruz e a salvação tiveram muito menos
representatividade do que coisas acessórias como poder, unção, avivamento, etc.
* Tirando a canção que lembra remotamente o filho pródigo, não se canta mais nada sobre as
parábolas de Jesus.
* As pregações são muito mais voltadas para o bem-estar material do que espiritual do
indivíduo, com poucas exceções. As tais “campanhas” e “correntes” das igrejas neopentecostais
e pentecostais continuam fazendo o maior sucesso.
* E como tem chovido…
* Várias vezes tentei salientar o lado positivo das músicas, notadamente os instrumentistas. E
realmente foram muitas levadas de baixo, muitos solos de violão ou guitarra, solos de percussão
e vozes bonitas que apareceram. Pena que isso não se traduz em melodias belas e, quando isso
acontece, as letras são muito superficiais, quando não são baboseiras mesmo. Os bons músicos
(que são muitos!) estão subaproveitados. Não sei se, por eu ser músico e conseqüentemente ter
uma percepção musical mais aguçada que o cidadão comum, isso influencia tanto…
* Mais chuva…
* Repito que a música evangélica brasileira cuspiu, aliás, vomitou no prato em que comeu. Deu
uma banana para seus pioneiros.
* As rádios não tocam produções independentes. Sem chance.
* Não cheguei a ouvir a terceira rádio evangélica de BH, que é da Univer$al, talvez porque
distorcesse muito o universo amostral do estudo, principalmente no teor das pregações.
* Meu período de recuperação começou escutando o “Eram Doze”, do quarteto Guilherme Kerr,
João Alexandre, Jorge Rehder e Jorge Camargo, com participações de outros músicos talentosos
nos arranjos. Pretendo ouvir outras coisas do mesmo nível, e voltar a tocar meu repertório, já
que estava só exercitando improviso e técnica.
* Eu sobrevivi. Nem acredito. Ao que tudo indica, minha sanidade também sobreviveu. Existe
vida após uma experiência como essa.
* Meus agradecimentos à minha querida esposa Miriam, que agüentou essa barra junto comigo!
* E tem chovido!!!

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11 Comments

  • E faltou Adhemar de Campos e Asaph Borba.

  • O que mais me enoja é que as igrejas históricas (presbiterianas, batistas, metodistas e outras mais tradicionais) investem muito pouco em radiodifusão, principalmente na área da música evangélica. É mais fácil um radialista dessas igrejas abrir uma rádio secular do que uma evangélica com um conteúdo teológico-doutrinário adequado. Por outro lado, multiplicam-se epidemicamente as rádios pentecostais e neopentecostais, muitas delas piratas, apresentando um material deprimente e que envergonha o Evangelho em nosso país.
    Espero que pelo menos a Convenção Batista Brasileira, à qual minha igreja é filiada, invista nessa área para o bem de nossos ouvidos e dos ouvidos de milhões de pessoas que estáo indo para o inferno por não conhecerem a Cristo.

  • Ah, parabéns pelos sete textos! Certamente serão utilizados como material de pesquisa para muitos estudiosos do assunto. Que Deus o abençoe e o ajude a melhorar cada vez mais em sua busca pelo melhor para o louvor dEle.

  • Cara meus parabéns
    passei por algo, um pouco parecido, aqui no meu trabalho (de onde eu tc agora ao invés de digitar um contrato que já deveria ter feito), então o que houve é que levaram as caixas do pc, aqui ñ posso trazer um aparelho de som nem ficar com fones de ouvido, o que me salvava eram as cx do pc onde eu ouvia algumas músicas e podcasts. Quando tiraramnas de min eu tentei começar a ouvir as rádios gospel
    [tentei], mais cara ñ fui tão persistente desisti no 1º dia ñ rolou msm, é uma programação homogenea, sem criatividade sem inovação o mesmo que eu ouvia quando tinha 12 anos só mudam algumas coisinhas fala sério cara vc já ligou pro guines boock como record de paciência?

  • Mais cansativo que “as chuvas”, são estas críticas clichês à música evangélica.

    Faça um favor a todos nós, não critique apenas, abra um programa em alguma rádio com músicas de qualidade.

  • A idéia foi bacana, Renato, mas vc não foi imparcial em alguns de seus comentários. Concordo que a música gospel vive uma mesmice que dá medo, mas há quem goste do sertanejo, da mesma maneira que existem os rockeiros, e os que gostam do João Alexandre.
    Admira-me você, como músico, não conhecer alguns cantores, como a Pâmela. E você não disse nada sobre o Regis Danese e o Lázaro, se tocaram ou não. Aqui no interior de São Paulo não se canta outra coisa. “Entra na minha casa…”.
    Da próxima vez, ouça mais rádios e veja qual o público alvo da emissora. Mas valeu pela iniciativa.
    Ah, eu tb gosto de Maj7.

  • Falow tudo cara, nunca gostei de ouvir rádio, muito menos evangélicas, por isso que escuto musica só em cds, no meu pc e no meu celular!

    e cada vez está piorando, qualquer um que faz o minimo de sucesso no mundo secular, converte e faz muito sucesso no meio góspel mesmo sem ter qualidade nenhuma, exemplo; Lázaro

  • Já falei que tinha desistido na primeira hora?? hehe

  • Hermes, o documentário foi feito em 2005, e pelo visto conseguiram piorar ainda mais com essa moda ridícula do Zaqueuzinho que quer chamar a atenção de Jesus e ficar mexendo com estruturas….. ARGHHHHHH

  • Bahh mto bom o relato…concordo com muitas coisas .. no texto anterior que falava sobre uma mensagem boa e tal, é da igreja que o meu ex-sogro lá de Canoas é pastor…que doidera!

  • Mtu bom o(s) relato(s)… realment eh uma tristeza ouvir rádio evangélik em BH (e imagino q em todo o país)… naum se faz música(o) como antigament… td bem q eu sou um leigo nesse assunto… mas noto clarament a diferença dos vinis q meu pai, de vez em qdo (quase sempre), põe pra tocar pra essas músiks q tocam nas radios… pena q vc naum ouviu a Rede Aleluia… pra mim eh a menos piorzinha (eh claro q eu naum considero aki as pregações)…agora eu soh ouço cd’s, ou melhor, mp3′s… e qse nenhum eh brasileiro (infelizment)… prefiro ouvir Kirk Franklin, Rescate, Rojo a ouvir a família Valadão (nota: depois q o André foi pra Graça Music até q melhorou um tikim… mas naum mtu), Fernanda Brum, David Quinlan etc…

    Parabéns por esse projeto sensacional… será q rolaria um de programações televisivas?? axo q seria dimais, neh!?!

    Fikem na paz!!

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