De volta ao primeiro amor

Por Laila_Flower em 16 outubro 2009 na categoria Idéias, Música, Opinião

Este texto foi criado pelo Sorokbano, um dos antigos usuários do dotGospel Forum. Eu apreciei muito o texto e espero que vocês também gostem!

Beijos

Laila Flower

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* Certa cantora gospel brasileira, cercada de milhões de fãs, com suas músicas sendo executadas por todas as rádios do gênero e cantadas na maioria das igrejas por solistas que usam seus playbacks, encontra uma amiga de infância que continua no meio evangélico, só que numa igreja tradicional. Chamarei essa cantora de Fulana. Nessa ocasião, Fulana conta à sua amiga o que lhe tem acontecido em todos estes anos: os prêmios que ganhou, alguns detalhes das centenas de apresentações que tem feito no Brasil e no exterior, os discos que gravou, o patrimônio que construiu ao longo dos anos… Aquela mulher, que tivera bastante intimidade com Fulana antes dela ficar famosa, ficou espantada com a mudança de sua antiga amiga e indagou, num misto de indignação e compaixão:

- Fulana, o que o dinheiro fez com você?

* Aquela conversa foi difícil. Foi uma bordoada atrás da outra. Fulana percebeu que, mesmo sem querer, tinha-se tornado mais uma mercenária entre tantos outros no meio gospel. Foi então que ela teve uma idéia ousada: cancelou todos seus compromissos do mês seguinte e decidiu criar um disfarce para visitar pequenas igrejas ao longo do interior do Brasil no referido mês.
* Com sua vasta cabeleira morena escondida debaixo duma peruca loira cacheada e usando óculos escuros, Fulana visitou uma igreja por semana: uma Assembléia de Deus em Volta Redonda/RJ, uma igreja batista em Sorocaba/SP, uma igreja presbiteriana em Londrina/PR e uma Igreja do Evangelho Quadrangular em Varginha/MG. Assistiu a todas as programações de cada igreja, inclusive as Escolas Bíblicas Dominicais. Queria muito mais do que testar sua popularidade: seu principal intento era o de descobrir o que a maioria pensa do comportamento dos músicos do meio evangélico atual e que cada um sugeria para acabar com a transformação do Evangelho em objeto de lucro.
* Fulana ficou horrorizada com algumas opiniões e principalmente por ter sido citada em várias delas (isso porque ninguém sabia que era dela que estavam falando). A quem perguntava seu nome, Fulana dizia seu apelido de infância e tentava, a muito custo, disfarçar sua voz inconfundível. Sempre que perguntavam por que usava óculos escuros inclusive à noite, a moça desconversava: “Não é nada de mais, não”. Quanto à sua igreja de origem, limitava-se a dizer que era duma igreja batista do Rio de Janeiro. O mais difícil foi conter seu vozeirão nos momentos de hinos e cânticos.
* Uma das situações mais difíceis dessa jornada em meio a seus consumidores (infelizmente é assim que muitos profissionais do meio gospel tratam aqueles que são responsáveis por engordarem suas contas bancárias) foi em sua última visita, na cidade mineira de Varginha. Uma jovem fez um solo com uma das músicas mais conhecidas de Fulana, que assistiu a cena com o coração saindo pela boca e suando frio; afinal, ela costumava achar defeitos em todos aqueles que cantavam suas músicas, e aquela adolescente era uma das poucas que cantava melhor que ela… Fulana não agüentou e foi conversar com a jovem:

– Parabéns, gostei muito de seu solo! Que Deus a abençoe! Você canta desde pequena?
– Sim, eu canto desde os nove anos. Sempre fui fã da Fulana, ela canta muito! Meu maior sonho é cantar com ela!
– Mas o que é mais importante para você, a mensagem ou quem canta?
– Bem, a mensagem, claro! – respondeu a menina, um tanto espantada com a pergunta de sua interlocutora. – Mas se eu fosse a Fulana, eu procuraria apresentá-la da melhor maneira possível. Deus merece o melhor, não é mesmo?
– E se a Fulana estiver abusando disso a ponto de transformar a mensagem cantada de Cristo em mercadoria? E se ela estiver deixando de ser uma ministra do Evangelho para tornar-se uma artista, uma popstar?
– Moça, por acaso você é alguma repórter disfarçada? – replicou a adolescente, já incomodada com a ousadia da desconhecida.

* Fulana, então, suando frio e engolindo em seco, olhou para cima, balbuciou umas palavras como se estivesse orando em voz baixa e pediu à menina que a levasse até seus pais. Apresentou-se a eles com seu apelido e perguntou-lhes se poderia dormir na casa deles naquela noite antes de voltar para o Rio de Janeiro. Ao receber resposta afirmativa, saiu de mansinho, ligou para seu marido – que estava hospedado num hotel em Varginha – e foi com aquela família para a residência deles, uma humilde residência na periferia daquela cidade.
* Era uma casa ainda em fase de acabamento, com as paredes ora chapiscadas, ora rebocadas, ora com tijolos ainda à mostra. Havia mofo e infiltrações em alguns cômodos. O banheiro está cheio de baratas mortas, resultado da recente aplicação de inseticida. Mesmo assim, o chefe daquela humilde família dizia: “Nós é pobre mas é limpim”. Na sala, a foto do filho mais velho do casal, preso por tráfico de drogas, objeto de constantes orações daquela aflita mãe. Ao referir-se a ele, a matriarca não conseguia conter suas lágrimas. Incomodada com a presença da estranha naquela casa, a adolescente trancou-se no quarto para ouvir pela enésima vez o último CD da Fulana… Até que seu pai a chamou para o jantar.
* Aquele seria o jantar mais surpreendente da história daquela família. Sobre a mesa, apenas arroz, feijão, carne de panela e salada de alface com cebola, além de dois litros de tubaína. Como era de costume, os anfitriões pediram à visitante que orasse. Fulana se esqueceu do disfarce e dirigiu-se a Deus da seguinte maneira:

– Senhor Deus e Pai, Criador do Céu, da Terra e de nossas vidas, eu Te peço que abençoes este alimento e esta família que me acolhe nesta casa. De uma maneira especial, eu Te peço perdão por finalmente perceber o quanto tenho sido infiel a Ti. Tenho transformado o dom que Tu me deste em objeto de lucro e a mensagem que Tu me incumbiste de transmiti-la ao mundo em mera mercadoria. Senhor, Tu me chamaste para ser sal e luz, mas finalmente percebi que o sal se tornou insosso e a luz foi ofuscada por causa da fama, do sucesso, do dinheiro, dos aplausos…

* Fulana mal conseguiu proferir as palavras seguintes. Desabou a chorar. Durante a oração, arrancou a peruca, desfez o coque e jogou os óculos escuros no chão. A menina não se conteve: abriu os olhos e ficou petrificada de assombro ao ver seu maior ídolo, sua maior musa inspiradora, bem na sua frente, debulhando-se em lágrimas e arrependendo-se de todos os excessos cometidos ao longo de sua carreira de tantos anos! E os pais dela continuavam com os olhos fechados, respondendo “Amém!”, “É verdade, Senhor!”, “Tem misericórdia, Senhor!”.
* Terminada a oração, os pais da cantora abriram os olhos e quase caíram para trás de susto.

– Sou eu mesma – revelou Fulana. – Desculpe-me por fazer vocês passarem por uma situação destas. Mas eu precisava descobrir onde eu estava errando e o que eu deveria fazer para voltar a ser uma cantora totalmente comprometida com a obra de Deus, sem ostentação, superexposição, apego às coisas terrenas… Precisei sair do pedestal onde eu me encontrava para perceber o quanto eu estava desviada do plano que Deus tinha traçado para meu ministério. Não é justo eu viver como uma artista, como uma celebridade, enquanto a maioria do povo que ouve minhas músicas, que compra meus CDs e DVDs, tem que matar um leão por dia, passando por dificuldades. A partir de agora quero dedicar-me a meu ministério como nunca o fiz em toda minha vida. Quero buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, sem colocar as demais coisas acima dEle. A partir de agora, quero deixar de viver às custas do Evangelho como uma mercenária e permitir que Cristo viva em mim e me capacite a apresentá-lo ao mundo sem transformar a casa de Deus num covil de ladrões!

* Nascia ali uma nova Fulana. Ou melhor, Fulana voltava a ser como no início de sua vida cristã, voltou a ter a consagração e o ardor missionário do início de seu ministério. A partir daquele momento, aquela famosa cantora gospel faria tudo o que estivesse a seu alcance para nunca mais ser motivo de escândalo para ninguém. Devolveria todos seus troféus, venderia boa parte de seus bens e doaria o dinheiro para entidades beneficentes cristãs e para diversas obras missionárias, mudar-se-ia para um sobrado no bairro carioca da Lapa, rescindiria seu contrato com a gravadora que praticamente construíra sua carreira… Para gravar seu próximo CD, ela teria que dar uma boa quantia de seu próprio bolso para pagar um estúdio desconhecido e começar seu ministério praticamente do zero…
* Mas tudo parecia ter um gosto diferente. O anonimato era muito melhor! Agora ela tinha todo o tempo do mundo para dedicar-se à sua família, seus amigos, seus irmãos em Cristo na igreja onde congregava… Ela agora podia fazer compras, passear com seus filhos, visitar seus parentes e fazer uma série de outras atividades que o corre-corre e a tietagem não permitiam que ela fizesse. Ela finalmente estava livre para servir a Deus e pregar Seu Evangelho com toda autoridade e disposição, sem ser escravizada pela fama e pela ditadura do mercado fonográfico gospel. Meses depois, ao ser abordada por um repórter que queria saber como ela se sentia ao abandonar as glórias do mundo das celebridades de seu gênero musical e construir uma nova carreira, mais humilde e com poucos recursos, Fulana foi enfática:

– Antes eu era uma artista. Agora sou uma missionária!

* Esta é uma história fictícia, mas poderá ser real um dia se boa parte dos cantores evangélicos que tem feito fama e fortuna no meio cristão se derem conta do quanto estão sendo incoerentes com o Evangelho que tentam pregar, trocando o exemplo de Jesus pelo apego às coisas terrenas. ”Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3).

Super Size CÓSPEU – Dia 7 (final!)

Por Laila_Flower em 10 agosto 2009 na categoria Música, Opinião

O dotBlog vai publicar sete textos do autor Renato Fontes referentes aos sete dias em que ele fez uma experiência muito semelhante ao filme “Super Size Me” – ouvir só música gospel. Curta!

======> Sétimo dia.

Nem acredito, consegui resistir bravamente. Resta-me agora um
longo período de recuperação pela frente…
Obrigado a todos que me prestigiaram com sua audiência virtual. Com alguém disse, o Super
Size Cóspeu alcançou a marca história de 45 pontos no Ibope!!
Vamos lá. Ultimo dia da saga. Como eu comecei segunda dia 27 de manhã, fui até o domingo dia
3 de noite, daí minha demora em dar o sétimo e último relatório.
Vamos então às observações:
* Ouvi uma pregação de uns 20 minutos falando sobre o espiritismo, que não acrescentou nada.
* Desta vez foi só a rádio da Quadrangular. A rádio do R R Soares ficou de lado desta vez.
* Tive que ouvir mais duas vezes a tal da “chuva de avivamento”. Agora essa porcaria não me
sai mais da cabeça nem com cirurgia no cérebro…
* Fizeram a propaganda mas não tocaram inteira (ainda bem) mais uma canção falando de
chuva, de uma tal de Pâmela, da Emeká.
* Tocaram uma do Kleber Lucas pela primeira vez (o ritmo dela, meio quebrado, é até legal). O
locutor anunciou, “antes você ouviu Voices, ‘Pisa no inimigo’”. Puxa, nem acredito que eu perdi
essa pérola…
* Tocaram de novo uma do Diante do Trono, das mais recentes, mas que eu não consigo lembrar
o nome. Ela tem um solo de percussão bacana no final. É um restinho de esperança que eles
fiquem um pouco mais com a cara do Brasil…
* Tocaram uma canção de letra clichê (levante suas mãos e exalte ao Senhor), que não falaram
quem canta, que tem os acordes flamencos, solo de violão flamenco, mas uma batida de techno
que destruiu a música. Por falar em mistura exótica…
* Tive que aturar mais uma vez “Senhor te quero”, do viniarde, mas desta vez cantada em inglês
(“In the secret”) pelo Sonic Flood. Para quem já não gostava dela no arranjo “normal”, foi um
tratamento de canal.
* Eu já estava aliviado, pensando que pelo menos “Eu quero é Deus” eu não tinha sido obrigado
a ouvir. Pois eis que senão quando, adivinhem o que eles tocam domingo de noite?? Ninguém
merece!! Vou poupar vocês de ouvir meus comentários sobre essa “música” e sobre essa “letra”.
Vou comentar pelo menos um lado bom, a exemplo do que falei no primeiro dia, o baixista
mandou ver. Pelo menos isso se aproveita.
* Pontos positivos (acreditem, houve!): Tocaram o clássico “Oh happy day” (mas não disseram
quem cantava), num arranjo bem maneiro. Tocaram uma música inspirada no filho pródigo, que
o locutor disse que a cantora era “Aline Santana”, se não me engano. A letra começa assim: “Eu
tão longe andei meu caminho escuro se tornou/Perdido e sem forças me senti/Eu não pude ver
que ao meu lado sempre estava alguém/Tentando meu ajudar a prosseguir”. Uma letra bem
legal, que hoje infelizmente é mais exceção do que regra. Tocaram também duas músicas legais,
uma da Jeane Mascarenhas (não conheço a cantora) e outra da Jamile (essa última no estilo
“disco” anos 70). Aliás, uma vez vi a Jamile na TV imitando a Whitney Houston, igualzinha… Essa
que tocaram dela é menos “comercial” que as outras que ela canta.
* Pela primeira vez tocaram o Legião Urbana. Quer dizer, o Catedral. Se não fosse rádio
evangélica, eu pensaria que era o Legião.
* Foi o dia que mais tocaram músicas estrangeiras. Lembrei-me também da “You’re my God”, da
Jaci Velasquez.
* Para fechar com chave de ouro, mais duas versões da “Draw me close to You”. Desta vez
consegui resistir até o fim e escutar tudo. Outra que não sai mais da cabeça. Tá revezando com a
chuva do avivamento…
Observações gerais agora, sobre os sete dias:
* Realmente a proporção de cantoras é maior que a de cantores, mas não tão alta quanto
constatei no primeiro dia.
* Chuva, chuva, chuva…
* Só se faz rádio evangélica para pentecostal e neopentecostal. Nada pessoal contra esses
irmãos, mas acaba existindo uma discriminação contra quem não se encaixa nesses rótulos, que
tem que se virar e comprar CD mesmo, ou então que ouça as notícias da CBN ou outra rádio.
* O estilo “brega” é campeão disparado. Falta um pouco de noção de quem faz a programação.
Tocam um rock e um breganejo colados um no outro. Constatei isso várias vezes.
* Chuva, tem chovido, manda mais chuva…
* O Diante do Trono tem muito menos representatividade no rádio do que seria de se imaginar, a
julgar pela quantidade de discos que eles vendem. Quem não gosta deles, fique sabendo que
existe coisa muuuuuuuuito pior.
* Não ouvi nenhuma do Cirillo e só uma que talvez seja do Deividikila, mas não tenho certeza.
São outros que, pela quantidade de discos que vendem, seria de se esperar que tivessem mais
representatividade no rádio.
* As gravadoras que têm ca$calho, cujos nomes não vou citar (Emecá, Graça Míusique, Line
Records, etc) tocam o tempo todo, inclusive com propagandas de seus artistas.
* Chove chuva, chove sem parar…
* O uso excessivo de metáforas como águas, quebrar os grilhões, jardim do noivo e outras coisas
pra lá de etéreas.
* Doutrinas centrais do Cristianismo, como a cruz e a salvação tiveram muito menos
representatividade do que coisas acessórias como poder, unção, avivamento, etc.
* Tirando a canção que lembra remotamente o filho pródigo, não se canta mais nada sobre as
parábolas de Jesus.
* As pregações são muito mais voltadas para o bem-estar material do que espiritual do
indivíduo, com poucas exceções. As tais “campanhas” e “correntes” das igrejas neopentecostais
e pentecostais continuam fazendo o maior sucesso.
* E como tem chovido…
* Várias vezes tentei salientar o lado positivo das músicas, notadamente os instrumentistas. E
realmente foram muitas levadas de baixo, muitos solos de violão ou guitarra, solos de percussão
e vozes bonitas que apareceram. Pena que isso não se traduz em melodias belas e, quando isso
acontece, as letras são muito superficiais, quando não são baboseiras mesmo. Os bons músicos
(que são muitos!) estão subaproveitados. Não sei se, por eu ser músico e conseqüentemente ter
uma percepção musical mais aguçada que o cidadão comum, isso influencia tanto…
* Mais chuva…
* Repito que a música evangélica brasileira cuspiu, aliás, vomitou no prato em que comeu. Deu
uma banana para seus pioneiros.
* As rádios não tocam produções independentes. Sem chance.
* Não cheguei a ouvir a terceira rádio evangélica de BH, que é da Univer$al, talvez porque
distorcesse muito o universo amostral do estudo, principalmente no teor das pregações.
* Meu período de recuperação começou escutando o “Eram Doze”, do quarteto Guilherme Kerr,
João Alexandre, Jorge Rehder e Jorge Camargo, com participações de outros músicos talentosos
nos arranjos. Pretendo ouvir outras coisas do mesmo nível, e voltar a tocar meu repertório, já
que estava só exercitando improviso e técnica.
* Eu sobrevivi. Nem acredito. Ao que tudo indica, minha sanidade também sobreviveu. Existe
vida após uma experiência como essa.
* Meus agradecimentos à minha querida esposa Miriam, que agüentou essa barra junto comigo!
* E tem chovido!!!

Super Size CÓSPEU – Dia 5

Por Laila_Flower em 8 agosto 2009 na categoria Música, Opinião

O dotBlog vai publicar sete textos do autor Renato Fontes referentes aos sete dias em que ele fez uma experiência muito semelhante ao filme “Super Size Me” – ouvir só música gospel. Curta!

======> Quinto dia.

Os sinais de insanidade já começam a se manifestar. Já estou
falando o idioma fluentemente (ou quase): “há uma unção neste lugar… quero mergulhar nessas
águas, nadar no rio de unção, que traz restauração para todo o meu interior….” Pegue essas
palavras, troque a ordem, repita algumas vezes, coloque uma cantora com voz bem forte
cantando, e você já fez um quarto da programação de uma rádio evangélica. Eu sei que isso não
é heresia, que Jesus falou mesmo que rios de água viva fluiriam do nosso interior, a Bíblia fala o
tempo todo de cura, libertação, restauração, etc, inclusive usando a metáfora do óleo que sara
feridas, mas o problema é que a falta de criatividade tá cada vez pior. Quando um termo cai na
moda, já era.
A coisa tá ficando pior ainda, já que depois de alguns dias estou ouvindo mais de uma vez a
mesma música, e a conseqüência inevitável é que a gente fica com a canção na cabeça o resto
do dia. É de doer…
Outras observações:
* Vamos começar pelo lado bom. Depois do besteirol que escutei ontem de manhã, ontem de
noite já vi que nem tudo está perdido. Liguei o rádio depois de 10 da noite na estação da
Quadrangular e o locutor contou aquele história supostamente real da mulher racista no vôo da
British Airways (essa história já circula faz anos na internet. Se alguém quiser ler, veja em
www.quatrocantos.com/lendas/141_preconceito.htm). Seguiu-se uma longa mensagem sobre
preconceito, acepção de pessoas, racismo, desprezo aos pobres, etc etc etc, coisa que não se
prega nas igrejas hoje em dia. Depois, no horário do comercial, estragaram tudo com uma
propaganda da “campanha contra os sete espíritos mais poderosos (e não perigosos, como eu
disse ontem) do inferno”, segundo eles “a maior campanha de libertação de Minas Gerais”. Só
não deixe aquele cara da outra campanha que falei ontem (o tal do “Mestre Camilo” saber
disso…). Lá pelas 11 da noite, veio mais um alívio, um pastor de uma outra denominação (algo
como “Comunidade Cristã Pão da Vida”, não lembro direito) fez uma longa exposição do
Evangelho, citando Moisés e os Salmos e finalmente o Novo Testamento. Uma pregação de uns
40 minutos que expôs o Evangelho sem rodeios e penduricalhos, que deixou ao mesmo tempo
alegre pelo teor da pregação e triste porque ninguém passa isso nos horários de maior
audiência… Mas a mensagem foi tão boa (sério, sem ironia!) que, no fim, eu já estava quase
levantando minha mão e falando “eu aceito!” hehehe
* Ontem ouvi a “parada de sucessos” da rádio do R R Soares. Tocaram, não necessariamente
nesta ordem, um clone do Marcos Witt (Marcos González), “Agnus Dei” do Michael Smith, uma
cantora estilo Ludmila Ferber (se não for a própria) cantando sobre “mergulhar-nas-águas-derestauração-
bla-bla-bla” e o Carlinhos Félix mais uma vez cantando “Senhor eis-me aqui” (pelo
menos o arranjo dele foi melhor que o da Darlene Zchech).
* Hoje fui ouvir mais um pouco de manhã, mas liguei o rádio e foram uns 10 minutos de
propaganda (sem exagero, se bobear foi mais tempo ainda!), até que desisti e fui fazer outra
coisa.
* Por falar em propaganda, deu vontade de comer um mês só no McDonalds, pra ficar bem
gordinho e poder assim experimentar o “Dieta Fácil”, que eles dizem ser a oitava maravilha do
mundo e que ocupa boa parte do horário publicitário na rádio da Quadrangular. Mas aí eu fiquei
na dúvida, porque depois eles fizeram propaganda do “Magrins”. Já que o “Dieta fácil” é tão bom,
por que eu precisaria usar outro produto? Acho que estão querendo me engalobar…
* A rádio, em parceria com uma livraria evangélica bem conhecida em BH, sorteou para um
ouvinte um Microsystem e mais dez CDs: Diante do Trono, André Valadão, Alda Célia, Cassiane,
Soraya Moraes, Aline Barros e mais uns outros que não me lembro. Engraçado, a igreja brasileira
cuspiu mesmo no prato em que comeu. Todo mundo se esqueceu do VPC, do Bomilcar, do Carlos
Sider, do Aristeu, do Jorge (Camargo e o Rehder), do Guilherme Kerr e até do João Alexandre.
Olha que estou falando dos pioneiros, aqueles que graças a eles a gente pode ter uma bateria
na igreja hoje. Se eu fosse falar dos independentes e outros que estão começando agora… Já
ouviram falar no Márcio Cardoso, na Gláucia Carvalho, no Josimar Bianchi, no Silvestre Kuhlman,
no Carlinhos Veiga? Pois é…
* Não tocaram Diante do Trono até hoje, mas hoje tocaram André Valadão na rádio do R R Soares
(a propósito, a rádio se chama “Nossa Rádio”).
* Talvez ainda dê tempo de participar da promoção da Nossa Rádio – o prêmio sensacional é um
livro do Kenneth Hagin!! (pra quem não conhece, o papa da teologia da confissão positiva)
* Ontem ouvi dois forrós na Nossa Rádio. Um era genuinamente nordestino: “se Deus
détérminou, está détérminado etc”, falando que se Deus decretou, se Deus disse, se Ele falou
que você tá curado, que você tá abençoado, etc, ninguém revoga. O outro forró já era o que
chamam de “forró universitário”, ou seja, coisa de gente do Sudeste que faz música imitação de
forró pra tocar em baile de estudante e em boates. Esse outro falava “se o inimigo fechou a
porta, o anjo tem a chave e vai abrir a porta” (isso mesmo, rimou “porta” com “porta”. Genial!)
* Hoje tive que ouvir de novo a pérola “eu vou abrir o meu coração/eu vou deixar o meu noivo
entrar”… Pelo menos ela tem um solo de guitarra bem legal.
* Acabei escutando mais uma pérola do tal do “A pá sentar de Nova Iguaçu”. Desta vez a
aberração foi “restitui, eu quero de volta o que é meu”. Bolas, imagine Jó recebendo a notícia de
que perdera tudo, e dizendo uma frase dessas pra Deus… A única coisa que é genuinamente
seu, cara pálida, é o fogo do inferno. Essa é a única coisa que você e eu realmente merecemos.
O que vier é lucro. Deus só não me manda pra lá por misericórdia, porque é isso que meu
pecado me fez merecer. Parece que os cariocas estão querendo se superar. Primeiro é a turma
de Nilópolis, agora é Nova Iguaçu… Quem será o próximo?
* Mais uma da dupla sertaneja “Os gauchinhos” da “Graça Music” (gravadora do R R Soares):
“Com Deus na sua vida é vencer ou vencer”. Notei também que em boa parte das canções a
palavra “vitória” e seus derivados aparece o tempo todo. Deviam tocar a musiquinha do Ayrton
Senna (Tema da Vitória) em rádio evangélica também, acho que ia dar audiência…
* Ontem, depois que acabou aquela mensagem maravilhosa que falei acima, começaram a tocar
a vigésima quinta versão em português do “Draw me close to You” do Michael Smith. Não
agüentei e fui dormir.
Tá difícil. São só mais dois dias, mas já está muito difícil de agüentar. Não sei se rio, se choro, se
pulo do meio-fio, se mergulho nas águas de restauração, se compro o “Dieta fácil” mesmo sem
precisar……

Super Size CÓSPEU – Dia 2

Por Laila_Flower em 5 agosto 2009 na categoria Música, Opinião

O dotBlog vai publicar sete textos do autor Renato Fontes referentes aos sete dias em que ele fez uma experiência muito semelhante ao filme “Super Size Me” – ouvir só música gospel. Curta!

======> Segundo dia.

Aqui vai o relatório de mais um dia da saga. Tá começando a
ficar difícil.
Hoje variei um pouco e ouvi também a rádio do R R Soares. Lá pelo menos eles falam quem tá
cantando.
* Continua chovendo muito. Mais uma música (pela voz deve ser a Ludmila Ferber, mas não
tenho certeza) que só fica falando “derrama tua chuva, abre as comportas dos céus, faz chover
etc etc”. Ela começa com “nos últimos dias farei derramar…..” ou alguma coisa assim. Se alguém
conhecer e puder falar pra nós de quem é isso… Ela é bem rápida, com a bateria tocando uma
batida militar na caixa.
* Hoje tocaram uma que deve ser do Judson Oliveira, já que só falava de perfume, jardim, noiva,
noivo, etc. O que me tirou do sério é um homem cantando “eu vou abrir o meu coração, eu vou
deixar o meu noivo entrar”. Tocar isso no rádio??!?!?! Fora de um contexto muito específico, isso
vira apologia ao homossexualismo, bolas! Rádio é escutado por todo mundo, inclusive novos
convertidos que não conhecem esse palavreado codificado que a gente usa.
* Os breganejos continuam com força total, na rádio da Quadrangular. Desta vez as letras foram
piorzinhas. Repetiu-se aqueles chavões como “quebrar as cadeias/correntes/grilhões”, “ele vai te
dar a vitória”, e até um que não sei de qual Bíblia eles tiraram (deve ser do livro dos mórmons) -
“ele queima toda enfermidade e tira todo mal”. Queimar enfermidade? Bolas, eu já vi curar,
agora queimar é o máximo…
* Notei um ponto positivo nos breganejos, eles costumam ter solo de violão legal. Sério. Hoje
teve um que começa com alguma coisa na escala de lá menor harmônico. Eu até peguei o violão
na hora para copiar um “lick” do solo, mas quando consegui pegar o instrumento já tinha
esquecido… Aí já era, entrou a voz na música e estragou tudo.
* Que experiência singular ouvir o R R Soares cantando, em ritmo de country, “eu quero estar
com Cristo quando a luta se travar”… Isso é da Harpa Cristã, não é? Pra quem já ouviu o Sílvio
Santos cantar aquelas musiquinhas de carnaval, é a mesma coisa só que em outro ritmo.
* Não agüento mais ouvir “Draw me close to You” do Michael Smith e suas 23 versões em
português. A música até que não é feia, mas já saturou.
* Mais uma vez o tema “se você está sofrendo clame a Jesus e Ele te dará a vitória” foi a tônica.
Podemos dividir as letras basicamente em 3 grupos, (1) o clame-e-ele-te-dará-a-vitória-equebrará-
as- cadeias, (2) o jardim-do-perfume-do-noivo-quero-o-colinho-do-papai- quero-cheiraros-
teus-cabelos (esse até que não toca muito no rádio não, graças a Deus) e (3) o da chuva-debênçãos-
e-bandejas-de-unção-e- derrama-o-poder. O grupo (1) ganha disparado em tempo no
rádio.
* O “bandejas de unção derramada pelos anjos” não fui eu que inventei não, ouvi isso num
breganejo hoje.
* A pérola do dia, “”quero ver a mão do Senhor tocar em seu viver iê iê…” em ritmo de rodeio,
da dupla “Os gauchinhos”, gravadora do R R Soares. Pelo menos teve um solo de guitarra
country interessante.
* Outra pérola que escutei numa música não me lembro qual estilo, “Deus não ouve música, mas
ouve a voz do coração”. É verdade. Só que ele esqueceu que, embora Deus realmente não ouça
música (será?), as pessoas ouvem. E são as pessoas e não Deus que cantam na igreja, que
compram CD, que ouvem rádio… Quer cantar só pra Deus? Entre no seu quarto, feche a porta e
cante sozinho. Se quer gravar CD, cante direito, com arte e competência técnica, porque não é
só Deus que vai ouvir. É a cultura do medíocre que entrou de vez nas igrejas.
* Quase não acreditei quando ouvi isso: “quem quer alcançar o favor do rei, toque na ponta do
altar”. Do “ministério a pá sentar”. Oloko, que língua esse cara tá falando? A letra é sem pé nem
cabeça, tipo “quem quiser fogo que traga a arca, quem quiser vida que suba na cruz (???), quem
quiser o favor do rei que toque na ponta do altar…” Onde nós vamos parar? Ao contrário do que
falei anteontem, nessa o baixo passou em branco, o que se destacou foi o solo de guitarra
maneiro.
* O Carlinhos Félix mergulhou na onda louvor/adoração e tá gravando música da Darlene Zchech
agora. “Junto a Ti, teu amor me envolve etc”.
* Ah, já ia me esquecendo, dia 30 é o dia da reparação das perdas na Igreja Internacional da
Graça de Deus (do R R Soares), com óleo da multiplicação e tudo. Se você perdeu uma semana
ouvindo rádio evangélica e se privando de boa música, compareça lá que você será restituído 7
vezes mais!
Se eu resistir mais um dia, mando outro relatório amanhã!

Super Size CÓSPEU

Por Laila_Flower em 4 agosto 2009 na categoria Música, Opinião

A partir de hoje o dotBlog vai publicar sete textos do autor Renato Fontes referentes aos sete dias em que ele fez uma experiência muito semelhante ao filme “Super Size Me” – ouvir só música gospel. Curta!
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    O Desastre da Música Evangélica

    Por Renato Fontes

    Resolvi encarar pra valer o desafio de passar uma semana escutando só rádio evangélica, pra
    ver os efeitos. Tipo o “Super size me”, do Morgan Spurlock, que ficou um mês comendo só no
    McDonalds e quase morreu de pressão alta… Segue meu primeiro relatório!

    ======> Primeiro dia.

    Para não ficar numa rádio da Univer$al ou do R R Soares,
    preferi a 107.5, que é da Quadrangular (na falta de outra rádio que não pertença a nenhuma
    denominação maluca ou gravadora, além de ser a mais ouvida).
    Fiquei ouvindo boa parte da manhã. Algumas observações interessantes:

    * Notei a predominância do estilo conhecido como “brega”. Tanto sertanejão tipo João Paulo e
    Daniel como os berros do estilo pentecostal de Cassiane e seus clones.
    * Não foi tão ruim quanto o esperado, no que se refere às letras. Não foi nada maravilhoso, é
    verdade, mas poderia ter sido pior. Tocaram algumas músicas com referências à cruz de Jesus, a
    Ele ser o único caminho e tudo mais, e isso foi legal.
    * Notei que não tocaram nem Diante do Trono, nem Cirillo, nem Nívea e nem “Dêivi Dikila”.
    Interessante, já que é isso que o povo mais escuta.
    * Infelizmente, na rádio eles não falam os nomes dos cantores, então não tem como saber…
    * Tem muito mais cantoras do que cantores, na proporção aproximada de 3 para 1. Isso não é
    nem bom nem ruim, é só uma constatação. O ruim é que a maioria delas é aquele estereótipo de
    cantora da Emeká publicitêition, que aparece nos clipes levantando as mãos pra cima e
    cantando no estilo berro pentecostal. Haja ouvido!
    * Como tem chovido! As poucas canções do estilo “louvor e adoração” que tocaram são daquelas
    comunidades que aparentemente nunca lançaram CD e seguiram a moda de gravar alguma
    coisa. Detalhe, só se fala na bendita da chuva. É um tal de “Deus faz chover, chove pra lá e pra
    cá” que não dá pra entender. A única coisa que se aproveita nessas músicas, na minha opinião,
    é o baixo. Os baixistas dessas comunidades geralmente são fera. O resto é aquela mesma lengalenga
    que se canta nas igrejas.
    * A grande maioria das letras foram centradas no indivíduo, e falam de sofrimento: “se você está
    sofrendo, olhe para Jesus, clame e ele te dará a vitória…”
    * Por incrível que pareça, alguns dos breganejos que tocaram dão de mil a zero nos “viniardes”
    da vida no que se refere à letra (como se viniarde fosse um bom parâmetro!) Teve um que eu
    peguei no final que terminava algo como “Ele era Jesus, eu era Barrabás”. Parece que era
    Barrabás cantando na primeira pessoa. Um breganejo horrível musicalmente, mas com uma
    letra que pareceu que era interessante.
    * Quando eu estava no trânsito, por volta de meio-dia, entrou o programa de notícias, e fiquei
    ouvindo as notícias por cerca de meia hora. Depois tocaram uma canção da Amy Grant (“it’s too
    late for walking in the middle, please make up your mind etc”) do início dos anos 80, a única
    canção internacional do dia, e foi quando tive que estacionar o carro e parar de ouvir.
    Amanhã dou mais notícias…

    Foi bom enquanto durou

    Por Laila_Flower em 26 junho 2009 na categoria Música, Opinião

    Olááá leitores!

    Segue o meu vídeo-blog-homenagem:

    _______________________________________

    Estamos falando de Michael Jackson aqui também:

    Empatia

    Por rap em 13 abril 2009 na categoria Arte, Música, Opinião, Poesia, Vídeo

    Geni e o Zepelin de Chico Buarque é uma das mais belas canções da música brasileira, retrata uma infeliz realidade diária.

    Sem dúvidas uma das músicas que melhor expressa o que é a hipocrisia e suas conseqüências, tanto para quem sofre quanto para quem a pratica. É interessante sobretudo o fato de que nunca saberemos quando ou de quem poderemos precisar. Por isso a incondicionalidade no olhar é um valor tão divulgado, para que não nos tornemos interesseiros explícitos. Explico: a teoria de que nada fazemos por puro amor incondicional é certamente correta, no entanto devemos entender que altruísmo não significa somente fazer algo sem esperar nada em troca, altruísmo, também e principalmente, é não fazer acepção, não dar maior significado a uns e a outros não.

    A música nos mostra que a mais estereotipada, a que merecia pedras e bosta foi a que mais usou de empatia. Esperamos muito dos que pouco querem oferecer, porque afinal todos temos muito a oferecer, basta um pouco de vontade, simples e clichê assim.

    [Resenha] Show de Luciano Manga no RS

    Por Laila_Flower em 23 dezembro 2008 na categoria Música, Opinião, resenha

    Inicialmente, quero esclarecer a todos que eu não tenho a  pretensão de realizar uma grande resenha técnica – a parte mais “musical” da família está no meu futuro marido. Mas isso não significa que eu não possa fazer uma boa resenha, né?

    Quando cheguei no local, notei que ele tinha uma peculiaridade: o prédio apesar de ter uma porta para uma rua movimentada, perto de uma estrada que cruza a cidade de Canoas/RS, a entrada para o local de shows se dava na rua de trás. A rua dava de frente para onde passa o  metrô (o nosso Trensurb!), além de ter pouco movimento.

    Ao entrar no local vi um bom espaço. Já na entrada, nota-se o bar bastante extenso e um pequeno palco, um espaço para projeção (filmes, clipes), teto alto e uma escada para um mesanino. Ao dirigir-me para o palco principal, vejo um corredor e dois espaços nos dois lados com mesas e cadeiras, como em um pub. A pista tinha um excelente tamanho e o palco também. Como o local que tem as mesas é mais alto que a pista, é um bom local para assistir o show sem mta dificuldade!

    O show iniciou com um pouco de atrazo. Começou com o Ministério I.L.A. já depois das 23 horas. O pessoal cantou músicas bem comuns no repertório das igrejas, mas conseguiram agitar a galera. Depois foi a vez da banda Coadjuvantes. Os guris da Coadjuvantes fizeram um excelente som

    Palco

    e o vocalista da banda mostrou grande presença de palco.

    Após o show da banda Coadjuvantes, houve uma “pantomima”, para então a banda “Reparadores de Brechas” subir ao palco. O show da Reparadores foi ótimo. Apesar do som da banda ser muito bom, o som em si não estava legal. Mas acho que o maior crédito estava nas mensagens do Pr. Rafa, vocalista da “Reparadores”.

    Antes ainda do início do show do Manga, houve outra pantomima.

    Manga cantou em seu show músicas antigas do Oficina G3 – “Cante”, “Razão”, “Indiferença”, “Magia Alguma”, “Davi” e “Naves Imperiais”, com muita energia e animação.  Um ponto interessante observado foi exatamente como Manga ocupava o palco com muita dinâminca, interagindo com os membros da banda que o acompanhavam. A banda, composta por Thiago Marques (teclado), André Canhotto (guitarra), Nando Kist (guitarra), Rafael Mustafa (bateria), Joni Santos (baixo),   foi montada especialmente para este show, mas mostrou-se unida e com razoável sintonia. Todos, exceto o baixista Joni Santos e o baterista Rafael Mustafa, se mostravam bem desinibidos diante do público. Algo que o público não pôde queixar-se foi da performance de palco, sempre eletrizante. O tecladista Thiago Marques, inclusive, cantou um trecho da música “Indiferença” junto com Manga, saindo de trás do teclado para uma performance abraçados na parte central do palco. Os dois guitarristas fizeram boas interações. Um dos momentos interessantes do show foi quando os dois tocaram, um de cada lado do vocalista Manga, formando um excelente visual para o público que assistia.

    Manga

    No meio do show, Manga fez uma breve reflexão, apontando que o pecado está enraizado na sociedade, destacando o fato de muitos donativos enviados à Santa Catarina terem sido roubados por quem deveria entregá-los, além da situação passada por muitos catarinenses que vêem os preços se tornarem absurdos devido às circunstâncias. A mensagem poderia ser tanto encarada evangelística como de exortação, simples e direta.

    A voz de Luciano Manga foi um dos pontos altos do show. Quem ouviu os antigos cd’s do Oficina G3 pode ter uma idéia do que estou dizendo – e ela não mudou muito desde então. Além de ter potência, tem um timbre marcante.

    A reação do público diante do show foi das mais diversas. Vi desde pessoas que ja conheciam muito bem aquelas músicas até adolescentes que sequer sabiam que havia Oficina antes do PG. Mas, definitivamente, para esses últimos, a experiência nova foi compensadora. O público, na maior parte, parecia curtir cada minuto do show e degustar cada música. Incitados pelo tecladista, as pessoas começaram a pular e agitar. O público que, em sua maioria, assistia sem pular, parecia querer realmente prestar a atenção no show – não é exatamente o tipo de reação que vemos em show de rock, não é mesmo?

    Luciano Manga se demonstrou uma pessoa muito humilde, conversando com todos e andando no meio do publico antes e depois do show, Não houve qualquer estrelismo, muito pelo contrário: ele tratava com muito amor todos aqueles que se aproximavam para conversar com ele.

    Visão do Palco

    Após o fim do show, os membros da banda chamaram ao palco “Emmanuel Capim” e “Elias Frenzel”, bateristas das bandas “Reparadores de Brechas” e “Castelo Forte” para tocar músicas desta última banda. Esta parte foi uma espécie de “Jam”, com bastante interação do público, que curtiu esse PLUS do show.

    Analisando de forma mais geral, posso dizer que o show foi impecável. As banda de abertura acrescentaram clima ao show principal. Contudo, como foi iniciado muito tarde de Luciano Manga, o público já não tinha o mesmo ânimo. Eu teria dispensado as pantomimas que, apesar de serem muito boas, atrasaram ainda mais o show e não se encanxavam com a programação da noite. Aliás, foi uma excelente noite – mas não são todos que estão acostumados com shows noite a dentro!

    Quero agradecer o apoio de Guinther, organizador do evento, e Rômulo, que fizeram a divulgação do Dotgospel no show e permitiram que esta pequena flor se aventurasse tirando fotos e curtindo muito show para, finalmente, fazer esta resenha! Valeeeu!

    Criatividade gospel

    Por Dan em 19 novembro 2008 na categoria Humor, Música

    A um tempo atrás escrevi da criatividade gospel arrasando na mídia. Eis mais um caso. Qualquer semelhança, mera coincidência.

    Valeu AS pelo email mostrando o pequeno incidente!

    Ouvindo música “secular”

    Por rap em 3 junho 2008 na categoria Música, Opinião

    Após o texto “Deus, obrigado por Marcelo Camelo e por Renato Russo” e ainda “Sejamos totalmente ‘gospel’, então!“, gostaria de deixar minha opinião sobre o assunto, logo abaixo.

    Sim, alguns cristãos não ouvem músicas que consideram seculares – músicas que não são feitas por próprios cristãos – espantosa tal idéia. Na realidade chamam de secular por algum motivo obscuro já que secular significa algo que passa de século a século, talvez seja uma alusão ao famigerado versículo de 2Co 4:4 que diz: “nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.”, longe de querermos basear a crítica somente nessa palavra, é importante fazer referência a essa eterna divisão entre divino e pagão.

    Porque dividir atividades relacionadas à igreja como sendo divinas e tudo o mais que estiver fora dela como sendo secular ou pagão? É um regresso ao tempo dos fariseus, é um regresso à idéia de que o templo é um lugar físico, é um regresso que não torna ao cristianismo primitivo. Apesar de a idéia ser bastante difundida, temos de levar em consideração que viver em Cristo é viver em totalidade, não somente em alguns poucos momentos pré-definidos, mas a todo o momento. Essa oração um tanto quanto repetitiva se limita a ser repetitiva, porque se olharmos pela prática, nada disso é praticado.

    Observemos, por exemplo, pra que dizer que você tem um trabalho secular? Não é um bendito trabalho profissional? Pra que se referir à sua vida fora da igreja como sendo uma vida secular, viraremos todos duas caras, vivendo duas vidas? Que possamos entender, temos todos uma única vida, um trabalho profissional. Apesar de ser uma compreensão básica e aparentemente ínfima isso torna a vida mais livre, isso faz com que o fardo pesado dos legalistas se transforme no suave jugo prometido por Cristo.

    Um dos principais argumentos para que não se ouça uma música é o velho e conhecido pecado de influência. Se algo te influencia negativamente, não faça isso. O estranho é que essa idéia entra em conflito com as velhas listas elaboradas pelos legalistas faça-isso-porque-eu-quero. E a prova maior está no fato de que se você falar que ouve um Iron Maiden para um pastor, ele dirá que você é filho do diabo ou coisa do tipo (sim, isso ainda acontece).

    Cristãos, em tese, deveriam levar para si as coisas básicas da religião para a vida diária. Devemos entender que Deus é soberano logo, tudo que temos no que diz respeito à natureza humana, seja o livre-arbítrio, os sentimentos ou a criatividade, todos eles são provindos de Deus. Qual a dificuldade em entender que mesmo uma pessoa glorificando ao diabo, tem algo que foi dado por Deus? Oras a criatividade que a pessoa utiliza está sendo direcionada para algo que não concordamos, mas por isso condenaremos os meios que ela utiliza para glorificar aquilo que acha melhor? Exemplificando, o martelo já foi usado várias vezes para o homicídio, por esse fato faremos com que ele seja banido das mãos ‘sacrossantas’ dos evangélicos? O conhecimento pode ser tanto usado para algo bom como para algo oposto, essa idéia é tão latente que também deveria ser utilizada como analogia para a música. Um acorde é um acorde em qualquer lugar, tocado por qualquer pessoa.

    Não importa se o que o indivíduo está tocando ou cantando nada tem a ver com Deus, ou se está exaltando o diabo, o que importa no fim das contas é o entendimento por parte de quem ouve que a pessoa está usando uma criatividade dada por Deus. A adoração sempre existirá, o direcionamento dado a ela é pessoal e com certeza será variável.

    Por conta do “Não ouça isso! É do diabo!” cristãos são obrigados a ouvirem a pior música existente e ainda acharem boa, com o risco de serem mandados para o inferno se pensarem na possibilidade de escutarem uma música de qualidade que não necessariamente foi composta por evangélicos.

    A liberdade tão aclamada pela religião mais uma vez é colocada de lado para a vivência de uma religiosidade que faz com que o cristianismo morra.

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