Que cientistas e alguns estudiosos gostam de “desmerecer” a biblia e suas narrativas não é surpresa para ninguém. O último estudo sobre os textos biblicos, alguns estudiosos afirma que os evangelhos e outros livros da biblia podem não ser reais.

Como todo estudo deve ser lido e depois rebatido, segue o texto tirado do G1 para nos inteirarmos das últimas dos céticos do mundo afora.

******

Matéria de Reinaldo José Lopes

Trito-Isaías? Deutero-Zacarias? Epístolas Pastorais? A nomenclatura é complicada, mas se refere a um fato simples e, para as sensibilidades modernas, um tanto embaraçoso: é praticamente certo que os autores presumidos de uma série de livros bíblicos não sejam bem quem eles dizem ser. A chamada pseudoepigrafia, ou seja, o uso de uma identidade mais famosa e antiga para embasar a autoria de um novo texto, é um fenômeno relativamente comum no Antigo e no Novo Testamento.

Basta dizer que o livro do profeta Isaías provavelmente foi escrito por três (ou mais) autores (o Isaías histórico, o Deutero-Isaías e o Trito-Isaías); que cerca de metade das cartas de São Paulo tenham sua origem colocada sob suspeita por estudiosos atuais; e que nenhuma das chamadas cartas de São Pedro, também no Novo Testamento, possa ser atribuída a ele com segurança.

As razões que levaram ao fenômeno da pseudoepigrafia são complexas, e nem sempre justificariam um processo de direitos autorais movido pelos personagens bíblicos originais contra seus “plagiadores”. “A visão de autoria na Antigüidade era muito diferente da nossa”, explica o professor Gelci André Colli, da Faculdade Teológica Batista do Paraná, doutorando em teologia bíblica. Colli estudou um desses casos famosos, o livro de Isaías. “Na verdade, dar continuidade à obra de um profeta muitas vezes ficava nas mãos de seus discípulos e seguidores, que compilavam seus oráculos. Fazer isso era uma forma de honrar o mestre”, diz ele.

Seja entre os antigos israelitas, seja entre os primeiros cristãos, outro fenômeno comum era a necessidade de adequar a mensagem profética ou evangélica original a uma nova realidade e a novos problemas, que o autor original não havia enfrentado em vida. Escrever em nome dele fechava essa brecha entre o passado e o presente e, de quebra, emprestava ao novo escritor a autoridade do mestre falecido, garantindo que as comunidades a quem a mensagem era endereçada prestassem atenção. No caso de alguns livros judaicos que acabaram não entrando no cânon (lista oficial) da Bíblia, surgiu todo um gênero literário nesses moldes, o dos chamados “Testamentos dos Antigos”.

Três Isaías, dois Zacarias?

No caso do livro de Isaías, famoso entre os cristãos por causa das profecias diretamente associadas a Jesus, rabinos medievais já reconheciam ao menos uma grande divisão de estilo e temática entre o capítulo 39 e o 40 da obra como a conhecemos hoje.

“Entre os pergaminhos encontrados nas cavernas de Qumran, perto do mar Morto, temos um manuscrito muito longo e muito famoso de Isaías. E nele há uma lacuna depois do capítulo 39, e uma nova coluna começa no capítulo 40, o que parece sinalizar algum tipo de reconhecimento implícito de que há uma diferença entre essas duas seções”, afirma Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale, nos Estados Unidos. E não é para menos, já que o Isaías histórico viveu por volta do ano 700 a.C., quando descendentes do rei Davi ainda viviam em Jerusalém e governavam Judá, no sul da Palestina – enquanto o autor do capítulo 40, e de vários subseqüentes, fala de uma época em que Jerusalém estava destruída e boa parte de seus moradores vivia exilado na Babilônia, por volta do ano 550 a.C.

Até aí, o profeta não teria sido capaz de prever o que aconteceria 150 anos depois, com inspiração divina? Não é essa a questão, argumenta Colli. “As pessoas têm um entendimento errado sobre o que é o profeta bíblico. Ele não é o sujeito que fecha os olhos e de repente vê, em detalhes, o que vai acontecer dali a centenas de anos. O profeta é aquele que vê o futuro, mas sempre a partir do presente. Ele olha o presente, analisa e indica o que a vontade divina revela”, diz o pesquisador.

Além dos dados de Qumran e do contexto histórico, características literárias também levam os pesquisadores a atribuir a autoria do capítulo 40 e seguintes a um profeta/poeta anônimo convencionalmente conhecido como Deutero-Isaías, ou Segundo Isaías (da palavra grega para “segundo”). “O estilo do Primeiro Isaías é muito mais direto, enquanto a qualidade e a beleza poética das descrições do Deutero-Isaías não têm rival em todo o Antigo Testamento anterior a ele”, exemplifica Colli.

“Também há uma diferença grande entre a prosa da primeira parte do livro e a poesia no capítulo 40. Finalmente, há uma diferença grande entre as mensagens de advertência e julgamento anteriores e as falas do Deutero-Isaías, que só predizem coisas boas para os exilados de Judá”, afirma o especialista. Para Colli, o anônimo Deutero-Isaías provavelmente fazia parte de um círculo de admiradores do Isaías original, os quais compilaram e ampliaram seus oráculos proféticos durante o exílio na Babilônia.

Como se a coisa não fosse suficientemente complicada, muitos estudiosos também enxergam uma mudança igualmente significativa a partir do capítulo 56 e até o fim do livro: esse seria o Trito-Isaías, um profeta que escreve depois da volta dos exilados para a Palestina e tem preocupações bem diferentes. Um fenômeno parecido estaria presente no livro do profeta Zacarias, que misturaria oráculos que vão do século 6 a.C. ao século 4 a.C.

Dois Pedros, vários Paulos?

A situação é ainda mais curiosa no caso das cartas atribuídas aos apóstolos Pedro e Paulo no Novo Testamento, afirma Bart D. Ehrman, pesquisador do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA) e autor do livro “Pedro, Paulo e Maria Madalena”, recém-lançado no Brasil.

O fato é que, fora do cânon da Bíblia, há inúmeros textos atribuídos a Pedro e Paulo (dois Apocalipses, um de cada apóstolo, e até um Evangelho de Pedro) que foram rejeitados como inautênticos pelas comunidades cristãs. No caso da Primeira Carta de Pedro, aceita como canônica, Ehrman afirma que, primeiro, é estranho que ela seja endereçada a comunidades da Ásia Menor (atual Turquia), fundadas e coordenadas originalmente por Paulo, e não por Pedro. Também surpreende o grego elegante e refinado do autor, enquanto o Pedro histórico era um pescador iletrado da Galiléia, que provavelmente só falava aramaico.

“Naturalmente, seria possível que, após a ressurreição de Jesus, Pedro tivesse voltado à escola, aprendido grego, praticado como escrever excelentes textos nessa língua, estudado a fundo a Bíblia em grego e, ainda por cima, escrito uma carta como essa para um grupo de pessoas sobre as quais não há outras notícias de contatos de sua parte. Mas parece improvável”, escreve Ehrman.

Mais fortes ainda são as evidências contra a Segunda Carta de Pedro, que não é mencionada por nenhum outro autor cristão até o século 3 d.C., lida com as dificuldades da demora do retorno de Jesus à Terra (um problema que só teria se tornado agudo para os cristãos da segunda e terceira gerações), fala das cartas de São Paulo como se elas já fossem um texto sagrado (mas todas não estariam circulando ao mesmo tempo, as dele e as de Pedro?) e menciona “os vossos apóstolos”, como se o autor da carta não fosse ele próprio um apóstolo, supostamente.

E, falando das epístolas de Paulo, elas sofrem de um problema parecido, diz Ehrman. Sete das 13 incluídas no Novo Testamento são incontestavelmente dele: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filêmon. O resto, explica o pesquisador, fica sob suspeita por não seguir o estilo literário das cartas incontestáveis, apresentar contradições flagrantes com a teologia paulina nessas cartas e se referir a um contexto histórico que só surgiu depois que Paulo já havia morrido.

O caso mais flagrante é o das chamadas Epístolas Pastorais, supostamente endereçadas pelo apóstolo a seus companheiros Tito e Timóteo, que teriam virado chefes das igrejas de Éfeso, na Ásia Menor, e da ilha de Creta. Para começar, o autor das Epístolas Pastorais pressupõe que seus destinatários trabalham em igrejas bem-organizadas, servidas por diáconos, ministradas por presbíteros (“ancestrais” dos modernos padres) e chefiadas por bispos. Acontece que, na época do Paulo histórico, tudo indica que essa organização ainda não havia emergido.

Coisa parecida se dá em relação ao papel das mulheres nessas igrejas. Ao que tudo indica, o Paulo original não via problemas com a participação direta das mulheres nas celebrações cristãs, profetizando e tomando a palavra para pregar. Já seus sucessores das Epístolas Pastorais proíbem terminantemente as cristãs de ocupar qualquer cargo de relevo na comunidade.

Leia mais:

15 Comments

  • Muita gente gosta mesmo de inventar história.
    isso é coisade qem não tem o que fazer.

  • a bíblia e outros textos reigiosos são sempre muito atacados, mas, o fato é que as pessoas que acreditam nos escritos não seimportam com as contestações

  • como sempre…querem descobrir que a biblia é falsa…

    vão continuar tentando por todo o sempre xD

  • muito bom esse texto
    parabens

  • muito bom seu blog

  • Não acho que isso deva ser encarado como um desmerecimento a bíblia. Os cientistas estão aí para provar ou não o que existe. Se bem que religiosidade e cientistas nunca se deram muito bem. Mas para ser sincera, também não acredito em muitas coisas que há na bíblia.
    http://maynabuco.blogspot.com

  • Não sei se dá para acreditar em todas as pesquisas por aí.
    Mas também não dá para acreditar fielmente na Igreja.

    Depende da fé para saber se é verdade ou não.
    Mas a Igreja estiver mentindo, vai ser a mentira mais bem contada da história!

  • Oi! Muito obrigada pelo apoio à campanha do diagnóstico do câncer de mama. Se puder dissemine essa informação, ok?
    Um abraço.

    http://sarapateldecoruja.blogspot.com/

  • Eles tentam provar de qualquer maneira que a Bíblia é falsa e não dá para sair acreditando em qualquer coisa que falam por aí.
    Deus nos deu por intermédio dos apóstolos, totalmente inspirados pelo Espírito Santo, os livros do Novo Testamento e se realmente acreditamos nesse Deus tão maravilhoso e no nosso Salvador Jesus (espero que todos aqui creiam!!), devemos acreditar que Deus também e tão poderoso para não permitir que qualquer falsidade seja colocada na Bíblia que é a palavra dEle.
    O mundo e vários cientistas estão ai para nos enganar
    e se nos levarmos por qualquer pesquisa e não pedirmos o auxílio do Espírito Santo estamo perdidos.
    Acreditem na Bíblia porque ela é de Deus e é o nosso manual de instruções.

    No amor de Jesus.
    Fischer.

  • É possível que a intenção dos cientistas/pesquisadores seja de “desmascarar” a bíblia, mas na minha opinião, ao ler o texto, não acho que exista algo que venha denegrir a bíblia. E sobre a possibilidade de outras pessoas terem “tomado emprestado” o nome dos escritores famosos, alguns anos atrás, conversando com um rabino, ele tinha essa mesma opinião citada no texto.

  • a verdade e esta que alguns conteudo nas espitolas pastorais nao saõ de autoria de paulo alguns tentou passa por Paulo…pra mim não e novidade

  • É engraçado como, ciclicamente, surgem essas “teorias conspiratórias” sobre a Bíblia e os personagens bíblicos. Depois do filme ter evidenciado a ridícula teoria do livro “O Código Da Vinci”, agora requentam essa história que todo mundo sabe há milênios. A questão não é saber se o autor (a quem é atribuído o livro) efetivamente o escreveu, de punho, pena, cunha ou pedra, mas enaltecer o fato de que Deus preservou a Sua Palavra ao longo de milênios mediante a tradição oral (principalmente) e escrita. O fato de alguns textos terem sido compilados posteriormentes, e atribuídos a um autor já falecido (como o próprio artigo diz) não significa que não tenha sido realmente de sua autoria, mas que os seus ensinamentos (divinamente inspirados e compilados) foram preservados. Muito se discute, por exemplo, sobre a existência real de Sócrates, já que tudo o que sabemos foi-nos relatado por seus discípulos (sendo Platão, o principal). Embora não exista nada escrito de próprio punho por Sócrates, o consenso geral é que ele efetivamente existiu e os ensinamentos a ele atribuídos são verdadeiramente deles. Logo, toda essa história de requentar coisas que o mundo já sabe há milênios é apenas mais um ataque à fé, na esperança de que os incautos caiam na armadilha.

  • Comentários negativos, sobre a blibia, fé e Deus, no que disrespeito a évangélico sempre foi e sera destaque pricipalmente quando se trata de Rede GLOBO! como porta voz das boas intenções…para se manter em pé, posso não gostar de muitas emissoras mas, de baixaria a entende muito bom…”Egocentrismo”
    alimenta a concorrencia “rede globo”

  • Esses ataque a biblia e so o começo do que vem por ai mais quem é fiel a palavra de Deus e conhece a verdade vai ate o fim fiel a palavra de Deus.

  • olha eu não critico ninguém, mas pra me fazer pensar que a bíblia é mentirosa vai ter ser um kara q saiba ser bastante bom em suas teorias , mas eu sei q ele não existe e não irá existir então eu só acredito num CRISTO e numa única BÍBLIA não importa qual IGREJA ELE nos deixou o CRISTIANISMO para ser seguido então não acredito em nenhuma teoria de cientista pq são homens e homens são falhos, contraditórios, podem errar…

Deixe seu comentário




Atenção à gramática. Não coloque comentários em caixa alta. Algumas tags html liberadas.

Feed!

Grab this site's feed!

Receba as atualizações gratuitamente em seu e-mail: