Atirando a Primeira Pedra

Por Laila_Flower em 19 março 2009 na categoria Opinião

Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela” João 8.7

Muitas vezes meu coração dói ao verificar a arrogância de alguns tipos que se dizem “seguidores de Cristo”. O próprio Cristo deu um exemplo que hoje em dia se faz cada vez mais dificil para alguns seguir.

O contexto do versículo que postei no início mostra Jesus no templo sendo interrogado por fariseus e mestres da lei sobre o que deveria ser feito a uma mulher adúltera. A resposta seria tecnicamente muito simples:  apedreje-a. Afinal de contas era isso que a Lei de Moisés dizia - além de ser uma boa oportunidade para “incriminar” Jesus. Era uma simples aplicação, o que poderia sair de errado? O que poderia ser feito?

Hoje vejo em muitas situações aqueles que se dizem “cristãos” fazerem algo tão simples quanto: se a Bíblia afirma, basta apedrejar. Os conceitos estão formados, as regras estão aí, somente devemos aplicar…e apedrejar. E no momento em que encontram alguém fazendo aquilo que a Bíblia não aprova (e muitas vezes adicionando palavras à Bíblia), basta mirar. Como grandes “guardiães”, não aceitam sequer o convite para um novo pensar.

Eis que esquecem que o texto continua e nos leva à sua frase mais célebre, o versículo postado no início do texto: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. Jesus mostrou algo muito simples, a humildade. Não se pode dizer que Jesus fez “vista grossa” ao pecado da mulher adúltera. Jesus amou a pecadora, e não o pecado. Evidenciou que ninguém é melhor que ninguém aqui e todos temos pecado.

Algo importante que quero destacar é que Jesus mostrou ali qual posição que devemos ter diante do pecador. E não deixou outro modelo a nós se não amar o pecador, rejeitando o pecado.

Jesus sempre foi criticado por comer junto dos publicanos e pecadores. Quando Jesus foi comer na casa do publicano Mateus (Mateus 9), não vemos um Jesus que olha o pecador e o acusa (ELE não tinha pecado!), não vemos um Jesus crítico que chega na casa apontando coisas que deveriam ser devolvidas, tampouco mostra Jesus dando uma lição cheia de regras de convivência. Jesus apenas foi à casa de Mateus para uma refeição! Ele não julgou, apontou, criticou…ELE AMOU.

Jesus veio para revolucionar o mundo. Ele cumpriu a lei, mas não a impôs, nos dando um novo reinado onde o legislativo chama-se Espírito Santo e o nosso judiciário é a Graça. Ao invés de acusar e estender nosso indicador na cara do primeiro pecador que encontramos na rua, devemos amá-lo, deixando nosso amor transparecer AQUELE que é AMOR.

Contudo, há também de se lembrar que amar o pecador não nos exime de ter discernimento dentro da igreja.

O pecado dentro da igreja deve ser solucionado à base de amor, lembrando sempre de discernir. Se temos amor por alguém, não vamos defendê-la ao ponto de não admitir que há pecado nela. Que amor é esse que não cuida, que não aceita a repreensão?

Ainda há aquele tipo onde o pecado torna-se evidente a ponto de desviar pessoas dentro da igreja. Muitos, sob o manto de liderança, pecam a levam outro a pecar. Isso nos permite, então, atirar a pedra? De jeito nenhum. Podemos discernir, não seguir, aconselhar outros a fazerem o mesmo. Mas não JULGAR, CONDENAR, MATAR. Afinal, quem é o acusador se não Satanás?

Por isso concluo: quem atirar a pedra. Mostre seu certificado de não-pecador. Ah, qual foi a posição mesmo Daquele que não tinha pecado?

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9 Comments

  • Continuando minha cruzada pela chatice da blogosfera, que já teve como alvo vários blogs de amigos, aqui compareço para discordar respeitosamente… =)

    Primeiramente, o amor não é o legislativo. A Lei de Deus, que não é a Lei dos Hebreus, aquela constante no Pentateuco, mas a lei inscrita no coração de todo ser humano, conforme a carta aos Romanos, existe no interior de todo homem, independente de conhecimento, prática ou religião. O amor cumpre essa lei.

    A Graça não é o judiciário. O Amor e a Graça de Deus salvam os eleitos, mas não eliminam o julgamento justo da humanidade indesculpável, mais uma vez, conforme Romanos (acho que por isso muita gente diz que Paulo perverteu o cristianismo: o ensino dele meio que destrói alguns pontos dos liberais).

    Jesus tinha procedimentos estranhos. Ele não permitiu que apedrejassem a adúltera, mas desceu o chicote nos vendilhões do templo. Aliás, a imagem do Mestre com o chicote na mão tem sido pouco lembrada, esquecida em uma curva qualquer rumo ao Cristo água-com-açúcar.

    O Amor cumpre a Lei. A Graça salvífica perdoa. Mas o pecado deve ser extirpado da mesma forma. A misericórdia divina justifica o pecado, não o libera. Sei que não foi o que você quis dizer, mas só pra lembrar caso alguém tenha entendido mal.

  • achei mto interessante o ‘amar’ e ajudar o pecador…
    o q a gte ve mto nas igrejas hj eh…:

    ‘fulano erro, coloque em disciplina…’

    mtas das vezes, isso eh o ‘apedrejar’…

    algo interessante q achei no texto eh isso… vc nao precisa concordar com o pecado… nem aceita-lo…
    mas sim ajudar o pecador a superar o pecado e pelo que eu vi em todo esse tempo, nao acredito q tenha outra forma de fazer isso se nao for atravez do amor… o mesmo amor incondicional q ELE teve conosco ao morrer pra nos salvar…

  • concordo com a posição do téo..
    e complemento dizendo q n podemos nos esquecer do perdão, afinal, o amor não é apenas um sentimento, mas acima de tudo traduz-se em atitudes.
    Acredito que dentre as expressões do amor o perdão seja a mais sublime..
    no entanto, até mesmo o amor e as formas de amar devem ser pautadas sempre na Palavra. Como vc disse Jesus cumpriu a lei, e ele mesmo menciona que tb não a anulou, antes, toda a lei se resume em amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Ou seja, a lei n foi revogada, e não foi instituído um novo sistema pq o amor sempre fora a norma q fundamentou toda a legislação divina, antes e após Cristo.
    Jesus pode n ter atirado a pedra na mulher, e nem permitiu q outros assim fizessem, mas ele n ficava inerte diante de cenas q desrespeitassem a Deus e fossem contra a Palavra.
    A questão é q Jesus sabia medir suas atitudes e tomá-las da forma correta na hora correta, sem no entanto, deixar de amar-nos menos ou mais… creio q é este tipo de discernimento q precisamos..

  • Comentando o Teo e a Kessia: o que quis dizer que a graça é o nosso judiciário, quis apontar o potno da justificação (tornar justo). Obviamente não está descartado o julgamento, mas o nosso julgamento tem outras bases, não acha? Estamos diante do juiz como lobos com pele do Cordeiro, e recebemos a sentença que seria do Cordeiro.
    A lei nõ foi revogada, mas não está mais aplicada à nós, que estamos com o Messias.
    O amor é a raiz do onde provém o perdão e a salvação. Como disse a Késsia, o perdão é uma expressão do amor. E sem ele não existe. O que nos foi passado é odiar, agredir, revidar. Jesus nos fala sobre amar. Não é revolucionário?

  • O amor não carrega preconceitos.
    Mas o preconceito leva ao desamor, à separação e à segregação.

    Sim, a Graça é o ponto de justificativa dos atos de amor.

  • A mulher adúltera pelo que entendo, reconheceu seu pecado,chorou aos pés de Jesus…
    Quanto aos homens que negociavam no templo, não tinham nenhum sentimento que os fizessem perceber que estavam fazendo algo de errado…

  • continuando o texto disse Jesus ninguem te condenou vai e NÃO PEQUES MAIS PARA QUE Ñ TE ACONTEÇA COISA PIOR

  • Amar não é dom e sim mandamento…
    É, entendo que com tantos comentários se o amor fosse dom muitos nem buscaria ter esse dom e ainda diriam em momentos como da mulher adúltera não tenho o dom do amor. Mas é importante lembrarmos que se ao invés de um irmão fossemos nós o pecador, será que pensariamos cm pensamos em somente punir o nosso próximo….

    É importante lembrar que há dois tipos de amor: o amor humano (que é condicional, eu te amo segundo o que vc me proporciona), e o amor de Deus ( que é incondicional, independe o que podemos proporciona lo) . Amemos uns aos outros segundo o amor de Jesus, “Pai perdoas os pois não sabem o que fazem”. É realmente o perdão é uma expressão do amor de Deus…
    “O amor é o que o amor faz”

  • Carlos Roberto julho 9th, 2009 11:51 am

    NÃO JULGUEIS…
    CRITICAR PODE?

    “NÃO JULGUEIS PARA QUE NÃO SEJAIS JULGADOS. POIS, COM O CRITÉRIO COM QUE JULGARDES, SEREIS JULGADOS E COM A MEDIDA COM QUE TIVERDES MEDIDO, VOS MEDIRÃO TAMBÉM”
    Mateus 7: 1 e 2

    O texto usado precisa ser olhado dentro de contextos que começam afirmando: “Somente deveis portar-vos DIGNAMENTE conforme o EVANGELHO de Cristo…” - Filipenses 1:27. Não podemos utilizar a humildade para “escondermos” coisas que contrariam princípios estabelecidos nas Escrituras. A exortação de Paulo é clara quando recomenda um comportamento digno fundamentado nos Evangelhos, o que tem sido um peso para muitos hoje, afinal aceitar como práticas que violam o culto e a relação de intimidade do homem com Deus tornou-se uma prática comum hoje e quando alguém “CRITICA” logo vem a idéia de que este está querendo ser melhor que os demais. A coisa não é bem assim, precisamos tem coragem para apontarmos os erros sim, afinal o Evangelho a cada dia está sendo “ridicularizado”, sendo usado para “fins comerciais” enquanto milhões estão sendo enganados por uma religiosidade vazia e sem compromisso com Deus.

    O Evangelho precisa ser respeitado, precisa voltar as origens e resgatar a sua “CREDIBILIDADE”, do contrário… A Bíblia diz: “Tudo que é honesto, tudo que é verdadeiro, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama…” - Filipenses 4:8. Tudo isto está sendo deixado de lado dando lugar a uma religiosidade formalista voltada para o “materialismo provinciano” e a satisfação das necessidades do corpo e não da alma.

    A questão é que quando a “RAZÃO” é evidente não há como contestá-la ou abandoná-la, até porque seria omissão e ela por si só é pecado. Os fracos “escondem-se” ou “recusam-se” a manifestar as suas posições, muitos por comodidade outros por falta de firmeza nos argumentos. Não acreditar que somos o melhor, é ver que o melhor está sendo distorcido - no caso da religião - para atender a interesses que não contribuem para o fortalecimento do Reino de Deus.

    “CRITICAR”, quando envolve questões de fé, em hipótese alguma significa se “IMPOR” como maioral, sabichão ou como superior, antes, demonstra coragem já que o que está em jogo envolve a coisa mais preciosa para Deus, a alma do cidadão.

    Parece, pelos rumos que o cristianismo tomou, que ninguém pode mais fazer qualquer “CRÍTICA” a comportamentos distorcidos, a práticas não recomendadas ou a regras institucionais religiosas, pois estaria querendo se sobrepõem sobre os demais mesmo que tais situações estejam comprometendo a verdade imutável registrada na Bíblia Sagrada. E como os líderes “evangélicos” têm medo de serem criticados, alguns inclusive ameaçam recorrer à justiça para se verem livres de comentários que não lhes agradem. Esclareço que “EVANGÉLICOS” no caso, engloba no meu conceito, todos os que vivem da exploração materialista e comercial da fé hoje.

    O texto trata da humildade, mas “não proíbe” ou faz qualquer alusão a não fazermos “CRÍTICAS” contra atos que fujam do estabelecido nos ensinos apostólicos. Se não há um comportamento digno, se não há respeito ao Evangelho, se não há fidelidade no que é pregado é obvio que alguém precise levantar a voz e questionar os interesses e os objetivos de quem assim comporta. O contexto nos recomenda que: “Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros e sem “ESCÂNDALO” algum…- Filipenses 1:10. Se há comportamento que evidencia “ESCÂNDALO” ou algo semelhante obviamente que alguém irá condenar o que não significa superioridade, mas RESPONSABILIDADE.

    Diante de toda esta celeuma envolvendo o meio “evangélico” fica evidente que a “crítica” é necessária para coibir a ação de aventureiros, exploradores e de mercenários que hoje vivem unicamente na busca frenética de aumentarem seus impérios religiosos, de mostrarem quem é o maior e que tem mais “PODER(?)” para resolverem os “PROBLEMAS DOS OUTROS”, já que os seus eles não têm capacidade para tal… A briga religiosa e a disputa com a concorrência é até imoral.

    Carlos Roberto Martins de Souza
    crms2casa@otmail.com

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