Maternidade: Dá Licença?

Por Luciana em 15 setembro 2008 na categoria Opinião

O presidente Lula aprovou a lei que prorroga a licença maternidade opcional em 2 meses. Agora, algumas mães poderão tomar conta em tempo integral de seus bebês por 6 meses, que serão muito longos para os respectivos chefes e muito curtos para se afastar de casa e deixar o filho por conta da babá ou da tia da escolinha. Mesmo não sendo mãe, eu imagino como isso deve ser delicado. E imagino mesmo porque moro em cima de uma creche e já presenciei muitas despedidas regadas a lágrimas. É de cortar o coração.

O fato é que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, inovador e competitivo, e esse benefício do governo pode emperrar diversas portas que vêm sendo abertas por nós, mulheres, com muito esforço no decorrer das últimas décadas. Porque mesmo mostrando um nível de escolaridade e capacitação mais elevado do que os nossos colegas de cuecas, ainda ganhamos menos e somos preteridas para assumir determinados cargos em diversos setores. Imagine ficarmos afastadas durante metade do ano com o pau quebrando, reuniões sendo feitas, mudanças na economia, clientes importantes saindo e entrando, a corda passando de pescoço em pescoço e o empregador ainda ter despesas com essa ausência. Claro que isso se aplica a mulherada que precisa mostrar serviço para se manter no emprego.

Já que os médicos afirmaram que o tempo perfeito para amamentação é de 6 meses, por que não tirar as férias para passar o 5º mês em casa e combinar do pai planejar as férias para passar o 6º mês trocando as fraldas e dando o leite retirado pela mãe? Eu não sou feminista e isso não é discurso de quem gosta de queimar sutiã, mas eu fico injuriada quando só a mãe assume a responsabilidade de cuidar do filho. E se teve a criança sozinha, tenho certeza de que é, ou virou, uma mulher mais forte e sabe dar ainda mais valor ao emprego que tem. Ela vai reconhecer a importância de manter o trabalho hoje para construir o futuro da família que acabou de aumentar.

E tem um outro ponto. A Patrícia Saboya, senadora responsável pelo projeto, justificou que o impacto nos cofres públicos dessa nova medida, será recompensado pela redução de doenças na infância graças a uma melhor alimentação. Esse raciocínio só não vale para os filhos das empregadas domésticas e pelas funcionárias de empresas de micro, pequeno e médio porte, já que não serão contemplados com o benefício. Ou seja, no caso das domésticas, que ganham em média 1 salário mínimo e estão entre as que mais precisam do SUS, a criança vai continuar “gastando” os recursos do país. Essa lei não deveria ser ao contrário, então? Privilegiar a classe mais pobre, que é carente de saúde, e vive passando perrengue nos corredores dos hospitais? Para variar, outra lei que pode causar mais confusão do que solução.

Extraído do blog: dez dedinhos.

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19 Comments

  • concordo plenamentedeve-sesim ter um tepo longo como esse..

  • Concordo com você. Essa lei devia ser ao contrário!
    E essa coisa de lei que causa confusão já estou craque! Desde que mudou aquele esquema nas escolas de Série para Ano, só para se adequar a o padrão Europeu, eu realmente não sei nem mais em qual série estou!
    xP

    Abraços!
    http://blogataverna.blogspot.com/

  • Não acho que seja tão injusto assim o lance com as mulheres de elas cuidarem dos filhos, a menos que algumas se sintam ofendidas, isso vai de um comum acordo entre o casal, antes de realizar o ato né.
    E enquanto o governo, eu sinto que isso é mais uma daquelas leis que eles fazem nada pelo povo, pq os dois meses tirados dessa minoria serão para render impostos que tais empresas devem ao governo - segundo o jornal - resumindo… Sorte dos que não foram pegos pela malandragem do gorveno.

  • As mulheres que tem emprego não são pribidisas de ter filhos, mas ela considera isso muito importante e acho que uma liceça materniade pode lhe custar o desemprego, deveria pensar melhor antes de ter um filho.

  • Quem não vai gostar nada.. nada dessa nova lei são os patrões..
    Sem contar será que tb as mães não vão correr o risco de quando voltar se despedidas..

    A minha irmã quando ganhou nenem e voltou a trabalhar, logo no primeiro dia, nem chegou a sentar na mesa dela .. foi logo pra sala do chefe pegar a carta de demissão..

    abç..

  • Concordo em grau numero e genero

  • caramba….é o cumulo da cara de pau rosangela…mas pir que rola muito disso msm.

    em varias entrevistas de emprego ja percebi como ali msm ja somos marginalizadas, homem fazem duas perguntas, pra mulher um milhao: é casada, tem filho? pretende casar? quem fica com o filho? precisa manter….e por ai vai…no final os homens costuamm ser mais chamados que mulheres e nao da pra negar que seja por isso.

  • Maternidade é uma coisa delicada. mas ao mesmo tempo que há mais mães no mercado de trabalho, a geração de mulheres que optam por não ter um filho tambem aumenta.

    http://ilude.blogspot.com/

  • Complicado..vamos torcer pra essa lei não surtir o efeito contrário e em vez de facilitar a vida da mulher, acabe é complicando ainda mais.

  • Muito bacana o seu blog, viu… organizadinho e claro.

  • pura besteira viu..mas o brasil é assim..e não merece ser escrito com maiuscula. tudo aqui é desse jeito..é lei pra tudo, é feriado pra tudo..é meu aniversario..ihull..feriado nacional pelo dia do dual?! affff…tanto de nego q ja morreu e td ano vamos comemorar o aniversario de morte deles..fala serio!

  • Isso é muito importante. Nos países do topo em qualidade de vida e desenvolvimento humano, a licença maternidade e a paternidade também são muito maiores e valorizadas para a importantíssima primeira fase de vida.
    Abração

    http://www.eli-receitas.blogspot.com

  • A lei vai beneficiar, inicialmente, as funcionárias públicas. Para as melheres da iniciativa privada, terão que ter a concordância dos patrões e estes poderão abater nos impostos. Que as mulheres são discriminadas em muitas empresas isso é fato. Quanto ao fato das mulheres arcarem sozinhas com a responsabilidade de criar os filhos, isso depende muito de quem é o pai da criança. Meus dois filhos foram e ainda são cuidados por mim e por minha esposa, em partes iguais, sem que essas partes fossem pré-definidas, eu ajudo a fazer tudo para com meus filhos, não porque eu os fiz, mas porque são meus e é um privilêgio poder cuidar deles.

  • Sou mãe de duas filhas pequenas, e só eu sei o quanto foi duro tanto para mim quanto para elas voltar a trabalhar após a licença maternidade, deixando-as com 4 meses em casa e escolinha. Só quem é mãe pode saber o quanto essa nova lei é justa. Se o tempo ideal para a amamentação exclusiva é de 6 meses, porque voltar a trabalhar com 4 meses? Apesar de não poder aproveitar esse novo prazo (”fechamos a fábrica”…), aplaudo de pé essa decisão. Só lamento pela mentalidade dos empregadores nesse sentido, que realmente poderá causar mais danos do que benefícios a essas mães-trabalhadoras. Abraços!

    http://blig.ig.com.br/deixafluir1

  • Olhando o lado bom…
    O fato de pensarem nos filhos e mães em nossa selva de concreto, já é um ato louvavel.

  • Na empresa em que trabalho, 3 mulheres engravidaram, então , tiveram que contratar mais funcionários para cobrir o buraco. Deve ter alguma lei ou norma, que beneficie ambos. Por que parece que existe mulheres que engravidam apenas para passar algum tempo em casa.

  • Vai beneficiar quem já está empregada, numa empresa grande…
    patrões das outras empresas vão restringir 3mais 3ainda 3os 3empregos3.

  • moreiraum, realemnte, somente empresas grandes terao esse beneficio

    meu medo msm é prejudicar todas as mulheres nas micro empresas, que sao maior numero.

  • Olá. Foi com surpresa e satisfação que encontrei meu texto aqui no seu blog. Valeu pelos comentários de todos os tipos. Obrigada tb por colocar a referência de onde veio o texto. E a propósito, gostei do seu blog.
    Abraço.

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