Perdão?

Por rap em 26 maio 2008 na categoria Espiritual

“Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: ‘Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra.’ E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelo mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. (…) então lhe disse Jesus: ‘Nem eu tampouco te condeno; vai, e não peques mais.’”.
Jo 8:1-11

O perdão é a conseqüência prática mais expressiva do amor, pode ser comprovada através do grande amor de Deus para conosco nos dando perdão pela fé no sangue de Cristo. Isso pode soar meio clichê para os que estão acostumados a seguir ou ver rituais sem sentido algum sendo praticados diuturnamente por cristãos. No entanto, a observação de tal reação (perdão) advinda da ação (amor) deve ser destacada, colocada em voga pelo fato da sociedade atual considerar o ódio, a repulsa e principalmente a indiferença como sentimentos normais, feitos sem remorso algum.

A passagem bíblica supracitada é extremamente interessante, a observação deve ser feita no sentido de tentarmos entender que não foi somente o fato de todos terem pecado que não tiveram autoridade para condenarem outra pecadora, afinal de contas, Jesus nunca pecou, Ele poderia ter lançado a pedra. O amor vai além de não julgar, ele chega a algo mais profundo: o perdão.

E se essa situação tivesse atingido algum dos que ali estavam? Ela ainda seria digna de perdão? O perdão é algo que depende da outra pessoa ou unicamente daquele que é atingido? Existem condições para que você diga: ‘agora sim, pode ir, depois de fazer tudo que te disse, você terá meu perdão’? Entendamos que, na realidade o único “atingido” nesse caso foi o próprio Deus, afinal ela tinha pecado contra Ele, e nem o próprio Cristo se achou no direito de levantar a pedra para atingi-la.

Ao vermos o significado do perdão no cristianismo ficamos meio abismados. Quem em sua humanidade será capaz de perdoar setenta vezes sete? Apesar de nossos esforços, não conseguimos fazer tal maravilha, saibamos que há perdão também para isso. Cristãos não são perfeitos, seguimos para a perfeição com erros que são perdoados ao longo do caminho. Pecado, santidade e amor são palavras presentes na boca de qualquer indivíduo dito cristão porém, a prática do verdadeiro cristianismo se manifesta em grande parte pelo perdão.

Há um certo paradoxo bíblico que deve ser explanado. Em Mt 5:20 é-nos dito por Jesus: ‘Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.’ não seria essa uma dura palavra a se carregar? Como ficam suas palavras em Mt 11:30 ‘porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve’? Aparentemente temos uma contradição, como podemos seguir uma lei extremamente difícil e a considerarmos suave e leve? Esse paradoxo pode ser bem entendido se consultarmos nossos corações quando perdoamos alguém. Ação arduosa a de se perdoar sem condições, não podemos negar esse fato. Há de se convir entretanto que Cristo assim fez para conosco. Se não o imitarmos seremos como o servo do rei na parábola descrita em Mt 18:21-35. Nessa passagem Pedro se aproxima de Cristo e pergunta quantas vezes deveria perdoar um homem. O primeiro número é de sete vezes, pensando ele que isso era um número excepcional já que, pela tradição judaica o número era três. A surpreendente resposta de setenta vezes sete vêm acompanhada de um relato metafórico: de um servo que tinha uma dívida com um rei, uma enorme dívida, não podendo pagar suplica por paciência até que ele quitasse a dívida. O rei compadecido pela situação não ouve o pedido de mais tempo e faz mais, o perdoa de tudo. O servo ao sair contente daquele situação encontra-se com um empregado que lhe devia, uma quantia irrisória por sinal, e o lança na prisão até que a dívida fosse perdoada.

A semelhança proposital nos faz pensar: fomos perdoados de tão grande condenação, nossa dívida com o pecado e a morte foi paga a preço de sangue e quando alguém nos magoa, chateia, prejudica a única coisa que sabemos fazer é atirar a primeira pedra. Jogamos a pessoa numa prisão de indiferença. É fácil ver que a filosofia cristã é “correta”, o difícil é aceitar essa filosofia.

Ao nos depararmos com essa passagem bíblica a única reflexão que vem a mente é: Perdão? Aonde?

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9 Comments

  • mto bom mesmo..
    passei esse fds com essa passagem de João na cabeça.. até comentei com uma amiga…
    essa questao de Jesus n ter atirado a pedra fala mto comigo.

    Pelas situações q eu tenho vivenciado, percebo q a única coisa q nos impede de perdoar, e de receber o perdão, somos nós mesmos. Ainda n descobri qual a razão de o orgulho, o ego, nosso “eu” serem tão fortes..
    Seria tão mais fácil se apenas abríssemos mão de tudo isso, e nos entregassemos à libertação verdadeira q o amor, o perdão, a Verdade trazem..

    p perdoar é necessario q morramos p nós mesmos.. mas acima de tudo, crer q antes, p q fossemos perdoados, há alguem q já morreu por nós…

  • rs… é irônico e é verdade, um comentário que vc fez no texto: o perdão soa até sem sentido, quando todas as outras atitudes que deveríamos ter como cristãos não são praticadas. “sejamos imitadores de Cristo”. e Ele perdoou. não só a ela, mas a tantos outros, a nós… uma coisa que me chama a atenção, quando nas passagens mostra Cristo curando uma debilidade física, ele tb libera perdão. =)

  • Essa cobrança, essa exaltação ao perdão sem condições é algo cruel em muitos sentidos. É injusto com o lado que foi ofendido porque livra de qualquer responsabilidade o lado ofensor. A culpa passa a ser toda daquele que não perdoa quem não está nem aí se ofendeu ou não, e não daquele que peca e nem se importa com o que fez ao próximo ou a Deus. Invertem totalmente a ordem de culpa.

    O perdão é um ato que necessariamente envolve dois lados: quem ofende e quem é ofendido; aquele que precisa dar e aquele que precisa receber o perdão. O arrependimento deve mover o ofensor em direção a ofendido que por sua vez tem todas as condições e motivos pra perdoar aquele se mostra consciente e arrependido do mal que fez.

    A questão problemática em relação ao perdão é a de acharmos e dizermos que ele é incondicional. Eu discordo da idéia de que não há condições para darmos ou recebermos o perdão porque para sermos perdoados tivemos que nos arrepender de nossas ofensas cometidas contra Deus, ou não? Como que alguém alheio ao seu erro e à ofensa que cometeu contra Deus e/ou contra ao próximo pode querer, pedir, receber e sentir o alívio, a alegria e a gratidão de ser perdoado? Logo, outra idéia da qual discordo é a de que Deus é o único a ser atingido com nossos pecados e erros. Ele não é o único. Não é isso que vemos nos textos bíblicos.

  • hana… acho q o perdão de Deus é incondicional pq Seu amor é incondicional. Jesus morreu na cruz p perdao dos nossos pecados. Queiramos ou n, aceitemos ou n, a parte Dele já foi feita. Ele já nos perdoou sem esperar nada de nós… nós é q condicionamos o perdão. Ele n…

  • Hana, arrependimento nada mais é do que consciência de nossos pecados, só toma consciência dos pecados ou se arrepende aquele que necessariamente acredita na morte de Cristo, isso não é condição, é lógica.

  • O perdão de Deus está disponível por meio do sacrifício de Cristo, pra quem quiser receber, mas só consegue receber na prática quem se arrepende então além de ser lógico podemos concluir que o arrependimento é uma condição pra ocorrer o perdão não? Do mesmo modo que pra usar esse computador e aproveitar tudo o que pode fazer por mim, eu preciso que haja energia elétrica. Tem gente que continua morta em seus pecados e suas ofensas contra Deus porque rejeita o perdão que Deus está oferecendo ou acha que não fez nada de precisasse ser perdoado. Podemos afirmar que ainda que não queiram, ou saibam essas pessoas serão perdoadas, salvas e reconciliadas com Deus sem que tenham participação nesse processo, já que perdão é algo unilateral? Foi essa a impressão que tive quando li o texto.

  • Shakespeare já dizia que “errar é humano, perdoar, é divino” e é divino pq as vezes é divino.

    Devemos perdoar? Sim, mas acima de tudo, devemos ser sinceros nesse perdão. Perdoar e ainda ter raiva de outrém ou saber que a dor ainda está pungente, é tão falso quanto comprar o perdão.

    Jesus tbm nos disse que se algo nos faz pecar devemos nos afastar. Acredito que ele disse isso porque no momento que não pecamos ou machucamos como antes, pode cicatrizar as feridas que foram abertas pelas pessoas, e assim, termos capacidade de liberar um persão puro e verdadeiro.

  • hana, você está certa. o perdão bíblico envolve o arrependimento.

  • E vivi (acho que a situação ainda não terminou0 com um conhecido. A princípio ele me pareceu um amigo, mas me deu prejuízos muito sérios. Mas, apesar de nunca mais querer saber dele ou dos seus negócios, sei que eu preciso disponibilizar meu perdão, mesmo que ele não demostre arrependimento…

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