Christafari
Por Luciana em 25 agosto 2008 na categoria Opinião
Bienal do livro e Debate com autores da Mundo Cristão
Por Luciana em 21 agosto 2008 na categoria Opinião

Peixinhos e tubarões
Por leone em 4 agosto 2008 na categoria Opinião
Angélica Aparecida de Souza Teodoro, 18 anos, mãe de um filho de dois anos, estudou apenas o 1º. grau. Trabalha como empregada doméstica, mas encontrava-se desempregada, ao ser presa, em novembro, dentro de um mercadinho do Jardim dos Ipês, na capital paulista, acusada de roubar uma lata de manteiga marca Aviação, de 200 gramas, no valor de R$ 3,10. Levada para a 59º Distrito Policial, conhecido como Cadeião de Pinheiros, recebeu voz de prisão do delegado Marco Aurélio Bolzoni.
Por subtrair mercadoria no valor de R$ 3,10, Angélica passou na prisão o Natal, o Ano-Novo e o Carnaval, pois o Tribunal de Justiça de São Paulo, ao analisar o pedido de defesa da doméstica, o indeferiu. Angélica foi solta dia 23 de março, mais de quatro meses depois, graças à liminar do ministro Paulo Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.
O Brasil e sua Justiça parecem postos de cabeça para baixo. Há uma inversão total de valores e critérios. Um publicitário vem a público e declara ter recebido, via caixa dois, R$ 10 milhões de reais numa conta clandestina no exterior, e fica por isso mesmo, protegido por direitos que lhe foram garantidos pelo STF, reagindo com escárnio às interrogações dos parlamentares incumbidos de apurar corrupções.
Um publicitário mineiro faz biliardários empréstimos ao tesoureiro de um partido político, sem revelar a origem dos recursos, porém destinando-os ao suborno de deputados federais, e fica por isso mesmo.
Um deputado federal, cassado após ocupar o cargo de presidente da Câmara dos Deputados, achaca em R$ 7 mil o proprietário de um restaurante e ninguém lhe dá voz de prisão.
Um alto funcionário dos Correios é filmado embolsando propina no valor de R$ 3 mil, a polícia não é chamada e ele continua livre, prova viva de que crimes de colarinho branco merecem a cumplicidade de setores da Justiça.
Quando políticos, banqueiros e empresários processados por desvios de recursos públicos devolverão o que roubaram? Quem pune os gastos exorbitantes de um reitor de Universidade de Brasília, os desvios de recursos do BNDES, as maracutaias nas privatizações sob o governo FHC?
Fica a impressão de que, por baixo de tanta corrupção, há uma extensa rede de cumplicidade. Tubarões não são punidos para evitar que entreguem outros tubarões à Justiça. Neste país, basta ter dinheiro, bons advogados e relações nas instâncias de poder para ficar assegurada a impunidade. Enquanto isso, os pobres, sob simples suspeita, sofrem torturas ou levam bala antes de serem inquiridos ou investigados.
Os peixinhos, como Angélica, ficam meses na cadeia por causa de R$ 3,10. Os tubarões, imunes e impunes, são a prova viva de que o crime compensa – de fato e de direito – desde que o assalto abocanhe valores em milhões de reais. De preferência dinheiro dos cofres públicos.
Vale o provérbio: “Quem rouba 1 real é ladrão, quem rouba 1 milhão é barão”.
Estatísticas comprovam que a polícia do governador Sérgio Cabral, do Rio, matou mais este ano do que os crimes cometidos em São Paulo por bandidos. Quem decepa a mão assassina do Estado?
No Brasil, quando a polícia pára uma pessoa de posses, a pergunta é: “Sabe com quem está falando?” Em outros países é o policial que faz a pergunta: “Quem você pensa que é?”
Quando estive na Inglaterra, nos anos 80, vi pela BBC – uma TV estatal – o sobrinho da rainha Elizabeth II ser levado a julgamento. Parado por uma patrulha rodoviária, constatou-se que ele dirigia sob efeito de álcool. Cassaram-lhe a carteira por seis meses.
Dois meses depois foi parado por outra patrulha. Pediram-lhe a carteira. Não tinha. Então apelou para o jeitinho brasileiro: “Sabe com quem está falando? Sou o príncipe fulano”. O guarda insistiu em ver os documentos. O rapaz voltou ao bate-boca. Então o policial disse a ele: “Um de nós dois está errado. Você está preso e a Justiça dirá quem de nós tem razão”.
Televisionado para todo o país, o príncipe se viu obrigado, pelo juiz, a pedir desculpas ao guarda e teve a sua licença de motorista cassada por cinco anos.
Assim se faz cidadania.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Mário Sérgio Cortella, de Sobre a esperança (Papirus), entre outros livros.
Fonte: Pavablog
Putz! Mas uma vez chegou o dia de postar aqui. E como sempre, fica a dúvida sobre o que postar. Cheio de dúvidas, alguns idéias vagas e uma certeza: Preciso falar mal de alguém ou de alguma coisa.
Assim é mais fácil. Isso é o que mais dá ibope no mundo e aqui não seria exceção. É a glamorização do feio. É a nossa cultura que dá destaque ao que é feio e esquisito. É como beleza e a “gostosura” da mulher melancia (argh!)
(Beleza, já comecei a falar mal, mas vamos lá, posso melhorar ainda.)
Eu queria até falar mal da Ana Paula Valadão, mas putz! Esse já é o esporte favorito aqui no DotBlog e também no DotGospel, e já está perdendo até a graça. Poderia falar mal do Lula mas, pra falar a verdade, esqueci um pouco do Lula por esses dias, ando fingindo que ele não existe, se é que algum dia ele já existiu. Queria falar mal do Caio, do Silas, do Estevan, do Paipóstolo (é assim que se escreve?) e de tantos outros. Queria falar mal deles, mas só ai percebi que não importa de quem eu fale mal. Importa que EU FALE MAL. Isso não é uma regra para blogosfera e nem só para o Dot, é praticamente uma regra geral. O que dá audiência, o que gera tráfego é falar mal, não é a toa que na lista dos textos que mais repercutiram aqui no blog, APV era rainha absoluta.
Mas também, por que não!? Por que não falar mal deles e de tudo mais. Afinal, falar mal virou esporte nacional, mais apaixonante do que o futebol (que timinho feio aquele que o Dunga montou hein), mais apaixonante do que a seleção do Bernadinho (Eu sabia que aquele timinho não era de nada e um dia ainda iam espanar na hora H). Talvez, essa vontade de falar mal dos outros é a força motriz que faz o brasileiro ainda assistir a Formula 1, já que lá são 3 opções para se falar mal.
A gente fala mal de tudo. Da nossa casa, da comida, da mãe, do pai, irmãos, cachorro (eu particularmente detesto). E isso é tão bacana, que é um esporte que também pode ser praticado fora de casa. Na faculdade (ou escola) por exemplo. Falar mal dos professores e dos coordenadores, daquele aluno mais experto e também dos menos expertos. A gente fala mal até das coisas boas da vida. Tem gente que ousa falar mal até da Gisele Bündchen que é praticamente perfeita na concepção de 11 em cada 10 homens. (Para esse trabalho, levamos em consideração o seguinte conceito de mulher perfeita = mulher, heterossexual, bonita e milionária).
Mas continuemos assim. Viva a liberdade de falar mal e reclamar de tudo. Já que até mesmo pequenas reclamações podem gerar mudanças.
Reclamemos pois! Já que não podemos ser conformistas, que nada está do jeito certo, que tudo precisa ser mudado etc etc.
Hoje mesmo eu já falei mal da minha namorada, do meu chefe e do meu emprego. E a gente segue falando mal dos outros, até aparecer um esporte melhor pra praticar.
Por falar nisso, você já falou mal de alguém hoje? Na caixa de comentário você tem mais uma chance. Fale mal desse texto, do autor, de quem me convidou para postar aqui, do DotBlog e do que mais lhe agradar falar mal.
Estudo relaciona descrença religiosa a QI alto
Por Luciana em 28 julho 2008 na categoria Opinião
Segundo pesquisa, QI médio é mais alto nos países onde há menor crença em Deus.
Um artigo de pesquisadores europeus, que será publicado na revista acadêmica Intelligence em setembro, defende a tese de que pessoas com QI (Quociente de Inteligência) mais alto são menos propensas a ter crenças religiosas.
O texto é assinado por Richard Lynn, professor de psicologia da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte, em parceria com Helmuth Nyborg, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e John Harvey, sem afiliação universitária.
Lynn é autor de outras pesquisas polêmicas, entre elas uma sugerindo que os homens são mais inteligentes do que as mulheres.
A conclusão é baseada na compilação de pesquisas anteriores que mostram uma relação entre QIs altos e baixa religiosidade e em dois estudos originais.
Em um desses estudos, os autores compararam a média de QI com religiosidade entre países.
No outro estudo, eles cruzaram os resultados de jovens americanos em um teste alternativo de habilidade intelectual (fator g) com o grau de religiosidade deles.
Na pesquisa entre países, os pesquisadores analisaram média de QI com o de religiosidade em 137 países. Os dados foram coletados em levantamentos anteriores.
Os autores concluíram que em apenas 23 dos 137 países a porcentagem da população que não acredita em Deus passa dos 20% e que esses países são, na maioria, os que apresentam índices de QI altos.
- Exceções
Os pesquisadores dividiram os países em dois grupos.
No primeiro grupo, foram colocados os países cujas médias de QI são mais baixos, variando de 64 a 86 pontos. Nesse grupo, uma média de apenas 1,95% da população não acredita em Deus.
No segundo grupo, onde a média de QI era de 87 a 108, uma média de 16,99% da população não acredita em Deus.
Os autores argumentam que há algumas exceções para a conclusão de que QI alto equivale a altas taxas de ateísmo.
Eles citam, por exemplo, os casos de Cuba (QI de 85 e cerca de 40% de descrentes) e Vietnã (QI de 94 e taxa de ateísmo de 81%), onde há uma porcentagem de pessoas que não acreditam em Deus maior do que a de países com QI médio semelhante.
Uma possível explicação estaria, segundo os autores, no fato de que “esses países são comunistas nos quais houve uma forte propaganda ateísta contra a crença religiosa”.
Outra exceção seriam os Estados Unidos, onde a média de QI é considerada alta (98), mas apenas 10,5% dizem não acreditar em Deus, uma taxa bem mais baixa do que a registrada no noroeste e na região central da Europa - onde há altos índices médios de QI e de ateísmo.
Lynn diz que uma explicação para o quadro verificado nos Estados Unidos pode estar no fato de que “há um grande influxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade”.
Mas ele reconhece que mesmo grupos que emigraram para os Estados Unidos há muito tempo tendem a ter crenças religiosas fortes e diz que, simplesmente, não consegue explicar a realidade americana.
- Generalização
Os autores argumentam que essa relação entre QI e descrença religiosa vem sendo demonstrada em várias pesquisas na Europa e nos Estados Unidos desde a primeira metade do século passado.
Eles citam, também, uma pesquisa de 1998 que mostrou que apenas 7% dos integrantes da Academia Nacional Americana de Ciências acreditavam em Deus, comparados com 90% da população em geral.
Lynn admitiu à BBC Brasil que os resultados apontam para uma “generalização” e que há pessoas com QI alto que têm crenças religiosas fortes.
Segundo ele, há vários fatores, como influência familiar ou pressão social, que influenciam a religiosidade das pessoas.
“Nós temos que diferenciar a situação hoje com outros períodos da história. As pessoas tendem a adotar uma atitude de acordo com a sociedade em que vivem. Hoje em dia, na Grã-Bretanha e em outros países europeus, não há tanta pressão da sociedade para que você acredite em Deus”, afirma.
Uma das hipóteses que o estudo levanta para tentar explicar a correlação entre QI e religiosidade é a teoria de que pessoas mais inteligentes são mais propensas a questionar dogmas religiosos “irracionais”.
- Dúvidas
O professor de psicologia da London School of Economics, Andy Wells, porém, levanta questões sobre a tese.
“A conclusão do professor Lynn é de que um QI alto leva à falta de religiosidade, mas eu acredito que é muito difícil ter certeza disso”, afirma.
De acordo com Wells, vários estudos já demonstraram que pessoas com níveis de QI altos tendem a ter níveis de educação mais altos.
“E quanto mais educação as pessoas têm, é mais provável que elas tenham acesso a teorias alternativas de criação do mundo, por exemplo”, afirma Wells.
O jornal de psicologia Intelligence, publicado na Grã-Bretanha, traz pesquisas originais, estudos teóricos e críticas de estudos que “contribuam para o entendimento da inteligência”. Acadêmicos de universidades de vários países fazem parte da diretoria editorial.
Fonte: Globo.com
A Bíblia e o erotismo
Por Luciana em 15 julho 2008 na categoria Opinião
Cântico dos Cânticos celebra paixão entre namorados com imagens fortes e sensuais. Texto mal menciona Deus, mas passou a ser interpretado como símbolo do amor divino.
“O mundo inteiro só foi criado, por assim dizer, por causa do dia em que o Cântico dos Cânticos seria dado a ele. Pois todas as Escrituras são santas, mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos.” A frase teria sido dita pelo sábio judeu Rabi Akivá, por volta do ano 100 d.C., e explicaria porque a Bíblia aceita por cristãos e judeus de hoje abriga esse livrinho misterioso. Os oito capítulos do Cântico dos Cânticos estão cheios de sensualidade e erotismo, descrições apaixonadas do corpo de dois jovens amantes, insinuações do ato sexual — e uma única menção, que soa quase como nota de rodapé, ao nome de Deus. Como explicar, então, seu status nas Sagradas Escrituras judaico-cristãs?
Se a sensibilidade moderna estranha a presença de uma coleção de poemas eróticos no meio da Bíblia, a defesa do Cântico dos Cânticos (expressão hebraica que significa algo como “o maior dos cânticos” ou “o mais belo dos cânticos”) pelo Rabi Akivá sugere que o próprio povo judaico teve dificuldade para aceitar a obra. “Houve muitos debates sobre a canonicidade dele [ou seja, sobre sua inclusão no cânon, ou conjunto oficial, da Bíblia]. No fim das contas, os rabinos acabam aceitando o livro, que é o último a ser incluído no cânon hebraico, mas proíbem seu uso como canções seculares, em salões de banquetes”, conta Rita de Cácia Ló, professora do curso de extensão em teologia da Universidade São Francisco (SP).
Apesar da inclusão tardia no conjunto das Escrituras, há indícios de que o Cântico tem uma história antiga e complicada. As versões que conhecemos do livro trazem uma espécie de rubrica, dizendo que o livro é “o Cântico dos Cânticos de Salomão”, rei de Israel que viveu por volta do ano 950 a.C., mas a maioria dos estudiosos modernos concorda que essa atribuição é fictícia.
“Na Antigüidade era comum que alguns textos fossem atribuídos a personagens famosos, seja por representar uma continuidade dos seus ensinamentos ou por fazer alusão a momentos marcantes de sua vida ou da lenda gerada por eles”, explica Humberto Maiztegui Gonçalves, doutor em teologia bíblica e clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil cuja tese versou sobre o Cântico. Como Salomão, segundo a tradição israelita, teria amado inúmeras mulheres e tido grande gosto pela literatura, seu nome teria sido “atraído” para o poema. “Além disso, Salomão nasceu das loucuras de amor entre o rei Davi e Betsabéia, que era uma mulher casada, o que talvez também possa explicar essa idéia”, lembra Rita Ló.
Reino do Norte
Apesar da referência aparentemente fictícia ao sábio Salomão, há no texto uma rápida menção à cidade de Tirza, que foi capital do Reino de Israel, ou Reino do Norte, uma das duas monarquias nas quais teria se dividido o território israelita após a morte de Salomão, por volta de 900 a.C. O interessante é que Tirza foi capital durante um brevíssimo período de tempo, logo após a separação dos reinos, o que pode indicar que ao menos parte do poema remonta a quase nove séculos antes de Cristo. No entanto, também há sinais, no hebraico do Cântico, que o texto foi retrabalhado após a destruição de Jerusalém pelos babilônios (século 6 a.C.), ou até perto do período grego, uns três séculos mais tarde.
As teorias sobre a origem do livro são muitas. “Ele poderia ter sido composto de uma só vez, por um único autor, ou o que temos hoje é a composição de vários poemas de amor que ‘menestréis’ ambulantes cantavam nos casamentos das aldeias que percorriam”, afirma Cássio Murilo Dias da Silva, doutor em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e autor do livro “Leia a Bíblia como Literatura”.
Com ou sem a participação de menestréis no surgimento do Cântico, um dos pontos surpreendentes no texto é a ênfase dada à voz feminina: em boa parte do texto, quem fala é uma jovem apaixonada e decidida, que procura seu amado pelas ruas da cidade, trama subterfúgios para fazer com que ele entre em seu quarto e anseia por encontrá-lo em meio à natureza, aos bosques e vinhedos, com descrições que evocam a natureza da terra de Israel na Antigüidade.
“Como a macieira entre as árvores dos bosques/Assim é meu amado entre os moços/À sombra de quem eu tanto desejara me sentei/E seu fruto é doce ao meu paladar/Ele me introduziu na sua adega/E a sua bandeira sobre mim é Amor!”, declama a jovem. Em nenhum outro texto bíblico os pensamentos e desejos da mulher ocupam um lugar de tamanho destaque. Aliás, a impressão que o texto passa é que se trata de um casal de jovens namorados, e não que os dois sejam oficialmente casados.
“Para quem tenha uma visão da Bíblia com a masculinidade como centro, isso pode chegar a ser até escandaloso. Os homens participaram, no começo, como complemento”, diz Humberto Gonçalves. Para o especialista anglicano, é possível dizer que as mulheres são as principais autoras da coleção de poemas do Cântico. “A pergunta é se sua autoria foi oral ou se chegaram a fixar a poesia por escrito”, afirma ele. De fato, era raro que uma mulher do Oriente Médio antigo soubesse ler e escrever.
Amor humano, amor divino
Outra característica marcante do texto são os chamados “wasfs”, longas comparações poéticas em que cada parte do corpo da amada ou do amado é comparada a um objeto, animal ou lugar. Trata-se de uma fórmula literária que também aparece na poesia amorosa árabe e do antigo Egito. Nesses trechos é que a sensualidade do poema fica mais explícita. “Tua fronte por trás do véu/É como uma romã aberta/Teu pescoço é como a Torre de Davi/Da qual pendem mil escudos/Teus seios são como dois filhotes gêmeos de gazela/Pastando entre os lírios”, diz o amado em certo trecho.
“Sem dúvida, o sentido primeiro [do poema] é o amor humano, com tudo o que ele tem de paixão, crise, atração, desejo etc.”, afirma Cássio da Silva. Por que, então, a inclusão do texto sensual no cânon sagrado? A explicação mais provável, sugerem os especialistas, é o fato de que a separação entre amor humano e amor divino que existe na cultura moderna era bem menos rígida na sociedade dos antigos israelitas. “No mundo antigo, tudo, inclusive as técnicas artesanais, o amor, a guerra e até os acordos políticos e diplomáticos tinham a ver com divindades”, lembra Humberto Gonçalves.
“Não se pode separar a dimensão religiosa e mística do amor humano, porque, em larga escala, é o mesmo sentimento que Deus tem em relação a nós. O amor de duas pessoas reflete o amor com que Deus nos ama. Isso sem falar que o Cântico foi composto numa sociedade bem menos puritana e hipócrita do que a nossa”, acrescenta Silva.
Rita Ló lembra que existia uma antiga tradição na qual o amor de Deus por seu povo escolhido de Israel era visto, de forma metafórica, como o casamento de dois seres humanos, o que impulsionaria essa interpretação mística do Cântico dos Cânticos. Por outro lado, Gonçalves diz que a sensualidade do poema pode refletir uma espiritualidade pagã que influenciou os israelitas nas épocas mais antigas. Afinal, os povos vizinhos, e provavelmente os próprios israelitas, adoravam deusas em rituais de fertilidade, o que explicaria em parte a importância feminina no Cântico. Nesse caso, a sexualidade quase explícita também teria um papel espiritual para os primeiros autores do texto.
Vida longa e próspera
De qualquer maneira, a própria sobrevivência do Cântico em épocas posteriores pode significar que ele teve um papel de “resistência” contra os aspectos mais machistas do judaísmo, diz Ló. “Após o exílio na Babilônia, houve um período de fechamento e o crescimento de uma visão muito negativa sobre o corpo da mulher, visto como fonte de impureza. O livro contraria isso”, afirma a especialista.
De certa forma, a argumentação do Rabi Akivá ajudou a superar essa tensão, segundo Cássio da Silva. “Afinal, o amor humano vale ou não vale por si mesmo? É ou não é expressão do amor divino? Os rabinos responderam afirmativamente a essas duas perguntas. Tanto que, no calendário judaico, o Cântico dos Cânticos é lido na festa da Páscoa [a mais importante do judaísmo]. E aí entra a mística: o sentimento do amado pela amada e vice-versa ajuda a compreender o amor de Javé por seu povo, Israel, e
nesse amor Javé desce do céu para tirar seu amado povo do Egito e dar-lhe a vida e a felicidade. De Israel, espera-se que corresponda ao amor de Javé e lhe seja fiel.”
O cristianismo atualizou essa visão ao substituir “Javé” e “Israel” por “Cristo” e “Igreja” na equação: o amor do casal no poema virou também o símbolo do amor de Cristo por sua Igreja, vista como sua “noiva”. Dessa forma, a influência do Cântico teve vida longa e acabou se estendendo ao último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, na qual a metáfora praticamente conclui a Bíblia cristã.
Texto de Reinaldo José Lopes, do G1.
Mais uma deles: Congresso Diante do Trono - Lavando os Pés e a Alma?
Por Pepe em 14 julho 2008 na categoria Espiritual, Opinião
BUUMM! Mais uma do DT!
Dessa vez, André e Ana Paula Valadão participam de uma cerimônio “lava-pés” e lavam seus pés em uma pequena bacia, e depois Ana Paula e André (bem no fim do vídeo), jogam a água de seus pés lavados no povo!
Isso é um ato espiritual ou pessoas totalmente fora da direção de Deus?
O vídeo é grande, portanto, tenham paciência e depois comentem!
Mais um João morreu
Por leone em 7 julho 2008 na categoria Opinião
Ligo a TV para assistir mais um Jornal Nacional. Me deparo com uma chamada sensacionalista (obviamente) sobre o desespero de um pai trabalhador que teve seu filho (João Roberto) de 4 anos fuzilado por militares no Rio de Janeiro. Outro João (Hélio) foi assassinado ano passado por bandidos que roubaram o carro de sua mãe e na correria ficou preso ao cinto e foi arrastado por quilômetros até morrer de traumatismo craniano. Lendo a notícia da morte de João Roberto pela internet não pude deixar de notar o texto. Segue:
“João Roberto estava no carro da mãe, Alessandra Amaral, quando os dois PMs começaram a disparar. O carro apresenta cerca de 20 perfurações de tiros. Os policiais afirmam que perseguiam ladrões de carro naquele momento e que confundiram o carro da família com o dos supostos assaltantes.”
No caso de serem assaltantes o fuzilamento estaria totalmente justificado. Eram assaltantes, oras!
Em outra parte:
“O secretário estadual da Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, classificou a ação de desastrosa e admitiu a falta de preparo dos PMs na abordagem de suspeitos. Ele afirmou que “um fato como esse não tem desculpa”, mas ponderou que os policiais que atuam no bairro da Tijuca estão sob constante tensão.”
Amanhã, provavelmente outra notícia vai tomar conta dos noticiários e os “Joãos” vão virar história, que provavelmente vai ser contada em algum Globo Repórter num futuro não tão distante. A pergunta que me faço é se algum dia vou ver a polícia não usar nenhuma arma e ser respeitada. Se algum dia no país em que nasci e escolhi viver vou poder ver assaltantes presos e não fuzilados por policiais “sob constante tensão”. Levanto todos os dias bem cedo, durmo tarde e corro um grande risco de estar fazendo isso em vão, pois amanhã posso ser o próximo João.
Deus me livre de ser brasileiro!
O Cristo Contemporâneo
Por rap em 30 junho 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Idéias, Opinião
“Esqueça o evangelho de esperança, troque-o pela mensagem positivista de auto-ajuda.” Essa é a pregação implícita dos motivos de sucesso que devemos ter na vida. “Quer ter sucesso? Aprenda com Cristo”. Esse é o slogan que encontraremos em palestras de auto-ajuda, não somente em tais reuniões, mas também em templos que supostamente falam de Cristo como Salvador.
Jesus é tão bem citado como o maior alguma coisa de todos os tempos que a mensagem deixada, de esperança, de uma nova vida em contraponto com as dificuldades, é totalmente esquecida. A imagem que querem criar é de alguém que nunca teve sofrimento, ao contrário do que pode ser observado. Ele chorou quando um amigo morreu (Jo 11), teve tristeza quando a morte se lhe apresentou (Mt 26:38), se irou com os mercadores no templo (Jo 2). Ele esteve em estado humano e, provavelmente não seria o melhor exemplo de vida próspera para um pseudo-cristão.
Cristo Jesus não foi o maior líder de todos os tempos porque conseguiu fazer com que onze pessoas falassem de sua filosofia a todo mundo, isso Lao-Tsé, Maomé e muitos outros também conseguiram fazer. Igualam-no com funções meramente humanas. Quanta presunção comparar a função única de consolador com a de um psicólogo. Ele via além do que podemos ver em testes de psicanálise e comportamento, sabia qual era a intenção do coração.
As fórmulas de sucesso e prosperidade estão muito aquém do que é libertação, certeza de imortalidade e amor. “Suba na vida”, “seja o melhor”, repetindo isso a nós mesmos colocamos o seguir a Cristo em último plano, negamos a soberania de Deus que pode fazer aquilo que bem entender com nossas vidas. A frustração generalizada com a vida nos dias atuais é uma constante, pois o ideal do modelo econômico e social que vivemos se sobrepôs à certeza de que a vida corporal se esvai.
Negamos a Cristo se o compararmos às profissões que criamos. Jesus foi único em seu propósito, não veio a terra para liderar, para dar uma de psicólogo ou para ser o melhor marceneiro de todos os tempos, veio anunciar boas-novas, tanto para essa vida quanto para a vida que se segue, ele veio para ser o remissor da humanidade, dando a chance de amor pleno e contínuo.
Salvador? Alguns perguntam: quem precisa disso? Eu posso me ajudar, me salvar, há necessidade de outra pessoa para cuidar de mim? Enquanto para uns poucos Cristo é totalmente negado em seu propósito, por outros a função de Salvador da humanidade é mera metáfora, foi rebaixado. Há pior indiferença com alguém do que essa?
Pode até soar como religiosidade barata, mas Jesus é o Salvador, um exemplo a ser seguido para a vida e não somente para alguns segmentos dela.
Um ateu garante: Deus existe - Resenha
Por rap em 20 junho 2008 na categoria Literatura, Opinião
Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“. Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“¹; O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.
Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX“², segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (”Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar“), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.
Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da f铳.
O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia. O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.
Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.
Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.
¹Pág. 30
²Pág. 41
³Pág. 98




