Crentes & Famosos – Edição nº7

Por Sarah em 13 janeiro 2009 na categoria Crentes e Famosos

Crônica

Sessenta centímetros

Por: Marcio Fontes

Um dia desses eu estava navegando pelas páginas do fórum e me deparei com um post falando sobre a Marcha para Jesus que achei no mínimo interessante. Nele havia uma citação extraída do jornal Cruzeiro do Sul Sorocaba – onde um cidadão fez algumas Uconsiderações que encheram a minha cabeça de pontos de interrogação.

Em princípio pude notar que o sujeito é um cara culto, que lê jornal com freqüência e está antenado com o que acontece no país. Não só letrado, nosso “amigo” é engenheiro estatístico e um grande pesquisador, pois em seu texto ele fala sobre a distância entre o Cemitério do Araçá e o prédio da Gazeta e a largura da Avenida Paulista clap clap clap, palmas para ele, pois nem eu sendo paulistano da gema sabia que a avenida possui 50 metros de largura deixando claro que, sendo ele do interior paulista, perdeu algum tempo para checar tais dados.

Ora, o cidadão diz que uma pessoa em passeata ocupa 60 cm de largura mais 60 cm de distância para os outros indivíduos. Novamente eu bato palmas para os cálculos do Sr. Mauro, mas devo acrescentar que ele não estava no meio daquela multidão, não teve que andar de mãos dadas para não perder os amigos, não sentiu a respiração na nuca por falta de espaço (ainda bem que nas minhas costas estava uma amiga) e não passou mal por falta de ar em meio a tantas pessoas. Será que pela televisão havia tanto espaço vazio assim? Posso afirmar, e com certeza, que não existia nem 1 cm sequer entre as pessoas que ali se amontoaram para acompanhar os shows, quanto mais
60 cm. Piada.

Prossegui na leitura e percebi que ele calculou o espaço da Avenida Paulista, mas esqueceu de calcular as inúmeras ruas transversais e paralelas à famosa avenida. Estas ruas estavam completamente lotadas de pessoas. Pensei mais um pouco e cheguei à conclusão de que o autor do texto não considerou o trânsito de pessoas na passeata, pois os dados da Polícia Militar de São Paulo revelaram que cerca de 2 milhões de pessoas “passaram” pela marcha, e não que 2 milhões de
pessoas estavam paradas frente ao palco na Paulista. Em um evento que durou todo o dia, com pessoas chegando e saindo a todo instante, como calcular o número de pessoas paradas? Não havia ninguém parado, portanto calcular o espaço ocupado por cada um em cima do asfalto é categórico demais.

Esse texto riquíssimo (em pontos de interrogação na minha cabeça) termina com um claro deboche quando seu culto autor diz que “Jesus operou um novo milagre: a multiplicação da Avenida Paulista”. Quem esteve lá, especialmente junto aos membros do fórum, pôde ver um cidadão agachado na calçada, aos prantos, enquanto era consolado por um integrante do apoio da MPJ após ter aceitado Jesus. Surge mais um ponto de interrogação em minha mente: se houvesse uma única conversão, isso seria menos importante que os números? É mais importante saber qual o número de
participantes ou o número de vidas que foram salvas, reconstituídas e livradas naquele dia? Não cobro nada do autor do texto, pois logo no primeiro parágrafo nota-se que ele não é evangélico, mas sim das pessoas religiosas que usaram (e usam) o desabafo de um cara que não tinha nada para fazer no feriado e que resolveu colocar sua mente para trabalhar criticando a Igreja Renascer. Estar na Marcha é uma experiência única. Ver milhões de pessoas clamando pelo poder de Deus está além da compreensão de muita gente e espero, sinceramente, que no próximo ano estes que criticaram possam juntar-se à nossa caravana.

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