Aliança

Por as em April 2008 na categoria Espiritual, Fotografia

Genêsis 9:9-17
Faço a minha aliança contigo, com todos os teus descendentes, e não só em relação a esses mas a todo o ser vivo que trouxeste contigo durante o dilúvio: Nunca mais mandarei à terra uma cheia semelhante que destrua tudo o que existe. E este será o sinal da aliança eterna que faço convosco: aparecerá um arco-íris na atmosfera. Quando o céu se acumular de nuvens e houver chuva há-de aparecer esse arco, como lembrança da minha aliança contigo e com todo o ser vivo de que nunca mais destruirei a vida que existe, por meio de um dilúvio semelhante. O arco-íris lembrará, a todos os seres que existem na terra, a aliança que faço convosco.

Covenant, originally uploaded by afsilva.

Por Pr. Ricardo Gondim.

O  mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno.

Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “ a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.

Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis.
O que fazer? Tenho algumas idéias.

Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre Cd de música ou de pregação - inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras - idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam.

Não vá a congressos - inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos “louvorzões”. Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique, a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da “teologia da prosperidade”. Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso.

Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo.

Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério:

Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro?
A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”?
Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis?
Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado.

Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta.

So haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira - o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar.

Concordo, ninguém agüenta o jeito como as coisas estão.

Soli Deo Gloria.

Quem achou a agenda de Deus?

Por leone em March 2008 na categoria Espiritual, Opinião

Jesus disse que quem recebesse um pequenino, uma criança; o semelhante; ou um profeta, ou um exilado e estrangeiro; ou que visitasse doentes, presos injustamente [ou com justiça]; que desse aos desconhecidos agasalho no frio, comida na fome, água na sede, e que tratasse a todos como gostaria de ser tratado com justiça e bondade — esse estaria, está e estará servindo a Jesus; e vivendo no altar de Deus, cultuando enquanto respira; e fazendo tudo o que de fato a Deus interessa no mundo em relação a ser adorado pelo homem.

Tudo o mais não conta para o bem no juízo entre cabras e ovelhas; ou no dia da separação do joio do trigo; ou mesmo no dia em que a rede que hoje pesca peixes bons e maus será objeto de intervenção de anjos, separando peixes bons de maus.

No final somente as coisas do amor serão contadas e permanecerão.

Ora, Aquele que neste mundo [para não falarmos na Vida da qual Ele é autor] mais viveu assim, foi Quem nos ensinou que a vida é assim: Jesus.

Ele escolheu gente inexpressiva ao mundo-mundo, deu tempo a quem ninguém nada dava, mas apenas tomava; atendeu crianças sem influência, velhos sem futuro, loucos sem casa, figuras controversas, anti-cidadãos; enquanto chamou vários que não aceitaram, não aceitou muitos que se ofereceram, e foi deixando ficar quem foi ficando, até mesmo mulheres casadas, conforme Lucas 8.

Se Ele dormisse num lugar numa noite, no dia seguinte no máximo se acharia o resto do braseiro que teria aquecido a noite que se fora.

Jesus vive como um anti-rei humano. Ele é um anti-faraó: só levava o que se embutia no coração; e nada mais. Assim, Ele demonstra na prática como aquilo que aos homens era elevado, era abominação aos olhos de Deus; do mesmo modo que os impossíveis para os homens são possíveis para Deus; ou mesmo como é impossível um camelo passar pelo fundo de uma agulha, embora ele possa ser engolido por um fariseu legalista.

O que interessa a Deus?

Ora, tudo o que existe como prédio de Deus na Terra nada tem a ver com Ele, nem mesmo se fosse hoje erguido um santuário na Esplanada do Templo em Jerusalém. No final tudo tem a ver com o olhar de amor para com gente e a disposição de agir em amor prático em favor do próximo e da vida; ainda que o vento varra todas as evidencias e ninguém mais lembre em tempo algum daquilo que foi realizado sem Big Brother algum, nem mesmo o de sua justiça-própria.

No fim Jesus só vai querer saber se os atos de amor foram naturais em você. É por isso que as “ovelhas dessa graça” ficam surpreendidas ao serem chamadas para a Glória do Pai [Mateus 25]. Elas faziam porque era bom, justo e certo. Mas não pensavam em galardão algum. Afinal, o verdadeiro galardão é o privilégio da revelação e a alegria simples de servir sem qualquer outra expectativa.

No fim Jesus vai querer saber acerca de solidariedade e da fé que atua pelo amor; assim como quererá saber se você cuidou bem das criaturas e da criação; assim como de você mesmo; pois, o mais, não é agenda Dele.

Com Toda Certeza Nele,
Caio (por email)

Brooke Fraser - Shadowfeet

Por Luciana em March 2008 na categoria Espiritual, Vídeo

Faz algum tempo que não colocamos um vídeo por aqui. resolvi aproveitar pra “renovar” nossa videoteca e por uma música cuja letra nos faz lembrar que apesar dos problemas e dificuldades nós continuaremos de pé quando estamos junto a Deus e que ficar escondido não é a melhor saída.

Mesmo sabendo disso, às vezes é bom sermos lembrados de que Deus não nos abandona e também que não queremos abandona-lo mesmo quando o Senhor se mantém calado diante de nós.

Aproveitem o vídeo (legendado. pra quem nao fala inglês).

Desvairado Amor

Por as em March 2008 na categoria Espiritual, Opinião

Por Ricardo Gondim

As palavras, as sentenças, se desgastam; iguaizinhas aos tecidos, envelhecem e não agüentam um puxão. Quando uma declaração religiosa, por exemplo, vira clichê, ela não só pára de comunicar conteúdos belíssimos como chateia feito matraca.

Arrisco-me a escrever mais uma declaração que pode parecer vir do lugar comum religioso, mas não tem problema. Lá vai: todas as pessoas são amadas de Deus, independente de serem religiosas, atéias, boas, ruins, competentes, claudicantes. Sobre esta afirmação, qualquer um pode se sentir livre para trabalhar a sua humanidade sem medos, culpas ou tabus.

Atrevo-me a dizer mais: não existem engrenagens espirituais de prêmio e punição que forçam as pessoas a fazerem o bem ou a fugirem do mal. As cobranças, com normas punitivas, não podem ter força de organizar a vida. Em outras palavras, ninguém precisa temer as ameaças oriundas de uma lei moral, mesmo eterna.

Mando um recado para os neo-pentecostais: não se amedrontem com possíveis ataques do diabo; ele nada pode contra os filhos de Deus senão infundir medo; seu melhor desempenho se resume a gerar paranóias espirituais.

A bondade de Deus vem sobre todos indistintamente, e sem méritos. Inclusive, estas declarações podem ser instrumentalizadas para legitimar até perversidades e horrores. Permaneço convicto de que o pior crápula, o mais perverso e inclemente ser humano, vive debaixo do cuidado de um Deus que não é ranzinza; seu favor vem caudalosamente. Indistintamente, o sol brilha, a noite chega, a chuva molha.

Vou além: a sorte do mais piedoso santo não obedece a uma lógica de prêmios e vantagens. Os humanos não vivem presos numa cadeia de causa e efeito. Deus não solta gafanhotos sobre ninguém – mesmo quando as pessoas se comportam como bandidas, ele insiste em sua benignidade – “é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento”. Deus vela afetuosamente pelos humanos - bons e ruins; ele não faz acepção.

Deus não desgraça a vida financeira dos avarentos – eles é que atolam em seus egoísmos. Mesmo quando alguém prefere ser infiel, Deus permanece fiel. O Todo-poderoso não atrela seus atos às oscilações emocionais ou comportamentais das pessoas; ele não dá as costas aos que erram. Deus é paciente com todos, pois conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.

O amor de Deus é incondicional, sua graça, absurdamente ilógica; sua bondade, estupidamente despretensiosa; sua benignidade, além de uma contabilidade com depósitos e saques.

Se essas afirmações forem usadas como justificativa para comportamentos malignos – já foram muitas vezes-, ainda assim, Deus não abre mão da liberdade que concedeu aos humanos. Ele não temeu a dor de soberanamente criar filhos assim, com vontades; ele deseja que livremente o conheçamos como um Pai amoroso e bom.

Ainda bem que esta liberdade radical também é usada por aqueles que desejam desenvolver a sua humanidade; só os autenticamente livres amadurecem e aprendem a conviver com o próximo. Para acontecer, a vida precisa de liberdade –sem remorsos, coações, subornos.O Evangelho de Jesus de Nazaré propõe uma liberdade radical, sem a tutela da lei, sem prêmios e sem ameaças.

A pergunta é: caso fossem retirados os imperativos divinos e sobrasse apenas a sacralidade da vida, quem se atreveria a fazer o bem, a defender a justiça e a proteger os frágeis? Se alguém gasta sua riqueza e ajuda, mas com a intenção de prosperar, ele não é nobre, apenas esperto. Se alguém almeja ser santo para ganhar algum galardão no céu ou uma vida melhor numa possível reencarnação, ele não é digno, apenas interesseiro. Se alguém quer andar sobre a risca da lei com medo de possíveis ataques do diabo, ele não é verdadeiro, só covarde.

O cristianismo propõe outra têmpera para a vida. Jesus anunciou a chegada de um Reino diferente; o propôs, chamando-se de Filho do Homem, para que toda a humanidade se empenhasse por esse Reino - mesmo os que não conseguem acreditar em Deus.  A sua pregação é um mandado para que cooperemos na construção de um mundo mais justo e humano, mesmo que Deus não exista e não haja qualquer recompensa – ou punição - além da morte.

O imperativo ético de cuidar do jardim da vida é universal e esta tarefa precisa se dar com liberdade - que também pode ser chamada de Graça.

Soli Deo Gloria.

Imparcialidade faz bem!

Por Sarah em February 2008 na categoria Espiritual, Opinião

Nosso costume de sempre tomar partido em alguma coisa, ficar de um lado, pode ser bom e ruim. Bom, por termos uma idéia a defender, não ficando de um lado ao outro, sem definição. Ruim, porque nos tornamos, aos poucos, defensores agarrados demais a idéias que já nem sabemos do que tratam. Nos esquecemos que alguns momentos pedem imparcialidade.

Esse lado negativo, infelizmente, é muito forte nesse ambiente de igrejas que freqüentamos, ou conhecemos bem. Líderes, conhecidos ou não, conquistam as pessoas com seus discursos. E essas pessoas são influenciadas de tal forma que param de pensar por conta própria, passando a defender as idéias daquele pastor/bispo/teólogo (o que for) como se só aquilo, e nada mais, fosse correto. Mas a questão nem é se está tudo correto, e sim o motivo pelo qual as pessoas defendem tal coisa. Não seria apenas porque foi dita pelo ser admirado?

Onde estará o senso crítico? A capacidade de filtrar o que é certo, bom, edificante e acrescentar isso à própria opinião, parece estar perdida. Pois o que vemos com freqüência são pessoas que, se vêem determinada pessoa dizendo que 2+2=5, vão defender isso até à morte. Exagero? É melhor não nos arricarmos a dizer que sim.

Precisamos ter em mente que nenhuma opinião, ou interpretação pessoal tem valor maior que o que está na Bíblia. E se seguimos um ser humano, tão propenso a errar quanto nós mesmos, frustração é o mínimo que iremos enfrentar. Nosso posicionamento, algumas vezes, deve ser não tomar posicionamento nenhum. Não porque somos incapazes de defender uma idéia, mas porque não faremos isso sem ter certeza de que é a idéia que defendemos, e não a pessoa por trás dela.

Fé radical

Por leone em February 2008 na categoria Espiritual

Numa fábula árabe as mariposas queriam entender sobre a luz. Elas desejavam saber o segredo de se sentirem tão fascinadas pela chama de uma vela. O que as deslumbrava? Seria a luz ou o calor? Pediram a ajuda da mariposa rainha. Depois de meditar sobre o assunto, ela aconselhou que cada uma, individualmente, procurasse encontrar a resposta. Todas saíram procurando desvendar o segredo do fogo.

Passado algum tempo, uma mariposa voltou cega de um olho, afirmando que havia chegado perto demais e que a luminosidade da vela lhe tinha ofuscado; e que continuava sem entender os mistérios da luz. Outra voltou com uma asa queimada, reconhecendo que sua experiência não fora satisfatória. Por séculos as mariposas não entenderam porque a luz lhes extasiava tanto. Até que um dia uma voou na direção de uma lamparina com tanta determinação que morreu queimada. Nesse dia a mariposa rainha falou: “somente esta mariposa conheceu o mistério do fogo, mas nós nunca saberemos”.

A experiência com Deus é muito semelhante a essa fábula. É um encontro com o transcendente que não pode ser contido na dimensão do saber empírico. Ninguém aprende sobre o eterno valendo-se das mesmas ferramentas experimentais de um cientista. Portanto, estão errados os ateus que buscam na exatidão matemática ou na pesquisa astronômica os meios de provar a existência de Deus. Estão também errados os teólogos que tentam responder as acusações dos ateus com “argumentos ainda mais sólidos” sobre a realidade divina.

A experiência com Deus é espiritual, portanto, mulheres e homens naturais não conseguem alcançar ou discernir. O crente ouve uma voz inaudível, sente-se acompanhado por uma presença imperceptível e aprende verdades inaprendíveis. Infelizmente, o ocidente iluminista, positivista, acredita poder abraçar as verdades espirituais com as mesmas ferramentas que usa para estudar química e biologia. Quando Jesus afirmou que suas ovelhas ouvem a sua voz, ele não se referia à audição física, mas a uma intuição espiritual que precisa ser desenvolvida como uma sensibilidade imaterial.

A experiência com Deus é sempre inédita. E cada encontro com Deus será original, nunca previsível. As religiões, com seus ritos, procuram domesticar o sagrado, mas Deus não se permite engaiolar por qualquer liturgia. Não existe uma rede grande o suficiente que prenda o Todo-Poderoso, que é livre para agir como e quando quer.

Em diversas ocasiões Deus manifestou sua presença com um vazio imenso. Em outras, “as abas de suas vestes enchiam o templo”. Ele sempre frustrou magos e feiticeiros que prometiam controlar seus atos. Os verdadeiros profetas sabiam que Deus não se deixa manifestar por qualquer amarra.

A experiência com Deus é sempre pessoal, intransferível. A maneira como cada um entende e percebe o Senhor é única. Por isso, ele é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Ele é o Deus que se relaciona com cada pessoa com absoluto respeito à sua individualidade. O Senhor conhece as pessoas pelo nome e se manifesta com total respeito à história de cada um.

Sendo assim, a experiência com Deus requer radicalidade. Para percebê-lo é preciso um vôo tão profundo e radical como o da mariposa que morreu. Conhecer a Deus é mergulhar no mistério, mesmo que isso custe a própria existência. Os que tangenciam a flama com curiosidade nunca aprenderão sobre o divino.

Na Índia, contam que um mestre meditava à beira do rio. Um discípulo aproximou-se pedindo ajuda, pois não conseguia ter um encontro significativo com Deus em seus exercícios espirituais. O mestre tomou o jovem pela mão, levou-o até o rio e o forçou a ficar debaixo d’água, segurando-o pelo cabelo. Depois que deixou o rapaz quase três minutos sem fôlego, puxou-o de volta para que, desesperado buscasse pelo ar. O mestre então lhe ensinou: “se você buscar a Deus com a mesma intensidade como procurou o oxigênio que lhe dá vida, certamente, o achará”. A Bíblia promete que acharemos o Senhor “quando o buscarmos de todo o coração”.

Assim, quando cada um procura conhecer a Deus e se entrega com radicalidade a essa busca, descobre a razão última da vida.

Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim.

Isaias 61:11

Por as em February 2008 na categoria Espiritual, Fotografia

O Senhor mostrará às nações do mundo a sua justiça, e todos o louvarão. A sua rectidão será como uma planta cheia de rebentos e de flores em botão; como um jardim no princípio da Primavera, cheio de novas plantas desabrochando por toda a parte.

Pink, originally uploaded by afsilva.

I’m tired too

Por as em February 2008 na categoria Espiritual, Opinião

Mentoria - Resista a tentação.
Ricardo Gondim.

Prezado Diego,

Continuemos. Você lidera uma comunidade de fé e seu perfil, bem como o meu, vem de uma tradição evangélica. Somos herdeiros, quer gostemos ou detestemos, do fundamentalismo estadunidense. Nosso berço foi construído por missionários enviados “para as terras pagãs brasileiras” que lutaram para nos evangelizar.

Como terceira, ou quarta, geração depois das primeiras fornadas de missionários, só guardamos uns meros traços desse pedigree. O Brasil é realmente uma panela onde se misturaram diversos temperos culturais e raciais. Tenho certeza que os fundamentalistas que aportaram por aqui no começo do século XX já não reconheceriam as igrejas que inauguraram. Nos últimos 30 anos os evangélicos adquiriram outra identidade.

Eles têm um perfil religioso que se nacionalizou; ficou com outra cara ao incorporar rituais, símbolos e mitos tanto do catolicismo como das religiões afro-brasileiras. As novenas católicas, por exemplo, se aculturaram e passaram a ser chamadas de “corrente de oração”; as fitinhas do Senhor do Bonfim amarradas no braço (com outros dizeres, obviamente) guardam a mesma função de proteger como nos terreiros da Bahia.

Não faço um juízo de valores sobre tal sincretismo. Entendo que toda expressão religiosa, inclusive a judaica, absorve práticas e crenças de outras culturas – os estudiosos afirmam que o zoroastrismo influenciou bastante o judaísmo. Censuro o abrasileiramento dos evangélicos por razões éticas. Percebo oportunismo na esmagadora maioria dos líderes que adotaram as práticas afro-brasileiras e católicas, porque procuram lotar o templo a qualquer custo. Isso é ruim.

Diego, aqui está o seu desafio. Como contextualizar a mensagem sem descambar para um cinismo oportunista. É muito fácil seguir por atalhos na religião. Quando um sacerdote percebe o viés místico de uma determinada cultura e a manipula, reforça, com certeza, vai inchar o seu auditório. O que se observa no cenário religioso latino-americano é que igrejas se inflaram de gente interesseira, que busca um deus pelo que ele possa dar.

Perceba o cenário atual. A indústria do consumo martela diariamente que a felicidade chega junto com os últimos lançamentos tecnológicos do mercado. Acontece que a oferta de bens é maior do que o poder aquisitivo da maioria. Por isso, para contornar o problema, alongam-se os crediários - é possível comprar quase tudo em prestações a perder de vista. Agora, imagine um líder religioso, que se diz em perfeita sintonia com Deus, prometendo riqueza e prosperidade para quem obdecê-lo.

Essa mentalidade tornou-se tão difundida na cristandade latino-americana, que o culto deixou de ser um espaço onde se fomentam virtudes, vida, para tornar-se uma aula de auto-ajuda – ou de “psicologia-de-revista-de-fofoca”. Nessa toada, pastores prometem mundos e fundos, juram que todos os que ofertarem receberão de Deus cem vezes mais; tele-evangelistas propagandeiam milagres espetaculares, curas fantásticas e riquezas fáceis.

Mas quando se observam esses pretensos milagres com um mínimo de bom senso, nota-se que os discursos não passaram de charlatanismo confeitado com piedade.

Eles dão a entender que Deus se especializou em curar caroço, dor no braço, mal estar em velhinhas, mas se esqueceu das síndromes de Down, das paralisias cerebrais e das quadriplegias. Sou mortal, finito e bastante pecador, mas posso afirmar que se fosse Deus, com disposição para operar maravilhas, eu escolheria os mais carentes, os mais desamparados, os mais doloridos.

Por que Deus faria milagres menores, perfeitamente passíveis de serem curados pela medicina, para abandonar os indigentes que morrem de câncer nos hospitais? Por que a agonia gratuita e absurda de crianças continua nas favelas e nas comunidades ribeirinhas? Ainda: por que Deus emprestaria o seu nome para servir de propaganda para evangelistas com gravíssimos desvios éticos?

Escrevo para que você não se sinta diminuído ou menos “abençoado” por não participar da mentalidade que se difundiu entre os evangélicos. Sua vocação tem a ver com a construção de um mundo mais justo e mais humano. Sua missão é ajudar as pessoas a serem verdadeiras, solidárias; enfim parecidas com Jesus de Nazaré.

Por causa da graça, acredito que os milagres não são da competência de homens e mulheres – Deus não faz mais ou menos pelo número ou pela qualidade das nossas orações. Por causa da graça, acredito ser mais nobre nos dispormos a encarnar as mãos, boca e pés de Deus, do que implorar que ele resolva, por intervenção sobrenatural, os problemas da vida.

Soli Deo Gloria.

G. K. Chesterton “de grátis”

Por leone em January 2008 na categoria Espiritual, Opinião

A Editora Mundo Cristão está lançando a obra “Ortodoxia” do renomado escritor G. K. Chesterton. O Livro custa R$ 19,90, mas hoje (e somente hoje) a editora está disponibilizando o livro em .pdf pra download pra comemorar o centenário do 1º lançamento de “Ortodoxia”. Basta fazer um cadastro aqui e pronto, o livro é seu!

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