Crentes e Famosos – Edição nº4

Por Sarah em 16 fevereiro 2009 na categoria Crentes e Famosos

Matéria

A prova do que não se vê

Por: Rafael Dias

“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” (Hebreus 11:10)

A conversão é um momento único na vida de uma pessoa. Tudo ganha um novo significado quando nasce aquela sensação de se ter descoberto um valioso tesouro perdido. O peito queima de amor por Deus, nenhum problema é capaz de abalar sua paz e não existe sombra de dúvida de que você finalmente encontrou a verdade. Mas o tempo vai passando, os cultos vão se tornando rotineiros e o tempo aplicado à oração e à leitura bíblica vai diminuindo gradativamente. A soma desses e de muitos outros fatores é uma crise de fé. Que cristão nunca passou por isso? Aqueles momentos de dúvida em que sua fé parece infundada e irracional. Todas as suas convicções começam a ruir diante dos seus olhos e o Cristianismo começa a parecer insano, cruel e ilógico. Isso pode acontecer num lapso de poucos segundos ou se arrastar durante anos.

Para o analista de sistemas Diego Duarte (dvd) essa crise culminou em dois anos fora da igreja, que só terminaram há um mês atrás, quando ele voltou para Cristo. Ele conta que tudo começou com a falta de tempo para Deus. O trabalho e os estudos acabaram impossibilitando seus momentos devocionais e os frutos disso surgiram rapidamente. “Com o tempo, eu só tinha olhar crítico acerca da igreja, praticamente não participava das atividades cristãs e as olhava como se estivesse de fora”, conta ele. A crise foi se agravando até o ponto em que ele não via mais motivos para continuar se considerando um cristão: “Acordei um dia me perguntando porque eu ia a igreja, já que não tinha mais nada de crente. Percebi que endureci meu coração por falta de fé e o endureci de uma forma que várias vezes me peguei questionando-me acerca de Deus, sua bondade e etc”.

A universitária Sílvia Cristina procura separar os questionamentos acerca de Cristo e acerca da religião cristã. Esta última que, segundo ela, precisa sempre ser questionada: “Acerca do Cristianismo eu freqüentemente me questiono. Acerca de Cristo, foram poucas vezes. Há uma diferença entre Cristianismo e Cristo sim, eu acredito nisso”. Quanto à pessoa de Deus ela admite que já teve pensamentos duvidosos: “Quando duvidava da existência dEle, eu achava que era tudo vão. Não me desesperava nem nada, mas fazia uma reflexão se de fato tudo isso valia realmente a pena. Se não existia nada, e que na morte eu iria para o nada, do que adiantava?”. Com o analista de sistemas Vanclei Matheus o problema era quando seus amigos o indagavam sobre temas controversos da Bíblia. Ele procurava desconversar alegando que eram assuntos para serem apenas cridos e não entendidos com a razão, mas por dentro sua fé estava sendo bombardeada com aquelas perguntas.“Puxa, conheço Deus e sei o que ele já fez por mim, mas porque ele não me responde estas perguntas?”, conta ele sobre uma de suas indagações. “Dá um vazio tão grande, uma sensação de desorientação. Será que eu sempre estive errado? E se um dia eu morrer e não era nada disto?”, complementa.

Mas parece que crises existenciais desse tipo não são via de regra. O analista de sistemas Anderson Silva (webmaster), por exemplo, afirma nunca ter questionado sua própria fé: “Já me senti distanciado de Deus, mas que eu lembre, mesmo nos momentos difíceis eu sabia que Deus estava lá”. Já para o polêmico Paulo Martins (Sorocabano) um cristão nunca deveria duvidar dos pilares de sua fé. Segundo ele, questionar os pontos centrais do Cristianismo é fruto de ação diabólica: “Entendo que todos os que passaram pelo novo nascimento somente questionariam a própria fé se estivessem sob influência maligna. Ora, se o Espírito Santo habita em mim, por que ele permitiria que eu questionasse a respeito da existência de Deus?”.

Há uma grande diferença entre abandonar a fé e apenas questioná-la por um período de tempo. Para os cristãos sinceros que abertamente passam a crer em outras doutrinas, a Bíblia é bem clara: “Como é que as pessoas que abandonaram a fé podem se arrepender de novo? Elas já estavam na luz de Deus… Mas depois abandonaram a fé. É impossível levar essas pessoas a se arrependerem de novo, pois estão crucificando outra vez o Filho de Deus e zombando publicamente dele.” (Hebreus 6:4-6).

Mas Deus é paciente com nossas crises, assim como foi com Elias, que pediu a Deus que o matasse: “Já chega, ó SENHOR Deus! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como foram os meus antepassados” (1º Reis 9:4); com Gideão: “Senhor, como posso libertar Israel? A minha família é a mais pobre da tribo de Manassés, e eu sou a pessoa menos importante da minha família” (Juízes 6:15); e com Moisés: “Quem sou eu para ir falar com o rei do Egito e tirar daquela terra o povo de Israel?” (Êxodo 3:11). Um fato interessante nos textos citados é que estes grandes heróis da Bíblia não questionaram sobre Deus, mas questionaram ao próprio Deus. Eles estavam dialogando com o Todo-Poderoso e tentando convencê-lo de que Ele estava errado. Talvez isso posse ser considerado uma incredulidade maior do que nos questionarmos se estamos no caminho certo. O próprio Jesus Cristo reconhece um valor muito maior naqueles que vencem suas barreiras e crêem na verdade sem terem recebido nenhum sinal visível: “Você creu porque me viu? – disse Jesus. – Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram!” (João 20:29). A própria definição de fé do livro de Hebreus exige uma tomada de decisão sem provas visíveis.

Segundo o site BibliaOnline.net® : “A simples fé implica uma disposição da alma para confiar em outra pessoa. Difere da credulidade, porque aquilo em que a fé tem confiança é verdadeiro de fato, e, ainda que muitas vezes transcenda a nossa razão, não lhe é contrário. A credulidade, porém, alimenta-se de coisas imaginárias, e é cultivada pela simples imaginação. A fé difere da crença porque é uma confiança do coração e não apenas uma aquiescência intelectual. A fé religiosa é uma confiança tão forte em determinada pessoa ou princípio estabelecido, que produz influência na atividade mental e espiritual dos homens, devendo, normalmente, dirigir a sua vida. A fé é uma atitude, e deve ser um impulso.”

Virando o jogo

Momentos de crise na fé costumam causar muita aflição ao cristão, pois ameaçam mudar por completo seu modo de enxergar o mundo e afastá-lo da verdade que transformou sua vida para melhor. Mas sempre que resistimos a esses períodos, o resultado é uma fé mais forte e viva. “Não vejo a palavra ‘crise’ com uma conotação negativa, pois é nas crises, nas batalhas, que nós nos tornamos mais fortes em nossa fé”, afirma Anderson. Vanclei, que já experimentou crises, afirma que não adianta tentar viver sem Deus: “Eu tive muitas experiências com Deus e é incontestável o que ele já fez por mim. É só você tentar viver um pouquinho sem Deus e já vai ver a diferença gigantesca que é”. Sílvia revela a sua fórmula para vencer os questionamentos: “Venci descobrindo a Graça de Deus e começando a praticá-la. Não troco o que vivo hoje, por nada, nem ninguém”. Apesar de ter certeza de sua fé, ela afirma que mesmo se hipoteticamente o cristianismo não fosse real, valeria à pena: “E sempre quando me questiono acerca da existência dEle, algo me vêm a cabeça: Mesmo que não exista nada (falo como humana) eu amo viver dessa maneira, acreditando em Cristo, em Sua Liberdade, em Sua Graça. Não é nada vão, porque é maravilhoso viver assim”.

Para Diego, que chegou a abandonar a igreja por causa de uma crise, a conclusão é que somente com Deus alguém pode ser feliz. “Eu cheguei a viver no mundo o que todo homem sem Deus quer. Tinha uma grana razoável, um carro legal, muitas garotas e ‘amigos’. E mesmo com tudo isso não era nem um pouco feliz. Acho que isso me fez olhar para trás, para a época em que eu nada tinha e era muito feliz. Eu senti falta da maravilha que é a fé em Deus. Hoje não estou em um bom momento, mas graças a Deus sou feliz pela esperança que a fé em Cristo me leva a ter”, desabafa.

Ser sincero com Deus é muito importante nesses momentos. Ele não espera que os cristãos sejam pessoas frustradas por dentro sustentando no rosto máscaras sorridentes. Abrir o coração para Ele, dizer tudo o que está se passando dentro de você e pedir por respostas é tudo o que Ele quer que você faça, “porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.” (Mateus 7:8).

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