O Cristo Contemporâneo

Por rap em June 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Idéias, Opinião

“Esqueça o evangelho de esperança, troque-o pela mensagem positivista de auto-ajuda.” Essa é a pregação implícita dos motivos de sucesso que devemos ter na vida. “Quer ter sucesso? Aprenda com Cristo”. Esse é o slogan que encontraremos em palestras de auto-ajuda, não somente em tais reuniões, mas também em templos que supostamente falam de Cristo como Salvador.

Jesus é tão bem citado como o maior alguma coisa de todos os tempos que a mensagem deixada, de esperança, de uma nova vida em contraponto com as dificuldades, é totalmente esquecida. A imagem que querem criar é de alguém que nunca teve sofrimento, ao contrário do que pode ser observado. Ele chorou quando um amigo morreu (Jo 11), teve tristeza quando a morte se lhe apresentou (Mt 26:38), se irou com os mercadores no templo (Jo 2). Ele esteve em estado humano e, provavelmente não seria o melhor exemplo de vida próspera para um pseudo-cristão.

Cristo Jesus não foi o maior líder de todos os tempos porque conseguiu fazer com que onze pessoas falassem de sua filosofia a todo mundo, isso Lao-Tsé, Maomé e muitos outros também conseguiram fazer. Igualam-no com funções meramente humanas. Quanta presunção comparar a função única de consolador com a de um psicólogo. Ele via além do que podemos ver em testes de psicanálise e comportamento, sabia qual era a intenção do coração.

As fórmulas de sucesso e prosperidade estão muito aquém do que é libertação, certeza de imortalidade e amor. “Suba na vida”, “seja o melhor”, repetindo isso a nós mesmos colocamos o seguir a Cristo em último plano, negamos a soberania de Deus que pode fazer aquilo que bem entender com nossas vidas. A frustração generalizada com a vida nos dias atuais é uma constante, pois o ideal do modelo econômico e social que vivemos se sobrepôs à certeza de que a vida corporal se esvai.

Negamos a Cristo se o compararmos às profissões que criamos. Jesus foi único em seu propósito, não veio a terra para liderar, para dar uma de psicólogo ou para ser o melhor marceneiro de todos os tempos, veio anunciar boas-novas, tanto para essa vida quanto para a vida que se segue, ele veio para ser o remissor da humanidade, dando a chance de amor pleno e contínuo.

Salvador? Alguns perguntam: quem precisa disso? Eu posso me ajudar, me salvar, há necessidade de outra pessoa para cuidar de mim? Enquanto para uns poucos Cristo é totalmente negado em seu propósito, por outros a função de Salvador da humanidade é mera metáfora, foi rebaixado. Há pior indiferença com alguém do que essa?

Pode até soar como religiosidade barata, mas Jesus é o Salvador, um exemplo a ser seguido para a vida e não somente para alguns segmentos dela.

Entrevista com CS Lewis

Por Luciana em February 2008 na categoria Artigos, Idéias

Há alguns dias, recebi via email uma antiga entrevista feita ao escritor irlandês CS Lewis. Segundo informações, as questões formuladas por empregados da Electric and Musical Industries Ltd., Heyes, Middlesex, Inglaterra, em 18 de abril de 1944.

Para quem não o conhece, Clive Staples Lewis, ou simplesmente C.S. Lewis, produziu uma vasta obra literária e é considerado por muitos o maior pensador cristão do século XX - pela sobriedade e lucidez das respostas a seguir dá pra imaginar a razão disto.

Pergunta: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade?
Lewis: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor. Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou abordando o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que lhe será de maior utilidade, mas não tenho como lhe ajudar nisso.

Pergunta: Os materialistas e alguns astrônomos sugerem que o sistema solar e a vida como a conhecemos foram criados por uma colisão estelar acidental. Qual é a visão cristã dessa teoria?
Lewis: Se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. E isso é verdade para os pensamentos dos materialistas e astrônomos, como para todos nós. Mas se os pensamentos deles – isto é, do Materialismo e da Astronomia – são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu.

Pergunta: A aplicação dos princípios cristãos daria um fim ou reduziria enormemente o progresso material e científico? Em outras palavras, é errado para um cristão ser ambicioso e lutar por progresso material?
Lewis
: É mais fácil pensar num exemplo mais simples. Como a aplicação dos princípios cristãos afetaria alguém numa ilha deserta? Seria menos provável que esse cristão isolado construísse uma cabana? A resposta é “Não”. Pode chegar um momento em que o Cristianismo o diga para se preocupar menos com a cabana, isto é, se ele estiver a ponto de considerar a cabana a coisa mais importante do universo. Mas, não há nenhuma evidência de que o Cristianismo o impediria de construir um abrigo. Ambição! Devemos ter cuidado sobre o que queremos dizer com essa palavra. Se for desejo de passar à frente de outras pessoas – que é o que eu penso que quer dizer – então, ela é uma coisa má. Se significar apenas desejo de fazer bem uma coisa, então é boa. Não é errado para um ator querer atuar tão bem quanto possível, mas desejar ter seu nome escrito com uma letra maior do que a de outros atores, isso sim é errado.

Pergunta: Tudo bem em ser General, mas se alguém tiver a ambição de ser General, então não dever ser.
Lewis: O mero evento de se tornar um General não é nem certo, nem errado em si mesmo. O que importa moralmente é sua atitude em relação a isso. O homem pode estar pensando em vencer a guerra; ele pode estar desejando em ser General porque honestamente pensa que tem um bom plano, e ficará feliz em colocá-lo em prática. Isso está ok. Mas, se ele pensa: “O que posso ganhar com esse emprego?” ou “O que devo fazer para aparecer na primeira página do Illustrated News?” então, isso é errado. O que chamamos de ambição, usualmente, significa o desejo de ser mais notável ou mais bem sucedido que outra pessoa. É o elemento competitivo que é nocivo. É perfeitamente razoável querer dançar melhor ou ter uma aparência melhor do que outros – quando você começar a perder o prazer se outros dançarem melhor que você ou tiverem uma melhor aparência, então você está indo na direção errada.

Fonte: Glaucia Santana (agradecimentos a Kenny por ter compartilhado essa entrevista).

A Parábola da Mente Estreita

Por Hana em February 2008 na categoria Idéias

Por Autor Desconhecido

Certo dia, ao atravessar uma ponte, vi um homem em pé na beirada a ponto de pular. Corri, então, em sua direção, e disse-lhe: “Pare! Não faça isso!”

“E por que eu não deveria?”, perguntou ele.

Eu disse: “Bem, há tanto pelo que se viver!”.

Ele disse: “Como o quê?”

Eu disse: “Bem, você é religioso ou ateu?”

Ele disse: “Religioso”.

Eu disse: “Eu também. Você é católico ou protestante?”

Ele disse: “Protestante”.

Eu disse: “Eu também! Você é episcopal ou batista?”

Ele disse: “Batista”.

Eu disse: “Puxa! Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus ou da Igreja Batista do Senhor?”

Ele disse: “Igreja Batista de Deus”.

Eu disse: “Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus Original ou da Igreja Batista de Deus Reformada?”

Ele disse: “Igreja Batista de Deus Reformada”.

Eu disse: “Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus Reformada em 1879 ou da Igreja Batista de Deus Reformada em 1915?”

Ele disse: “Igreja Batista de Deus Reformada em 1915!”

Eu disse: “Então morra, seu herege!”, e, com imenso desgosto, o empurrei.

Texto extraído de “Histórias que Abrem a Janela Mais Ampla de Deus”, DeVern Fromke, Edições Tesouro Aberto

Reizinho, o bom

Por Mark3 em December 2007 na categoria Humor, Idéias, Opinião

“Não interessa uma nação rica cercada de pobres por todos os lados”

Dias atras o Reizinho, mesmo não gostando muito de sair do seu paísinho, resolveu passear, digo viajar. Em sua 98712983741236762ª viagem oficial, visitou um país muito pobre chamado Bolívia, o Reizinho resolveu praticar mais um ato de bondade e ombridade. Mostrando que não guarda mágoas do Chefe de Estado boliviano, que tempos atrás estatizou empresas estrangeiras no país e aumentou o preço do gás, gerando prejuizo para o paísinho. O Reizinho anunciou investimentos naquele país que podem chegar a US$ 1 Bilhão.

Isso é muito bacana. O Reizinho foi lá chamou o cara, que “garfou” seu paizinho, de amigo e ainda prometeu investir no país.
Palmas para Sua Majestade!
Ele disse ainda que não adianta ser rico, se não pode ajudar um vizinho com alguns milhares de dólares.

É muito bonito um rei que não se prende ao vil metal.
Os habitantes do paísinho está tão feliz com esses atos de extrema bondade de Sua Majestade, que já tem gente propondo a criação da uma Contribuição Provisória para Ajuda à Bolívia (CPAB). Esse novo imposto serviria também para fazer companhia para os impostos (IR, IOF, ISS, ICS, IPI, IPVA, ICMS, CIDE, IPTU, ITR e outros) que estão se sentindo muito solitários por causa do fim da CPMF.

…Agora você que está nos assistindo nesse momento, siga o exemplo do nosso Reizinho e faça a sua doação também. Ligue agora para ESSE número que está aparecendo no rodapé do seu vídeo e:

Disque 1 - Para doar R$10 milhões para a Bolívia
Disque 2 - Para doar R$10 milhões para o Reizinho
Disque 3 - Para doar R$10 milhões para o Dot
Disque 4 - Para doar R$10 milhões para o meu blog.
Disque 9 - Para doar R$10 milhões para cada um dos seus contatos do orkut e do msn

Faça sua doação, pois “Um bom exemplo: Essa moda pega”.

* O Reizinho ainda não voltou para seu paísinho porque antes tem que passar por mais 489 paises, para aproveitar direitinho sua saída.

* Até o fechamento desse post já tinham sido computados 127681743 ligações.

* Como estou falando para crente - Não fique de fora dessa unção!

É isso aí, crianças! Estamos comemorando (no sentido fastioso da palavra) um ano de .gospel blog e é uma honra ser lido aqui nesse momento especial dessa comunidade. E já que faço as vezes da casa e o momento é propício a um pouco de reflexão quero dar ênfase àquilo que acho ser a premissa básica pra que essa comunidade virtual tenha vida tão ativa e faça parte do cotidiano de tanta gente: nossa interação.

Ela é sempre atual, globalizada (hehehe), trazendo assuntos dos mais simples até conflitos sociais e pessoais vividos por todos nós; mas fazendo uma pequena retrospectiva sobre o produto dessa interação podemos ver que uma tônica defendida por quase todos é justamente a liberdade de pensamento. E que bom que não impera aqui uma liberdade doida-varrida, cheia de elucubrações escalafobéticas, fanáticas e descontextualizadas da realidade (embora a essas tb tenhamos que dar vez em nome da mesma liberdade), mas o Dot - e por extensão este blog - tem se tornado conhecidos justamente por serem espaços abertos aos questionamentos, inquietações, dúvidas, incertezas que recheia nossas humildes cabecinhas à procura da comunhão com Deus e com o mundo que nos rodeia.

Liberdade pra pensar, pra debater e até discordar - coisas que na maioria das vezes nos são negadas em casa, em nossas igrejas e na maioria das rodas de conversa que experimentamos. Liberdade pra buscar a verdade com vontade sincera, mas sem pressa, com a devida suavidade que o nosso amadurecimento requer, admitindo até que nos saibamos incertos sobre coisas aparentemente básicas e que permaneçamos assim por algum tempo enquanto contemplamos a jornada pelo esclarecimento - e que maravilha poder ver que isso não tem sido motivo pra que o amor e carinho dos outros nos falte. Isso é dom de Deus a cada um de nós, dê-mos graças portanto. Graças pela capacitação que muitos tem adquirido enquanto cumprimos o provérbio que diz “como o ferro afia o outro, assim também o homem ao seu próximo”, pois da mesma forma que temos tantos “atritos” e as faíscas muitas vezes voam longe, também vemos esse amor de Deus, que é o vínculo da perfeição, trazendo cura e motivação a todos nós. E vamos nessa, ficando afiados pra batalha que é a vida, essa maravilhosa experiência que Deus nos dá a cada manhã.

Esse amor dotiano me faz pensar (mais uma vez) em que tipo de resultado essa interação tem gerado em mim no trato com esse mundão de meu Deus. Tantas cabeças, tantas crenças, tantas necessidades, mas sobretudo tanta gente que Deus ama e quer perto de si, querendo muitas vezes me fazer seu instrumento pra essa santa-paquera com quem tá distante. A Bíblia afirma, “Deus nos envolve com laços de amor e bondade”… e você veio parar aqui no Dot pra ser um laço, que sabe envolver e acariciar um coração ferido mas que também é espada afiada nas mãos do Senhor pra libertar os cativos. Cativos que não estão apenas no “mundo”, entre os “ímpios”, mas muitas vezes estão em nossas igrejas e nossas casas. Gente aprisionada nas meias-verdades de uma sub-cultura “gospel” que acha que a simplicidade do evangelho não é suficiente pra transformar vidas - o que me faz lembrar a assinatura de um de nossos companheiros do fórum que dizia algo do tipo “Jesus veio pra te tirar da escravidão, não pra te dar uma cela mais confortável”. A verdade nos libertará, meus queridos. Todos os dias a verdade de Deus está pronta a nos libertar da proposta fácil de não usar a cabeça e engolir toda história que ouvimos por aí, mas cabe a cada um aceitar o desafio e romper com essa dominação. Isso é unção, isso é a capacitação que Deus quer te dar, algo que te faz ser agente de transformação no mundo começando em si mesmo.

Pois bem, digo e repito: LOUVADO SEJA DEUS PELO DOT! Obrigado Anderson!!! Obrigado Dan e demais colaboradores que tem se esforçado pra manter esse sonho como realidade. E justamente pra celebrar esta liberdade de pensamento, dádiva que temos aqui, encerro meu comentário pedindo que ouçam logo aí abaixo a música “É proibido pensar” do profeta João Alexandre. Que nos sirva de encorajamento a continuarmos crescendo em Deus, e não nos sujeitando a nenhum tipo de escravidão - pois Deus nos deu cabeça foi pra pensar!

Beijão no coração de todos!

Kenny

Dá o PLAY, moçada: >>
 
icon for podpress  João Alexandre - É proibido pensar: Play Now | Play in Popup | Download

C. S. Lewis: O HUMOR NA MEDIDA CERTA

Por Luciana em October 2007 na categoria Arte, Idéias, Opinião

Encontrei esse texto da Gabriele Greggersen, professora que estuda muito os trabahos de CS Lewis. è uma análise sobre o livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, livro que está previsto para estrear nos cinemas no próximo ano.

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O segredo da grande aceitação mundial do best-seller de C.S.Lewis, Screwtape Letters (1), as famosas 31 cartas de um diabo a seu sobrinho, encontra-se tanto em seu estilo - ameno, fino e bem humorado, “britânico” -, como no conteúdo, que apresenta profundas verdades da antropologia filosófica. Nele não encontramos concessões a um “gosto moderno”, mais apreciador daquele outro tipo de humor que incita ao deboche ou à zombaria sarcástica, associada, por exemplo, a temas políticos.

Aliás, são precisamente estes humores (que fazem do criticismo e do escárnio seu único absoluto) os mais apreciados e incentivados pelo diabo Screwtape (o protagonista, “autor” das cartas) em seu trabalho de orientação (realizado com um tom tão pedagógico e paternal) de seu inexperiente sobrinho, Wormwood, encarregado da missão de desencaminhar um humano: o gentleman inglês, Mr. Spike.

Nesse sentido, dentre suas centenas de investidas (em que se aproveita de seu conhecimento das debilidades da natureza humana para seduzir e desviar), destacamos a seguinte - uma diabólica filosofia do humor - em que expressa seu contentamento pelas más amizades que seu paciente humano tem mantido com:

“pessoas absolutamente confiáveis: constantes escarnecedores, mundanos consumados que, sem cometer crimes espetaculares, caminham segura e decididamente para a casa de nosso Pai. Em sua carta, querido sobrinho, você comentava que eles vivem em grandes zombarias e gargalhadas. Espero que você não esteja pensando que o riso em si esteja sempre a nosso favor. Este é um ponto importante, que merece atenção. Classifico as causas do rir humano em: alegria, divertimento, piada e escárnio. Você encontrará a primeira entre amigos e enamorados, reunidos em vésperas de feriado. Sempre aparece entre adultos um ou outro pretexto para piada, mas a facilidade com que o mínimo toque de humor desata o riso, em tais ocasiões, demonstra que não é ele sua real causa. Qual seja essa causa real, não o sabemos. Algo de semelhante acontece com boa parte daquela detestável arte a que os humanos chamam·música e algo parecido ocorre também no Céu - uma aceleração sem sentido do ritmo da experiência celestial, totalmente opaca para nós. Risos dessa espécie são prejudiciais para nós e devem sempre ser desencorajados. Além disso, o próprio fenômeno, em si, é repugnante; um insulto direto ao realismo, dignidade e austeridade do Inferno…” (Letter XI).

Lewis - com insuperável sutileza - mostra o caráter problemático que há no humor que se alimenta de zombaria e escárnio e não da verdadeira e desinteressada alegria. Pois, para o diabo, o mais apreciado de todos os humores é precisamente “… o escárnio. Em primeiro lugar, é muito econômico. Só um ser humano inteligente consegue fazer uma boa piada com a virtude (ou até com qualquer outra coisa); mas podemos treinar qualquer um para falar como se a virtude fosse cômica. Entre zombeteiros, é como se a piada já tivesse ocorrido; na verdade, ninguém a faz, mas qualquer assunto sério é tratado como se eles já tivessem encontrado seu lado ridículo. Quando arraigado, o hábito do escárnio constrói em torno do homem a melhor couraça que conheço contra o Inimigo; com a vantagem de ser isento dos perigos inerentes às demais fontes de riso. Dista anos-luz da alegria; embota o intelecto em vez de o aguçar, e não gera qualquer afeição entre os que o praticam” (Letter XI).
O autor pouco lança mão de recursos estilísticos como hipérbole e metonímia, freqüentemente usados por um humor pesado, que caricaturiza a realidade. Ao contrário, o que encontramos nas Cartas são doses bastante sóbrias de realismo, expresso por outros recursos de ficção, meta-humorísticos (um humor que tematiza o próprio humor), que servem mais para representar as contigências da própria vida - de uma forma diferente e, por isso, engraçada - do que para estereotipá-las.

Já no Prefácio, Lewis explicita que o “humor envolve um senso de proporção e a capacidade de uma pessoa ver-se como que do exterior”. Não se trata, portanto, de algum humor ingênuo de quem se aliena das amarguras do mundo, mas, sim, de uma maneira de encará-las, desvendando o seu “outro lado”, a face oposta, simétrica. Não se trata de distorcer a realidade, vendo outra coisa em seu lugar, mas apenas de outra forma de ver.

O realismo de Lewis tangencia, em vários momentos, a “crítica histórico-social”, quando toca temas atuais e graves como a guerra, o nazismo, a democracia, o cientificismo e evolucionismo, a liberdade sexual e até a ecologia (principalmente no brinde proferido pelo diabo-mor, por ocasião do jantar anual do Colégio de Treinamento de Tentadores, capítulo final acrescido posteriormente por Lewis). Ao mesmo tempo que expressa um puro e simples prazer de divertir o leitor, o autor chama a atenção para atemporais valores humanos, profundamente essenciais: a humildade, o amor, a paixão, o prazer, o sofrimento, etc.

Desta forma, não só se posiciona diante das grandes polêmicas de seu (nosso) tempo, contribuindo efetivamente para elas, mas também pratica o que talvez seja o verdadeiro sentido e razão de ser do humor, como também da ficção e da arte: o de tratar de temas profundos de forma descontraída. Sem tais recursos, estes assuntos correriam o risco de serem, para muitos leitores, simplesmente ignorados.

Seu humor “de proporção” sabe reconciliar pólos aparentemente opostos: a alegria acompanha situações que representam antes tristeza e sofrimento (a este respeito o autor dedicou sua obra The Problem of Pain). Assim, admitindo-se que “o sofrimento faz parte essencial do que se chama Redenção” ou “graça”, é possível compreender esta menos explícita finalidade do humor lewisiano, que lhe permite colocar em jogo tais questões que escapam a qualquer tentativa de abordagem teórica direta (como se sabe, Lewis, como professor universitário publicou também vários trabalhos acadêmicos eruditos).

Assim, é em Screwtape Letters que encontramos a melhor expressão das teses clássicas cristãs relativas ao prazer. Screwtape adverte seu ingênuo sobrinho de que a luta contra o “Inimigo” requer a erradicação desse fenômeno humano altamente “perigoso”, o verdadeiro prazer:

“Como é que você não percebeu que um prazer de verdade era a última coisa que lhe devia apresentar? Não percebeu que prazeres do tipo que lhe foram proporcionados por aquele livro e por aquele passeio seriam os mais perigosos? Arrancam dele toda aquela espécie de crosta que você andou formando e lhe dão a sensibilidade de quem está de ‘volta para casa’ e se recuperando” (Letter XIII)”.

Logo em seguida são fornecidos os remédios contra os “males” do prazer:

“Você precisa empenhar-se em fazer o paciente abandonar as pessoas, pratos ou livros de que realmente ele gosta, em favor das pessoas ‘melhores’, do alimento ‘correto’ e dos livros ‘importantes’ (…) Que faça o que bem entender, mas sem agir. Não há devoção que nos atrapalhe, desde que a mantenhamos longe de sua vontade. Como disse um dos humanos: hábitos ativos fortificam-se, hábitos passivos debilitam-se. Quanto mais ele sentir sem agir, menos será capaz de agir e, a longo prazo, menos será capaz de sentir” (Carta XIII).

Assim, tudo o que for ligado ao verdadeiro bom humor, como o bom senso e o senso do ridículo é considerado arsenal de primeira linha do Inimigo.

“O Divertimento relaciona-se intimamente à Alegria - espécie de espuma emocional que surge do instinto lúdico. De pouco nos serve. Evidentemente, pode ser utilizado, às vezes, a fim de distrair o paciente de algo que o Inimigo desejaria que ele fizesse ou sentisse: mas por si mesmo, possui tendências positivamente indesejáveis, promove a caridade, a determinação, o contentamento e muitos outros males.

Já a piada, que costuma girar em torno da súbita percepção de uma incongruência, é um campo mais promissor. Não me refiro principalmente à piada indecente ou libidinosa que - embora muito adotada por tentadores de segunda categoria -, é freqüentemente desapontadora em seus resultados. Na verdade, os humanos, neste assunto, podem ser classificados, claramente, em dois tipos: para alguns, não existe ‘paixão mais séria que a luxúria’ e a piada indecente deixa de ser excitante, precisamente na medida em que é engraçada; para outros, o riso e a luxúria excitam-se mutuamente no mesmo momento e pelas mesmas razões. A primeira espécie faz piada de sexo porque ela oferece ocasião de incongruências; a segunda, cultiva incongruências para ter ocasião de falar sobre sexo. Se o paciente pertence ao primeiro tipo, piada obscena não lhe adiantará - jamais esquecerei as horas que perdi (horas de insuportável tédio para mim) com um dos meus primeiros pacientes nos bares, antes de ter aprendido esta regra. Descubra o grupo de seu paciente, mas impeça-o de o descobrir também (…)” (Letter XI).

Numa ocasião bela e prazerosa como um noivado, recomenda-se que: “acima de tudo os jovens tolos” não desvendem as idéias enganosas que lhes estão sendo sussurradas aos ouvidos, pois, se caírem em si “estarão a caminho da descoberta de que só o ‘amor’ não basta, que precisam de caridade, que ainda não a conquistaram e que não há lei externa que lhe tome o lugar”. “Acima de tudo, é preciso “solapar o senso do ridículo (de humor)” dos homens (Letter XXVI).

E a grande ameaça que há no verdadeiro humor revela-se nas situações mais corriqueiras, especialmente nas que se mostram realmente ricas e saudáveis para o espírito humano.
Consciente disso, Screwtape recomenda: “Agarre-o no momento em que estiver realmente humilde e insinue-lhe o pensamento: ‘Quem diria! Sou humilde!’. Imediatamente surgirá o orgulho por sua profunda humildade. Se ele despertar para o perigo e procurar sufocar essa nova forma de orgulho, que se orgulhe dessa tentativa - e assim por diante, em tantos estágios quantos quiser. Mas não por muito tempo, para não lhe despertar o senso de humor e da proporção; nesse caso, ele rirá na sua cara e irá dormir” (Letter XIV).
Em outra passagem, louva os estados de depressão e vazio existencial, como os mais propícios para fazer seu paciente “perder a cabeça” e cair na “arapuca”:

“Deixe-o sem fazer nada por muito tempo. Mantenha-o acordado à noite, não na farra, mas olhando para um fogo morto, numa sala fria. As atividades saudáveis e extrovertidas que desejamos que evite podem ser inibidas - sem termos que lhe dar nada em troca -, para que afinal, possa dizer, como um dos meus pacientes, ao chegar cá em baixo: ‘Vejo agora que passei a vida sem fazer o que devia e nem tampouco o que gostava’” (Letter XII).
O leitor encontrará, ao longo de todo o livro, uma série de exemplos deste “humor proporcional” ou metafórico, que diz uma coisa para significar outra, inclusive na própria postura que o autor expressa a respeito de “Deus e o mundo”.

Logo no Prefácio, Lewis responde explicitamente à pergunta de vários leitores, se, afinal de contas, acredita ou não no Diabo e no Inferno, com um verdadeiro “tratado anti-maniqueísta”:

“Ora, se por ‘Diabo’ entende-se uma potência oposta a Deus, existente por si mesma desde toda a eternidade, a resposta é certamente ‘não’. Não existe ser incriado, exceto Deus. Deus não tem opostos. Nenhum ser poderia atingir a ‘perfeita maldade’, oposta à perfeita bondade divina, visto que, tiradas todas as espécies de coisas boas (inteligência, vontade, memória e a própria existência) nada restaria dele. O certo seria perguntar-me se creio nos diabos. Sim, creio. Ou antes, creio nos anjos e creio que alguns deles, abusando do livre-arbítrio, tornaram-se inimigos de Deus. (…) Satã, líder e ditador dos diabos, é o oposto não de Deus, mas de Miguel”.

E recomenda, quanto ao seu próprio livro, que não o encarem como algo extraordinário, mas como algo que foi facilmente escrito (porque a fonte inspiradora foi o seu próprio coração). Por outro lado, foi penoso e difícil (porque não é fácil torcer o pensamento para a atitude diabólica, que com o tempo provoca uma espécie de “cãibra espiritual”). Sugere que seus diabos não sejam encarados mais do que como “símbolos ou personificações de abstrações e o livro, uma alegoria.


 (1) Screwtape letters, Londres, William Collins. Em edição brasileira Cartas de um diabo a seu aprendiz, ed Martins Fontes.
 

Ó eu aqui outra vez!

Por as em July 2007 na categoria Fotografia, Idéias, Opinião

Nove semanas depois do anúncio das mudanças no .gospel, eu estou de volta, mas apenas como um autor no nosso querido blog. Ainda não sei com que frequência estarei compartilhando idéias e fotografias com vocês, mas tentarei colaborar pelo menos uma vez por semana.

Para quem não sabe, eu agora moro no Estado da Carolina do Norte e trabalho para empresa de Software Livre Red Hat, Inc. A mudança para nossa nova casa foi sem problemas ou complicações.

Estamos visitando a Igreja C3 que fica uns 15 minutos de nossa casa.

Minha esposa está para dar a luz (nosso terceiro) no final de Setembro. A gravidez está indo super bem graças a Deus e logo logo estarei apresentando para vocês Luke Anderson Silva.

Outras novidades incluem…

  • Eu não tenho mais um Macbook Pro, agora estou usando um laptop Intel Core2Duo com Ubuntu Linux.
  • O site oficial do Fruto Sagrado não existe mais (isso não quer dizer necessariamente que a banda acabou, eu não sei do paradeiro da banda, infelizmente não tenho tido contato com membros há alguns meses). O www.frutosagrado.org agora é um site dedicado à banda, mas sem associação direta.
  • Eu ainda estou ajudando o William na programação do CD Gospel Store.
  • No momento eu estou cogitando participar ou começar um novo projeto para promover Software Livre (Open Source) em Igrejas e Ministérios. O projeto que estou “paquerando” no momento se chama The Freely Project. Esta idéia rolou apenas hoje, então ainda está muito fresca e espero orar sobre o assunto durante esses próximos dias.

Por hoje é só pessoal!

AS

PS - Um pôr-do-sol na Carolina do Norte. Eu tirei esta foto uns 2 dias atrás.
widescreen sunset

Gays e Cristãos

Por Laila_Flower em July 2007 na categoria Idéias, Opinião

Ontem resolvi que deveria cortar meu cabelo. No fim de semana terei dois casamentos para ir então achei que seria apropriado cortar o cabelo.

 Meu cabelereiro, Ricardo, é gay. Ele é muito querido, meio tímido, mas sempre tem boas idéias para modificar meu cabelo conforme o meu formato de rosto e conforme a moda.

Esta manhã estava pensando do quanto eu gosto dele como pessoa e como o fato de ele ser gay não importa pra mim. Ele é um ótimo profissional e sempre é eficiente. Talvez um dia possa me tornar sua advogada e buscarei ser igualmente eficiente. Talvez mostrar nisso tudo o amor de Jesus, que morreu também por ele.

 Por isso que digo que fiquei horrorizada com uma notícia que li no Gospel +: Evangélicos estavam patrocinando outdoors contra gays. Provavelmente estava mostrando o amor de Cristo, né? Obviamente não!

Jesus teve contato com os grupos mais odiados, xingados e considerados “pecadores” em Israel: publicanos, prostitutas, samaritanos, romanos…Ele mesmo disse que estava aqui para os doentes e não para os sadios…Por que então agimos assim???

Ora, acho que nenhum gay, ao ler estes outdoors, iria se sentir amado por Cristo ou por qualquer cristão. Acho que nenhum gay vai sentir que Cristo o amou tanto que morreu por ele se evitarmos contato, condenarmos, etc.

É claro, sabemos que não é aquilo que Deus separou para eles. Na Bíblia, em 1 Coríntios 6.9, está escrito: “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos”

Isso não significa que devemos discriminá-los, não chegar perto, deixar de mostrar que Cristo os ama.

A função do cristão é mostrar publicamente  amor de Jesus, e não julgar o mundo.

Nem toda música secular é má (I)

Por Dan em April 2007 na categoria Idéias, Música, Opinião, Vídeo

Estou começando um quadro novo no blog onde de vez enquando vou pegar uma música secular que fala ou falou comigo… tentarei postar um vídeo e a tradução da música para galera tomar suas próprias conclusões. A primeira é a música What a Wonderful World por Louis Armstrong.

What a Wonderful World - Louis Armstrong

Eu vejo árvores verdes, rosas vermelhas também
Eu vejo elas brotarem para mim e para você
E eu penso comigo, que mundo maravilhoso

Eu vejo céus azuis e nuvens brancas
O dia abençoado iluminado, a noite escura sagrada
E eu penso comigo, que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris, tão lindo no céu,
Também estão nas faces das pessoas que passam
Eu vejo amigos apertando mãos, dizendo “Como vai?”
Eles na verdade dizem “Eu te amo”

Eu ouço nenéns chorando, Eu vejo eles crescerem
Eles vão aprender muito mais do que eu jamais conhecerei
Eu penso comigo, que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo, que mundo maravilhoso

Oh yeah

Ler devia ser proibido

Por Luciana em March 2007 na categoria Artigos, Idéias, Opinião, Vídeo

A principio, a afirmação acima parece ser bem absurda, mas ao me deparar no orkut e ler a descrição da comunidade com este mesmo nome, tive que concordar.

O video não deixa dúvidas da transformação que o ser humano tem ao ler um livro. O que me deixou a questionar, se determinadas pessoas não tentam impedir que cheguemos perto de livros para que não haja mudanças significativas. 

Ler devia ser proibido

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A leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.)Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.