Nossa versão da Guerra Fria
Por Hana em 5 março 2008 na categoria Opinião
Outro dia eu estava, confesso, bem atrasada a caminho de uma igreja que tenho visitado faz alguns meses.O trânsito estava lento e enquanto bem devagar o carro percorria a avenida na qual a igreja se situa, aliás, onde muitas outras igrejas se situam, eu pude ver várias igrejas evangélicas, uma ao lado da outra com meia dúzia de crentes cada uma.Lembrei que há tempos eu tinha a curiosidade de contar quantas igrejas evangélicas existiam naquele trecho da avenida.Depois das igrejas evangélicas, somente os bares parecem concorrer uns contra os outros ali.Muita gente acha ótimo que existam tantas igrejas evangélicas ao ponto delas esbarrarem –se umas nas outras, mas eu acho que a existência de tantas igrejas concorrentes prova a grande desunião e segmentação que há entre os cristãos atuais.Naquele dia, ao observar pequenos grupos de crentes cada um no seu espaço sob os rótulos e placas de tantas denominações eu constatei como a gente é incapaz de se unir em prol do que é importante, e bem rápidos em nos dividirmos por coisas menos importantes.Os cristãos agora não se unem apenas porque são cristãos.Os cristãos de hoje têm se dividido e posteriormente se reunido como igreja em função de costumes, preferências e interesses pessoais, entre outras coisas.
Hoje os cristãos são tentados a ver os outros como seus concorrentes quando percebem que outra denominação se instalou do outro lado da rua. Eu tenho a impressão de que uma verdadeira “guerra fria” está ocorrendo entre nós.Oficialmente todos somos irmãos em Cristo, e o discurso é o mais politicamente correto possível, mas nos bastidores ficamos sabendo de coisas como boicotes e rivalidades entre as igrejas. Cada uma tenta fazer um templo mais bonito que a outra e a mídia é usada pra promoção pessoal de líderes e interesses de igrejas em vez de se promover a pessoa e obra de Jesus Cristo.
Se existia um lugar na cidade que não precisava de mais uma igreja era aquela avenida.O último espaço disponível para locação no trecho foi alugado recentemente por outra igreja evangélica para abrigar mais um punhado de cristãos.Enquanto a concorrência pelos melhores lugares e imóveis da cidade continua, sobram lugares carentes nos quais essas igrejas poderiam se instalar caso o interesse fosse beneficiar e alcançar essas comunidades.
Quando a abertura de mais uma igreja se torna tão útil e significativa para o mundo quanto a abertura de mais um shopping na esquina é hora de se refletir seriamente sobre os motivos que deveriam nos levar a abrir uma igreja e qual é o plano que Deus tem para esta na comunidade local e no mundo.Tenho certeza que a concorrência, a desunião e a luta de interesses pessoais estão fora desse plano.



Lembro quando falavamos sobre isso ha poucos dias. Eu ja contei as igrejas que passo antes da minha (que é pertissimo da minha casa) mas terei que contar de novo pq ja apareceu outra (na verdade estava escondida entre os predios) e acho que ja abriram mais uma tbm.
Fico meio chocada em ver tantas igrejas, todas tao pequenas e com tao pouca gente, me pergunto pq nao se unem e ficam em um unico lugar, uma unica igreja, uma congregação só. Nao consigo entender pq as pessoas vao na da ponta da rua e outros na outra que fica ha tres casas, ou entao na que está na ao lado da msm.
O que me assusta mais é que ano apos ano vejo que elas nao crescem, ou saem dali do nada, dao lugar a outra. Somente duas vi prosperarem: a que frequento e outra proxima, que literalmente começou no meio da rua, somente no lote, onde o pessoal sentava com o céu de teto e a cerca de parede e hj se levantou e depois derrubou pra aumentar ainda mais.
Outras permanecem, no mesmo local, crescem pouco, mas se firmam, e outro tanto vem e vai como o vento. Se estivessem unidas poderiam fazer muito mais.
Exatamente o que penso Luciana. Quando vejo tantas portas de igrejas abertas tão próximas umas das outras e com um número tão pequeno de gente fico pensando por que essas igrejas não se unem. Unidas com certeza elas poderiam fazer muito mais. Além de ir nessa, eu vou numa outra num bairro aqui próximo, e no domingo eu fiquei surpresa quando vi que uma igreja foi aberta a poucos metros dessa.Como sempre aquele salão pequeno com meia dúzia de gente..e assim as igrejas ficam cada uma apegada ao seus estatutos, sua convenção e sua denominação..
É uma realidade aqui em BH tmb. Muitas igrejas em tão pouco espaço, as tais diferenças só aumentando.
Tmb nao concordo, na minha opinião esse numero deveria ser reduzido, nao por lei ou obra do governo, mas pela essencia do cristianismo mesmo.
Mas pelo jeito será a primeira alternativa mesmo, o governo deve começar a dificultar essa abertura de novas igrejas.
Eu tmb pergunto qual o motivo para se abrir uma nova igreja?
Enquanto o termo “igreja” for utilizado como sinônimo de um espaço físico onde as pessoas se reúnem, continuaremos tendo essa guerra fria. Enquanto cada igreja tiver seu próprio projeto social, continuaremos essa guerra fria. Enquanto a conveniência der lugar a consciência, continuaremos…
A utilidade de abertura de mais uma igreja em grandes centros é tão importante quanto a abertura de mais uma boca de fumo…
O ópio do povo está sendo injetado em doses cada vez mais fortes…
O que deveria ser usado em favor da comunidade (podemos dizer isso como sendo tb o papel da igreja), acaba causando mais problemas. Pq divisões causam problemas, principalmente neste caso, já que tais cristãos, juntos, poderiam tomar alguma atitude, enquanto se separam nesse joguinho de ver quem é melhor. Lamentável, não há outra expressão que defina…
(saudade de falar com vc, hana! rs.)
inté!
Oi, Hana, não sei onde você mora, mas aqui no Rio é assim também. Um pouco menos do que BH, mas tem muita igreja também. Eu acho uma pena, mas acredito que podemos e estamos fazendo alguma diferença já. Conheço várias pessoas de denominações diferentes tanto aqui no meio virtual quanto no “real” que se unem em prol de sua filiação em Cristo. Sem placas, sem nomes, em amor.
É o amor que derruba as barreiras. Só ele!
Amemo-nos uns aos outros, porque aquele que ama é nascido de Deus.
Abraços.
Eu achava que a quantidade de denominações serviriam para que as pessoas pudessem encontrar a melhor forma de congegar. Mas essa guerra fria entre denominações reflete mesmo a falta de competência das “autoridades” religiosas em aprender as doutrinas bíblicas.
Muita gente abre novas igrejas para não ter mais que se submeter a um pastor, querem ser pastores de si mesmos, e aumentam suas igrejas com pessoas de outras, ao invés de cumprirem o “IDE” de Jesus.
A sogra da minha irmã teve uma idéia inusitada, mandou todos seus filhos, que são 16, saírem das igrejas que congregam, e agora ela vai abrir uma igreja só para a família.
melhor que a que vi ontem, tinha uma pessoa sentada pra ouvir o culto, sendo que tem outras duas bem ao lado :/
É gente..concordo com vocês.Tantos pontos foram mencionados que nem sei por onde começo.Todos nós temos essa guerra fria acontecendo nas nossas cidades.Priscila, eu moro em Nova Friburgo, uma cidade pequena se comparada ao Rio e eu posso imaginar como deve estar guerra fria aí rs..e eu espero jkss que a intervenção do governo não seja a única solução pra isso.
O aspecto abordado pelo Leone é vital porque a falta de compreensão do que é ser igreja é um dos motores dessa guerra.Já o rap radicalizou rs, mas é a realidade.Sarah, hoje eu penso que talvez o papel mais importante da igreja é ser relevante na comunidade em que ela está, o que é raro acontecer.( tb to com saudade de vc menina, tá sumida rs).
Marcelo, vc tocou num ponto importante, mas a realidade é que temos muitas portas e poucas opções pra congregar.Nem útil esse tanto de igreja é.E migacris, é o que mais tem mesmo.O povo abre igreja pra ter o poder sobre si e sobre a vida de outros.Eu gostei da idéia da sogra da sua irmã..nesse caso tá valendo abrir mais uma igreja rs.