Crentes & Famosos – Edição nº 12

Por Sarah em 30 outubro 2008 na categoria Crentes e Famosos

Entrevista
Por: Lívia Ribeiro

Ah, a infância. É tão comum ouvirmos pessoas falarem tão bem e com tanta saudades dessa época da vida. Para outras não foi tão boa assim, mas em todos a época deixou alguma marca, sejam lembranças, cicatrizes pelo corpo, amigos, bizarrices, puxões de orelha… Aproveitando que estamos em outubro, o dito mês das crianças, a C&F conversou com alguns dotianos sobre a infância, com relatos de histórias que marcaram a vida de cada um e o que eles acham das crianças de hoje.

Nome: Hernani Santiago
Nick: harkettt
Hernani e seus irmãos - Escadinha

Cresci juntamente com três irmãos morando na mesma casa aqui na cidade de Salvador, onde moro até hoje. E, apesar das tradicionais briguinhas infantis entre nós, gostava muito porque tínhamos pouca diferença de idade um para o outro e dava pra brincar de Changeman (risos).

Bem, uma coisa que as pessoas acham interessante quando eu falo é o fato de eu lembrar de coisas com apenas dois anos e meio de idade. Nessa época, por exemplo, minha avó ia passar alguns dias em nossa casa e ao dormir ela se enrolava com seu cobertor totalmente, ficava parecendo um casulo, e eu achava aquilo muito estranho e ficava com medo da velha (risos).

Uma coisa que me deixa inquieto com relação à infância nos dias de hoje é que os brinquedos estão todos prontos. Na minha infância pude ter o privilégio de fazer com minhas próprias mãos a maioria dos meus brinquedos. Na década de 80, a situação financeira do país piorou e o salário que meu pai ganhava só dava pra manter o sustento básico da família. Daí eu e meu irmão mais velho reaproveitávamos toda sorte de sucata para fazer nossos brinquedos e jogos. Aquilo foi de grande proveito para mim.

Hoje, em termos de diversão infantil, a maioria das crianças infelizmente só se interessa por jogos eletrônicos e virtuais, o que em excesso, ao meu ver, produz um certo ônus nas relações sociais infantis. Mas isso faz parte das transformações entre as gerações.

Nome: Luciana Freire
Nick: Luppy

Passei minha infância em Vitória da Conquista, na Bahia. E em idas e vindas, durante as férias, em Itarantim e Itapetinga (fazenda de vovô – ôhhh tempo bom!). Tenho somente uma irmã, mas primos e primas na mesma faixa etária, tinha muitos.

Tenho uma história que foi muito engraçada. Algumas pessoas que conhecem minha família devem saber. Eu era uma criança muito encrenqueira e “birrenta”. Teve uma época em que meu pai tinha vendido o carro e minha mãe contratou um transporte escolar para me levar até a escola, pois era um pouco distante da minha casa. Ela, como sempre, me explicou tudo direitinho: “Lu, hoje quem vai te levar para escola será o “Tio Rubens””. (Na época ele era magrinho, simpático e tinha uma Kombi branca). “Ele leva um monte de crianças e tal… E blá blá blá”, continuou minha mãe, parecendo até prever o que iria acontecer em seguida. Eu, como sempre fazia de início: “Tudo bem, mamãe!” Quando “Tio Rubens” chegou e eu olhei aquela Kombi, cheia de crianças eu simplesmente me recusei a entrar. Minha mãe, segurando meu braço direito, dizia, de canto de boca: “Mas é claro que você vai! Entra logo nesse carro!” E eu, seguramente, como se tivesse alguma autoridade sobre os meus atos, insistia: “Eu não quero entrar!” Minha mãe, com muita classe, que lhe é peculiar, me deu um leve empurrão seguido de um beliscão e quando me dei conta já estava se fechando a porta da Kombi e eu me encontrava junto com outras crianças, prestes a ser conduzida pelo “Tio Rubens” até à escola. Bem, sem nenhuma saída aparente, olhei pela janela e começei a gritar, chorar e joguei minha mochila e pastinha pela janela da Kombi, ao tempo que chutava a porta e dizia: “Eu não vou! Quero sair!” Acho que “Tio Rubens”, surpreso e amedrontado com tanto terrorismo vindo de uma inocente criança, abriu rapidamente a porta da Kombi e falou para minha mãe: “Minha senhora, pega sua menina, senão ela vai acabar com minha Kombi.”

Tadinha da minha mãe! Imagino a cara dela, morrendo de vergonha. Acho que nem é preciso contar o final né? Surra na Lu… Castigo e ainda sermão…. Só sei que no dia seguinte lá estava eu, dentro da Kombi, não tão sorridente, mas com certeza calminha como um anjinho. Até dando boa tarde às crianças e “Tudo bem, Tio Rubens!”.

Na minha época, tinha uma brincadeira chamada elástico, que eu não vejo mais nenhuma criança brincando. Também brincávamos de anelzinho; pega-pega; pimentinha-pimentão-malagueta-ou-algodão (essa tirei do fundo do baú), sem falar que, quando eu era criança, éramos mais amigos, lembro que meus primos sempre estavam presentes. Hoje parece que as crianças estão isoladas. Não existem mais priminhos e amiguinhos que se juntam para brincar. É sempre a criança contra o computador. A criança contra outra criança. Os jogos são sempre contra e nunca a favor. Na minha época, éramos muitas crianças a favor de brincadeiras e não umas contra as outras.

Nome: Rafael Elias Peregrina
Nick: Pepe

Na verdade, eu nasci na mesma cidade onde moro até hoje. Marília (SP) foi meu berço e até mesmo a minha casa é a mesma que eu passei todos os anos da minha vida. Eu tenho duas irmãs e nenhum irmão. Sempre quis ter um irmão para jogar bola, e fazer coisas de menino. Assim talvez não teria abusado tanto do meu pai e meu avô (risos). Na minha infância sempre tive bastante amigos, mas poucas amigas. Quando eu era mais novo (podem acreditar) eu era muito tímido, principalmente quando o assunto envolvia conversa com meninas!

Quando eu era bem pequeno, fui com minha mãe e minha irmã no Iguatemi (shopping de São Paulo) e eu me perdi. Por ser novo, fiquei muito preocupado. Graças a Deus que eu tinha “marcado” um segurança no caminho do shopping, fui até ele e ele me levou na sala de espera. Bem, o que essa história tem de engraçado é o seguinte: Eu sempre fui ao pé-da-letra (quem ouve dotCast, sabe que metade das minhas piadas sem graça são desse jeito) e eu tinha perguntado para minha mãe naquele dia, o que era fraldário. Ela tinha dito que lá trocava-se crianças. Quando o segurança foi me levar pra sala, ele passou pelo fraldário, e na minha mente a questão: “Será que ele vai me levar lá dentro para me trocar (literalmente) por outra criança?”

Sobre as crianças de antes, eu acho que tinha menos coisas virtuais, e mais coisas reais. A gente realmente se divertia, tinha infância. Acho que hoje as crianças já se perdem na escravidão da tecnologia e ficam solitários desde cedo.

Agora só nos resta lembrar da nossa “infância querida, que os anos não trazem mais”, como diria Casimiro de Abreu. =) [Tá, isso é brega]

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22 Comments

  • Ah eh! Mais uma pra coleção… Só queria ter a 1,2,3,4,5,6,7,8…

  • =)

    baixem a versão em PDF também, galera!

  • abner, as edições antigas serão postadas futuramente. é só aguardar. ;)

  • deu trabalho pra postar essa edição rsrsrs, eita códigos complicados esses, mas ainda bem que deu, desculpa a falta de formatação correta no link do e-book Renato.

  • Mal pude acreditar qdo vi meu nome citado no artigo da Crentes & Famosos!
    Deixando de lado o deslumbre, extremamente rico e proveitoso esse artigo!
    Parabéns Suzana!

  • q emoção!!!
    vou baixar!!

  • Renato Cavallera outubro 30th, 2008 12:31 pm

    Nossa, mas rápido que o Chapolin colorado!

    E Andynhow, boa, veio!

  • [...] Aqui está o link para o artigo: http://www.dotgospel.com/blog/crentes-famosos-edicao-n%c2%ba-12/4/ [...]

  • os artigos da Suzana são realmente muito bons… =)

  • Ah, Sarah e Tiago, obrigada, de coração!

    Nossa, Bru, muito legal, me identifiquei totalmente…heueh! NUNCA tive coragem de ir no Kamikase…Moooorro de medo…
    A juu é linda, neh? Não mudou nadinha…Sempre gostei daquela foto…rs!

  • gostei de tudo, mas quero deixar “parabéns” especial para a Bruna. Apesar de eu sempre me arriscar nos brinquedos, na vida, faço ao contrário, prefiro ficar no chão com os 2 pés firmes. Mas nem sempre isso é bom msm.

  • Renato Cavallera outubro 31st, 2008 2:58 pm

    … enquanto isso nos bastidores da podosfera secular brazuca, a Crentes & Famosos #12 está gerando discussões…

  • puxa vida!!! ficou show parabens pessoal….e obrigado por nos dar uma revista cada vez melhor.

  • mtooo bom!
    adorei as entrevistas sobre a infância =)

    renato, como é q é?

  • nossa, adorei o texto da Anne…

    parabéns, gente, a revista tá ótima (como sempre!)

  • Oiii… adorei o texto da Anne…

    adorei a revista, como sempre… parabéns…

    senti falta do crentes e citados…

    beijos

  • Cada vez mais a CeF está ficando melhor e com a cara do Dot. Não comentei aqui sobre as outras edições, mas mesmo assim tenho acompanhado este trabalho. Parabéns mesmo para o dot!
    E obrigada pelos comentários do meu texto na seção de Crônicas…é muito bom mesmo estar participando de alguma forma da CeF.

  • é, renato, ilumine para nós seu comentário, rs.

    dani, infelizmente ficou mesmo sem o crentes e citados essa edição, mas ele voltará. (puxe a orelha do rafael, haha)

  • ow, ficou mó legal… interessante que nas entrevistas, houve uma boa semelhança entre as opiniões sobre a infância dos nossos dias.

  • pra todo mundo ver q eu era loiro quando criança! rs

  • legal
    vou ver o pdf agora

  • Prezada Suzana Rebeca,

    Bom seria que você pequisasse mais a história e não fosse tão simplista quando afirma abaixo em seu post;

    “o apoio dos protestantes à Hitler.”

    Eu conheço e vivi essa época…

    Pesquise esse site abaixo e pesquise também quem foi Martin Niemöller em outros sites;

    http://torahviva.wordpress.com/2009/06/16/as-igrejas-alems-e-o-estado-nazista/

    “Em 1933, um pequeno grupo de pastores protestantes formaram a Liga de Emergência dos Pastores. Fundada por Martin Niemöller, a liga assumiu uma posição contra a dominação nazista da igreja. Em 1934, seus líderes fundaram a Igreja Confessional, que representava uma minoria de todos os pastores protestantes na Alemanha. Sua ideologia era resistir à coerção nazista e expor a falta de moral do movimento cristão alemão pró-nazista.”

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