Protesto contra a exploração da dor
Por Sarah em April 2008 na categoria Opinião
Creio que todos estão acompanhando o caso da menina que foi assassinada na casa do pai. Não é minha intenção entrar em detalhes ou comentar sobre isso. Justamente porque vim registrar minha indignação sobre a exploração do sofrimento alheio, como estão fazendo agora. Como fazem sempre que tragédias como essa acontecem.
Vi em um canal de televisão uma “reportagem” (se é que podemos chamar tal coisa de reportagem) em que perguntavam nas ruas quem as pessoas achavam que havia matado a menina. E em meio a um apelo emocional, que chegava a ser patético, faziam com que certos nomes fossem julgados sem nenhum critério, provas e, principalmente, sem ética alguma. Algo nauseante.
Nesses momentos penso ser verdade o que dizem sobre o sofrimento alheio dar prazer à s pessoas. A imprensa (mesmo a que se diz “séria”) faz de tudo para explorar o assunto, independentemente do que isso possa causar, ou do quanto pode custar - e não digo apenas financeiramente. As pessoas (leitores, espectadores), por sua vez, alimentam essa exploração e formam opiniões precipitadas sobre o caso em questão. Claro que falo de forma genérica. Reconheço que existem pessoas que abominam esse tipo de coisa, mas não é a maioria. E será que, no fundo, não estamos todos propensos a nos satisfazermos com tragédias, especulações, sofrimentos?
O que considero inaceitável é que tornem um caso serÃssimo num show de entretenimento. Não temos esse direito. Também não cabe a nós julgar ou condenar alguém (se nem a própria Justiça fez isso ainda). E é errado, ridÃculo, nojento faltarmos com respeito à famÃlia, ou mesmo aos que não são, mas sentem profundamente que um ser humano seja capaz de uma atitude tão cruel quanto esta: assassinar uma criança indefesa. Não sejamos nós, que nos dizemos cristãos, a fazer isso.






Verdade Sarah….e o pior que a Exploração da dor não é de hoje.
É engraçado como alguns assuntos são levantados para encobrir outros. Alguém se lembra ainda de cartões corporativos? Alguém já ouviu falar sobre a MP 422 que o Lula assinou (dêem uma pesquisada)?
As vezes a mÃdia aborda tanto o assunto, que no dia seguinte ao acontecimento, muitos já estão saturados!
A imprensa sabe que esses casos dão audiência devido ao alto grau de apelo e comoção que geram nas pessoas e aà vira esse circo que a gente tem visto.Culpa da mÃdia que explora e não das pessoas que se comovem.Depois a imprensa não gosta de ser chamada de imprensa marrom..fica aquela monte de jornalista esticando, e repetindo as mesmas informações toda hora como se fossem novidades.Isso quando não entrevistam o vizinho do primo da cunhada que ouviu alguém gritar, enfim, esses truques de “encher linguiça” pra ter audiência.NotÃcia virou questão de mercado e exploração, infelzimente.
Escrevi “infelizmente errado” rs..eu me lembrei de um filme antigo (1951) muito bom que trata exatamente disso tudo que a gente falou que é o “A montanha dos sete abutres” o nome é meio feio, mas o filme ótimo.Pra quem ainda ainda não viu ter uma idéia do filme:
A montanha dos sete abutres
Por Clayton Haviaras Wosgrau
A Montanha dos Sete Abutres, filme dirigido em 1951 pelo austrÃaco Billy Wilder (O Pecado Mora ao Lado, Farrapo Humano), é uma cruel alegoria sobre o mundo jornalÃstico e suas implicações nas vidas de quem, de uma hora para outra, se vê envolvido por ele. Kirk Douglas vive Chuck Tatum, repórter pouco preocupado com as questões étiÂcas que cercam sua profissão e que, para sobreviver, acaba trabalhando num pequeno jornal de uma cidade no interior do Novo México. Passa um ano recebendo migalhas, a espera de uma oportunidade para voltar à grande imprensa.
E ela chega. Leo Minosa, homem simplório dono de um posto de gasolina, fica preso na caverna da “montanha dos sete abutres”, que servira de tumba a antepassados indÃgenas. A partir daÃ, com um olho na montanha e outro no prêmio Pulitzer, Tatum arma um verdadeiro circo ao redor do fato, chantageÂando autoridades locais e retardando em seis dias um resgate que poderia ser feito em poucas horas.
Em certo momento do filme, Tatum diz ao fotógrafo iniciante que o acomÂpanha: “Não faço as coisas acontecerem, só escrevo”. Ao contrário disso, A Montanha dos Sete Abutres é um belo exemplo de como acontece a produção de fatos na prática jornalÃstica e de como se cria uma situação capaz de germinar uma sucessão de notÃcias. Quando Tatum chantageia o xerife, que por sua vez chantaÂgeia o engenheiro responsável pelo resgate para que use o método mais demorado no salvamento de Leo, está, simplesmente, pensando no rendimento de sua históÂria. Utilizando-se do pequeno jornal em que escreve, Tatum controla e envolve desde a inescrupulosa mulher de Leo - a quem convence a não abandonar o marido soterrado - até o xerife ambicioso preocupado com a reeleiÂção.
A Montanha dos Sete Abutres é também um bom exemplo de como o público pode reagir frente a situações de extrema comoção, especialmente quando veiculadas à exaustão pela mÃdia. À medida em que o fato ganhava importância, mais as pessoas se aglomeravam ao redor da montanha nos dias subseqüentes. Com isso, Billy Wilder percebe o processo de aproximação do público em relação à celebridade - no caso o homem preso na caverna. Todos se sentem amigos de Leo Minosa, apesar de o conhecerem apenas por uma foto de jornal. O marketing e o comércio, que invarialmente surgem nessas horas, é outro asÂpecto muito bem apanhado pelo filme: um parque de diversões se instala ao redor da montanha.
Enfim, A Montanha dos Sete Abutres, além de precioso estudo sobre o comportamento do universo jornalÃstico, é um filme de narrativa tipicamente hollywoodiana, ajudado ainda por uma impecável atuação de Kirk Douglas e que, ainda hoje, permanece atual.
Hana, eu concordo que a maior culpada é a mÃdia. Mas as pessoas gostam de assistir coisas assim. Elas poderiam não fazer isso. Se a imprensa continua é pq há quem alimente. Por isso falei sobre isso das pessoas sentirem prazer no sofrimento dos outros.
Parece interessante esse filme, não assisti não, mas vou botar na minha listinha.
É, Sarah, você tem toda a razão…
Lembrei de uma coisa que não tem muito a ver com isso… Na People & Arts tem um programa sobre acidentes com pessoas, e acho que até passava na Record. Então, a propaganda desse programa era +/- assim: “É comprovado que homens e mulheres sentem prazer na desgraça alheia, então assista esse show…”
E é isso mesmo que acontece. As pessoas não querem saber do sofrimento dos envolvidos, elas querem é se entreter com a situação, que acaba virando uma historinha de livro, como se nada fosse real.
Eu não discordei de vc Sarah, só disse que a maior culpada, não a única, mas a maior culpada é a imprensa. Eu acho que a maioria das pessoas está comovida com a morte da menina, ou seja, não assiste por “prazer diabólico” pelo sofrimento dos outros.E cabe à imprensa não explorar essa comoção.Entre imprensa e público, o lado que não deveria ser sensacionalista ou levado por emoção justamente deveria ser a imprensa,o lado que deveria ser profissional e neutro.O público não é racional nessa hora, é mais emoção e comoção mesmo.Mas eu não nego que tem gente que sente prazer com o sofrimento alheio, só que tem gente que explora isso o que eu acho pior ainda.
Assiste sim, esse é um filme muito bom.Mostra tb esse lado do prazer no sofrimento dos outros, assim como o da exploração.
Eu acho q este tipo de coisa deve sim ser explorado. Isto vem mostrar como a raça humana está decadente e sem Deus! Todos comentam sobre o caso e ficam assustados. Estamos realmente nos últimos dias!!!
mas eu tb ñ discordei de vc, rs. e concordo quando diz que a imprensa explora a comoção do público tb. mas é uma coisa: o povo fica tão “comovido” pq vê a imprensa falar. a imprensa fala pra comover o povo. no fim, vira show. infelizmente.
é, livinha, eu já vi essa propaganda. e acho uma perda de tempo exibir programas como esse.
mas é uma comoção hipocrita…
tem um texto de uma sociologa mto legal sobre isso..
mas eu n lembro o nome do texto, nem da sociologa haha
ela fala q a midia é usada em favor do Estado, p causar uma sensação de panico nas pessoas, fazer com q elas sintam q precisam de proteção. Entao, esses programas exaltam a atuação da policia e do Estado, p q o povo pense q “justiça”esta sendo feita. Para q se sintam seguras e n se rebelem.. a midia acaba sendo um instrumento de controle das massas…
e o q acaba se mostrando verdade… a policia acaba sim virando mocinho da historia.. qdo na verdade é tdo uma estrategia p anestesiar a consciencia do povão..
é tanto q de tempos em tempos surgem casos como esse..
n é por acaso.. coisas assim acontecem tdos os dias, mas n são publicadas.. e até piores..
vou procurar o texto..
com certeza vc, Sarah, vai mto sobre isso! =)
(sociologia rlz! heheh)
Concordo de novo Sarah, a imprensa tb fabrica muito dessa comoção, na verdade eles colocam mais lenha na fogueira.Comentando o que a kessia falou, bom, eu não sou o tipo que acredita na bondade da humanidade, mas eu não acho que seja uma comoção hipócrita, de todo, a não ser se estivermos falando da imprensa.Parece até que esses apresentadores que esbravejam na tv, perdem o sono por causa da morte da menina.Eles são pagos e treinados pra explorar comoção.Já as pessoas, eu acho que estão um pouco mais isentas dessa hipocrisia, na minha opinião.Muitos são pais, e até eu quem não é se choca com a idéia de alguém, talvez o próprio pai, fazer isso com a filha.Nas pessoas comuns, esse tipo de caso desperta ou traz à tona sentimentos que raiva, indignação, mas de solidariedade e comoção tb.Sacode um pouco os sentimentos, bons e ruins das pessoas.
Nossa gurÃaa!!
Hoje de manhã o jornalista Boechá [ não é assim que escreve… HA HA HA HA ] fazia um comentário na rádio Band News sobre esse assunto.
Achei muito bacana ele da ala de jornalismo criticar a falta de respeito do delegado em falar coisas que não estão comprovadas e dos jornalista de não apurarem as fontes e informações fornecidas pela polÃcia.
O pior é que os laudos da perÃcia estão comprovando que o pai não teve culpa no assassinato da criança..
Imagina só se a imprensa estiver errada de condenar o cara?
Vai ser a mesma história a Escola Base.
A imprensa pede desculpas pelo erro mas esquece que para reconstruir uma reputação é mais complicado do que pedir um simples perdão!
uma coisa é comentar, outra é usar do pdoer que a midia possui para julgar sem provas terceiros. se alguem viu as perguntas que fizeram pra mae da menina por tel na globo vai ver como eles tentaram de tudo tirar uma afirmação da mulher que o ex ou a madrastra eram ruins pra menina ou se ela reclamou de algum deles anteriormente. acha que é curiosidade? claro que nao, se fosse assim eles nao mostrariam diversas vezes a imagem do pai e enfatizariam tanto o fato dele nao estar chorando e conversando sem dar showzinho na rua depois que a filha morreu.
a midia (e isso inclui principalmente os jornais impressos) sempre escrveem as materias foraçando detonar alguem ou fazer de alguem um santo. isso depende da vontade do reporter ou do dono do jornal, imparcialidade ali nunca existiu, no curso de comunicação os professores contam as historias que grandes jornalistas passaram ou eles msm sobre chefe mandar falar bem ou mal de determinada pessoa ou assunto. os alunos depois do primeiro estagio ficam completamente desanimados quando veem que essa é uam verdade. Vc nao vai escrever pra ser pago, é pago pra escrever, o que eles desejam um mero digitador e nada mais.
Imparcialidade acaba ficando em cada um que le e busca nao filtrar todos os comentarios e tentar ver o que ali escrito tem prova ou nao, em quais partes deve-se tirar o pensamento de quem escreveu e lembrar sempre que vc pode pensar e tirar conclusoes por si só e nao aceitar tudo que escrevem e falam por ai.
eu acho q ando sem coração..
nda mais me choca ultimamente….
hana, qto ao q vc falou (”Nas pessoas comuns, esse tipo de caso desperta ou traz à tona sentimentos que raiva, indignação, mas de solidariedade e comoção tb.Sacode um pouco os sentimentos, bons e ruins das pessoas.”) , é justamente esse o proposito da midia.. causar esse tipo de reação, e ao mesmo tempo a sensação q precisamos de proteção.. entram aà os mocinhos: a policia.. afinal, qm é legitimado p fazer justiça?
repito, coisas piores do q essas acontecem tdo santo dia…
Com certeza, deliriousgirl.Por isso que eu disse que o lado mais culpado é o que se aproveita dessa reação das pessoas pra promover seus interesses.Não creio que o público que dá “ibope” seja tão coitado assim, mas como eu disse a mÃdia é pior porque se aproveita dos sentimentos e reações de todos.Seja a curiosidade, a comoção, a raiva etc.
De fato, tem coisa pior acontecendo sim, mas a mÃdia precisa eleger as suas “celebridades” e seus mocinhos e bandidos a cada temporada.Agora é Isabella, antes era aquela menina torturada pela empresária, a Lucélia.Só dava esse caso de goiânia antes do da Isabella Nardoni.Semana que vem será outra..
O ser humando sofre de Complexo de Urubu. Porque quando tem um acidente sempre junta mais gente pra olhar e atrapalhar do que pra ajudar?
Oi, Sarah!
Desde a antiguidade, existem muitas teorias filosóficas sobre o que seja justiça, sem que ninguém tenha chegado a uma conclusão definitiva, e a de Nietzche é a que eu acho que mais se adapta a esses casos em que a mÃdia explora a curiosidade mórbida das pessoas sobre os crimes. Na sua “Genealogia da Moral”, Nietzche fala que a inveja é a grande força propulsora do sentimento de justiça do ser humano. Assim, por exemplo, se o meu vizinho comete um crime, eu o denuncio não propriamente por um desejo de que a justiça seja feita, mas por inveja, porque eu não quero que a ele seja permitido o que para mim é proibido (matar, roubar, etc.). Assim funcionaria com todos os seres humanos. Travestimos de “justiça” o que é, na verdade, “inveja”. Digo isto porque me parece que a mÃdia explora esse sentimento mórbido que as pessoas têm. Boa parte delas gostaria de jogar alguém (parente, amigo, conhecido) pela janela, mas o instinto moral impede. Então, elas não se conformam quando algum louco faz isso de verdade, e, mesmo que não existam provas contra aquele que foi preso pela polÃcia, as pessoas dão vazão a esses seus instintos, digamos, mais baixos. Quanto aos crimes cometidos contra as crianças, eu escrevi um pequeno texto no meu blog, dá uma lida lá depois:
http://ocontornodasombra.blogspot.com/2008/04/o-ano-de-herodes.html
E que Deus nos proteja dos muitos Herodes deste mundo.
marlon: a melhor forma de mostrar como o ser humano está decadente é explorando os outros. seu modo de ver soa muito incoerente.
kessia: se vc achar o texto, manda pra mim depois? e isso é verdade sim. “mocinhos” e “bandidos” são produzidos pela mÃdia. e aà eu concordo com a luciana: a imparcialidade vai ter que estar em quem lê, assiste, ouve… pq eles não estão interessados na verdade em si, mas na verdade que querem mostrar.
hana: totalmente de acordo.
daniel: é verdade! Complexo de Urubu é um bom nome… rs. lembrando que nesse caso, o urubu tb consome o outro. “a carne podre”…
q macabro sarah!!1 rsrs
mas gostei.. complexo de urubu foi boa…
Acho q de tanto ver esses casos chocantes, isso já não me comove, agente acostuma, não q isso seja bom, a sensação que dá é que isso só ocorre na televisão, num prédio em são paulo ou com uma garotinha inglesa em Portugal, não parece muito real, apesar de saber q é(ou não)
A mÃdia de hoje fede!
atlas, obrigada por seu comentário! eu ñ conhecia essa visão de nietzche. realmente faz muito sentido e se encaixa totalmente nos casos atuais. vou passar no blog, com certeza.
=)
Audiência gera dinheiro, sensacionalismo é o de menos.
:/