Crentes & Famosos – Edição nº6
Por Sarah em 30 janeiro 2009 na categoria Crentes e Famosos
Matéria
A Era Neo-Constantiniana e o Gospel Way of Life
“Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.”
O Pastor Ricardo Gondim chocou o país com um desabafo emocionado e críticas efusivas à Igreja Evangélica brasileira. Aplaudido de pé por uns, repudiado veementemente por outros, assim foi a recepção do acalorado texto “Estou Cansado!”, do presidente da Assembléia de Deus Betesda, em Jardim Marajoara, São Paulo. Desde a semana passada uma polêmica semelhante está sacudindo a comunidade dotGospel. Desta vez na pessoa do estudante de jornalismo Francisco Júnior (23), conhecido como FJunior. Seu texto intitulado “The Gospel Way of Life” (O estilo de vida gospel) ataca frontalmente o modo superficial de como se tem vivido a verdade de Cristo na sociedade brasileira. Segundo ele, os cristãos têm estado mais preocupados com o bem-estar próprio do que com o Reino de Deus e estão incrementando cada vez mais seu “mundo gospel” com livros, CDs, peças, shows, filmes, clipes e outros elementos comuns na cultura secular, apenas aplicando sobre eles um rótulo cristão. E não é apenas o elemento cultural que é criticado pelo autor, mas também a pressão exercida pela comunidade evangélica para que todos sejam influentes, vitoriosos, extravagantes, desinibidos, prósperos e mais uma longa lista de indicadores de sucesso que caracterizariam um cristão em sua plenitude.
Perguntado sobre sua intenção ao escrever o polêmico artigo, Francisco respondeu que tinha dois objetivos em mente: desabafar e levantar a discussão. Contou também que está passando por um processo de mudança de opinião, já que há algum tempo atrás defendia várias das idéias que seu texto critica. “De uns tempos para cá, depois de algumas tribulações, comecei a tentar enxergar a Igreja de uma forma distante, como um jornalista mesmo. Deixando de lado minhas opiniões e preconceitos, para formular uma nova opinião, mais amena, apesar de não parecer num primeiro momento”, afirma Francisco. A estudante de Publicidade Luciana Assunção (22), a luciana, já conhecia os conflitos do amigo e não ficou surpresa com o texto: “Fiquei feliz por ele ter falado, pois ele já estava chateado há algum tempo e escrever o texto com certeza deu um alívio pra ele”.
A recepção do texto foi a mais variada possível, como era de se esperar. Para o funcionário público Paulo Martins de Oliveira (30), o Sorocabano, muito conhecido por alardear constantemente uma apostasia generalizada da Igreja, principalmente no que tange à música cristã contemporânea, o texto foi motivo de júbilo, pois, segundo ele, mostra que mais pessoas estão acordando para esta crise de identidade da Igreja. “Não quero vangloriar-me, pois sempre imaginei que não estava sozinho em minhas críticas. Apenas fico aliviado ao perceber que tenho cada vez mais subsídios para defender minhas posições”, completa Paulo. Já o estagiário Raphael de Paula Garcia (18), o RaphaelGarcia, conta que o artigo foi motivo de alívio, pois freqüenta uma congregação que foi legalista por anos a fio, onde o excesso de regras já afastou de Deus vários dos seus amigos e familiares. “Resolvi mudar e não levar mais uma vida de certinho da forma que a igreja queria que eu levasse. Então tomei algumas atitudes e depois de ler o que o FJunior e outras pessoas disseram naquele tópico, pude ver que o que eu fiz não estava errado!”, desabafa Raphael. Mas nem só de aplausos foi composta a recepção das idéias de Francisco Junior. O produtor musical Marcos Gois (24), o mark3, não recebeu com bons olhos as críticas do futuro jornalista, por considerá-las um exagero, já que cada denominação tem seu espaço e sua forma de ganhar almas. O brasiliense conta que já levou vários amigos a Cristo através de “Raves Gospel” e que estes, agora convertidos, não freqüentam mais esse tipo de festa, seja ou não gospel, para não serem remetidos a seus passados pecaminosos. “A Palavra diz que é pelos frutos que conheceremos a boa obra. Nós temos frutos!”, vocifera Marcos. Francisco Junior recebe as críticas com naturalidade, fazendo referência aos profetas vétero-testamentários, a João Batista, ao apóstolo Paulo e ao próprio Jesus, que disparavam constantemente acusações dirigidas às elites religiosas de suas respectivas épocas e foram censurados com a morte.
Mas até que ponto a liderança pastoral deve ser respeitada e a partir de que ponto questionada? Para a maioria dos evangélicos, o Pastor é o escolhido de Deus para dirigir uma igreja e sua autoridade não deve ser desafiada. Mas como agir quando este conduz a comunidade numa direção errada? Seria correto um cristão se opor frontalmente ao líder instituído por Deus? Francisco Júnior não vê mal algum nisso, já que, para ele, os pastores não devem ter privilégios nem serem tratados de forma diferenciada. “Quando os discípulos questionaram a Jesus sobre qual deles seria o maior no Reino de Deus, ele disse que o maior seria o menor, seria aquele que serve, e hoje existem muitos pastores se servindo da oferta sacrificada da viúva e do órfão. Para mim é inconcebível um Evangelho cujos pastores andam de carros importados enquanto existem membros no corpo de Cristo passando fome”, ataca Francisco. Mas esta ousadia em desafiar a liderança eclesiástica não é uma característica facilmente encontrada nos bancos das igrejas. Para Raphael a receita é orar intensamente visando não tomar nenhuma atitude precipitada e terminar abalado espiritualmente. “Na minha opinião o pastor deve ser respeitado sempre, afinal ele é o cabeça da igreja e nós somos os membros”, completa o universitário. Marcos Gois acrescenta que a direção de Deus vem primeiramente sobre os líderes e caso eles não demonstrem compromisso com o Reino, o cristão insatisfeito deve procurar outra igreja. Já Paulo Martins sentencia que os pastores que embarcam em heresias devem ser substituídos.
O questionamento mais importante levantado na discussão do texto foi a respeito da essência do Cristianismo e se ela está ou não sendo perdida no cenário “pop” do evangelho pós-moderno. Teria a Igreja cristã se tornado uma fidalguia aristocrata, um tipo de comunidade orientada a status onde o importante é o que parece ser ao invés do que realmente é? Sendo Jesus além do filho de Deus, um mestre revolucionário que pregou a humildade e o desprendimento das coisas materiais, soa como contra-senso a idéia de uma igreja voltada para o dinheiro, sucesso, mídia e holofotes. Um paralelo pode ser facilmente traçado com o início da chamada “Era Constantiniana”. No ano 303 DC, foi decretada pelo Imperador Diocleciano uma grande perseguição de Roma àqueles que professavam o nome de Jesus. Nesse período, o simples fato de ser cristão representava uma sentença de morte. Apesar de muito sangue inocente derramado, a Igreja continuou crescendo de forma assustadora. Uma década mais tarde, o então Imperador Constantino declara sua conversão ao Cristianismo e o transforma em religião oficial do Império. As estátuas de deuses pagãos começam a ser substituídas pelos santos ícones, as moedas que antes estampavam o rosto do imperador ganharam figuras cristãs e a cruz passou a ser o símbolo de todo o Império. Os cargos mais altos do governo são confiados apenas a cristãos, a Igreja se multiplica construindo templos belos e ricos, os hereges e pagãos são perseguido e os cristãos se alistam no serviço militar para guerrear por seu “Imperador Cristão”. Neste momento o culto se sofistica para se adequar aos altos padrões da corte real e os Bispos, que antes se preocupavam com a doutrina, agora precisam medir suas palavras para não causar conflitos políticos.
A comunidade cristã brasileira passa hoje por um momento semelhante. Após décadas de perseguição, escárnio e zombaria, a igreja evangélica provou de um crescimento exponencial e atraiu a atenção da sociedade. Famosos se convertendo, pastores sendo eleitos para cargos públicos, eventos milionários e uma enxurrada de produtos e serviços exclusivos para o “povo de Deus”. E mais uma vez a essência está correndo um sério risco: a de ser soterrada pelo nosso próprio ego. Talvez não seja possível estancar o processo, já que nenhum cristão deseja que a Igreja de Cristo pare de crescer. Mas definitivamente, o “The Gospel Way of Life” que está em voga não é nem metade da vida abundante prometida por Jesus. Como diz a letra da música “Meant to Live” da banda americana Switchfoot: “Nós devíamos viver por algo muito maior / Será que nos perdemos?”. E para finalizar, vamos fazer uma pergunta ao próprio Jesus Cristo:
Crentes & Famosos – Senhor Jesus, como você vê o crescimento da Igreja Evangélica Brasileira, com todos esses templos, a mídia e os holofotes?
Jesus Cristo – O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Eí-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.*
* Texto extraído de Lucas 17:20, 21

Meu Deus! Que foto é essa na capa!?!?! rs
Tomara que a revista supere as dificuldades.
Abraços
Reedições do arco da velha?!? Por falar nisso, por onde anda Lu Angel?
O que esse rapaz escreveu em seu artigo é a mais pura verdade sobre a realidade da igreja.
Minha esperança é que nosso Senhor cabeça dessa Igreja desvirtuada, promova Ele mesmo, a derrocada desses templos erguidos pela vaidade humana.
O EXEMPLO DO “COSTELA”
A SARNA – ESPIRITUAL – TEM CURA!
“COSTELA” apareceu na porta do condomínio há alguns dias. Manco, cauda cortada e infeccionada, quase cego, magro de dar dó, meio pele meio osso, todo sarnento. Com pouco tempo ganhou o carinho do pessoal e, claro, um nome que tinha tudo a ver que aquele trapo mal cheiroso. Acho que não preciso falar que “COSTELA” é um cão, não sei de que raça, se é que ele tem alguma linhagem, mas não deixa de ser um cachorro. No princípio os moradores até ficaram com receio de que ele pudesse incomodar um pouco as pessoas que, com medo de serem atacados, não se aproximariam. Mas, coitado, “COSTELA” estava abatido e tão definhado que mal conseguia abrir a boca para latir… Em pouco tempo transformou-se no centro das atenções na portaria!
A turma então começou a cuidar dele, deram água, “restos de comida” e forram alguns “jornais” para que ele pudesse deitar. Isso manteve o bichinho ali na entrada principal. Se manteve lá por um bom tempo com grande parte dos seus problemas, ele já se achava! O rabo cortado, mesmo ferido, não para de se jogar de um lado para o outro. Num belo dia o bicho tentou atravessar a rua num horário de muito movimento. Resultado, quase foi atropelado, coitado. Voltou, todo trêmulo e assustado, deitou no jornal e de olhos arregalados observava tudo ao redor. Na portaria, bem ou mal, ele estava sendo tratado. Se a comida era boa ou ruim não importa, pelo menos ele a tinha todos os dias. Na realidade, o “COSTELA” precisava sim de um bom veterinário, banho, remédios, tosa e boa comida. Além é claro de tratamento “imediato” para sua “cegueira”. Mas para ele, acho que já no fim da vida, tudo estava bom…
E na igreja, quantos são aqueles que têm a Síndrome do “COSTELA”? Estão cegos, mancos, sarnentos, sujos e desorientados. Muitas vezes estão tão “cegos” que sequer vêem os demais sintomas inerentes ao seu estado. Estão cegos pelo orgulho, pela arrogância, pelo desejo de se ter as maiores e melhores bênçãos aqui, neste mundo. Estão cegos, algumas vezes, pelas mentiras que lhe são impostas, pelos falsos mestres e falsos profetas. Não querem estar cegos, mas estão. Ah! Ia esquecendo! Tem aqueles também que querem se fazer de cegos para assim, conduzirem outros cegos. O pecado cega, a vaidade cega, o orgulho cega, a ambição cega, a prepotência cega, o engano nem se fala!
E os capengas? Alguns se acham mancos por “lutarem com Deus”, assim como Jacó, mas na realidade estão mancos pelo pecado. A iniqüidade lhes pesa tanto que nem sequer conseguem se manter equilibrados, eretos e o peso desce às pernas, que não suportam o esforço. Outros “foram feitos mancos” intencionalmente por seus líderes, que de tanta “cajadada”, acabaram saído feridos. Bom, se as cajadadas forem ao menos para conduzí-los ao caminho certo, o “CAMINHO DA SALVAÇÃO” em Cristo, eu prefiro entrar manco no Céu a ir para o inferno perfeito. O duro é acreditar que muitos mancos estão nessa condição por “cajadadas erradas”, dadas por “Pastores” acostumados a lidarem com “LOBOS” que os conduzem ao engano e à perdição.
A sarna, a sujeira e o mau cheiro, na Síndrome do “COSTELA” é evidente, é novamente ele, o pecado sendo exposto e não há como não perceber os seus estragos. Quantos crentes têm se envolvido tanto com este mundo, tomando a forma dele, que carregam consigo as sarnas e a sujeira que este oferece? Muitos estão em adiantado estado de “DECOMPOSIÇÃO ESPIRITUAL”. Quantos líderes, na ânsia de serem cada vez maiores e melhores têm-se afogado nas entranhas deste mundo perverso, acreditando e pregando valores deturpados, trazendo para o seio da igreja coisas abomináveis a Deus? Quantos “COSTELAS” estão sendo mantidos nos condomínios de fé em nosso Brasil! E o pior, a doença é transmissível. Se você se aproxima de um animal ou uma pessoa com “SARNA”, passa algum tempo com ele, as chances de ser contaminado são altíssimas. Quantos líderes, ou mesmo irmãos, sem saber que estão contaminados, tem infectados outros tantos com a “SARNA ESPIRITUAL”? Do ponto de vista de solução a situação é complicada.
Tem também aquela classe de crentes que, assim como o cãozinho, se “contentam” com qualquer coisa que lhes oferecem. Não precisa ter qualidade, não precisa ser bom, nem ao menos precisa ter sabor, basta ter algo que lhes encha o estômago, está bom. Ainda que em pouco tempo depois vão sentir fome novamente, mas se tem algo para comer, está de bom tamanho. É a famosa história: “tá ruim, mas tá bom”. Deixa estar para ver como fica! Não reclamam, não exigem, não discutem, não buscam coisas novas, nem tão pouco, comida saudável… Se alimentam das sobras, dos restos, do despojo que, em muitas vezes, está estragado. A acomodação e a convivência os fizeram se sentirem satisfeitos com a situação! É o “COMODISMO RELIGIOSO”…
O duro é que em alguns casos eles são tratados, e muito bem tratados, estão revitalizando, ganhando forma novamente e do nada acham que estão bons de fato, acham que já podem caminhar com as próprias pernas, que podem atravessar a rua movimentada. Abandonam tudo e vão lá num ato de aventura, fazer a tentativa! Não é difícil quebrarem a cara, serem até mesmo atropelados. Bom é quando, assim como o “COSTELA”, reconhecem que “não estão aptos”, que não são nada, e voltam. Retornam para os pés de Jesus, para os braços do Pai, para o Refúgio eterno. O péssimo é quando, mesmo atropelados e feridos, ainda que em estado convulsivo, querem seguir adiante. Foram curados, lavados, tosados, mas a “CEGUEIRA ESPIRITUAL” persiste. O que será destes?
Louvado e exaltado seja Deus pelo fato de que assim como existem bons “VETERINÁRIOS” para cuidar do “COSTELA”, Jesus Cristo, Médico dos médicos, está pronto para nos socorrer e nos curar. Entreguemo-nos em Suas mãos, sabendo sempre que é Ele mesmo quem nos mantém em pé, livres das sarnas deste mundo, clamando sempre, por Sua misericórdia, para nos curar de toda cegueira. Ele é fiel e nos ajudará, sempre.
Carlos Roberto Martins de Souza
crms2casa@otmail.com
QUERO MINHA IGREJA DE VOLTA…
SE FOR POSSÍVEL!!!
“Aborreço e desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me dão nenhum prazer”
Amós 5:21
Dizem que “quem vive de passado é museu”, uma forma simplória de criticar aqueles que se prendem a coisas antigas como algum ponto de referência na vida. Neste caso, sem cerimônia alguma, eu me incluo neste conceito, mas com um adendo, para mim “recordar é viver…”. Sei que por esta razão para muitos sou ultrapassado, careta, um quadradão. Prefiro ser quadrado a ser redondo e rolar pelas vielas da vida religiosa indo de um lado para o outro sem ter muita noção do que fazem. Registro apenas que as Escrituras Sagradas existem há algumas centenas de anos, portanto…
Bem, vamos lá. A história da religião mostra que há alguns anos atrás, não muitos, as igrejas evangélicas eram lugares cheios de pessoas que conheciam a Bíblia de capa a capa, que se portavam reverentemente durante o culto e não raro, as pessoas do mundo admiravam os evangélicos por sua fé e esperança, mesmo nos momentos mais difíceis. Basta retrocedermos um pouco e veremos que os cultos eram cheios de hinos profundamente inspiradores refletindo as “doutrinas fundamentais” da fé cristã. O ofertório era uma demonstração de zelo e gratidão e quando o Pastor subia ao púlpito, todos atentamente recebiam a edificação através de uma pregação “Biblicamente” fundamentada. A mensagem da Palavra era o centro do culto. Esses eram os “crentes” de antigamente.
Fui á igreja outro dia, sentado nos últimos bancos, me dei ao capricho de “sonhar” já que o que estava acontecendo não me atraía nem pelos olhos, nem pelo coração, muito menos pela espiritualidade. O culto começou com um “período de louvor(?)” com um barulho infernal. Cânticos eram entoados e o povo se movia, batia palmas, gritava no ritmo frenético dos instrumentos, era uma algazarra geral. Havia uma jovem extrovertida que “ministrava” a coreografia e orientava o povo a como proceder durante cada musica executada. Era dia de “batismos”, mas nem parecia tamanha a bagunça e a falta de reverência, a festa solene transformou-se ritual, no mínimo, estranho. Mas, mesmo assim sonhei… Sei que foi utópico, longe de qualquer possibilidade de vê-lo realizado, mas valeu como alerta e como lembrança dos bons tempos daquela igreja.
Vi aquela igreja onde a BIBLIA foi um dia o centro de tudo! Onde o Pastor “pregava” e não dava aula de “psicologia”; Onde o “pecado” era tratado como tal e não como um simples “desvio de conduta”. Uma igreja onde “louvor” era celebrar a Deus e não um “espetáculo” tecnológico barulhento; Onde o templo era “local de culto” e não uma casa de “shows”; Onde o pregador usava exclusivamente a “BÍBLIA” no púlpito e não um “Notbook”; Onde a reverência era “regra” e não exceção; Onde ouvia-se a “voz de Deus” e não a do povo; Onde era real o “mover do Espírito” e não de pessoas; Onde o “pecado” era combatido e não incentivado sutilmente; Onde havia “adoradores” e não atores ou artistas camuflados; Onde as pessoas iam vestidas para “cultuar” e não para um piquenique; Onde “Jesus” era marca no coração e não uma “tatuagem” na pele; Onde quem tinha “adereços” era a vida e não o corpo; Onde tinha “Embaixadores do Rei, Mensageiras do Rei; União de Jovens” e não um encontro festivo; Onde o povo “lia a Bíblia” e não o que era projetado no telão; Onde as pessoas não eram “filmadas” para serem mostradas para o mundo, mas eram levadas a uma “radiografia” mostrando para cada um os problemas da alma; Onde “batismo” era um momento de reflexão e respeito, não uma festa movida a apitos, buzinas, foguetes e histeria; Uma igreja que “recebia” visitantes e não era ”formada” por eles; Uma igreja que era uma “fonte de água viva” e não uma “cisterna rota”; Onde o “retiro” era espiritual e não uma “festa country”; Onde “Pastor” era um homem de Deus e não um “administrador de negócios”; Onde os crentes “iam à praça” pregar e não “tinham o nome na praça”; Sonhei com uma igreja que “crescia” e não inchava; Com uma igreja que fechava as portas para o Diabo e não colocava “tapetes vermelhos” para recebê-lo. Sonhei… Sonhei em lágrimas ao ouvir o hino “Manso e Suave” com o Pastor fazendo o apelo, num silêncio profundo, para que pecadores se rendessem aos pés de Jesus. Pensei, se isto for sonho, então vou sonhando…
Subitamente uma “salva de palmas”, “apitos” e “assobios” interrompeu o meu sonho e me despertou. Que susto! Por um momento não me dei conta de onde eu estava tamanha a desordem naquele local de culto. Para minha tristeza eu acordei… Mas sonhei e sonhar não custa nada! Coincidentemente era dia de “batismos” e o povo comemorava, como se fosse num campo de futebol, a chegada de mais um grupo. A propósito havia muita gente vestida a caráter para de fato ir a um estádio, curiosamente eram os que mais faziam barulho. Depois do culto, veio o “foguetório”, tudo em nome do Evangelho. Era a igreja do século XXI e as suas novidades na forma moderna de cultuar. Eu me perguntei, foi um sonho ou seria um pesadelo? Seria um conto de fadas do passado? Lembrei da Bíblia e dos batismos citados por ela e não consegui ligar uma coisa a outra. Alguém se esqueceu de “lembrar” ao povo que eles estavam dentro de uma igreja, que ali era um templo e não um estádio!
“Celebrai com jubilo ao Senhor… Servi ao Senhor com alegria…”, não significa que devemos fazer algazarra ou nos postarmos com irreverência, pelo contrário, “jubilo” e “alegria” devem ser expressos num sentimento de contrição, respeito e de “ADORAÇÃO” a Deus.
Hoje as igrejas mudaram muito. E como mudaram! Os evangélicos são vistos como mais uma “tribo urbana”, assim como os surfistas ou os hippies, que tem musica própria, gírias e slogans próprios. O momento de destaque no culto já não é mais a meditação na Palavra de Deus, proclamada por um Pastor bem preparado teologicamente, mas sim o momento de “louvor” produzido pelas mais novas tecnologias do mercado. Não se pede mais nada a Deus, decretam coisas para ele fazer da maneira mais arrogante possível. Descaracterizaram o culto, sob a desculpa de “quebrar a religiosidade” dando a ele todas as características de “show”.
Basta! Quero minha igreja de volta! Quero sim, e com cara de igreja não como “casa de espetáculos”. Quero os cultos reverentes, o povo sedento por aprender a Palavra de Deus, o sentimento de contrição e submissão diante do Deus Soberano e Criador de todas as coisas. Quero de volta o tempo em que os cultos racionais eram “regra” e não “exceção”. Quero de volta a centralidade da Bíblia e não a busca de “revelações dos últimos dias”. Quero de volta o tempo que ser Pastor era ser um religioso consagrado e não um empresário eclesiástico.
Como disse, prefiro continuar “quadrado”, pois tenho muitas duvidas sobre esta igreja liberal de hoje lotada de “crentes redondos”. Assim, depois de sonhar, desculpem, mas eu quero a minha igreja de volta!
Carlos Roberto Martins de Souza
crms2casa@hotmail.com
ANTIÁCIDOS
A AZIA E MÁ DIGESTÃO… Espiritual!
Quem um dia não sentiu um o desconforto de uma “AZIA”? Quem também não experimentou uma “MÁ DIGESTÃO”? É pouco provável que nenhum ser humano tenha escapado destes distúrbios estomacais que quase sempre vem acompanhado de uma “RESSACA”.
A má digestão, ou indigestão, refere-se a problemas gastrointestinais que incluem sensação de estômago cheio; enjôos; arrotos; vômitos; sonolência após as refeições; dores abdominais; dor no estômago; azia e sensação de inchaço. O desconforto na região abdominal geralmente é acompanhado de náusea e mal estar, podendo provocar vômitos.
A indigestão, para a maioria das pessoas é o resultado de comer demais, muito rápido, ingerir alimentos gordurosos ou alimentar-se durante situações estressantes. Usar medicamentos que irritam o estômago ou estar muito cansado podem também causar má digestão ou piorá-la.
Em geral a administração de “ANTIÁCIDOS” a base de hidróxido de alumínio, um “SONRISAL”, por exemplo, promove alivio imediato da “AZIA” e da “MÁ DIGESTÃO”. No entanto, estes quadros normalmente persistem ou se tornam freqüentes, assim é aconselhável procurar um “ESPECIALISTA” para que seja realizada uma pesquisa mais detalhada. Certo é que conviver com este problema é desagradável além de ser um perigo real para a estabilidade física de qualquer pessoa.
Você já notou o que acontece quando é colocado um comprimido de “SONRISAL” em um copo d’água? O volume tende a crescer, em alguns casos transborda, há uns ruídos, tudo se move e borbulha, mas após um tempo, cessa o barulho. Um tempinho mais e logo o gás produzido pela efervescência do comprimido desaparece por completo. E o pior, a água pura, não é mais pura, agora tem um gosto desagradável e o princípio ativo do medicamento já não surte efeito. E então? Colocaríamos mais um comprimido para começar todo o processo novamente? Não! Cientificamente não é recomendável!
A verdade é que as nossas igrejas hoje, sem exceção, vivem uma crise de “INDIGESTÃO ESPIRITUAL” perigosa e que também há muito “COMPRIMIDO EFERVESCENTE” sendo ministrado como “PALIATIVO” nas igrejas do século XXI. Alca-luftal, Bisuisan, Digastril, Estomagel, Gastrogel, Gastrol, Leite de Magnésia, Magnésia Bisurada, Mylanta Plus, Siludrox, Sonrisal e outros de composição semelhante, todos com “SIMILARES EVANGÉLICOS” sendo ministrados indiscriminadamente nos PRONTO SOCORROS RELIGIOSOS. Pior, são indicados por MÉDICOS ESPIRITUAIS despreparados, sem formação, com “diplomas comprados” em Universidades Fantasmas ou simplesmente Comerciantes da fé.
O efeito “SONRISAL” é um fator alarmante e perigoso no atual meio evangélico. No miserável afã de ver os templos sempre lotados, convida-se o pregador mais “FERVOROSO” – efervescente – que por sua vez abusa dos chavões, dos lugares comuns, da psicologia barata, das técnicas teatrais, das imitações de animais sob a desculpa de estar debaixo da unção, dos golpes de karatê disparados no ar e de todo tipo de “FIRULA” para agradar a obstinada platéia. Convida-se também os “LEVITAS”, que surgem no cenário com suas canções e seus chavões extravagantes. Claro que não falta a tal “MINISTRAÇÃO PROFÉTICA”, na qual os cantores se prestam aos mais ridículos papéis, e isso debaixo das ovações da alucinada platéia. E tome “INDIGESTÃO”! E tome “ANTIÁCIDO”! Tem de tudo, de Jejum dos 40 dias, Corrente Poderosa, Oração Forte, Diabo amarrado, Cruzada de Curas e Milagres a Show Gospel… São os “MEDICAMENTOS ALTERNATIVOS” do tipo “BOLDO” sendo aplicados no lugar do recomendado que possui a marca registrada dos “LABORATÓRIOS CELESTE”, a “PALAVRA DE DEUS”. Aliás, este medicamento causa aversão a muitos “Doutores” da religião que preferem ignorá-lo a terem que mostrar a eficiência deles em “SUAS PRÓPRIAS VIDAS”.
Mas, passado tudo isso, a RESSACA ESPIRITUAL continua, volta-se a normalidade, ou melhor, quase… , pois a AZIA e a INDIGESTÃO continuam, haja vista que sempre há o fluxo enorme dos descontentes que abandonam o PRONTO SOCORRO RELIGIOSO logo que o “FERVOR” acaba, partindo em busca de novas aventuras espirituais, ou melhor, de “NOVOS MEDICAMENTOS”. E assim, para manter a “EFERVESCÊNCIA” do povão, o Pastor convida mais um grande pregador de fogo, que será o encarregado de movimentar novamente o pessoal, usando para isso as mesmas técnicas dos demais. E assim a igreja novamente fica cheia, borbulhando e num barulho infernal e pouco importa se os que lá estão são como “FREGUESES” em busca do evangelho mais barato, ou se são “VICIADOS ESPIRITUAIS” sempre em busca de uma nova unção. Para os “MÉDICOS DA FÉ” o importante é que eles estão lá! Todos ávidos para receberem a porção que lhes é receitada como tratamento. Para isto os estoques de medicamentos paliativos estarão sempre cheios, não faltando os “GENÉRICOS” e os famosos “PIRATAS”. Isto sem falar nas “FAZENDAS DE BOLDO” que eles, os PRODUTORES EVANGÉLICOS, andam cultivando largamente nos meios religiosos como alternativa barata para enfrentarem a CRI$E espiritual.
Tem muita gente comemorando o crescimento numérico de evangélicos no Brasil e no mundo, mas confesso que observo com muita precaução e desconfiança esse movimento todo, pois sei que grande parte do que vemos nada mais é do que o “EFEITO SONRISAL”.
Carlos Roberto Martins de Souza
crms2casa@otmail.com