Curtindo a Criação :: Sol Poente
Por as em 11 fevereiro 2010 na categoria Opinião
Feliz Natal 2009!
Por as em 20 dezembro 2009 na categoria Espiritual, Fotografia, Opinião
A foto acima eu tirei depois de ter montado a árvore de natal com minha família.
Goste ou não de decorativos natalinos, aproveite essa época para compartilhar a história do menino-Deus que veio ao mundo, cresceu, morreu por nós, venceu a morte, ressuscitou e nos salvou!
Feliz Natal!
Lucas 2:8-20
Naquela noite, encontravam-se nos campos fora da vila alguns pastores que guardavam os seus rebanhos.
Eis que de súbito apareceu entre eles um anjo, e o campo ficou iluminado com a glória do Senhor. Sentiram muito medo, mas o anjo sossegou-os: Não tenham medo; trago-vos a notícia mais feliz e que se destina a toda a gente!
Esta noite, em Belém, a cidade de David, nasceu o Salvador – sim, o Cristo, o Senhor.
É assim que o reconhecerão: encontrarão a criancinha envolvida em panos e deitada numa manjedoura.
E eis que, de repente, se juntou outro grande grupo de anjos, louvando Deus: Glória ao Senhor, no mais alto dos céus, paz na Terra aos homens a quem Deus quer bem.
Depois deste grande número de anjos ter voltado para os céus, os pastores disseram uns aos outros: Vamos a Belém ver esta coisa maravilhosa que acontece e de que o Senhor nos falou.
Correndo à aldeia, encontraram Maria e José, com a criança deitada na manjedoura de um estábulo.
Os pastores falavam a toda a gente no que tinha acontecido e no que o anjo dissera acerca daquele menino.
Todos os que ouviam a história dos pastores mostravam-se espantados.
Maria, porém, guardava estas coisas no seu coração, pensando cuidadosamente nelas.
Por fim, os pastores voltaram para os campos e rebanhos, louvando Deus pela visita dos anjos e por terem visto o menino tal como o anjo lhes dissera.
De volta ao primeiro amor
Por Laila_Flower em 16 outubro 2009 na categoria Idéias, Música, Opinião
Este texto foi criado pelo Sorokbano, um dos antigos usuários do dotGospel Forum. Eu apreciei muito o texto e espero que vocês também gostem!
Beijos
Laila Flower
________________________
* Certa cantora gospel brasileira, cercada de milhões de fãs, com suas músicas sendo executadas por todas as rádios do gênero e cantadas na maioria das igrejas por solistas que usam seus playbacks, encontra uma amiga de infância que continua no meio evangélico, só que numa igreja tradicional. Chamarei essa cantora de Fulana. Nessa ocasião, Fulana conta à sua amiga o que lhe tem acontecido em todos estes anos: os prêmios que ganhou, alguns detalhes das centenas de apresentações que tem feito no Brasil e no exterior, os discos que gravou, o patrimônio que construiu ao longo dos anos… Aquela mulher, que tivera bastante intimidade com Fulana antes dela ficar famosa, ficou espantada com a mudança de sua antiga amiga e indagou, num misto de indignação e compaixão:
- Fulana, o que o dinheiro fez com você?
* Aquela conversa foi difícil. Foi uma bordoada atrás da outra. Fulana percebeu que, mesmo sem querer, tinha-se tornado mais uma mercenária entre tantos outros no meio gospel. Foi então que ela teve uma idéia ousada: cancelou todos seus compromissos do mês seguinte e decidiu criar um disfarce para visitar pequenas igrejas ao longo do interior do Brasil no referido mês.
* Com sua vasta cabeleira morena escondida debaixo duma peruca loira cacheada e usando óculos escuros, Fulana visitou uma igreja por semana: uma Assembléia de Deus em Volta Redonda/RJ, uma igreja batista em Sorocaba/SP, uma igreja presbiteriana em Londrina/PR e uma Igreja do Evangelho Quadrangular em Varginha/MG. Assistiu a todas as programações de cada igreja, inclusive as Escolas Bíblicas Dominicais. Queria muito mais do que testar sua popularidade: seu principal intento era o de descobrir o que a maioria pensa do comportamento dos músicos do meio evangélico atual e que cada um sugeria para acabar com a transformação do Evangelho em objeto de lucro.
* Fulana ficou horrorizada com algumas opiniões e principalmente por ter sido citada em várias delas (isso porque ninguém sabia que era dela que estavam falando). A quem perguntava seu nome, Fulana dizia seu apelido de infância e tentava, a muito custo, disfarçar sua voz inconfundível. Sempre que perguntavam por que usava óculos escuros inclusive à noite, a moça desconversava: “Não é nada de mais, não”. Quanto à sua igreja de origem, limitava-se a dizer que era duma igreja batista do Rio de Janeiro. O mais difícil foi conter seu vozeirão nos momentos de hinos e cânticos.
* Uma das situações mais difíceis dessa jornada em meio a seus consumidores (infelizmente é assim que muitos profissionais do meio gospel tratam aqueles que são responsáveis por engordarem suas contas bancárias) foi em sua última visita, na cidade mineira de Varginha. Uma jovem fez um solo com uma das músicas mais conhecidas de Fulana, que assistiu a cena com o coração saindo pela boca e suando frio; afinal, ela costumava achar defeitos em todos aqueles que cantavam suas músicas, e aquela adolescente era uma das poucas que cantava melhor que ela… Fulana não agüentou e foi conversar com a jovem:
– Parabéns, gostei muito de seu solo! Que Deus a abençoe! Você canta desde pequena?
– Sim, eu canto desde os nove anos. Sempre fui fã da Fulana, ela canta muito! Meu maior sonho é cantar com ela!
– Mas o que é mais importante para você, a mensagem ou quem canta?
– Bem, a mensagem, claro! – respondeu a menina, um tanto espantada com a pergunta de sua interlocutora. – Mas se eu fosse a Fulana, eu procuraria apresentá-la da melhor maneira possível. Deus merece o melhor, não é mesmo?
– E se a Fulana estiver abusando disso a ponto de transformar a mensagem cantada de Cristo em mercadoria? E se ela estiver deixando de ser uma ministra do Evangelho para tornar-se uma artista, uma popstar?
– Moça, por acaso você é alguma repórter disfarçada? – replicou a adolescente, já incomodada com a ousadia da desconhecida.
* Fulana, então, suando frio e engolindo em seco, olhou para cima, balbuciou umas palavras como se estivesse orando em voz baixa e pediu à menina que a levasse até seus pais. Apresentou-se a eles com seu apelido e perguntou-lhes se poderia dormir na casa deles naquela noite antes de voltar para o Rio de Janeiro. Ao receber resposta afirmativa, saiu de mansinho, ligou para seu marido – que estava hospedado num hotel em Varginha – e foi com aquela família para a residência deles, uma humilde residência na periferia daquela cidade.
* Era uma casa ainda em fase de acabamento, com as paredes ora chapiscadas, ora rebocadas, ora com tijolos ainda à mostra. Havia mofo e infiltrações em alguns cômodos. O banheiro está cheio de baratas mortas, resultado da recente aplicação de inseticida. Mesmo assim, o chefe daquela humilde família dizia: “Nós é pobre mas é limpim”. Na sala, a foto do filho mais velho do casal, preso por tráfico de drogas, objeto de constantes orações daquela aflita mãe. Ao referir-se a ele, a matriarca não conseguia conter suas lágrimas. Incomodada com a presença da estranha naquela casa, a adolescente trancou-se no quarto para ouvir pela enésima vez o último CD da Fulana… Até que seu pai a chamou para o jantar.
* Aquele seria o jantar mais surpreendente da história daquela família. Sobre a mesa, apenas arroz, feijão, carne de panela e salada de alface com cebola, além de dois litros de tubaína. Como era de costume, os anfitriões pediram à visitante que orasse. Fulana se esqueceu do disfarce e dirigiu-se a Deus da seguinte maneira:
– Senhor Deus e Pai, Criador do Céu, da Terra e de nossas vidas, eu Te peço que abençoes este alimento e esta família que me acolhe nesta casa. De uma maneira especial, eu Te peço perdão por finalmente perceber o quanto tenho sido infiel a Ti. Tenho transformado o dom que Tu me deste em objeto de lucro e a mensagem que Tu me incumbiste de transmiti-la ao mundo em mera mercadoria. Senhor, Tu me chamaste para ser sal e luz, mas finalmente percebi que o sal se tornou insosso e a luz foi ofuscada por causa da fama, do sucesso, do dinheiro, dos aplausos…
* Fulana mal conseguiu proferir as palavras seguintes. Desabou a chorar. Durante a oração, arrancou a peruca, desfez o coque e jogou os óculos escuros no chão. A menina não se conteve: abriu os olhos e ficou petrificada de assombro ao ver seu maior ídolo, sua maior musa inspiradora, bem na sua frente, debulhando-se em lágrimas e arrependendo-se de todos os excessos cometidos ao longo de sua carreira de tantos anos! E os pais dela continuavam com os olhos fechados, respondendo “Amém!”, “É verdade, Senhor!”, “Tem misericórdia, Senhor!”.
* Terminada a oração, os pais da cantora abriram os olhos e quase caíram para trás de susto.
– Sou eu mesma – revelou Fulana. – Desculpe-me por fazer vocês passarem por uma situação destas. Mas eu precisava descobrir onde eu estava errando e o que eu deveria fazer para voltar a ser uma cantora totalmente comprometida com a obra de Deus, sem ostentação, superexposição, apego às coisas terrenas… Precisei sair do pedestal onde eu me encontrava para perceber o quanto eu estava desviada do plano que Deus tinha traçado para meu ministério. Não é justo eu viver como uma artista, como uma celebridade, enquanto a maioria do povo que ouve minhas músicas, que compra meus CDs e DVDs, tem que matar um leão por dia, passando por dificuldades. A partir de agora quero dedicar-me a meu ministério como nunca o fiz em toda minha vida. Quero buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, sem colocar as demais coisas acima dEle. A partir de agora, quero deixar de viver às custas do Evangelho como uma mercenária e permitir que Cristo viva em mim e me capacite a apresentá-lo ao mundo sem transformar a casa de Deus num covil de ladrões!
* Nascia ali uma nova Fulana. Ou melhor, Fulana voltava a ser como no início de sua vida cristã, voltou a ter a consagração e o ardor missionário do início de seu ministério. A partir daquele momento, aquela famosa cantora gospel faria tudo o que estivesse a seu alcance para nunca mais ser motivo de escândalo para ninguém. Devolveria todos seus troféus, venderia boa parte de seus bens e doaria o dinheiro para entidades beneficentes cristãs e para diversas obras missionárias, mudar-se-ia para um sobrado no bairro carioca da Lapa, rescindiria seu contrato com a gravadora que praticamente construíra sua carreira… Para gravar seu próximo CD, ela teria que dar uma boa quantia de seu próprio bolso para pagar um estúdio desconhecido e começar seu ministério praticamente do zero…
* Mas tudo parecia ter um gosto diferente. O anonimato era muito melhor! Agora ela tinha todo o tempo do mundo para dedicar-se à sua família, seus amigos, seus irmãos em Cristo na igreja onde congregava… Ela agora podia fazer compras, passear com seus filhos, visitar seus parentes e fazer uma série de outras atividades que o corre-corre e a tietagem não permitiam que ela fizesse. Ela finalmente estava livre para servir a Deus e pregar Seu Evangelho com toda autoridade e disposição, sem ser escravizada pela fama e pela ditadura do mercado fonográfico gospel. Meses depois, ao ser abordada por um repórter que queria saber como ela se sentia ao abandonar as glórias do mundo das celebridades de seu gênero musical e construir uma nova carreira, mais humilde e com poucos recursos, Fulana foi enfática:
– Antes eu era uma artista. Agora sou uma missionária!
* Esta é uma história fictícia, mas poderá ser real um dia se boa parte dos cantores evangélicos que tem feito fama e fortuna no meio cristão se derem conta do quanto estão sendo incoerentes com o Evangelho que tentam pregar, trocando o exemplo de Jesus pelo apego às coisas terrenas. ”Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3).
Ser feliz é o que importa?
Por Hana em 13 agosto 2009 na categoria Opinião
Se isso te deixa feliz então é o que importa. Quantas vezes você já ouviu ou disse isso? Algumas com toda certeza.Mas de todas as escolhas importantes que temos que fazer nessa existência; de todas as nossas obrigações a cumprir nesse mundo, seria a nossa felicidade pessoal a escolha e a obrigação mais urgente? Hoje em dia faço parte da minoria que acha que não. Mas essa busca incondicional pela felicidade pessoal é a filosofia de vida da maioria das pessoas.
Sempre que ouço o discurso da felicidade suprema penso no contraste que existe entre essa filosofia e o que as Escrituras dizem sobre o que realmente importa nessa vida. Nessas frases aparentemente tão certas e tão justas, as pessoas percebendo ou não, estão aprovando e adotando como regra de vida o perigoso caminho do egocentrismo.
Exatamente por acreditarem que possuem o direito de serem felizes as pessoas cometem atos que trazem apenas mais sofrimento para elas e para resto do mundo. A felicidade passageira de alguns tem custado a infelicidade de muitos outros, e a perda de muitos valores fundamentais também.Movidas pela busca de sua felicidade as pessoas destroem casamentos, desfazem famílias.Matam se for preciso.Preferem o caminho mais rápido da corrupção, da mentira e passam por cima de quantas pessoas forem necessárias para atingir o objetivo de conquistar a felicidade para si.Infelizmente devemos muito dos males da humanidade a essa busca desvairada pela satisfação pessoal.
Contudo não estou dizendo que é errado querer ser feliz. Mas quando isso nos leva a deixar de fazer o que é certo então nossa busca passa a estar equivocada e nossos motivos injustificáveis.Temos que aprender a encontrar a satisfação em fazer o que é certo, bom e agradável a Deus e aos outros. Somente isso vai nos trazer real e duradouro bem-estar.Nosso dever não é primeiramente e unicamente com a nossa felicidade.Tem mais gente nesse mundo e um Deus no céu a quem vamos prestar contas.Qualquer pessoa que realmente queira viver num mundo menos desprezível precisa refletir sobre isso e quem sabe, mudar de atitude urgentemente.
Eventos da Vineyard em Guaíba – RS
Por Laila_Flower em 11 agosto 2009 na categoria Opinião
Essa é pro pessoal do sul. A Vineyard e o Ministério I. L. A. vão fazer uma jornada de eventos no próximo fim de semana em Guaíba -RS.


Aproveite!
Super Size CÓSPEU – Dia 7 (final!)
Por Laila_Flower em 10 agosto 2009 na categoria Música, Opinião
======> Sétimo dia.
Nem acredito, consegui resistir bravamente. Resta-me agora um
longo período de recuperação pela frente…
Obrigado a todos que me prestigiaram com sua audiência virtual. Com alguém disse, o Super
Size Cóspeu alcançou a marca história de 45 pontos no Ibope!!
Vamos lá. Ultimo dia da saga. Como eu comecei segunda dia 27 de manhã, fui até o domingo dia
3 de noite, daí minha demora em dar o sétimo e último relatório.
Vamos então às observações:
* Ouvi uma pregação de uns 20 minutos falando sobre o espiritismo, que não acrescentou nada.
* Desta vez foi só a rádio da Quadrangular. A rádio do R R Soares ficou de lado desta vez.
* Tive que ouvir mais duas vezes a tal da “chuva de avivamento”. Agora essa porcaria não me
sai mais da cabeça nem com cirurgia no cérebro…
* Fizeram a propaganda mas não tocaram inteira (ainda bem) mais uma canção falando de
chuva, de uma tal de Pâmela, da Emeká.
* Tocaram uma do Kleber Lucas pela primeira vez (o ritmo dela, meio quebrado, é até legal). O
locutor anunciou, “antes você ouviu Voices, ‘Pisa no inimigo’”. Puxa, nem acredito que eu perdi
essa pérola…
* Tocaram de novo uma do Diante do Trono, das mais recentes, mas que eu não consigo lembrar
o nome. Ela tem um solo de percussão bacana no final. É um restinho de esperança que eles
fiquem um pouco mais com a cara do Brasil…
* Tocaram uma canção de letra clichê (levante suas mãos e exalte ao Senhor), que não falaram
quem canta, que tem os acordes flamencos, solo de violão flamenco, mas uma batida de techno
que destruiu a música. Por falar em mistura exótica…
* Tive que aturar mais uma vez “Senhor te quero”, do viniarde, mas desta vez cantada em inglês
(“In the secret”) pelo Sonic Flood. Para quem já não gostava dela no arranjo “normal”, foi um
tratamento de canal.
* Eu já estava aliviado, pensando que pelo menos “Eu quero é Deus” eu não tinha sido obrigado
a ouvir. Pois eis que senão quando, adivinhem o que eles tocam domingo de noite?? Ninguém
merece!! Vou poupar vocês de ouvir meus comentários sobre essa “música” e sobre essa “letra”.
Vou comentar pelo menos um lado bom, a exemplo do que falei no primeiro dia, o baixista
mandou ver. Pelo menos isso se aproveita.
* Pontos positivos (acreditem, houve!): Tocaram o clássico “Oh happy day” (mas não disseram
quem cantava), num arranjo bem maneiro. Tocaram uma música inspirada no filho pródigo, que
o locutor disse que a cantora era “Aline Santana”, se não me engano. A letra começa assim: “Eu
tão longe andei meu caminho escuro se tornou/Perdido e sem forças me senti/Eu não pude ver
que ao meu lado sempre estava alguém/Tentando meu ajudar a prosseguir”. Uma letra bem
legal, que hoje infelizmente é mais exceção do que regra. Tocaram também duas músicas legais,
uma da Jeane Mascarenhas (não conheço a cantora) e outra da Jamile (essa última no estilo
“disco” anos 70). Aliás, uma vez vi a Jamile na TV imitando a Whitney Houston, igualzinha… Essa
que tocaram dela é menos “comercial” que as outras que ela canta.
* Pela primeira vez tocaram o Legião Urbana. Quer dizer, o Catedral. Se não fosse rádio
evangélica, eu pensaria que era o Legião.
* Foi o dia que mais tocaram músicas estrangeiras. Lembrei-me também da “You’re my God”, da
Jaci Velasquez.
* Para fechar com chave de ouro, mais duas versões da “Draw me close to You”. Desta vez
consegui resistir até o fim e escutar tudo. Outra que não sai mais da cabeça. Tá revezando com a
chuva do avivamento…
Observações gerais agora, sobre os sete dias:
* Realmente a proporção de cantoras é maior que a de cantores, mas não tão alta quanto
constatei no primeiro dia.
* Chuva, chuva, chuva…
* Só se faz rádio evangélica para pentecostal e neopentecostal. Nada pessoal contra esses
irmãos, mas acaba existindo uma discriminação contra quem não se encaixa nesses rótulos, que
tem que se virar e comprar CD mesmo, ou então que ouça as notícias da CBN ou outra rádio.
* O estilo “brega” é campeão disparado. Falta um pouco de noção de quem faz a programação.
Tocam um rock e um breganejo colados um no outro. Constatei isso várias vezes.
* Chuva, tem chovido, manda mais chuva…
* O Diante do Trono tem muito menos representatividade no rádio do que seria de se imaginar, a
julgar pela quantidade de discos que eles vendem. Quem não gosta deles, fique sabendo que
existe coisa muuuuuuuuito pior.
* Não ouvi nenhuma do Cirillo e só uma que talvez seja do Deividikila, mas não tenho certeza.
São outros que, pela quantidade de discos que vendem, seria de se esperar que tivessem mais
representatividade no rádio.
* As gravadoras que têm ca$calho, cujos nomes não vou citar (Emecá, Graça Míusique, Line
Records, etc) tocam o tempo todo, inclusive com propagandas de seus artistas.
* Chove chuva, chove sem parar…
* O uso excessivo de metáforas como águas, quebrar os grilhões, jardim do noivo e outras coisas
pra lá de etéreas.
* Doutrinas centrais do Cristianismo, como a cruz e a salvação tiveram muito menos
representatividade do que coisas acessórias como poder, unção, avivamento, etc.
* Tirando a canção que lembra remotamente o filho pródigo, não se canta mais nada sobre as
parábolas de Jesus.
* As pregações são muito mais voltadas para o bem-estar material do que espiritual do
indivíduo, com poucas exceções. As tais “campanhas” e “correntes” das igrejas neopentecostais
e pentecostais continuam fazendo o maior sucesso.
* E como tem chovido…
* Várias vezes tentei salientar o lado positivo das músicas, notadamente os instrumentistas. E
realmente foram muitas levadas de baixo, muitos solos de violão ou guitarra, solos de percussão
e vozes bonitas que apareceram. Pena que isso não se traduz em melodias belas e, quando isso
acontece, as letras são muito superficiais, quando não são baboseiras mesmo. Os bons músicos
(que são muitos!) estão subaproveitados. Não sei se, por eu ser músico e conseqüentemente ter
uma percepção musical mais aguçada que o cidadão comum, isso influencia tanto…
* Mais chuva…
* Repito que a música evangélica brasileira cuspiu, aliás, vomitou no prato em que comeu. Deu
uma banana para seus pioneiros.
* As rádios não tocam produções independentes. Sem chance.
* Não cheguei a ouvir a terceira rádio evangélica de BH, que é da Univer$al, talvez porque
distorcesse muito o universo amostral do estudo, principalmente no teor das pregações.
* Meu período de recuperação começou escutando o “Eram Doze”, do quarteto Guilherme Kerr,
João Alexandre, Jorge Rehder e Jorge Camargo, com participações de outros músicos talentosos
nos arranjos. Pretendo ouvir outras coisas do mesmo nível, e voltar a tocar meu repertório, já
que estava só exercitando improviso e técnica.
* Eu sobrevivi. Nem acredito. Ao que tudo indica, minha sanidade também sobreviveu. Existe
vida após uma experiência como essa.
* Meus agradecimentos à minha querida esposa Miriam, que agüentou essa barra junto comigo!
* E tem chovido!!!
Super Size CÓSPEU – Dia 6
Por Laila_Flower em 9 agosto 2009 na categoria Opinião
======> Sexto dia.
O que me anima é que já está quase acabando.
· Ontem ouvi mais uma vez a sensacional “Parada de Sucessos” da “Nossa Rádio” (do RR
Soares). Imaginem o que é enfrentar o estressante trânsito de uma grande cidade ouvindo isso…
<ironia>Pelo visto a gravadora dele, a Graça Music, vai muito bem, já que os três primeiros
colocados eram daquela gravadora!!</ironia> Destaque para a Sandrinha, com “Rios de unção”
– “eu vou mergulhar em suas águas etc” e para a versão rodeio do “eu quero ver a mão do
Senhor tocar em seu viver”, da dupla sertaneja “Os gauchinhos”. Bom, eu não posso ouvir outra
coisa que não rádio evangélica, mas posso mudar para outra estação evangélica, e foi o que fiz,
colocando na rádio da Quadrangular. Adivinhem o que estava tocando? Diante do Trono! Pelo
visto minha teoria de que eles não tocam no rádio porque não pagam jabá “caiu por terra”
(viram, já estou fluente no evangeliquês!!) Depois disso, fui salvo pela “Voz do Brasil” e desliguei
o rádio. · Descobri também que no meu relatório de dois dias atrás a música que falava de
“Chuva” era a “Chuva de avivamento”, da Alda Célia. “Abundante chuva! chuva! Derrama sobre
nós esta chuva Abre as comportas dos céus, Senhor Faz chover…” Puxa, quanta criatividade de
quem compôs isso! · Aliás, continua chovendo… Olhem só a que tocou ontem com o PG
cantando: “Chuva, quero chuva/Tua chuva sobre mim/Chuva, quero chuva/Tua chuva de unção
sobre mim/Faz chover, faz chover/Abre as comportas do céu” – detalhe, essa é a letra completa
da música. Quem copiou de quem?? · Minha constatação no primeiro dia de que não se tocava
tanto louvor e adoração pelo visto não foi correta. Foi só escutar no horário de 9 da noite, que na
rádio da Quadrangular era só esse estilo, bem como hoje cedo (entre 7:30 e 8 da manhã).
Destaque para “Ele vem e ele vem saltando pelos montes”, “Jardim secreto da adoração” (Alda
Célia) – “Eu já me perfumei com o óleo da unção/Já me adornei com as vestes reais do louvor/Por
ti desfaleço de amor” (essa letra devia ser proibida para menores de 18 anos!), “Senhor te
quero”, do Viniarde míusique BraZil (argghhhhhh!!! Eu achava que pelo menos dessa eu tava
livre, ai ai ai!). · E é um tal de “move as águas” e “toca nas águas” que eu não entendo. Deve ser
a água da chuva que tem sido abundante! Desse jeito, o fogo dos pentecostais não vem!! Tem
uma assim “move as águas senhor,move as água/vou mergulhar,vou restaurar a minha vida”, da
Comunidade Cristã de Goiânia, naquele estilo em que o “líder/dirigente de louvor” fica berrando
no meio da música e mais falando do que cantando, e também uma da Lauriete que é assim:
“Toca nas águas meu irmão, toca nas águas (…)E pela fé tua vitória hoje vai chegar, em nome de
Jesus.” Engraçado, antigamente se dizia “se Deus quiser”, mas hoje os crentes já decretam “vai
acontecer em nome de Jesus” (tá implícito aí um “queira Deus ou não, não faz diferença…” ·
Ontem à noite tocaram uma que deve ser do Marcos Witt, em ritmo caribenho, em espanhol, que
gostei muito. Pelo menos uma… · Pela primeira vez tocaram o Voices… · Mais cantoras no
estereótipo Emeká (nem todas são dessa gravadora, mas o estereótipo é o mesmo): Lydia
Moisés (“Sou protegida…”), Eyshila, Jossana Glessa, fora outras. Aliás, tenho uma teoria que
divide essas cantoras em dois grupos, o pentecostal e o neopentecostal. Infelizmente existe
aquele estigma que pentecostal tem que ser pobre, então quem é pobre metido a rico não
aceita o rótulo de pentecostal e se intitula “neopentecostal”. Pobre que não se importa de
assumir que é pobre é pentecostal mesmo. Quem é rico mesmo não tá nem aí pra isso. Pois
bem, tem as cantoras pentecostais, que berram e falam de poder, de fogo etc. O ícone delas é a
Cassiane. Já as neopentecostais falam de água, chuva, unção e restauração. O ícone delas é a
Alda Célia. Geralmente berram menos. Mas ambas fazem clipes em que aparecem levantando as
mãos. Aliás de pobre a Cassiane não deve ter nada, já vendeu milhões de cópias! · Mais
breganejo… Mas já estou até acostumado. · Confesso que hoje não consegui ouvir pela
centésima segunda vez mais uma versão do “Draw me close to You” e desliguei o rádio… Não
deu, fraquejei, perdoem-me! · Mais uma pregação vazia seguida da campanha contra os sete
piores espíritos do inferno, com o pastor Jerônimo Onofre da Silveira, na rádio da Quadrangular.
Ele pregou sobre a viúva ajudada por Eliseu, que segundo ele estava endividada de manhã e de
tarde já era a maior empresária do ramo de azeite da sua cidade. Ele assegurou que o ouvinte
em situação parecida iria melhorar sua condição até o fim do dia. Fico pensando se um ouvinte
mais simples, am aperto financeiro, escuta isso, chega no fim do dia, ele tá pobre do mesmo
jeito, se ele não vai querer culpar a Deus pela baboseira de um pastor… Segundo eles, os sete
piores espíritos do inferno são o de confusão, o de perturbação, o de miséria, o de enfermidade,
o de injustiça e mais duas legiões, uma que traz a presença do capeta e outra que causa
derrota… · As músicas de louvor/adoração estão cada vez mais sem criatividade. É um tal de
“Meu prazer é estar prostrado diante de Ti na tua presença etc”. É só juntar meia dúzia de
palavras assim, mudar a ordem, tocar em dois ou três acordes maiores que qualquer um lança
um CD de adoração. Aliás, esse negócio de “meu prazer é isso” me soa meio hedonista…
Tá complicado. Será que eu resisto até amanhã??
Super Size CÓSPEU – Dia 5
Por Laila_Flower em 8 agosto 2009 na categoria Música, Opinião
======> Quinto dia.
Os sinais de insanidade já começam a se manifestar. Já estou
falando o idioma fluentemente (ou quase): “há uma unção neste lugar… quero mergulhar nessas
águas, nadar no rio de unção, que traz restauração para todo o meu interior….” Pegue essas
palavras, troque a ordem, repita algumas vezes, coloque uma cantora com voz bem forte
cantando, e você já fez um quarto da programação de uma rádio evangélica. Eu sei que isso não
é heresia, que Jesus falou mesmo que rios de água viva fluiriam do nosso interior, a Bíblia fala o
tempo todo de cura, libertação, restauração, etc, inclusive usando a metáfora do óleo que sara
feridas, mas o problema é que a falta de criatividade tá cada vez pior. Quando um termo cai na
moda, já era.
A coisa tá ficando pior ainda, já que depois de alguns dias estou ouvindo mais de uma vez a
mesma música, e a conseqüência inevitável é que a gente fica com a canção na cabeça o resto
do dia. É de doer…
Outras observações:
* Vamos começar pelo lado bom. Depois do besteirol que escutei ontem de manhã, ontem de
noite já vi que nem tudo está perdido. Liguei o rádio depois de 10 da noite na estação da
Quadrangular e o locutor contou aquele história supostamente real da mulher racista no vôo da
British Airways (essa história já circula faz anos na internet. Se alguém quiser ler, veja em
www.quatrocantos.com/lendas/141_preconceito.htm). Seguiu-se uma longa mensagem sobre
preconceito, acepção de pessoas, racismo, desprezo aos pobres, etc etc etc, coisa que não se
prega nas igrejas hoje em dia. Depois, no horário do comercial, estragaram tudo com uma
propaganda da “campanha contra os sete espíritos mais poderosos (e não perigosos, como eu
disse ontem) do inferno”, segundo eles “a maior campanha de libertação de Minas Gerais”. Só
não deixe aquele cara da outra campanha que falei ontem (o tal do “Mestre Camilo” saber
disso…). Lá pelas 11 da noite, veio mais um alívio, um pastor de uma outra denominação (algo
como “Comunidade Cristã Pão da Vida”, não lembro direito) fez uma longa exposição do
Evangelho, citando Moisés e os Salmos e finalmente o Novo Testamento. Uma pregação de uns
40 minutos que expôs o Evangelho sem rodeios e penduricalhos, que deixou ao mesmo tempo
alegre pelo teor da pregação e triste porque ninguém passa isso nos horários de maior
audiência… Mas a mensagem foi tão boa (sério, sem ironia!) que, no fim, eu já estava quase
levantando minha mão e falando “eu aceito!” hehehe
* Ontem ouvi a “parada de sucessos” da rádio do R R Soares. Tocaram, não necessariamente
nesta ordem, um clone do Marcos Witt (Marcos González), “Agnus Dei” do Michael Smith, uma
cantora estilo Ludmila Ferber (se não for a própria) cantando sobre “mergulhar-nas-águas-derestauração-
bla-bla-bla” e o Carlinhos Félix mais uma vez cantando “Senhor eis-me aqui” (pelo
menos o arranjo dele foi melhor que o da Darlene Zchech).
* Hoje fui ouvir mais um pouco de manhã, mas liguei o rádio e foram uns 10 minutos de
propaganda (sem exagero, se bobear foi mais tempo ainda!), até que desisti e fui fazer outra
coisa.
* Por falar em propaganda, deu vontade de comer um mês só no McDonalds, pra ficar bem
gordinho e poder assim experimentar o “Dieta Fácil”, que eles dizem ser a oitava maravilha do
mundo e que ocupa boa parte do horário publicitário na rádio da Quadrangular. Mas aí eu fiquei
na dúvida, porque depois eles fizeram propaganda do “Magrins”. Já que o “Dieta fácil” é tão bom,
por que eu precisaria usar outro produto? Acho que estão querendo me engalobar…
* A rádio, em parceria com uma livraria evangélica bem conhecida em BH, sorteou para um
ouvinte um Microsystem e mais dez CDs: Diante do Trono, André Valadão, Alda Célia, Cassiane,
Soraya Moraes, Aline Barros e mais uns outros que não me lembro. Engraçado, a igreja brasileira
cuspiu mesmo no prato em que comeu. Todo mundo se esqueceu do VPC, do Bomilcar, do Carlos
Sider, do Aristeu, do Jorge (Camargo e o Rehder), do Guilherme Kerr e até do João Alexandre.
Olha que estou falando dos pioneiros, aqueles que graças a eles a gente pode ter uma bateria
na igreja hoje. Se eu fosse falar dos independentes e outros que estão começando agora… Já
ouviram falar no Márcio Cardoso, na Gláucia Carvalho, no Josimar Bianchi, no Silvestre Kuhlman,
no Carlinhos Veiga? Pois é…
* Não tocaram Diante do Trono até hoje, mas hoje tocaram André Valadão na rádio do R R Soares
(a propósito, a rádio se chama “Nossa Rádio”).
* Talvez ainda dê tempo de participar da promoção da Nossa Rádio – o prêmio sensacional é um
livro do Kenneth Hagin!! (pra quem não conhece, o papa da teologia da confissão positiva)
* Ontem ouvi dois forrós na Nossa Rádio. Um era genuinamente nordestino: “se Deus
détérminou, está détérminado etc”, falando que se Deus decretou, se Deus disse, se Ele falou
que você tá curado, que você tá abençoado, etc, ninguém revoga. O outro forró já era o que
chamam de “forró universitário”, ou seja, coisa de gente do Sudeste que faz música imitação de
forró pra tocar em baile de estudante e em boates. Esse outro falava “se o inimigo fechou a
porta, o anjo tem a chave e vai abrir a porta” (isso mesmo, rimou “porta” com “porta”. Genial!)
* Hoje tive que ouvir de novo a pérola “eu vou abrir o meu coração/eu vou deixar o meu noivo
entrar”… Pelo menos ela tem um solo de guitarra bem legal.
* Acabei escutando mais uma pérola do tal do “A pá sentar de Nova Iguaçu”. Desta vez a
aberração foi “restitui, eu quero de volta o que é meu”. Bolas, imagine Jó recebendo a notícia de
que perdera tudo, e dizendo uma frase dessas pra Deus… A única coisa que é genuinamente
seu, cara pálida, é o fogo do inferno. Essa é a única coisa que você e eu realmente merecemos.
O que vier é lucro. Deus só não me manda pra lá por misericórdia, porque é isso que meu
pecado me fez merecer. Parece que os cariocas estão querendo se superar. Primeiro é a turma
de Nilópolis, agora é Nova Iguaçu… Quem será o próximo?
* Mais uma da dupla sertaneja “Os gauchinhos” da “Graça Music” (gravadora do R R Soares):
“Com Deus na sua vida é vencer ou vencer”. Notei também que em boa parte das canções a
palavra “vitória” e seus derivados aparece o tempo todo. Deviam tocar a musiquinha do Ayrton
Senna (Tema da Vitória) em rádio evangélica também, acho que ia dar audiência…
* Ontem, depois que acabou aquela mensagem maravilhosa que falei acima, começaram a tocar
a vigésima quinta versão em português do “Draw me close to You” do Michael Smith. Não
agüentei e fui dormir.
Tá difícil. São só mais dois dias, mas já está muito difícil de agüentar. Não sei se rio, se choro, se
pulo do meio-fio, se mergulho nas águas de restauração, se compro o “Dieta fácil” mesmo sem
precisar……
Super Size CÓSPEU – Dia 4
Por Laila_Flower em 7 agosto 2009 na categoria Opinião
======> Quarto dia.
Para a decepção dos fãs, hoje não deu tempo de escutar quase
nada. Vou ver se tiro o atraso de noite e dou um relatório maior amanhã…
* Descobri que o Conrado se converteu, e pelo visto a Sorvetão também. Ele continua cantando
brega do mesmo jeito.
* Hoje tocaram uma música no estilo Cirillo/Deividikila, mas não sei se é deles. Um roquinho
estilo britânico com batida 2/4, metrônomo a 120 (meu metrônomo mede isso). Uma letra bem
clichê, tipo “quando estou em tua presença me dá vontade de cantar, me dá vontade de pular,
me dá vontade de dançar……” Nos EUA hoje em dia só se canta isso em boa parte das igrejas,
acho que foi a moda do Delirious e do Viniarde que ficou mais popular que o Hosanna e o
Maranatha. Semelhante ao que aconteceu no tempo dos Beatles, a música britânica passou a
influenciar os americanos demais, e conseqüentemente nós aqui também.
* Mais uma vez, dá-lhe estilo cantora pentecostal, desta vez menos berrada do que o estilo
Cassiane, agora mais para Alda Célia (não sei se tocou alguma coisa dela, a rádio não diz quem
está cantando!)
* Na hora das notícias, acabei mudando de estação e colocando na rádio do R R Soares. Só deu
tempo de ouvir duas canções, uma meio “dance” (o famoso “putz-putz”, só que mais pra anos
70) falando qualquer coisa do tipo “glórias ao Espírito de Deus”. A voz do cara fez doer meus
ouvidos. A outra era um rock tipo Resgate, falando sobre 5 pães e 2 peixinhos. A letra era até
interessante, mas esse estilo definitivamente não me apetece.
* Apesar de realmente as rádios evangélicas privilegiarem o que é produzido no Brasil e não
tocarem quase nada de gringo (no passado elas já tocaram com mais freqüência Sandy Patti,
Amy Grant e Petra), percebe-se nitidamente que nada é em estilo genuinamente brasileiro. Até
os breganejos são parecidos com os countries de corno dos americanos (Willie Nelson etc). Os
berros estilo Cassiane tentam (eu disse tentam!) imitar as cantoras negras de igrejas
americanas, só que não passam nem perto. Os de louvor/adoração hoje em dia é tudo pop-rock,
mais especificamente a vertente britânica, geralmente em tons mais fáceis para tocar em violão,
a saber, mi e sol (notei que o Deividikila só toca em sol). Ainda existe o tabu de que tudo que
tem percussão que não seja bateria (instrumento americano) é do diabo. Se bem que tá
melhorando, uns anos atrás até bateria não era bem vista.
* Mais um dia e não tocaram Diante do Trono. Interessante, aqui em BH tem uns 30 mil membros
da Lagoinha, fora as “franquias” (na verdade, clones mesmo). Será que é porque eles não
pagam jabá? é a pergunta que não quer calar. Bom, talvez eu tenha que ouvir por mais tempo
pra saber se não tocam mesmo ou se foi coincidência. Ou às vezes é porque a rádio é da
Quadrangular, e eles não devem gostar de concorrência. Vai saber…
* VPC, João Alexandre, Logos? Eles não devem nem saber o que é isso.
* Os primeiros sintomas da síndrome de abstinência de boa música já começaram a se
manifestar. Até quando pego o violão eu me propus a fazer apenas exercícios técnicos (tocar
escalas e cromatismos para exercitar os dedos) ou improvisar em cima das músicas do rádio.
Se eu resistir, amanhã mando mais um relatório.
Super Size CÓSPEU – Dia 3
Por Laila_Flower em 6 agosto 2009 na categoria Opinião
======> Terceiro dia.
Hoje foi o dia das “pregações”, que até então não tinha tido a
chance de ouvir. De manhã, por volta das 7 horas, na rádio da Quadrangular, um pastor cujo
nome já me esqueci pregava, sem citar a referência bíblica, sobre um texto escondidinho lá em II
Samuel 23:11-12, sobre um dos valentes de Davi que venceu os filisteus que roubavam as
lentilhas dos israelitas (ele nem mencionou que era um dos valentes da Davi, só citou a
passagem assim, sem referência e sem contexto). Daí fez a aplicação imediata do texto: “e você,
vai deixar o diabo roubar suas bênçãos (lentilhas)? Venha para a campanha contra os sete
espíritos mais perigosos do inferno.” E continuou, explicando que os espíritos mais perigosos são
o de miséria, o de enfermidade, o de confusão…. Ou seja, se o cara é miserável não é porque é
preguiçoso, é por culpa do espírito de miséria (não estou dizendo que todo mundo que é
miserável é por preguiça, não me entendam mal!!!). Só fico imaginando o que teria acontecido
com o “espírito de porco”…
Por volta das nove da manhã, veio o testemunho de uma ouvinte que era estéril mas conseguiu
engravidar por que “determinou para Deus” que o neném estaria na sua barriga, conforme lhe
havia instruído o locutor um ano atrás. Mas como Deus é misericordioso, atendeu o desejo dela
mesmo ela dando ordem pra Ele! Seguiu-se a canção “A cura”, cantada pela Cassiane. “A cura
vai chegar, não há como impedir”, ou coisa parecida. O mais legal é que essa música fala sobre
uma suposta “nuvem de unção”, o que quer que isso signifique.
Ah, esqueci de dizer, hoje ouvi pela primeira vez uma canção genuinamente brasileira, aliás
duas, cedinho antes da tal pregação. Era um forró nordestino com triângulo e tudo, seguido de
um breganejo acompanhado por sanfona (desta vez bem diferente do country de corno
americano). Os dois tinham a letra caracteristicamente pentecostal, dizendo algo como “o seu
fogo é tremendo, nem um bombeiro querendo consegue apagar” (perdoem minha memória, as
palavras podem não ser exatamente iguais). Tá feia a coisa. Pentecostal só fala de fogo e
neopentecostal só fala de chuva. Deve ser por isso que o tal avivamento não vem, a chuva
apaga o fogo…
Já na rádio do R R Soares, veio o ponto alto do dia, a “oração do meio-dia com o consagrado
homem de Deus ministro Camilo”. Ele começou, com aquela voz estereotipada de pastor de TV,
“coloque um copo d’água sobre seu rádio para receber a energia positiva…”. Foi difícil de
acreditar, mas ele disse isso mesmo. Até suspeitei que fosse delírio meu, depois de quatro dias
ouvindo rádio evangélica, mas não, eu tenho uma testemunha. Ele falou isso mesmo. E foi mais
longe, “nesta sexta eu estarei realizando [sic] a maior campanha espiritual do Brasil e do mundo,
a campanha da defesa espiritual, na qual você receberá o bracelete da defesa espiritual com um
versículo bíblico”… Fico imaginando o que o pessoal da “campanha contra os sete espíritos mais
perigosos do inferno” pensaria disso! Ah, eles fecharam a “oração do meio-dia” dizendo “venha
para a campanha da defesa espiritual com o *mestre* Camilo”. Uai, além de pastor ele ensina
capoeira?
Quanto à parte musical, foram uns 3 breganejos, um rock estilo Resgate/Oficina/Fruto (antes de
um breganejo), uma da Cassiane e três no estilo congregacional. Aí é que vem a parte legal. A
primeira congregacional tem aquela letra no estilo triunfalista, tipo “agora com Jesus eu sou um
super-homem, nada pode me impedir/derrotar/deter, nem a criptonita do inimigo, sou imbatível,
bla bla bla”. Já a segunda foi, pela primeira vez, uma música legal nesses quatro dias. Sério, o
locutor falou no fim o nome do grupo, chamava-se banda “Nefet” (Nephet? Será que ele não quis
dizer “nephesh”, que é “alma” em hebraico?) Bom, a música me deu aquela sensação de “nem
tudo está perdido”. A letra era meio nada-de-mais, tipo “Cristo sou seu amigo, estou contigo nos
lugares celestiais”, alguém aí conhece?? A música tinha uma progressão de acordes bacana,
cheia de sétimas maiores (quem me conhece sabe que eu adoro sétimas maiores!), com um
acompanhamento maneiro de guitarra e metais, e um solo de percussão no meio super bacana.
Deu vontade de comprar o CD deles, se alguém puder me indicar se é bom o resto ou se foi só
essa… A terceira congregacional foi a prosaica “Rompendo em fé”, e aí tive que estacionar e
parar de ouvir.
Só uma observação, notei nestes dias como o equilíbrio é importante. Essas canções
pentecostais do tipo “está sofrendo não desanime clame a Deus e Ele te dará a vitória e
quebrará os grilhões” não são heresia, são verdade, mas quem ouve deve achar que crente só
sabe sofrer. Por outro lado, as que dizem “em Jesus estou nos lugares celestiais e nada pode me
derrotar” também não são heresia, mas o problema é que isso leva para o triunfalismo muito
facilmente. Uma coisa tem que ser equilibrada com a outra. E não é isso que tenho percebido,
sinceramente. O mesmo artista geralmente só escolhe um estilo ou o outro…
Lutando para manter a sanidade e sofrendo com a crise de abstinência de música…




