Histórias de Mulheres - Resenha

Por Luciana em 15 agosto 2008 na categoria Literatura

O ser humano sempre educou homens e mulheres baseados nas diferenças entre ambos. Isso nas tarefas, em força física e hierarquia. Na maioria dos conceitos, a mulher esteve abaixo de todos os quesitos por ser considerada fraca ou por ideologias que a colocam abaixo do homem. Quando e como isso se tornou uma regra, ninguém sabe dizer, mas as conseqüências disso são vistas ainda na sociedade atual.

Porém algumas mulheres conseguiram quebrar paradigmas. Lutaram por sua independência e auto-realização. Algumas se moldaram às regras da época para conseguir isso, outras já deram sua cara a tapa e não se importaram de serem mal vistas pela sociedade por isso.

E foi em algumas mulheres de fibras que a jornalista espanhola Rosa Montero usou como exemplo em seu livro. Histórias de Mulheres, é uma breve biografia sobre figuras importantes da cultura ocidental e o que passaram quando resolveram ser diferentes ao que a época exigia de mulheres.

O livro, que começou como uma coletânea de artigos para o jornal espanhol El País, não relata somente as histórias de mulheres que fizeram grandes feitos, algumas sequer são conhecidas do grande público (como a mãe da grande escritora Mary Shelley, criadora de Frankenstein) ou lembradas mais como esposa de alguém como de seus grandes feitos (como Zenobia Camprubi).

A autora faz uma coletânea de biografias contrastantes, mas que no fim percebemos que possuem pontos semelhantes, seja pelas conturbadas famílias, ou vidas sofridas por perdas ou problemas financeiros. Mas não só de heroínas que Rosa Montero fala, pelo contrário, algumas possuem vidas que servem de exemplo, outras, eram verdadeiras vilãs, antagonistas e algozes para àqueles que entravam em seus caminhos, como Simone de Beauvoir, que não se importava com o que os amantes ou qualquer outro estudioso pensasse: a seu ver ela e Jean Paul Sartre, seu amigo e companheiro fiel, estavam acima de tudo e de todos.

As personalidades escolhidas mostram uma vida que tocam na alma do leitor e o modo como a autora narra nos faz viajar em busca de mais informação sobre elas ou, pelo menos, relembrar seus trabalhos. Podemos sentir as obras delas revivendo quando lemos cada capitulo e percebemos como elas viviam seus personagens ou obras.
Uma delas, Agatha Christie, desapareceu misteriosamente certa vez e perdeu a memória. Muitos acreditavam que a rainha do crime (como era chamada) estava em busca de vender mais livros, mas depois de percebermos como o dia do desaparecimento foi doloroso (a morte da mãe, os problema conjugais) percebemos como uma fortaleza como Christie se mostrava, também era frágil e podia se quebrar.

Ao se falar nas irmãs Brontë (autoras de clássicos, como O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre) notamos que as adversidades que passaram estão nos seus livros (Jane Eyre relata de forma bem próxima a morte de uma personagem bem próxima da forma como as irmãs de Charlotte, a autora, faleceram quando crianças). Outro ponto chocante é saber que livros clássicos como estes, foram publicados com nomes masculinos, pois na época, mulheres não eram bem vistas como autoras. A autora ainda relata que um famoso poeta da época mandou uma delas parar de fazer poesia e utilizar seu tempo em algo produtivo para as mulheres.

Ingredientes variados são encontrados nas vidas de cada uma das quinze mulheres escolhidas – e mais alguns outros nomes lembrados com freqüência – e mostra ao leitor diferenças de vidas culturais e comportamentais ligados à época e local onde elas viveram, mas também que muitos problemas que as mulheres passam não estão ligados a um local somente, trazendo ao leitor informações interessantes.

Para saber mais sobre o livro, clique aqui, ou participe da comunidade Ediouro e participe da debateira cultural sobre o livro no orkut.

Resenha - As Grandes Questões Sobre a Fé

Por rap em 1 agosto 2008 na categoria Literatura

Quando se olha para a capa desse livro geralmente a primeira coisa que vem à cabeça é o quão clichê é pensar em questões filosóficas usando a religião para determinar perguntas que provavelmente nunca serão respondidas. No entanto, seu subtítulo fala uma verdade: ‘Respostas às perguntas que você sempre fez, mas ninguém respondeu‘. Leiam bem: respostas. Jonathan Hill faz um belo trabalho de pesquisa, mostrando diversas respostas sobre um mesmo assunto, dando base para que tanto haja discordância como uma total concordância em um mesmo questionamento; é se aprofundar e logo após escolher. O mais importante, além do trabalho de pesquisa, foi a forma despretensiosa pela qual o autor não se posicionou perante nenhuma das divergentes posições.

Costumo antes de ler um livro olhar seu índice, geralmente é o que vai determinar o interesse na leitura. Sendo assim, devido a grande gama de assuntos, preferi resenhar As grandes questões sobre a fé através de tópicos correspondentes aos seus capítulos:

1. Quem é Deus, afinal? - Nada melhor que começar uma discussão geral sobre fé, através da tentativa de busca da definição da natureza divina. Deus espiritual; conhecido ou desconhecido; transcendente e imanente; sofredor; perto ou longe; todas essas facetas sendo mostradas, assim como a herança judaica e grega que formaram a visão de Deus para os cristãos na atualidade. A quantidade de citações é grande, não se trata de uma análise profunda, mas de uma direção para o aprofundamento em algum linha de raciocínio que o leitor quiser ir.

2. Será que temos alguma boa razão para acreditar em Deus? - A velha discussão sobre a existência ou não de um ser divino e superior é abordada com grande clareza, mostrando as diversas maneiras da tentativa de prova ao longo da história. Inclusive o livro de Anthony Flew: Um ateu garante: Deus existe é também citado nas discussões. Quero dar destaque à apresentação do argumento de Kant sobre a lei moral interior que dificilmente é abordado em livros que tentam provar a existência de Deus.

3. Como é possível acreditar em Deus com tanto sofrimento no mundo? - O nível da pesquisa atinge um nível que dificilmente se encontra em cristãos, o argumento do teólogo muçulmano al-Ghazali é mostrado de forma clara e democrática para uma das muitas tentativas de resposta à questão que religiosos atuais geralmente ignoram.

4. A fé religiosa pode ser racional? - A briga travada atualmente entre fé e razão é mostrada de forma histórica através do Evidencialismo e do Fideísmo. É interessante como o autor conseguiu mostrar visões de pessoas conhecidas no meio filosófico sobre tal questão, Locke, Lewis, Kant e Kierkegaard são citados, os dois primeiros como adeptos do evidencialismo (fé somente com razão) e os últimos como fideístas (a fé não pode ser racional).

5. A ciência evoluiu. Isso significa o fim da religião? - Segundo religiosos de várias vertentes um dos grandes motivos para o desinteresse na religião é a ascensão da ciência como posto maior no pensamento. Hill prova de forma histórica uma inverdade. A visão de que a religião e a ciência tratam sobre juízos diferenciados é a tese e idéia básica desse capítulo.

6. A liberdade não passa de ilusão? - Calvinismo e Arminianismo, as duas visões em evidência nos dias atuais são mostradas como linhas de pensamento montadas ao longo de séculos. O interessante nesse trabalho de pesquisa foi a expansão de visões além dessas duas tão aceitas e muito ortodoxas. A Teologia Relacional e o difícil Molinismo são mostrados de forma clara e totalmente imparcial.

7. Será que existe essa história de vida após a morte? - Platão e teólogos judeus, é nessa batalha a principal discordância quanto às sutilidades da alma, sobre sua imortalidade ou não. Uma combinação das duas visões foi o que aconteceu com o Cristianismo, no entanto, as dúvidas sobre o lugar para onde pessoas irão após a morte ainda são muitas, as diferentes idéias são apresentadas, todas com influência prática sobre a vida cotidiana.

8. O que acontece com as pessoas de outras religiões? - Exclusivismo com Agostinho e Lutero, Inclusivismo não assumido com Orígenes, Inclusivismo assumido com Justino e o Pluralismo com os cristãos indianos e Buda. Quatro maneiras de enxergar e quatro maneiras diferentes do que vem a ser o respeito com a opinião alheia. Uma discussão que muitos consideram inútil como essa sobre salvação, é-nos mostrada historicamente como a responsável por várias mortes e catástrofes humanas.

9. O que significa viver bem? - Moralidade mais uma vez em voga, assim como a motivação dos atos. É possível um ateu ser moralista? A pergunta que é usada como base para justificativa da existência de Deus é destrinchada através de buscas pelo mais conveniente à lógica. Um capítulo com essa questão metafísica de forma bem explicada.

10. Qual é o objetivo final da vida? - Uma das poucas perguntas sem respostas. Nada melhor que o término do livro com uma dúvida que não teve muito avanço ao longo do processo filosófico cristão.

Recomendo esse livro pelo simples fato de conseguir ser imparcial e incitar através de pesquisa histórica a busca pelo aprofundamento de pensamentos que estão engessados e inertes na sociedade atual.

1. Pag. 35 e 36

A Lição Final - Resenha

Por leone em 18 julho 2008 na categoria Literatura

 ”Você não escolhe como as cartas vão vir à sua mão, mas pode escolher como jogá-las”. Essa é a idéia central de Randy Pausch, autor do livro “A Lição Final”. Tudo começou com uma aula de despedida na Universidade Carnegie Mellow, Pennsylvania, EUA, onde Randy leciona há cerca de 10 anos, que foi vista milhões de vezes no Youtube e inspirou Randy a escrever o livro, com a ajuda de Jeffrey Zaslow, colunista do The Wall Street Journal. O que faz um professor renomado de Ciência da Computação, casado e pai de 3 filhos encerrar sua carreira de professor aos 47 anos? A resposta é simples: Um câncer no pâncreas foi diagnosticado em 2006 e mesmo depois de meses lutando contra a doença no ano passado Randy recebeu sua sentença de morte; iria viver apenas mais alguns meses. A luta agora não era pra sobreviver, mas para viver um pouco mais.

 

O que podemos tirar da história de um homem comum que está condenado a morrer? O que tenho aprendido ao longo dos anos é que a causalidade das coisas que nos acometem praticamente inexiste. Se a pessoa fuma a vida toda, obviamente há grandes chances de desenvolver um enfisema pulmonar… Isso sim é uma consequência. Mas nem sempre a vida é simples assim: Faz e paga! É quando começamos a nos questionar sobre a tal causalidade. Quando vemos pessoas sadias de repente receberem um ultimato do médico lhes dizendo que lhes restam poucos meses de vida. Quando uma criança de 3 anos toma um tiro na cabeça ou quando alguém de repente é atropelado ao atravessar a rua.

 

Como cristão acredito que estou aqui de passagem e que há algo maior que toda essa banalidade que é a sociedade. Mas não consigo deixar de pensar em apenas uma pergunta: “Por quê?”. Resta-nos viver a vida intensamente até o último suspiro. Bob Dylan diz que “um homem é um sucesso se pula da cama de manhã, vai dormir a noite, e nesse meio tempo faz o que gosta”. Randy Pausch se mostra apaixonado pela vida e por sua família. Ele bem diz, ironicamente: “Estou enfrentando um problema de planejamento”. Ele se sente “sortudo” por não morrer de uma hora pra outra e poder deixar gravações de vídeo, áudios e textos de despedida para os filhos, que por serem muito novos ainda desconhecem a situação do pai.

 

Que possamos aprender com Randy sobre como amar a vida e vivê-la o máximo possível.

 

Para acessar o site do livro, clique aqui.  

As Memórias do Livro - Resenha

Por Luciana em 4 julho 2008 na categoria Literatura

Com um título sugestivo, “As Memórias do Livro” parece soar estranho à primeira vista, mas traduz exatamente seu conteúdo: é um livro que conta a história de outro livro.

Este é o quinto livro da autora, a jornalista do Washington Post, Geraldine Brooks e já se tornou um best-seller. A autora usou  uma pitada de ficção para relatar os caminhos percorridos por um livro conhecido como a “Hagadá de Sarajevo”, de alguns daqueles que tentaram destruí-la e também de outros que, com sucesso salvaram-na nos últimos séculos.
 
Quem conta a história é a fictícia personagem Hanna, uma australiana contratada pela ONU para trabalhar na restauração e preparação do livro para ser apresentado ao público. A cada página, a personagem encontra pistas, que posteriormente darão inicio de onde e com quem o manuscrito esteve quando foram parar no livro, relatando todo o percurso, problemas e personagens (alguns deles reais) que colaboraram (ou não) para que o manuscrito chegasse daquela forma ao local onde está.
 
O ponto mais alto do livro é mostrar um lado talvez esquecido, ou melhor, ignorado, por muitos de nós, fatos que esclarecem o passado e põe à tona verdades um tanto desconhecido pela maioria: a perseguição dos judeus, que começa com a Inquisição feita pela Igreja Católica (bem antes do que muitos se recordam e com conseqüências talvez tão grandes como feitas por Hitler) e chega ao cume com os nazistas. Fala também sobre as questões entre mulçumanos e judeus, que mostrou compaixão e respeito por esse povo no decorrer dos séculos.

“As Memórias do Livro” retrata os momentos delicados no mundo para o povo judeu, colocando em evidência épocas desesperadoras, sem terra, sem país, vivendo em um local onde eram perseguidos por sua crença, considerados “assassinos de Jesus”. Ao mesmo tempo mostra outro lado pouco mencionado, quem estendeu a mão, deu abrigo e liberdade religiosa: os mulçumanos. Esses dos quais são os principais heróis de “As Memórias do Livro”, já que por diversas vezes, encararam o perigo para que a Hagadá de Sarajevo não fosse para a fogueira.

É interessante explicar sobre o manuscrito que deu origem ao livro: Hagadá é um manuscrito judaico que relata a escravidão e a saída dos hebreus do Egito descrita no livro de Êxodo, acrescido de orações e Salmos. É um manuscrito usado nas celebrações da páscoa utilizado por diversas famílias judaicas, para facilitar em uma das leis instituídas por Deus: “E contarás a teu filho, naquele dia, dizendo: por causa do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito” (Êxodo 13:8).
 
A Hagadá de Sarajevo foi criada para ser um presente de casamento. Foi produzida na Espanha, durante o reino de Aragão, é decorado com ouro e bronze e cores vivas. Tornou-se especial por possuir peculiaridades, dentre elas ilustrações que não são comuns nos livros judaicos, que costumam seguir ao mandamento que proíbe imagens esculturas.

No século XV, a Hagadá sai da Espanha junto com a família que a possuía e que foram expulsos, junto com os demais judeus, pela Inquisição espanhola. Os judeus espanhóis se refugiaram nas áreas do Império turco-otomano dominada pelos mulçumanos. Chegou à cidade de Sarajevo, capital da Bósnia, no século XVI, levada pela família a quem pertencia, os Cohen, que vendeu o manuscrito séculos depois para o Museu Nacional da Bósnia devido a problemas financeiros.

Desde então a Hagadá de Sarajevo passou por guerras e conflitos armados grandes naquela região, como I e II Guerra Mundial e a guerra civil da Iugoslávia, as duas últimas, salvas por mulçumanos, que mostraram assim o respeito que possuem por outras religiões, ação contrária ao que o cristianismo tem mostrado desde sua criação.

Com uma história como essa, o livro de Geraldine Brooks se torna fascinante, nos ensina mais sobre a cultura e história de um povo muito comentado, mas que só conhecemos nos tempos de Moisés e Jesus, mas ainda continua a criar história. De seus ritos e cultura, e principalmente, os motivos de ações e conflitos atuais, são bem diferentes dos que pensamos ser.

Mais informações sobre o livro, clique aqui.

Para saber mais sobre a hagadá de Sarajevo, visite o site da revista Morasha.

Um ateu garante: Deus existe - Resenha

Por rap em 20 junho 2008 na categoria Literatura, Opinião

Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“. Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“¹; O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.

Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX“², segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (”Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar“), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.

Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da f铳.

O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia. O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.

Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.

Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.

¹Pág. 30
²Pág. 41
³Pág. 98

Cristianismo Criativo

Por Sarah em 15 janeiro 2008 na categoria Literatura

Fui sorteada na promoção do Dot! A felicidade só não foi maior porque não ganhei o livro que queria. “Tudo bem”, pensei, “um livro é sempre bem-vindo”. Só não imaginava que este superaria minhas expectativas, confirmando, inclusive, algumas de minhas convicções. 

“Cristianismo Criativo?” é o nome do livro escrito por Steve Turner. E trata de um assunto tão comentado e, ao mesmo tempo, tão evitado dentro das igrejas e da comunidade cristã: como fazer uma arte que possua qualidade, seja aceita e fale sobre Deus. É um assunto comentado porque há no meio cristão pessoas com talentos especiais para tocar, cantar, pintar, escrever. E elas querem expor seus talentos. Na verdade, isso se torna uma necessidade. Mas é justamente neste ponto em que o assunto passa a ser evitado, ou induzido de forma que tais artistas fiquem restritos a um determinado assunto direcionado a um determinado grupo de pessoas – pessoas que não precisam ouvir, ler, ver o que está sendo exposto. 

De forma bem clara e contando algumas experiências do autor como jornalista e crítico de rock, o livro expressa a idéia de que o artista cristão não deve ficar limitado aos assuntos que dizem respeito apenas à igreja, mas deve fazer parte da realidade universal. Isso inclui política, problemas sociais, cultura popular, amor, decepção, morte. Tratando de diversos assuntos através da arte, é possível tratar também de Deus, passando uma mensagem cristã, mesmo que a arte em questão não fale diretamente sobre o plano de salvação ou a necessidade de se converter. 

O autor afirma ser possível fazer uma arte criativa, que reflita sobre questões de uma época e seja, ao mesmo tempo, cristã. Sendo que o artista cristão possui uma visão mais ampla sobre os assuntos, precisando apenas participar efetivamente e não só observar. Um exemplo que ele dá (aliás, muito citado por grande parte dos dotianos) é a banda irlandesa U2, que possui músicas que abordam assuntos atuais e necessários, sem deixar de lado a base bíblica. 

Para terminar, quero deixar uma citação desse livro. Foi difícil escolher uma, portanto recomendo a leitura completa. Certamente será mais edificante, especialmente para aqueles que desejam usar a arte para falar do evangelho, sem se afastar de sua realidade. Somos filhos de um Deus criativo. Por que não usar a criatividade para fazer a diferença? 

“Os cristãos muitas vezes ignoram as questões prementes do momento. Talvez isso se deva ao fato de que eles temem que até compreender as questões em profundidade sua fé pode enfraquecer. Ou talvez ao fato de que acreditam que as verdades eternas não precisam referir-se às ansiedades contemporâneas. Esta é a razão por que a crítica mais comum à arte cristã é de ela ser antiquada e irrelevante. Em outras palavras, ela parece, soa ou se traduz como algo de outro período, e as questões que discute não são as questões que normalmente preocupam as pessoas. 

Pode ser desanimador colocar os termos cristãos e arte juntos em uma ferramenta de busca na Internet. Em vez de descobrir algo vital, perceptivo, desafiador e de fundamental importância, você é levado para sites que exibem cartões de felicitação atraentes, versículos confortantes e ilustrações insípidas. (…) 

A Bíblia incentiva-nos a conhecer os tempos em que vivemos e, conseqüentemente, escolher nossa forma de comunicação. No último capítulo de Eclesiastes explica-se como “procurou o Pregador achar palavras agradáveis” (Ec 12.10). Que contraste com a atitude tantas vezes encontrada entre os cristãos de produzir algo indelicado e, em seguida, orar para que o mesmo tenha êxito.” 

 

* Para saber mais sobre o livro, já que esse é um comentário pessoal, eu recomendo que visitem o site da editora: http://www.w4editora.com.br